Colocação Pronominal

A colocação pronominal faz referência à posição ocupada pelos pronomes pessoais oblíquos átonos em relação ao verbo. A colocação pronominal pode ser feita de três formas, existindo regras para cada uma dessas formas.

Os pronomes oblíquos átonos (o, a, os, as, lhe, lhes, me, te, se, nos, vos) podem ocupar três posições na frase:

1. antes do verbo: próclise

Exemplo:

Nunca me contaram a verdade.

2. no meio do verbo: mesóclise

Exemplo:

Contar-me-iam a verdade.

3. depois do verbo: ênclise

Exemplo:

Contaram-me a verdade.

Há várias regras de colocação pronominal que estudaremos abaixo. Contudo, há duas regras gerais que resolvem a maioria das dúvidas relativas ao assunto. São elas:

Regra Geral 1: Os pronomes oblíquos átonos nunca vêm no início da frase.

Exemplo:

Me convidaram para participar da reunião. (errado)
Convidaram-me para participar da reunião. (certo)

Nos entregaram os livros. (errado)
Entregaram-nos os livros. (certo)

É importante ressaltar que essa regra vale para todas as orações de um período, não apenas para a que o inicia.

Exemplo:

Entregaram-me os documentos e me convidaram para participar da reunião.

Está incorreto, pois a segunda oração (convidaram para participar da reunião) é precedida pelo pronome oblíquo átono me.

Exemplo:

Entregaram-me os documentos e convidaram-me para participar da reunião.

Está correto, pois em ambas as orações, o pronome oblíquo átono vem depois do verbo.

Regra Geral 2: A próclise é sempre correta, desde que, antes do verbo, não haja pausa, sinalizada pelo sinal de pontuação.

Exemplo:

Relataram-me o ocorrido, pediram-me um conselho, agradeceram-me pela ajuda.

Não há próclise, pois há pausas, sinalizadas pelas vírgulas.

Usos e regras da próclise

A próclise torna-se obrigatória quando houver palavra que atraia o pronome para antes do verbo. As palavras que atraem o pronome são as seguintes:

a) palavras ou expressões negativas (não, nunca, nada, etc.)

Exemplos:

Não me contaram a verdade.
Nunca me convidaram.

b) advérbios (sempre, hoje, agora, talvez, palavras terminadas em -mente, etc.)

Exemplos:

Sempre me convidaram.
Agora me amam.

c) pronomes indefinidos (alguém, outros, tudo, etc.) e pronomes demonstrativos (isto, isso, aquilo):

Exemplos:

Alguém me contou o segredo.
Isto me pertence.

d) conjunções subordinativas (embora, que, como etc.)

Exemplo:

Embora me convidassem para a festa, decidi não ir.

e) pronomes relativos (que, qual, quem, etc.)

Exemplo:

O professor que me ensinou Matemática não mais ensina aqui.

f) orações interrogativas diretas

Exemplo:

Quem te contou essa história?

g) orações exclamativas

Exemplo:

Quanto nos cansou essa viagem!

h) Se o gerúndio vier precedido de preposição ou de palavra atrativa, ocorrerá próclise:

Exemplos:

Em se tratando de licores, prefiro o de cereja.
Mudou-se de país, não nos revelando o motivo.

Usos e regras da mesóclise

A mesóclise é utilizada com verbos no futuro do presente ou no futuro do pretérito.

Exemplos:

Convidar-me-ão para a festa.
Convidar-me-iam para a festa.

Entretanto, quando há palavra atrativa, a próclise torna-se obrigatória.

Exemplos:

Não me convidarão para a festa.
Nunca me convidariam para a festa.

Atenção: o pronome oblíquo nunca vem depois do verbo no futuro do presente ou no futuro do pretérito. Essa colocação pronominal constitui erro gravíssimo.

Usos e regras da ênclise

A ênclise é obrigatória apenas quando o verbo inicia a oração e também quando ele, no interior da oração, é precedido de pausa, isto é, quando há sinal de pontuação. Mas quando o verbo não inicia a oração, pode-se usar próclise ou ênclise.

Exemplo:

Venderam-me esses relógios.

Ênclise dos pronomes o, a, os, as:

Os oblíquos o(s) e a(s) podem sofrer alterações quando aparecem em ênclise. Essas alterações dependem da terminação do verbo.

a) Verbo terminado em vogal: não há mudança nos pronomes o(s) e a(s)

Exemplo:

comprei + os = comprei-os.

b) Verbo terminado em r, s ou z: retira-se o r, s ou z e o pronome assume a forma lo(s) ou la(s).

Exemplo:

Vender + o = vendê-lo

c) Verbo terminado em som nasal (-am, -em, -õe, -ão, etc.): o pronome assume a forma no(s) ou na(s).

Exemplo:

fazem + os = fazem-nos

Colocação dos Pronomes nas Locuções Verbais

A locução verbal é formada por um verbo auxiliar e um verbo principal (infinitivo, gerúndio, particípio).

Exemplos:

Eu vou falar.
Verbo auxiliar vou + infinitivo falar

Eu estava falando.
Verbo auxiliar estava + gerúndio falando

Eu havia falado.
Verbo auxiliar havia + particípio falado

Regras de colocação pronominal nas locuções verbais:

a) Locução verbal com verbo principal no particípio

Nas locuções verbais cujo verbo principal é um particípio, o pronome deve ficar depois do verbo auxiliar. Contudo, se houver palavra atrativa, deverá ficar antes do verbo auxiliar.

Exemplos:

Havia-lhe confidenciado o segredo.
Não lhe havia confidenciado o segredo.

É inadmissível colocar o pronome depois do particípio.

b) Locução verbal com o verbo principal no infinitivo ou no gerúndio

Se não houver palavra atrativa, o pronome oblíquo vem depois do verbo auxiliar ou depois do verbo principal.

Exemplos:

Quero-lhe contar um segredo.
Quero contar-lhe um segredo.

Ia-lhe contando um segredo.
Ia contando-lhe um segredo.

Caso haja palavra atrativa, o pronome vem antes do verbo auxiliar ou depois do verbo principal.

Não lhe quero contar o segredo.
Não quero contar-lhe o segredo.

Não lhe ia contando o segredo.
Não ia contando-lhe o segredo.