Roma Antiga

A ORIGEM DE ROMA

Roma Antiga se desenvolveu na península Itálica, limitando-se ao norte com a Europa centro-ocidental através dos Alpes. A Roma Antiga foi fundada no Lácio: aproximadamente quando do ano 1000 a.C., latinos e sabinos, numa tentativa de defender o Lácio contra as frequentes incursões militares etruscas, fundaram fortalezas e aldeamentos militares, implantados entre sete colinas às margens do rio Tibre. Propiciando segurança e defesa, esses pequenos núcleos militares passaram a abrigar viajantes, notadamente comerciantes, que viajavam pelo rio, interessados num lugar tranquilo para o repouso noturno. Assim, essas aldeias militares foram, pouco a pouco se agrupando, conhecendo uma pequena prosperidade econômica e formaram a cidade de Roma.

De início, ela compreendia só uma margem do Tibre - a Roma Cistiberem ("aquém do Tibre"); logo, surgiria a Roma Transtiberem ("além do Tibre"), ligada à primeira pela Ponte dos Suplícios. A fundação de Roma, uma pequena, simples e pobre cidade em seus primórdios, foi alvo de uma explicação mitológica, encontrada na obra "História de Roma", de autoria de Tito Lívio, e na Eneida, poema de Virgílio.

A VERSÃO MÍSTICA DA FUNDAÇÃO DE ROMA

Em Alba Longa, cidade fundada na região do Lácio pelo filho de Eneias, o cruel e ambicioso rei Arnúlio, que destronara seu irmão mais velho Numitor, buscando garantir a posse do trono, assassinara seu sobrinho, filho de Numitor, e ordenou que os herdeiros de sua sobrinha Réa Silvia - Rômulo e Remo - fossem jogados no Tibre. Salvos por uma loba, que os amamentou por determinação do deus Marte, pai das crianças, os dois irmãos foram resgatados por camponeses e, pouco depois, depuseram Arnúlio em Alba Longa, fundando a cidade de Roma. Segundo a lenda, após graves desentendimentos, Rômulo matou seu irmão, tornando-se o primeiro rei da cidade.

A Península Itálica, berço geográfico da cidade de Roma, é limitada ao norte pelos Alpes, que praticamente a isolam da Europa Central; a leste, localiza-se o Mar Adriático; a oeste, o Mar Tirreno e, ao sul, o Mar Jônico. Seu relevo - no sentido norte-sul - é modelado pela cadeia dos Apeninos, espinha dorsal da Itália que separa as férteis planícies do Tirreno das também férteis planícies do Adriático, regiões cortadas pelos rios Pó, Arno e Tibre. Nas proximidades da área peninsular, encontram-se três grandes ilhas: Sardenha, Córsega e Sicília.

Quando da fundação de Roma, por volta de 750 a.C., a Península Itálica era habitada pelos seguintes povos: na extremidade setentrional, entre os rios Pó e Arno, situava-se a Gália Cisalpina, povoada por comunidades de origem céltica. Mais para o sul, na planície entre os rios Arno e Tibre, moravam os etruscos. O centro da Península, na região do Lácio, era o território dos povos italiotas (destacando-se os oscos, úmbrios, latinos e sabinos), de origem indo-europeia. Finalmente, no extremo sul, existiam colônias de etnia grega (Magna Grécia).


A REALEZA

O primeiro regime político de Roma foi a Monarquia (desde a fundação até 509 a.C.). Ainda uma pequena e pobre cidade, de hábitos simples e domésticos, Roma, no período da realeza, conheceu a seguinte divisão social:

AS CLASSES SOCIAIS DURANTE A MONARQUIA ROMANA

PATRÍCIOS - aristocracia latifundiária constituída, de início, pelos descendentes diretos dos fundadores da cidade. Os patrícios organizaram-se em clãs (comunidades familiares chamadas de "gens"), cujos membros tinham em comum um mesmo antepassado que era por eles cultuado; cada clã tinha seu chefe: o "Pater Famílias".

PLEBEUS - homens desligados de qualquer clã: estrangeiros, artesãos, comerciantes e pequenos proprietários rurais, destituídos de cidadania e de quaisquer direitos políticos.

CLIENTES - indivíduos, quase sempre parentes afastados e pobres dos patrícios, que prestavam serviços junto a um clã, em troca de sua subsistência (agregados dependentes).

ESCRAVOS - instrumentos de trabalho que tinham sido reduzidos a escravidão por endividamento ou derrota em combate. No período monárquico, o escravismo ainda não estava amplamente difundido. De acordo com os embrionários princípios romanos: escravo é "res" ("coisa").

As instituições políticas da monarquia romana foram:

A ESTRUTURA POLÍTICA DA MONARQUIA DE ROMA

REI - autoridade máxima e considerado de origem divina; seu poder estava baseado em duas instituições fundamentais: o imperium (comando dos exércitos) e o auspicium (capacidade de conhecer a vontade dos deuses). O rei exercia funções executivas, judiciárias e religiosas.

SENADO (CONSELHO DOS ANCIÃOS) - organismo, dominado pelos patrícios, que auxiliava e controlava, até certo ponto, o poder do rei.

