Grécia Clássica

 A Grécia Clássica

Do ponto de vista político interno, o período clássico de Atenas foi marcado pelo apogeu da democracia, em parte devido a liderança de Péricles, cujo governo - no século V a.C. - foi denominado de o "século de ouro". Durante sua gestão (461 a 429 a.C.), o regime democrático ateniense baseou-se em dois princípios fundamentais: o da isonomia (normas iguais), que propunha a igualdade de todos perante a lei, e o da isocracia (poderes iguais), que consistia no direito da participação de todos nas decisões políticas. A democracia ateniense era direta, enquanto hoje, nas sociedades ocidentais, prevalece a democracia exercida através de representantes. No tempo de Péricles, os cidadãos se reuniam no Ágora (praça) para conduzir os assuntos da Polis. O governo era, dessa maneira, "do cidadão e pelo cidadão". As assembleias populares eram comícios ao ar livre que agrupavam todos os cidadãos masculinos maiores de 18 anos.

As decisões aí tomadas representavam a palavra final nos tratados, na economia, no ordenamento jurídico, nas obras públicas, na paz e na guerra, em suma, em todas as atividades administrativas. Essas reuniões eram cotidianas e todos tinham o direito de fazer uso da palavra. Assim, a oratória tornou-se indispensável para o convencimento das massas. Se o Ágora era o espaço geográfico do poder, nele imperava o Logos (a palavra). A democracia ateniense, dessa maneira, gerou os demagogos ("demos": povo; "gogos": condutor), líderes que buscavam persuadir e seduzir politicamente a população. Os demagogos tinham como mestres os sofistas, os primeiros professores pagos na história da humanidade. A Sofística, escola filosófica nascida em Atenas, defendia o relativismo do conhecimento: a verdade é aquilo que é útil para tomada e manutenção do poder.

Protágoras, o maior dos sofistas, resume essa postura ao afirmar que "o homem é a medida de todas as coisas, das que são enquanto são e das que não são enquanto não são". Esse pragmatismo, aparentemente nocivo ao saber filosófico, tem a virtude política de defender a sociedade democrática, na qual prevalece a pluralidade de opiniões. De fato, a crença numa verdade absoluta sempre traz consigo a proposta de um Estado autoritário que imponha essa verdade.

A democracia ateniense, calcada na ação de todos, impossibilitava a criação de estruturas partidárias elitistas e concentradoras da autoridade. Outro fato importante do regime democrático de Atenas era a inexistência de grandes quadros burocráticos: poucos eram os funcionários públicos, limitados a alguns escriturários. Dessa forma, impedia-se a burocratização da sociedade com seu inevitável trafego de influências. Em suma: a ausência de cargos administrativos remunerados e o rodízio de lideranças na gestão da "coisa pública" (República - "res": "coisa"; "publica": "de todos") contribuíram para afastar o perigo de lideranças personalistas e autoritárias.

"Nossa constituição é chamada de democracia porque o poder está nas mãos não de uma minoria, mas de todo o povo. Quando se trata de resolver questões privadas, todos são iguais perante a lei, quando se trata de colocar uma pessoa diante de outra em posições de responsabilidade pública, o que vale não é o fato de pertencer a determinada classe, mas a competência real que o homem possui."
Péricles

Do ponto de vista econômico, o período clássico, se poucas alterações provocaram na produção agropecuária, foi caracterizada pela expansão da produção artesanal e pelo incremento do comércio interno e externo.

  
Amfora 530 - 520 AC

Fundamentalmente em Atenas, os bens eram vendidos, pelos produtores, diretamente aos consumidores e uma poderosa burguesia mercantil dedicava-se as importações e exportações.

Como não podia deixar de ocorrer, o progresso mercantil provocou a ampliação da economia monetária. As dracmas (moeda grega) passaram a circular da Ásia Menor ao Mediterrâneo, onde as colônias forneciam cereais à Grécia e dela importavam manufaturas, azeite e vinho. Esse crescimento econômico só foi possível devido à ampla utilização da mão de obra escrava, que trabalhava em todos os setores da produção em troca de moradia e alimentação.


