Grécia - os tempos clássicos

Grécia - os tempos clássicos

AS GUERRAS MÉDICAS OU GRECO PÉRSICAS

É fato notável de que, no século VI a.C., as poleis gregas da Anatólia (Ásia Menor) e na Magna Grécia (sul da Itália e Ilha da Sicília) apresentavam maior desenvolvimento econômico e cultural que as da própria Grécia. Destaque maior deve ser dado às principais poleis da Anatólia: Mileto, Éfeso, Samos e Lesbos. Estes eram, sem dúvida, os mais prósperos centros irradiadores da civilização helênica.

O Reino Lídio fazia fronteira com as poleis gregas da Anatólia e mantinha intensas relações mercantis com elas. Esse contato fazia com que a Lídia assimilasse, em larga escala, os padrões culturais da civilização helênica; em contrapartida, o Reino Lídio foi estabelecendo uma efetiva hegemonia política sobre a Anatólia. O estabelecimento da hegemonia lídia é facilmente compreensível se levarmos em consideração não só a inexistência de uma unidade política entre as poleis gregas da Anatólia, como também a existência, muitas vezes, de intensas rivalidades entre elas. Em 548 a.C., Ciro, rei dos persas, em sua política imperialista, conquistou o Reino da Lídia e, por extensão, estabeleceu seu domínio político sobre a Anatólia. A sujeição ao Império Persa não alterou, substancialmente, a vida de Anatólia; entretanto, mudou drasticamente os objetivos imperialistas persas.

A partir do estabelecimento de seu domínio sobre a Anatólia, os persas passaram a participar, indiretamente, do comércio mediterrâneo. A inserção dos persas nos assuntos mediterrâneos orientais fez com que o imperialismo persa passasse a almejar o domínio dos Bálcãs. Esse objetivo era favorecido pela fragmentação política da Grécia e pelas frequentes e intensas rivalidades entre as cidades-estados da Grécia. Entre 499 e 494 a.C., as poleis gregas da Anatólia, apoiadas por Atenas, revoltaram-se contra o domínio persa. Esses dominadores, tendo subjugado os povos revoltosos da Anatólia, voltaram sua atenção para os Bálcãs e, nesse contexto, em 492 a.C., conquistaram a Trácia e a Macedônia, cujo governo foi entregue por Dario I a Mardônio e cuja posse serviria de base de apoio para futuras incursões no território grego.

Em 490 a.C., os persas, sob comando de Mardônio e com apoio de Hípias, tirano deposto de Atenas, iniciaram a invasão da Grécia Setentrional, fixando como objetivo primordial a conquista da Ática. Os gregos, graças a uma vitória na Batalha de Maratona, conseguiram rechaçar essa primeira tentativa de conquista empreendida pelos persas; esse povo atravessou uma série de problemas internos em seu Império (revolta do Egito, morte de Dario I e sua sucessão por Xerxes). Essa situação fez com que, por dez anos, os persas não voltassem a ameaçar diretamente o território grego. Esse período de trégua deu aos gregos, a possibilidade de se organizarem melhor, particularmente através da conscientização de diversas cidades-estados de que o problema persa representava uma ameaça para toda a Grécia e não apenas para Atenas.

Em 480 a.C., teve início uma nova campanha persa na Grécia. De imediato, Tessália foi tomada e o avanço sobre a Ática iniciado; neste, os persas foram retardados pela passagem no desfiladeiro das Termópilas, graças à ação dos espartanos sob o comando de Leônidas. Esse atraso nas Termópilas permitiu que a população de Ática fosse evacuada para Salamina. Quando os persas tomaram e saquearam Atenas, ela estava despovoada. Em seguida, os invasores pretendiam vencer, definitivamente, os gregos concentrados em Salamina.

Desde o final da primeira incursão persa, os atenienses, liderados por Temístocles, haviam montado uma poderosa frota naval, graças à qual foi possível impedir uma derrota na batalha naval de Salamina. Com a perda persa em Salamina, a hegemonia marítima passou para as mãos dos gregos, tal fato foi decisivo para o destino da guerra.