ASSEMBLEIAS OU CURIA - que, formadas pelos cidadãos em idade militar, confirmavam as leis votadas pelo Senado.

Os quatro primeiros reis de Roma foram:

OS QUATRO PRIMEIROS REIS DE ROMA

RÔMULO - fundador lendário que promoveu a integração de dois povos italiotas: os latinos e os sabinos.

NUMA POMPÍLIO - de origem Sabina, foi responsável pela organização do culto religioso romano.

TÚLIO HOSTÍLIO - destruiu uma cidade inimiga de Roma: Alba Longa.

ANCO MÁRCIO - levou adiante obras arquitetônicas que embelezaram Roma.

 No final de século VII a.C., a estabilidade política e social de Roma foi abalada pelo domínio dos etruscos, que impuseram sua presença política e militar, passando a nomear os reis de Roma.

OS TRÊS REIS ETRUSCOS DE ROMA

TARQUÍNIO, O PRISCO (ANTIGO) - primeiro dos reis etruscos; estendeu seu domínio por toda a região do Lácio e realizou um programa de grandes obras públicas.

SÉRVIO TÚLIO - construiu as primeiras muralhas de Roma.

TARQUÍNIO, O SOBERBO - edificou o Templo de Júpiter e mandou construir a "Cloaca Máxima" (o sistema de esgotos de Roma).

Apesar das realizações materiais, que tornaram Roma uma cidade um pouco mais sofisticada, os reis etruscos, buscando consolidar sua dominação, procuraram apoio junto as camadas sociais mais pobres. Isso, obviamente, contrariava os patrícios. Para esses, a expulsão dos reis etruscos significava o controle do Estado. Conspirações e conspirações, por parte do patriciado, passaram a ser habituais na cidade. Entretanto, somente o apoio da plebe daria condições políticas para uma revolta contra o domínio estrangeiro. Dois processos contribuíram para o enfraquecimento etrusco: a intensificação da exploração dos recursos romanos por parte do invasor e, por conseguinte, a perda de sua base social de sustentação em Roma. Assim, os patrícios, com habilidade política, fizeram nascer, entre os plebeus, um sentimento nacionalista, possível de ser explorado em uma ação contra o dominador. O estopim da revolta foi o fato de que Sexto Tarquínio, filho de Tarquínio, O Soberbo, ter violentado uma jovem de importante família patrícia: a casta Lucrécia. Em 509 a.C., os reis etruscos foram expulsos, nascendo a República ("res": "coisa"; "publica": "do povo", "pública")

A REPÚBLICA (509 a.C. - 27 a.C.)

A República de Roma, cujo poder foi monopolizado pelo patriciado, foi, essencialmente, aristocrática e oligárquica.

As instituições republicanas foram:

A ESTRUTURA POLÍTICA

SENADO - sede do poder da república aristocrática, sendo formado por 300 patrícios, que exerciam a função senatorial em caráter vitalício. A presidência do Senado era exercida pelo membro mais velho, que recebia o título de "Princips Senatus". Competia ao Senado nomear os comandos militares, dirigir a política externa, recrutar tropas, supervisionar as finanças públicas e votar as leis.

COMITIA CURIATA - de início, elegia os cônsules, mas com o tempo tornou-se um organismo destituído de reais poderes.

COMITIA CENTURIATA - formada pelas cinco classes romanas agora classificadas conforme a renda. Na prática, as decisões só eram tomadas pela primeira classe, que elegia os magistrados, ratificando ou não as propostas desses últimos.

COMITIA PLEBIS - elegia os representantes da plebe, inicialmente desprovidos de efetivo poder.

As instituições políticas acima descritas eram completadas pelas Magistraturas.

OS MAGISTRADOS DA REPÚBLICA ROMANA

CÔNSULES - em número de dois, eram os mais importantes dentre os magistrados, com mandatos de 1 ano. O "cônsul armado" comandava o poder militar exercido fora da cidade de Roma (poder de imperium); o "cônsul togado" cuidava da administração interna da cidade (o potestas).

PRETORES - encarregados da justiça e de substituir os cônsules no comando militar.

QUESTORES - cuidavam das finanças e dos tributos.

CENSORES - faziam a contagem da população segundo critérios censitários (por renda), organizavam as eleições e zelavam pelos bons costumes (censura).

EDIS - cuidavam da limpeza pública, dos jogos e festas oficiais e do abastecimento de Roma.

DITADOR - em casos de calamidade pública ou guerra, era nomeado um chefe supremo, que acumulava todas as magistraturas por um prazo de, no máximo, 6 meses. Esse limite temporal decorria do fato de que Roma temia qualquer eternização pessoal no poder.

INTER-REX - indicado quando os dois cônsules morriam e ainda não tinham sido escolhidos os substitutos.

PONTÍFICES - zelavam pelas atividades religiosas, chefiados pelo "Pontífice Máximo".

A primeira fase da República de Roma, que se prolongou de 509 a.C. até às Guerras Púnicas iniciadas em 264 a.C., foi marcada pelas lutas sociais e pelo início da expansão imperial.

  • Aulas relacionadas