A descolonização afro-asiática

O CONCEITO DE DESCOLONIZAÇÃO

Os Fatores da Descolonização

Enfraquecimento da economia dos países industrializados com a II Guerra Mundial - crise nas antigas metrópoles.

A guerra deu consciência da força dos países dependentes, ao mesmo tempo em que despertou o nacionalismo.

Carta de São Francisco (ONU) - estímulo às independências por consagrar o direito à autodeterminação dos povos.

Ascensão da URSS e dos EUA (que lutam por hegemonia) - buscam atrair para si o 3º Mundo, disputando as novas nações afro-asiáticas para sua órbita de influência e para seu sistema (o que é justificado pelo embate entre o socialismo e o capitalismo) - disputas na periferia agravam as tensões internacionais no contexto da Guerra Fria.

As Características da Descolonização

Independências via pacífica: concessões feitas de modo gradual pelas metrópoles - ex-colônia e ex-metrópole mantêm boas relações (os novos Estados passavam a fazer parte da área de influência do antigo dominador e a receber sua ajuda econômica).

Independências por via violenta: as ex-colônias romperam totalmente, enfrentando repressão violenta pelas ex-metrópoles - uso de força nos movimentos de libertação nacionais.

Grã-Bretanha - percebendo que a descolonização no Pós-Guerra era um processo irreversível, tratou de manobrar para manter suas colônias como área de influência sua.

  • As independências políticas não significaram, na maioria dos casos, independência econômica.
  • Descolonização gradativa - primeiramente interna, depois também na política externa (como foi o caso da Índia e do Ceilão).
  • França - não pretendia reconhecer as independências, vindo a sofrer inúmeros problemas.
  • Tentou contemporizar a situação - promoveu “reformas” econômicas e sociais.
  • Agravamento da situação por recorrer à violência para conter as agitações que ficaram excessivas (como na Indochina e Argélia).
  • Tratamento violento gerou oposição rancorosa entre colonizados e colonizadores - situação permite o desenvolvimento de grupos armados comunistas (como no Vietnã do Norte, que terminou aderindo ao socialismo).

A DESCOLONIZAÇÃO NA ÁFRICA

Características da Descolonização na África

O Imperialismo deixou marcas profundas no território e na civilização africana.

A estrutura da sociedade primitiva tribal foi destruída, ou descaracterizada, mas sem assimilar o novo modo de vida “europeizante”.

As novas fronteiras não levaram em consideração as divergências tribais.

Nada se fez para integração racial - tendência de agravamento da segregação (como na África do Sul).

A luta ao sul do Saara de forma geral foi pacífica (uso de boicotes organizados, petições e greves).

A África Inglesa

Gana - movimento pacífico liderado por Kwame Nkrumah (em 1957) - eleito presidente, terminou sendo deposto por um golpe militar em 1926 - novo golpe em 1972 conduziu o coronel Acheampong ao poder.

Federação da Nigéria - formada em 1954 por tribos e regiões distintas, mas tendeu ao desmembramento:

  • Camarões do Sul (1961).
  • Nigéria (1963).
  • Biafra tentou separar-se da Nigéria, numa sangrenta guerra civil (1967).

Serra Leoa e Gâmbia - ganham relativa autonomia dos ingleses, sem graves crises, e conseguindo suas independências entre 1961 e 1965.

Quênia - revolta da tribo Mau-Mau (dos Kikuyus), que levou a uma guerra sangrenta devido às terras ocupadas por colonos brancos - independência concedida em 1963.

África Central Inglesa - criação da Federação da Rodésia e da Federação da Niassalândia (nas quais mantêm-se os interesses dos colonos brancos, relativamente bem até 1963) - houve desmembramento em:

  • Independência da Rodésia do Norte (Zâmbia).
  • Independência da Niassalândia (República Malawi).

Tanganica - ficou independente em 1963, mas a manutenção dos privilégios da aristocracia de Buganda levou-a a conflito interno em 1966.

A África Francesa

A França preocupara-se na África com a assimilação da população nativa, formando uma elite afrancesada, ao mesmo tempo mantendo uma enorme massa não integrada.

