Guerra dos Trinta Anos

Guerra dos Trinta Anos

A Guerra dos Trinta Anos ocorreu entre 1618 e 1648. Foi um dos conflitos de maior mortalidade na história do continente europeu: resultou na morte de mais de oito milhões de pessoas. A motivação inicial para a Guerra dos Trinta Anos foi o conflito religioso existente entre católicos e protestantes. Contudo, questões políticas, econômicas e territoriais fizeram com que vários países europeus participassem no conflito.

Durante os séculos XVI e XVII, a Reforma Protestante espalhou-se pela Europa. Em alguns países, principalmente Espanha e Portugal, o crescimento do protestantismo não prosperou. Em outros países europeus, como na Alemanha e França, o protestantismo floresceu, ocasionando diversas guerras entre católicos e protestantes.

Durante o século XVI, os monarcas franceses permaneceram católicos. Muitos nobres franceses, todavia, tornaram-se protestantes, por razões religiosas, mas também com o propósito de enfraquecer a monarquia francesa. Nobres protestantes e católicos competiam pelo controle da França.


Reis católicos

Tentando conciliar as duas facções para evitar a tutela dos grandes nobres católicos sobre seu filho e, consequentemente, o enfraquecimento do poder real, Catarina de Médici, rainha-mãe e regente do trono, fez publicar o Édito de Tolerância de 1562, que concedia aos huguenotes (protestantes franceses) liberdade de culto fora das cidades.

O Governo de Henrique IV

Em 1589, Henrique IV (Henrique de Navarra) sobe ao trono francês. Ele tentou restaurar a paz na França. Após anos de violência, Henrique estava determinado a fortalecer e unir o país, ainda que à custa de sua própria fé. Como os franceses não aceitavam um rei huguenote, Henrique se converteu ao catolicismo.

Henrique IV foi o primeiro governante da Dinastia Bourbon. Corajoso e inteligente, tornou-se um dos mais amados líderes da história da França. Para proteger os huguenotes e acabar com os conflitos religiosos na França, Henrique decretou o édito de Nantes, em 1598. Este documento garantia aos huguenotes tratamento igual ao dos católicos perante a lei, oportunidade de ocupar cargos governamentais e liberdade de religião. O Édito de Nantes ajudou a trazer ordem para o país, após décadas de guerra civil.

Henrique também ajudou a trazer prosperidade a seu reino, tendo iniciado programas com vistas à construção de um tesouro real, reduzindo o desperdício e a corrupção em seu governo. Incentivou também o comércio, construindo estradas, canais e portos.

A França de Richelieu

Em 1610, Henrique IV foi assassinado por um fanático religioso e seu filho de nove anos, Luís XIII, herdou o trono da França. A segunda esposa de Henrique, Maria de Médici, governou a França até Luís XIII assumir o trono, em 1615. Nove anos depois, um grande estadista, o Cardeal Richelieu, torna-se o principal ministro de Luís XIII.


Cardeal Richelieu

Richelieu é considerado um dos maiores líderes da história francesa. Seu principal objetivo era fortalecer a autoridade da monarquia francesa, interna e externamente, perante as outras nações europeias. Richelieu foi considerado um visionário e um líder político realista e determinado.

Suspeitando que os huguenotes conspirassem com países estrangeiros contra a Coroa francesa, Richelieu enviou tropas para capturar os exércitos huguenotes. Contudo, o Cardeal não cancelou o édito de Nantes nem permitiu a intolerância religiosa na França.

O maior desafio de Richelieu na política externa foi preservar o equilíbrio de poder na Europa. Ele queria impedir que qualquer país tivesse domínio absoluto perante os demais países. Como a família Habsburgo representava a maior ameaça ao equilíbrio de poder (já que seu domínio abrangia as monarquias da Áustria, Espanha e o Sacro Império Romano), Richelieu decidiu limitar o poder dos Habsburgos, liderando a França num conflito chamado de Guerra dos Trinta Anos (1618-1648).

A Guerra dos Trinta Anos

O conflito que levou à Guerra dos Trinta Anos começou na Boêmia, um dos estados germânicos onde o Sacro Imperador Romano tentou impor o catolicismo sobre a população. Os protestantes se rebelaram, fazendo irromper uma guerra, nos estados germânicos, entre eles e os católicos.

Os príncipes de cada um dos lados da guerra pediram ajuda a outros monarcas europeus. Os protestantes recorreram aos reis da Dinamarca, Suíça e Holanda, que também eram protestantes. Já os príncipes católicos voltaram-se para a Espanha. Porém, quando a França católica entrou na guerra ao lado dos protestantes, a guerra se tornou uma luta contra os Habsburgos, e não mais um conflito religioso.

A guerra aconteceu principalmente em solo alemão. Os exércitos de ambos os lados lutaram a sangue-frio, matando civis e destruindo fazendas e cidades. Mais de um terço da população alemã morreu em consequência da guerra, doenças ou fome. Outros milhares deixaram o país.

Em 1648, representantes de ambos os lados se reuniram na província de Vestfália para firmar um acordo de paz. Apesar do Tratado de Vestfália ter resultado em poucas mudanças territoriais, trouxe importantes consequências para a Europa:

1. Os Habsburgos fracassaram em sua tentativa de unificar os estados alemães sob o Sacro Imperador Romano. Os estados alemães tornaram-se independentes e o Sacro Império Romano agora existia apenas simbolicamente.

2. Incapazes de expandir seu poder na Alemanha, os ambiciosos Habsburgos voltaram-se ao leste. Com o passar do tempo, eles construíram um grande e poderoso império na Europa Central e Oriental.

3. Duas repúblicas, a Holanda e a Suíça, foram reconhecidas como independentes do Sacro Império Romano.

4. Por mais de um século, a Áustria Habsburga e a Espanha Habsburga haviam ameaçado a França. Após a Guerra dos Trinta Anos, esta ameaça desapareceu, e a França tornou-se a superpotência europeia.

A Guerra dos Trinta Anos foi a última guerra religiosa causada pela Reforma. Depois de meados do século XVII, os monarcas não mais guerrearam nem firmaram alianças por razões puramente religiosas. Ao invés disso, as causas de futuras guerras tornaram-se a preocupação com a segurança de estado e o desejo por terras e riquezas.

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