Em 479 a.C., os persas tentaram uma nova investida e, desta feita, foram derrotados pelos espartanos em Plateia (Pausânias era o chefe espartano nessa batalha) e pelos atenienses em Mícale. Diante dessas duas derrotas, os persas tiveram de desistir definitivamente da conquista da Grécia, já que seus exércitos e sua frota naval foram quase que totalmente destruídos.

O APOGEU DE ATENAS


Estatua de Apolo

Após as batalhas de Plateia e Mícale, acabaram as lutas entre gregos e persas no território da Grécia, contudo as guerras continuaram.

Em função das pesadas derrotas, a Pérsia precisou de uma trégua para rearticular suas forças, reaparelhar seu exército e sua frota. Nesse mesmo momento os gregos atenienses viam a oportunidade de afastar os persas definitivamente do Mar Egeu.

No fim da guerra, Atenas era a cidade-estado em melhores condições para exercer um papel hegemônico entre os gregos. Além de possuir a maior frota naval do Egeu e um poderoso exército, Atenas, após as reformas de Clístenes, vivia uma relativa paz social e, em função dos sucessos nas Guerras Médicas, seu sentimento nacional estava vivo e forte.

Para as poleis gregas das ilhas do Egeu e da Anatólia, era vital a continuidade das lutas contra o império persa. Sendo assim, não foi difícil para Atenas, acatando a sugestão de um de seus generais das Guerras Médicas, Aristides, propor e conseguir a formação de uma confederação marítima: a Confederação de Delos. Essa Confederação agregava quase todas as poleis das ilhas do Egeu e da Anatólia sob a presidência de Atenas. Cada membro da Confederação, ou seja, cada polis que dela participava, devia contribuir com tropas e navios ou então com dinheiro, que viabilizava o recrutamento de tropas e equipagem para a marinha. Por ser a mais rica dentre as cidades-estados que participavam da Confederação de Delos, Atenas sempre exerceu uma efetiva hegemonia sobre todas as poleis que dela participavam.

Muito cedo, as poleis gregas do Helesponto e do Mar de Mármora aderiram à Confederação. A atuação bélica da Confederação de Delos foi eficiente, pois, em cerca de vinte anos, ela conseguiu afastar os persas do contato direto com o Mar Egeu.

Nos primeiros tempos, a figura dominante em Atenas e, consequentemente, na Confederação, foi Cimon e, posteriormente, Péricles, sendo que o último exerceu durante mais de quinze anos um papel absolutamente preponderante na vida ateniense, tanto que os seus tempos ficaram conhecidos sob a designação da Era de Péricles.

Em consequência das Guerras Médicas e através da Confederação de Delos, Atenas passou a exercer absoluta hegemonia política, militar e econômica em todo o Mediterrâneo Oriental. Essa situação acelerou o ritmo de desenvolvimento mercantil de Atenas, provocando um intenso crescimento de sua população através do aumento considerável do número de metecos (estrangeiros) e de escravos.

O desenvolvimento mercantil de Atenas fez com que se tornasse obrigatória a consolidação de sua dominação no Mediterrâneo Oriental. Nesse quadro era natural que a Confederação de Delos se tornasse um império Ateniense, ela passou a existir, uma vez afastado o problema persa, para contribuir para o fortalecimento e enriquecimento de Atenas.

Em função dessa realidade é dito que o século V a.C. é o século do apogeu de Atenas e não resta dúvida que essa expansão imperial ateniense inquietou diversas outras poleis na Grécia, particularmente Esparta.

A GUERRA DO PELOPONESO E A GRÉCIA NO SÉCULO IV a.C.

A hegemonia ateniense sobre a Grécia esbarrava, dentre outras coisas, na concepção política do particularismo das cidades-estados. A ideia de nacionalidade, para os gregos antigos, estava ligada à sua polis de origem e não à nação grega.

A ação centralizadora de Atenas, de certa forma, opunha-se à concepção de polis. O império ateniense encontrava forte oposição junto às principais polis da Grécia, principalmente no que diz respeito à Esparta e suas aliadas, que formavam a chamada Liga do Peloponeso.