Concessões francesas tentam em vão manter suas colônias:

  • a ajuda das colônias à França na II Guerra Mundial predispõe o general De Gaulle.
  • Conferência de Brazzaville (1944) - os governadores das colônias francesas optam por maior autonomia e representação no Parlamento Francês, mas sem independência.
  • a Constituição Francesa de 1946 trouxe novas disposições sobre as colônias: direito de representatividade e assembleias locais eleitas por colégio duplo (mistas).

Há rebeldia das colônias francesas mediterrâneas:

  • Argélia - não concorda com o tratamento de colônia no Pós-Guerra - inicia a luta armada (1954/1962), mantendo-se por 9 anos (represália francesa violenta, fazendo muitas vítimas).
  • Marrocos - rebelou-se em 1955, conseguindo a independência em 1956.
  • Tunísia - em 1934, já tentara um movimento de independência liderado por Habib Bourghiba, mas interrompido pela guerra - reata movimento guerrilheiro após a II Guerra Mundial, até sua autonomia em 1953.

A França reacende a contemporização com a Lei de Deferre (1956) - criada para conter o exemplo das colônias mediterrâneas, levando à instituição da fragmentação da África francesa negra.

  • Sufrágio universal.
  • Maior autonomia às assembleias locais.
  • Criação de um conselho governamental em cada localidade.

Em 1958, a França coloca duas opções:

  • associar-se à França numa Federação.
  • caminhar em direção à independência por conta própria (aceita apenas pela Guiné).

Guiné - preferiu optar pela independência, sob a liderança de Sekou Touré, que buscou auxílio no Ocidente e no Oriente - seu exemplo bem-sucedido foi seguido depois por outras colônias (recebeu ajuda da URSS e da China Popular).

A liquidação do Império Colonial Francês (1960), independências do Sudão Francês, Camarões, Madagascar, Togo, Daomé, Niger, Alto Volta, Costa do Marfim, Chade, Congo e Gabão, Mauritânia e Senegal (de Leopold Senghor, que optou pelo socialismo).

A África Belga

Encontrou muitos problemas para consolidar sua independência.

Conseguiu sua independência sob a liderança de Patrice Lumumba - já no início teve que enfrentar um movimento separatista da província de Catanga (liderado por Moise Tchombe).

O Congo Belga passou por duas intervenções:

  • intervenção belga.
  • intervenção militar da ONU (a pedido).

Conseguindo o apaziguamento, Lumumba iniciou um vasto programa de modernização pedindo ajuda soviética - foi destituído por Kasavubu.

O coronel Mobutu aprisiona e assassina Lumumba - surge confusão generalizada - acontece nova intervenção da ONU em 1962.

Em 1965, Mobutu conseguiu depor Kasavubu, tornando-se chefe de Estado - mudou o nome do país para Zaire.

Ruanda e Burundi - os últimos territórios belgas conseguem sua independência em 1962.

A África Portuguesa

O Império Colonial Português foi dos últimos a dissolver-se. A década de 60 conheceu movimentos separatistas em três de suas colônias.

Movimentos angolanos:

  • MPLA de Agostinho Neto.
  • UNITA de Jonas Savimbi.
  • FNLA de Holden Roberto (surgida em 1972).

Movimento da Guiné - PAIGC de Amilcar Cabral.

Moçambique - Frelimo de Eduardo Mondlane.

A Revolução dos Cravos (25 de abril de 1974): fez a liquidação do Estado salazarista, com nova política colonial. Portugal passa a buscar por acordos para a emancipação.

  • Guiné-Bissau (1974).
  • Moçambique (1975).
  • Angola - deveria ficar independente em 1975, mas devido às más relações, Portugal abandona o território antes do tempo - surge luta interna pelo poder, vencendo o M.P.L.A. de Agostinho Neto (com apoio de tropas cubanas).

Resultados da descolonização para Portugal:

  • grandes perdas materiais e humanas.
  • endividamento com as guerras e perda de arrecadação (resultando em perdas internas).
  • surgimento da questão dos retornos.
  • queda da renda nacional e desemprego.

Sumário

- O Conceito de Descolonização
- A Descolonização na África
- A Descolonização no Oriente Médio
- A Descolonização na Ásia
- A Independência da Indochina
- A Independência da Coreia
Assine login Questões a responder image Questões dissertativas image