Dracama moeda grega

A época clássica, apogeu da civilização grega, teve, contudo, como característico fundamental a eclosão de duas grandes guerras: a primeira - denominada de Guerras Médicas - foi o confronto entre Atenas, liderando outras cidades gregas, contra os medos (persas); a segunda consistiu num conflito interno - as Guerras do Peloponeso -, que foram travadas entre Atenas e Esparta.

AS GUERRAS MÉDICAS

No século VI a.C., as cidades gregas da Anatólia (Ásia Menor), assim como as da Magna Grécia (sul da Itália e Ilha da Sicília) apresentavam maior desenvolvimento econômico e cultural que as da própria Grécia. Destaque maior deve ser dado às principais Polis da Anatólia: Mileto, Éfeso, Samos e Lesbos, que eram, sem dúvida, os principais centros irradiadores da civilização helênica. O Reino da Lídia fazia fronteira com as cidades gregas da Anatólia e mantinha intensas relações comerciais com elas.

Graças a esses contatos, a Lídia assimilou os padrões culturais da civilização helênica; em contrapartida, os lídios foram estabelecendo uma efetiva hegemonia política sobre toda a região da Anatólia. Esse domínio lídio é facilmente compreensível se levarmos em conta, não só a inexistência de uma unidade política entre as Polis gregas da área, como também as intensas rivalidades entre elas.

Em 548 a.C., Ciro, rei persa que levava adiante uma política imperialista, subjugou a Lídia e, por consequência, estabeleceu seu domínio político sobre a Anatólia. A presença persa não alterou, substancialmente, a vida da Anatólia; entretanto, mudou radicalmente os objetivos imperialistas persas, que passaram a participar do comércio mediterrâneo. A intromissão persa na área gerou, nas consciências dos líderes persas, a ambição de dominar a Península Balcânica. Esse objetivo era favorecido pela fragmentação política da Grécia e pelas frequentes e intensas rivalidades entre suas cidades-estados. Dessa maneira, entre os séculos VI e V a.C., a expansão do Império Persa que já envolvera as colônias gregas da Ásia Menor, passou a ameaçar a própria Grécia Continental.


Selo de Ciro, Rei da Persa

Entre 499 e 494 a.C., as cidades gregas da Anatólia, apoiadas de maneira explícita por Atenas, revoltaram-se contra o domínio persa. Como represália, os medos, após abafarem os levantes da Anatólia, desafiaram os gregos, conquistando a Trácia e a Macedônia, cujo governo foi entregue, por Dario I, a Mardônio. As novas possessões serviriam de base de apoio para eventuais incursões no território grego. Estava montado o cenário da Primeira Guerra Médica: momento inicial de um conflito entre os imperialismos persa e grego em disputa pela Jônia, situada no litoral da Ásia Menor.

CAUSAS DAS GUERRAS MÉDICAS

- Presença econômica e cultural grega na Anatólia.

- Amplas relações comerciais e culturais entre as cidades gregas da Anatólia e o Reino da Lídia.

- Helenização cultural da Lídia, que anexa político-militarmente a Anatólia.

- A tomada da Lídia pelos persas, que estabelecem como objetivo o domínio da Península Balcânica, ameaçando a Grécia Continental.

- Atenas, interessada em barrar os persas, apoia levantes das cidades gregas da Anatólia contra o dominador persa.

- A retaliação dos persas é a conquista de áreas próximas a Atenas: a Macedônia e a Trácia, bases militares para o ataque ao território grego.


Batalha de Salamis 480 a.C. das Guerras Médicas

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Sumário

- Grécia Clássica
- As Guerras Médicas
- A Primeira Guerra Médica
- A Segunda Guerra Médica
- A Confederação de Delos
- O Imperialismo Ateniense
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