Helenismo e Cultura Grega

Helenismo

A hegemonia ateniense sobre a Grécia negava a concepção política do particularismo das cidades-estados. A ideia de nacionalidade, para os antigos gregos, estava ligada à sua Polis de origem e não ao conceito de nação. Em suma: a ação centralizadora de Atenas opunha-se à noção de Pólis. Os desejos imperiais de Atenas enfrentavam forte oposição por parte das principais cidades-estados da Grécia, principalmente no que dizia respeito à Esparta e suas aliadas, que formaram a Liga do Peloponeso, para combater a Confederação de Delos.

Inicialmente, o imperialismo ateniense buscou as terras litorâneas do Mar Egeu; contudo, seu próprio crescimento fez com que o Mediterrâneo Ocidental passasse a ser uma área atrativa. Na região, havia inúmeras cidades: Siracusa, por exemplo, mantinha um próspero comércio que chegava à Grécia através de Corinto, uma Polis atrelada à Esparta. Por conseguinte, o imperialismo ateniense, agora voltado ao ocidente, entrava em choque com Corinto e isso agravava suas relações com os espartanos.

O apoio ateniense ao levante de Córcira, colônia de Corinto, foi estopim para que toda a Confederação do Peloponeso entrasse em guerra com Atenas. Em 431 a.C., tinha início a Guerra do Peloponeso, que duraria 28 anos.

Na primeira fase do conflito, de 431 a 421 a.C., houve um relativo equilíbrio entre atenienses e espartanos. Nesse período, Esparta e seus aliados bloquearam, por terra, a Ática, forçando Atenas a buscar suprimentos por mar, principalmente na Ásia Menor. Tal bloqueio fez com que a população da Ática fosse concentrada no interior dos muros de Atenas. Isso, além de dificultar o abastecimento dos atenienses, piorou as condições sanitárias de Atenas, propiciando a ocorrência de várias epidemias que vitimaram grandes contingentes humanos, inclusive Péricles.

Em 421 a.C., foi assinada a Paz de Nícias, que deveria ser mantida por 50 anos. Entretanto, Atenas retomou sua política imperialista e elaborou planos para atacar Siracusa. Tal proposta, concebida pelo general Alcebíades, enfrentou feroz oposição dos aristocratas de Atenas, simpáticos à causa espartana. Irritado, Alcebíades refugiou-se em Esparta, onde delatou os planos atenienses que, por essa razão, fracassaram. Em represália, Esparta desfechou uma poderosa ofensiva que, após impor inúmeras derrotas à Atenas, culminou, em 404 a.C., com a vitória definitiva de Esparta na batalha de Égos - Pótamus.

A derrota de Atenas significou o início da hegemonia espartana sobre a Grécia. Em primeiro lugar, as elites espartanas destruíram a democracia grega, impondo o governo dos 30 tiranos; além disso,

Esparta buscou estabelecer seu império através de uma crescente intervenção nos assuntos internos das outras cidades-estados. O expansionismo espartano, cuja ambição agora era controlar o comércio do mediterrâneo oriental, levou a novos choques com o Império Persa. Pouco a pouco, Esparta conheceu uma desestabilização interna. O crescimento do número de seus escravos, sempre dispostos a levantes, provocou novas necessidades militares destinadas a preservar a dominação política dos esparciatas. Na Anatólia, o recuo dos espartanos possibilitou a retomada da região pelo Império Persa. O enfraquecimento de Esparta fez com que Atenas e Tebas se aliassem, buscando aniquilar a hegemonia então exercida pelos militaristas espartanos. Cada vez mais, proliferavam revoltas dos escravos em Esparta. Em 371 a.C., na batalha de Leuctras, os tebanos, comandados por Pelópidas e Epaminondas, expulsaram as tropas espartanas da Grécia Setentrional. Logo em seguida, a cidade de Tebas apoiou a independência da Messênia em relação a Esparta e conquistou a Tessália. Tinha início a curta hegemonia tebana sobre a Grécia. Em 362 a.C., Tebas e Esparta aliaram-se e derrotaram Tebas.

As lutas internas desorganizaram o mundo grego: nenhuma Pólis tinha mais condições de impor sua hegemonia à Grécia, que foi vítima de um "vazio de poder". Como bem observam os analistas das relações internacionais, a política detesta o "vazio", pois sempre alguma nação vai ocupá-lo. Era chegada a vez dos macedônios.

A INVASÃO MACEDÔNICA

A Macedônia, localizada no norte da Grécia, aproveitou-se do enfraquecimento grego e seu rei Filipe II, admirador da cultura grega, preparou um poderoso exército com o objetivo de conquistar o território helênico. De início, Filipe II buscou fomentar as rivalidades entre as cidades gregas; em seguida, subornou as elites helênicas. Uma das mais famosas frases do rei macedônico explicava sua política: "não há fortaleza que resista a um burro carregado de ouro". Essas atitudes de Filipe II provocaram a reação do mais famoso orador grego, que por sinal era gago, Demóstenes, que em seus discursos, conhecidos como Filípicas tentou alertar o povo contra as intenções do rei da Macedônia. Tudo em vão, pois em 338 a.C., as falanges macedônicas venceram os gregos na batalha de Queroneia. A Grécia perdia sua independência e tinha início o período Helenístico.

O expansionismo iniciado por Filipe II teve continuidade com seu filho Alexandre, o Grande, que consolidou a dominação da Grécia e conquistou praticamente todas as regiões compreendidas entre o Egito e o Império Persa.


Busto de Alexandre, o Grande

A Macedônia tornou-se o maior império até então formado, que só seria suplantado por Roma séculos depois. Com muita habilidade, Alexandre respeitou as instituições políticas e religiosas e fomentou matrimônios entre seus assessores com moças das elites das regiões conquistadas. Ele próprio se casou com uma nobre persa. Atuando dessa maneira, Alexandre, que se apresentava como libertador das regiões conquistadas, evitou levantes que pudessem solapar seu expansionismo. O imperialismo macedônico levou a cultura grega à África, ao Oriente Médio e à Ásia Menor; paralelamente trouxe dessas regiões influências culturais. Essa fusão de culturas gerou o Helenismo, que teve como centros as cidades de Pérgamo e Alexandria. Em síntese: o helenismo foi essa mescla de culturas, do Ocidente e do Oriente, que gerou uma nova realidade cultural de cunho misto e sincrético.

Após a morte de Alexandre, seu império foi dividido em três partes: o Reino da Síria, abrangendo a Ásia Menor, a Síria e a Mesopotâmia, controlado pela dinastia Selêucida; o Reino do Egito, compreendendo, além do próprio Egito, a Arábia e parte da Palestina, sob dominação da família dos Ptolomeus; e o Reino da Macedônia, englobando a Grécia e sob o controle do general Antígono. A Índia e a Pérsia, por seu turno, readquiriram sua independência.

O mundo grego, em seguida, seria conquistado pelos romanos; ao longo da Idade Média seria a sede do Império Bizantino; depois, faria parte do Império Turco - Otomano, recuperando sua plena autonomia somente em meados do século XIX.

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Sumário

- A Invasão Macedônica
- A Cultura Grega
- A Religião
- As Artes Plásticas
- A Literatura
- O Teatro
- A Ciência
- A Filosofia
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