Revolução Inglesa

Revolução Inglesa

O Reino de Elizabete I

Em 1558, subia ao trono inglês a última monarca Tudor, Elizabete I, considerada uma das maiores lideranças europeias de todos os tempos. Inteligente, segura de si e devotada a seu povo, Elizabete I declarou, pouco antes de sua morte: "apesar de vocês terem tido, e provavelmente terão, muitos príncipes mais sábios... nunca tiveram ou terão um governante que os ame como eu".


Elizabete I

O reinado de 45 anos de Elizabete I foi um período marcado pela abundância de ouro na Inglaterra. Apesar dos desafios ao seu governo, a rainha conseguiu manter a paz em seu reinado. Ela respeitou tradições, nomeou excelentes conselheiros, e foi capaz de convencer o Parlamento a aprovar suas políticas. O espírito do Renascimento fez desta época um período de grande criatividade nas artes. Foi durante este período que William Shakespeare, provavelmente o maior dramaturgo de todos os tempos, escreveu suas extraordinárias peças.

A Inglaterra tornou-se próspera e poderosa sob o governo de Elizabete I. Os mercadores ingleses comercializavam ao redor do mundo, e a Inglaterra implantou seu primeiro posto comercial na Índia. Londres tornou-se um grande centro comercial. Ao aumentar o comércio externo, expandir a marinha inglesa e patrocinar grandes viagens de exploração, Elizabete I estabeleceu os fundamentos de um império.

O Fortalecimento do Protestantismo

Durante o reinado de Elizabete I, a Inglaterra apoiou os holandeses protestantes em sua bem-sucedida revolta contra a Espanha, e impressionou o mundo ao derrotar a invencível armada espanhola. Estes eventos mostraram que a Inglaterra estava se tornando um dos Estados protestantes mais importantes da Europa.

Elizabete I promoveu o protestantismo pelo país. Tolerante com católicos e puritanos, ela estabeleceu a Igreja Anglicana como a Igreja oficial do país.


Mary Stuart

Contudo, vários grupos católicos desafiaram os direitos da rainha ao trono inglês, exigindo que a monarquia inglesa fosse liderada pela católica Maria, rainha da Escócia (Mary Stuart), prima de Elizabete. Maria havia sido forçada a desistir do trono escocês em 1567, e refugiou-se na Inglaterra, onde foi mantida sob vigilância por quase vinte anos. Apoiada por agentes franceses e espanhóis, Maria continuou sendo a principal conspiradora contra o reinado de Elizabete I. Contudo, os conselheiros da rainha inglesa convenceram-na de que Maria representava uma ameaça real ao trono inglês, o que levou Elizabete I a, relutantemente, ordenar que Maria Stuart fosse decapitada, em 1587.

O Parlamento e os Reis Stuart

Elizabete I não teve filhos, e foi sucedida, em 1603, pelo filho de Maria Stuart, Jaime I. Ele fracassou ao tentar obter o apoio dos políticos e do povo da Inglaterra. Jaime I exigiu o trono por direito divino e resistiu a qualquer imposição ou sugestão em seu reinado. Tal atitude chocou-se com o Parlamento, que estava determinado a desempenhar um papel maior no governo inglês.

Jaime I não compartilhava da mesma tolerância religiosa de Elizabete I em relação aos puritanos. Ele temia que os que não aceitavam a autoridade da Igreja Anglicana também não aceitassem sua autoridade. Recusou as exigências dos puritanos, que lutavam por reformas nas práticas da Igreja. No entanto, concordou com um pedido de uma nova tradução da Bíblia, conhecida como a Bíblia do rei Jaime, ainda muito utilizada nos dias de hoje.


Bíblia do Rei Jaime

Quando Jaime morreu, em 1625, seu filho, Carlos I, assumiu o trono inglês. Logo aumentaram as tensões entre o novo monarca e o Parlamento; o conflito entre a monarquia e o poder legislativo inglês centralizou-se em dois temas - impostos e religião.


Carlos I

Devido aos diversos gastos e guerras contra França e Espanha, tanto Jaime I, quanto Carlos I, constantemente se deparavam com falta de capital. Quando Carlos I pediu um aporte de capital, em 1628, o Parlamento inglês assinalou que só concederia a ajuda financeira se o rei assinasse a Petição dos Direitos.

Assim como a Magna Carta, a Petição dos Direitos é um dos principais documentos de reivindicação da liberdade na Inglaterra. O referido documento limitou o poder do rei, incluindo as seguintes regras:


Carta Magna

1. O monarca não poderia coletar impostos sem a permissão do Parlamento;

2. Cidadãos não poderiam ser forçados a fornecer bens e abrigo aos soldados;

3. A lei marcial não poderia ser imposta em tempos de paz;

4. Nenhuma pessoa poderia ser mantida na prisão a não ser que fosse condenada por um crime específico. Este é o princípio do habeas corpus.

