Antiguidade Oriental

ANTIGUIDADE ORIENTAL

Antiguidade Oriental é o termo utilizado para se referir à Idade Antiga dos povos localizados no Oriente Médio e no norte da África: os habitantes do espaço geográfico a leste da Europa. É fundamental diferenciar a Antiguidade Oriental da Antiguidade Clássica, que se refere à história da Grécia e de Roma.

As Principais civilizações da Antiguidade Oriental foram:

  • egípcios (Vale do Nilo)
  • mesopotâmicos (Vale do Tigre e Eufrates)
  • hebreus (Vale do Jordão) fenícios (Líbano atual)
  • persas (Planalto do Irã)
  • hindus (Planície Indo-gangética)
  • chineses (Vales do Tang Tsé e Huang Ho).

Estas civilizações apresentaram características comuns como a escrita, a arquitetura monumental, a agricultura extensiva, a domesticação de animais, a metalurgia, a escultura, a pintura em cerâmica, a divisão da sociedade em classes e a religião organizada (estruturada com sacerdotes, lugares para reverenciar os deuses e assim por diante).

A invenção da escrita permitiu ao homem registrar e difundir ideias, descobertas e acontecimentos que ocorriam ao seu redor. Esse avanço é responsável por grandes progressos científicos e tecnológicos que possibilitaram o surgimento de civilizações mais complexas.

Exemplos de tipo de escrita:

  • Suméria - cuneiforme (gravação de figuras com estilete sobre tábua de argila)
  • Egito - hieroglífica (com ideogramas)
  • Fenícia (atual Líbano) - fonético (alfabeto)
Crescente Fértil

Apesar da fixação dos diversos grupos humanos em áreas próximas aos rios (abastecimento de água e comunicação) ter ocorrido em regiões distintas, a maioria das civilizações da Antiguidade se desenvolveu no Crescente Fértil. Esta área possui a forma de arco e estende-se do Vale do Jordão à Mesopotâmia, além de abrigar os rios Tigres e Eufrates. A revolução agrícola e a fixação de grupos humanos em locais determinados ocorreram simultaneamente no Crescente Fértil. Neste mesmo período outras civilizações se desenvolveram às margens dos rios Nilo (egípcia), Amarelo (chinesa), Indo e Ganges (paquistanesa e indiana).

ASPECTOS ECONÔMICOS

Predomínio da agricultura de subsistência e de regadio, devido ao aumento das comunidades ribeirinhas que se tornaram conhecidas como civilizações hidráulicas. Neste período, a construção de canais de irrigação que permitiam levar a água onde fosse necessária era de grande importância.

Principal atividade: Cultivo de cereais. Comércio e artesanato eram atividades secundárias.

Exceção: fenícios, dedicados predominantemente ao comércio marítimo (talassocracia no Mediterrâneo).

ASPECTOS SOCIAIS

Predomínio da sociedade estamental; nessa, cada grupo social tem uma posição e uma função definida. A posição social é determinada pela hereditariedade. A estrutura é estática (não há mobilidade social) e hierárquica, sendo vinculada às atividades econômicas.

Regime de trabalho:

A maior parcela da comunidade trabalhava sob um regime de servidão coletiva. As Comunidades camponesas produziam excedentes agrícolas entregues ao Estado sob a forma de impostos (os camponeses não eram escravos já que viviam em comunidades, produziam seus próprios alimentos e construíam suas moradias).

Divisão da sociedade:

  • Soberano e aristocracia (nobres e sacerdotes)
  • Grupos intermediários (burocratas, militares, mercadores e artesãos).
  • Camponeses
  • Escravos utilizados na construção de obras públicas (obras de irrigação, templos, palácios e outros).

Exceções:

  • Fenícios, sociedade de classes (hierarquia baseada na riqueza móvel).
  • Hindus, sociedade de castas (de origem religiosa e absolutamente impermeável).