Inicialmente, o imperialismo preocupava-se com as terras litorâneas do Mar Egeu; entretanto seu próprio desenvolvimento fez com que as terras do Mediterrâneo Ocidental passassem a ser áreas atrativas. No Mediterrâneo Ocidental, particularmente na Magna Grécia, havia várias poleis; Siracusa, por exemplo, mantinha um próspero comércio que chegava à Grécia principalmente através de Corinto, uma polis aliada a Esparta. Conforme Atenas voltava sua atenção imperialista para o Ocidente, entrava em choque com Corinto e, consequentemente, agravava suas relações com Esparta. O apoio ateniense à revolta da Córcira, uma colônia de Corinto, foi suficiente para que toda a Liga do Peloponeso entrasse em Guerra com Atenas. Sendo assim, no ano de 431 a.C. iniciava-se a Guerra do Peloponeso.

Durante dez anos, Esparta e seus aliados bloquearam, por terra, a Ática, forçando Atenas a buscar seus suprimentos por mar, principalmente na Ásia Menor. Tal bloqueio e as constantes lutas fizeram com que a população da Ática fosse concentrada dentro dos muros de Atenas. Isso dificultava o abastecimento desse povo e piorava as condições sanitárias de Atenas. Esse contexto tornou muito propícia à ocorrência de várias epidemias que mataram grandes contingentes humanos, inclusive Péricles.

Em 421 a.C. foi negociada e assinada a Paz de Nícias, que deveria ser mantida por, no mínimo, cinquenta anos. Restabelecida a paz, Atenas retomou sua política imperialista no ocidente e, em 413 a.C., começou a articular planos para atacar Siracusa, que também era aliada de Corinto. Os planos para o ataque a Siracusa foram concebidos por Alcebíades e sofreram forte oposição dos aristocratas de Atenas. Essa oposição causou violentos ataques a Alcebíades, que acabou obrigado a fugir dessa pólis e a refugiar-se em Esparta delatando os planos atenienses aos que o acolheram e que, sob o comando de Nícias, fracassaram. A partir disso, a ocorrência de uma ofensiva espartana por terra impingiu diversas derrotas a Atenas até que, em 404 a.C., com a Batalha de Egos-Pótamos, os espartanos foram vitoriosos.

Com a derrota de Atenas, teve início o período da hegemonia espartana na Grécia. Essa pólis tentou estabelecer seu império através de uma crescente intervenção nos assuntos internos das outras poleis. Além disso, Esparta procurou estabelecer seu controle sobre o comércio do Mediterrâneo Oriental gerando com isso a renovação dos choques contra o Império Persa.

As posições imperialistas de Esparta desestabilizaram sua realidade interna. O crescimento do número de seus escravos provocou novas necessidades militares capazes de preservar a dominação política dos espartíatas. Esses problemas internos fizeram com que Esparta deixasse de preservar suas posições na Anatólia. Dessa forma essa cidade voltou a sofrer pressões e acabou voltando a pertencer ao Império Persa. Esses acontecimentos propiciaram uma aliança entre Atenas e Tebas e a formação de uma nova liga marítima sob a liderança dessas poleis. Ainda nesse período, Esparta teve de enfrentar diversas revoltas de seus escravos. Em suma, a hegemonia espartana viu-se em xeque até que, com a Batalha de Leuctras, 371 a.C., os tebanos, liderados por Pelópidas e Epaminondas, expulsaram os espartanos da Grécia Setentrional.

Em seguida, Tebas apoiou a libertação da Messênia em relação a Esparta e conquistou a Tessália. Assim a hegemonia tebana estabelecia-se sobre a Grécia. Só que em 362 a.C., Atenas e Esparta aliaram-se e derrotaram Tebas; a partir daí, nenhuma polis grega tinha condições de impor sua hegemonia à Grécia.

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Sumário

- As Guerras Médicas ou Greco Pérsicas
- O Apogeu de Atenas
- A Guerra do Peloponeso e a Grécia no Século IV a.C.
- A Civilização Grega nos Séculos V e IV a.C.
- O Mundo Helenístico
- Cultura Helenística
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