Apesar de Carlos I ter assinado a Petição dos Direitos, o rei continuou a criar impostos que o Parlamento considerava ilegais. Quando o Parlamento protestou, Carlos I o dissolveu. Durante os 11 anos seguintes, até 1640, o rei inglês governou sem o Parlamento, causando grande oposição no país. Os conflitos entre o monarca e o Parlamento foram exacerbados por suas políticas religiosas. Carlos I aprisionou e multou muitos puritanos ingleses, que continuaram a ganhar seguidores, especialmente entre a classe média urbana.

Em 1637, Carlos I tentou forçar as igrejas escocesas a usar um livro de orações anglicano. Os escoceses calvinistas presbiterianos iniciaram, então, uma rebelião. Necessitando de dinheiro para lutar na Escócia, Carlos I foi forçado a reunir o Parlamento em abril de 1640. Para apoiar o rei na guerra contra os calvinistas escoceses, o Parlamento exigiu que o monarca aceitasse algumas condições. Carlos I se recusou e, três semanas depois, desfez o corpo legislativo novamente.

Desesperado por dinheiro, o rei inglês solicitou novas eleições ao Parlamento, em novembro de 1640. O novo corpo legislativo permaneceu reunido até 1653. Como no passado, o órgão legislativo inglês tentava limitar o poder do monarca. O Parlamento estabeleceu leis que exigiam reuniões regulares e aboliu uma corte especial chamada de Star Chamber, onde oficiais reais mantinham julgamentos secretos. Novas leis também limitavam a liberdade do monarca de arrecadar fundos sem o consentimento do Parlamento. As leis implantadas pelo Parlamento marcaram o crescimento da noção de liberdade na Inglaterra.

A Inglaterra sob o Governo de Cromwell


Oliver Cromwell

Em junho de 1642, o Parlamento inglês tentou reduzir o controle do rei sobre o exército. Muitos puritanos membros do Parlamento pressionaram por reformas na Igreja inglesa. Carlos I rejeitou as propostas e ordenou que soldados prendessem os líderes do Parlamento. Ultrajado, o povo de Londres se revoltou, dando início à uma guerra civil.

Os seguidores do rei, chamados de cavaleiros ou realistas, eram formados por anglicanos e católicos. A maioria dos membros da Câmara dos Lordes, composta por aristocratas, também apoiava o rei, juntamente com alguns membros da Câmara dos Comuns. O Parlamento contava com o apoio dos puritanos e outras pessoas da classe média, que condenavam a arrogância do rei e seus gastos. Os opositores de Carlos I eram conhecidos como os Round-Heads (Cabeças-Redondas), pois muitos puritanos cortavam seu cabelo curto, em vez de usar os longos cachos que eram moda na corte real. A batalha travada entre estes dois grupos ficou conhecida como a Guerra civil inglesa, composta por diversas guerras travadas na Inglaterra e no sul da Escócia, entre 1642 e 1651.

Oliver Cromwell, general puritano, organizou as forças parlamentaristas. Após sofrerem seguidas derrotas nas primeiras batalhas para os realistas, os parlamentaristas, liderados por Cromwell, conquistaram vitórias importantes em 1644 e 1645, aprisionando o rei Carlos I. Apesar de o rei ter fugido para a Escócia e formado um exército, suas tropas foram novamente derrotadas em 1648.

Cromwell utilizou-se de seu controle sobre o exército para tomar o poder dos puritanos moderados, que estavam dispostos a negociar a volta do rei Carlos I. Em 1648, Cromwell obrigou seus oponentes a deixarem o Parlamento. Os membros remanescentes aboliram a Câmara dos Lordes e levaram o rei a julgamento por traição. Carlos I foi decapitado em 1649, deixando a maioria da população chocada com a execução do monarca.

Com o apoio do exército, Cromwell fundou um governo republicano conhecido como a República Inglesa. Contudo, ele foi incapaz de estabelecer um governo estável que contasse com o apoio do povo. Depois de seguidas disputas com o Parlamento, Cromwell aboliu uma nova constituição que havia sido escrita em 1653 e dissolveu o Parlamento. Tomando o título de "Lorde Protetor", ele governou com o apoio do exército até sua morte, em 1658.

Cromwell trouxe ordem ao país, mas a um altíssimo custo. Seu exército massacrou uma revolta de católicos irlandeses que apoiavam a monarquia. Cromwell então forçou proprietários de terra católicos a cederem seus territórios para ingleses protestantes. Os irlandeses declararam que "a maldição de Cromwell" havia destruído suas terras.

Apesar de seu tratamento selvagem em relação aos irlandeses católicos, Cromwell era tolerante com outras religiões. Prometeu proteção a todos os protestantes ingleses e reabriu as portas da Inglaterra para os judeus, que haviam sido banidos do país por quase quatro séculos.

Sumário

- O Reino de Elizabete I
- O Fortalecimento do Protestantismo
- O Parlamento e os Reis Stuart
- A Inglaterra sob o Governo de Cromwell
- A Restauração
- A Revolução Gloriosa
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