Particularidades e diferenças dos modelos econômicos e sociais:

  Egito Vale do Nilo Mesopotâmia
Tigre e Eufrates
Sul da Ásia,
Planície Indo-gangética
Norte da China,
o Hwang Ho
Soberano e aristocracia Faraó e os sacerdotes da família real, oficiais do palácio Nobreza = família real, altos sacerdotes, oficiais reais Falta de evidências O rei, a classe aristocrática e a burocracia estatal faziam parte da nobreza guerreira
Grupos intermediá- rios Sociedade relativamente aberta; habilidade + ambição = mobilidade social Clientes = cidadãos livres trabalhando para a nobreza Comércio com a Mesopotâmia, Sul da Índia e Afeganistão Artesãos/escultores comerciantes
Camponeses Camponeses = servos, pequenas propriedades de terras Plebe = cidadãos livres proprietários de terras   Fazendeiros plebeus (servos)
Escravos Escravos eram prisioneiros de guerra; camponeses eram submetidos a recrutamento forçado tanto para serviços militares como para grupos de trabalhos escravos   escravos

ASPECTOS RELIGIOSOS

Predomínio do politeísmo (acreditavam na existência de inúmeros deuses). Os deuses tinham estreitos vínculos com as atividades e as forças da Natureza.

Exceções:

  • Monoteísmo: hebreus e egípcios durante o reinado do Faraó Amenófis IV
  • Dualismo: persas (zoroastrismo).

Modelos Religiosos:

Egito
Vale do Nilo
Mesopotâmia
Tigre e Eufrates
Sul da Ásia,
Planície Indo-gangética
Norte da China,
o Hwang Ho
Faraó - considerado uma divindade em forma humana, provando que os deuses se importavam com a população Hierarquia de divindades (maiores e menores) de acordo com suas funções Importância da fertilidade = culto à deusa mãe Rei adorado como um intermediário entre os deuses e os homens
Crença em vida após a morte, reflexo da natureza cíclica das estações e enchentes Divindades imortais e poderosas, mas com características humanas (hábitos e emoções) Imagens de deuses em quadros de argila, figuras de animais em argila Culto às figuras reais falecidas, base do culto aos ancestrais
Pirâmides são símbolos da eternidade da vida após a morte e do poder espiritual e temporal do Faraó Lendas e crenças populares – história da criação, humanos com características divinas, enchentes   Confucionismo = crença secular na conduta ética e na harmonia social
Curto período de monoteísmo = culto ao deus Sol (Amon-Ra) Sacerdócio influente   Taoísmo = filosofia que preza o viver em harmonia com as leis da natureza

ASPECTOS POLÍTICOS

Estado fortemente centralizado que possuía as terras e controlava a mão de obra.

A religião justificava o poder absoluto do governante, por isto, neste período, havia predomínio das monarquias despóticas (absolutas) de caráter teocrático.

Teocracia é uma forma de governo na qual a autoridade, proveniente de uma divindade, é exercida por seus representantes na terra. O Egito Antigo foi um dos exemplos mais extremados de teocracia.

Exceção:

Fenícios, organizados em cidades-estados monárquicas ou republicanas, controladas por oligarquias mercantis.

Modelos Políticos:

Egito
Vale do Nilo
Mesopotâmia
Tigre e Eufrates
Sul da Ásia,
Planície Indo-gangética
Norte da China,
o Hwang Ho
O Faraó; rei-deus como ditador absoluto: Teocracia Cidades-estados chefiadas por guerreiros que se tornaram reis Governo centralizado, cidades planejadas, com prédios e serviços públicos Pequenos reinos feudais posteriormente unidos pela dinastia de Zhou
Monarquia centralizada e hereditária Sequência de impérios, alguns formados por grupos locais e outros por invasores   Autocracia altamente centralizada e unificação por Ch’in
Longa série de dinastias familiares Número cada vez maior de códigos legais   Período Dinástico, ideia da permissão dos deuses para governar

ASPECTOS CULTURAIS

Forte influência religiosa na vida cultural, principalmente entre egípcios e hebreus.

Desenvolvimento científico mais importante entre os egípcios (Matemática e Medicina) e entre os caldeus (Matemática e Astronomia).

