Revolução Americana

A Revolução Americana, também conhecida como a Independência dos Estados Unidos, foi declarada pelos colonos americanos em 4 de julho de 1776 e marcou o fim da colonização inglesa sobre as 13 colônias americanas. A Revolução Americana ocorreu graças à insatisfação dos colonos com a política exploratória imposta pela Inglaterra a partir da segunda metade do século XVIII. A Revolução Americana foi influenciada pelas ideias iluministas. Ao mesmo tempo, inspirou outros movimentos de emancipação que ocorreram nas Américas durante os séculos XVIII e XIX.

A história dos Estados Unidos da América

É com a expansão territorial inglesa que tem início a história dos Estados Unidos da América do Norte. Cronologicamente, ela ocorreu como será exposto a seguir.

Em 1607, é fundada Jamestown, na região de Virgínia, local atingido por Sir Walter Raleigh. Em 1620, chegam à América os puritanos do Mayflower, que são considerados os verdadeiros pioneiros da colonização. Radicam-se na região de Nova Inglaterra, fundando a cidade de Plymouth. Outra leva de puritanos, em 1628, chega em Massachussets. Dois anos depois fundam a cidade de Boston, que passará a exercer o papel de centro principal das jovens colônias. Em 1643, um católico, Lord Baltimore, funda Maryland. Finalmente, em 1681, quando Nova York e Nova Jersey já existiam, William Penn funda a colônia da Pensilvânia.

Logo já se pode notar a existência de três grupos distintos de colônias, fato de primordial importância no desenvolvimento norte-americano: o do "norte" (Massachussets, New Hampshire, Connecticut e Rhode Island), o do "centro" (Pensilvânia, New York, Delaware e New Jersey), e o grupo de "sul" (integrado por Maryland, Geórgia, Virgínia, Carolina do Norte e Carolina do Sul).

As colônias do Norte (Nova Inglaterra) e do centro agrupam, aproximadamente, um milhão de habitantes que vivem de uma agricultura de tipo europeu (intensiva, praticada em pequenas propriedades, com mão de obra livre). Desenvolve-se aí a indústria artesanal e o comércio marítimo. Os grandes portos, como Boston, vão burlar o "pacto colonial" espanhol e fazer comércio com as Antilhas. Uma burguesia mercantil dominava a vida política e intelectual.

Já as colônias do Sul dedicavam-se a uma agricultura de tipo extensivo, como na América Espanhola, produzindo gêneros tropicais de exportação (principalmente algodão e tabaco). Os grandes latifúndios pertenciam a uma aristocracia de ricos plantadores, que detinham o poder político e empregavam uma grande massa de escravos.

13 colônias americanas
As 13 colônias na época da independência

Cada uma das treze colônias gozava de ampla autonomia política entre si e em relação à própria Metrópole e eram governadas por um governador nomeado pelo rei e por uma assembleia eleita por sufrágio censitário, que se limitava a votar o orçamento local. No plano econômico, os colonos não possuíam o direito de comerciar com outro país se não a Inglaterra, mas esta não se opunha ao tráfico de contrabando, que era praticado intensamente em toda a costa americana.

A oposição à política mercantilista da Metrópole foi uma das causas da Guerra de Independência. Como já foi ressaltado, as várias leis promulgadas pelo Parlamento britânico, com o fim de regular o comércio e arrecadar rendas, foram severamente combatidas pelos americanos. As mais antigas eram as Leis de Comércio e Navegação (1660/1672), que interditavam o comércio da Inglaterra com as colônias em navios que não fossem de propriedade ou de construção inglesa e proibiam a exportação de certos artigos, tais como o tabaco, o açúcar e o algodão.

A Lei do Selo, outra causa da Guerra. Estando o tesouro britânico extremamente comprometido devido à Guerra dos Sete Anos, muitos estadistas ingleses defendiam a opinião de que as colônias deviam arcar com uma parte da dívida, pois a Guerra as havia beneficiado. Decretada em 1765, a Lei do Selo estabelecia um imposto sobre documentos jurídicos, livros e jornais, que deveriam ser selados. O imposto não seria muito oneroso, se bem que os comerciantes receassem um forte escoamento da moeda, pois todos os conhecimentos de embarque incidiriam na taxa e as estampilhas só poderiam ser compradas com dinheiro sonante. Não obstante, a lei suscitou uma oposição tempestuosa e violenta por parte de todas as classes.

O rei Jorge III (1760/1820) e aqueles que defendia no Parlamento promoveram uma série de outras medidas humilhantes de restrição aos colonos americanos: proibiram a colonização de terras a oeste dos montes Apalaches e limitaram o comércio interior, proibiram também a abertura de novas fábricas, o que iria, fatalmente, acabar com a independência econômica, principalmente das colônias do Norte.


Rei George III

O movimento de independência se inicia; os radicais Thomas Jefferson, Samuel Adams e Richard Lee fundam em Massachussets comitês de correspondência, embrião de um movimento separatista que alcançará grande difusão alguns anos mais tarde, com o panfleto "Common Sense" de Thomas Paine. A agitação aumenta e se faz sentir em Londres, onde o Parlamento se decide pela abolição das taxas aduaneiras que gravaram mercadorias importadas. Mas não abole a taxa sobre o chá. Em 1773, os ingleses tentam garantir o monopólio da venda deste produto à Companhia das Índias Orientais. Em dezembro de mesmo ano, dá-se um motim conhecido como Boston Tea Party. Durante a festa do chá em Boston, alguns colonos fantasiados de índios invadem três navios da Companhia das Índias Orientais e lançam ao mar uma partida de chá. Era o início da ruptura.

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