Arte principal: Arquitetura, tendo a Escultura e a Pintura como artes auxiliares.

Escrita predominantemente ideográfica (no Egito: hieróglifos; na Mesopotâmia: cuneiformes). Criação da escrita fonética pelos fenícios.

Direito baseado no princípio de Talião. Primeiro conjunto de leis escritas: Código de Hamurabi (Mesopotâmia).

MEIO AMBIENTE E SEUS IMPACTOS

As civilizações existentes nesse período tinham muitos pontos em comum. Entretanto, as condições ambientais e naturais nas quais viveram fizeram com que cada um desses grupos se desenvolvesse de forma única e independente.

Egito
O Vale do Nilo
Mesopotâmia
Tigre e Eufrates
Sul da Ásia,
Planície Indo-gangética
Norte da China,
o Hwang Ho
Enchentes brandas
e previsíveis = possibilidades criativas e positivas
Enchentes violentas = pessimismo, medo de desastres Enchentes periódicas = renovação e fertilização do solo Enchentes
= renovação e fertilização do solo
Clima árido =
bom estoque de alimentos
Muito tributário = cidades-estados dispersas = desunião e guerras Clima subtropical úmido = dificuldades no estoque de alimentos Muitas regiões montanhosas e semidesérticas: assentamentos apenas nas margens dos rios
Rio facilmente navegável = união política e cultural Regiões pantanosas = irrigação usada para drenagem Montanhas do Himalaia = proteção contra invernos rigorosos Enchentes violentas = construção de diques para controlar as águas
Desertos = isolamento Falta de pedras para construção = estruturas de cana e de tijolos de argila Monções (ventos) e derretimento da neve = suprimentos abundantes de água Montanhas e desertos = isolamento cultural
Abundância de pedras = arquitetura permanente   Contato com o Oriente Médio a noroeste  

CONTRIBUIÇÕES E REALIZAÇÕES DAS CIVILIZAÇÕES DA ANTIGUIDADE ORIENTAL

Sociedade Região / Período Contribuições / Realizações
Sumérios Mesopotâmia meridional (3500-2300 a.C.). Cidades-estados, matemática (base 60 e sistemas de latitude), veículos com rodas, zigurates (templos), escrita cuneiforme, escolas.
Egípcios Vale do Nilo (Egito)
(3100-1200 a.C.)
Irrigação para controlar o rio, expansão de terras cultiváveis, calendário, medicina, monarquia hereditária e centralizada, escrita pictográfica (hieróglifos), tumbas nas pirâmides, mumificação.
Babilônicos Mesopotâmia
(1900-1600 a.C.)
Código de leis de Hamurabi, unificação de toda região mesopotâmica.
Hititas Turquia e Síria
(1800-1200 a.C.)
Metalurgia (ferro)
Fenícios Líbano atual (1400-800 a.C.) Navegação marítima, alfabeto fonético, comércio além-mar.
Assírios Norte da Mesopotâmia
(900-612 a.C.)
Sociedade militarista, engenheiros militares, império armado da Mesopotâmia ao Egito.
Lídios Turquia (700-550 a.C.) Cunhagem de moedas, sistema monetário.
Hebreus/Judeus/
Israelitas
Terra de Canaã / atual Israel (2.000 a.C.-79 d.C.) Monoteísmo - conceito de um Deus único, os 10 Mandamentos, a criação de um código de valores éticos e morais; O Velho Testamento.
Caldeus Mesopotâmia (612-539 d.C.) Astronomia, fases lunares = 4 semanas por mês, ano solar preciso, astrologia: Zodíaco.
Persas Irã atual (1200-330 d.C.) Amplo sistema de estradas, unificação de um povo vasto em um único império, período de paz e de tolerância, regras claras.

Sumário

- Aspectos econômicos
- Aspectos sociais
- Aspectos religiosos
- Aspectos políticos
- Aspectos culturais
- Meio ambiente e seus impactos
- Contribuições e realizações das civilizações da Antiguidade Oriental

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