O Governo Lula

O governo Lula

Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência da República no dia 1 de janeiro de 2003. Conhecido como Lula – apelido que teve de incluir em seu nome para poder utilizá-lo em suas campanhas eleitorais –, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT).

Lula concorreu cinco vezes à presidência da República. Perdeu as primeiras três: em 1989, 1994 e 1998. Foi eleito em 2002, ao derrotar José Serra, ex-Ministro da Saúde do governo FHC. Lula foi reeleito em 2006: derrotou Geraldo Alckmin do PSDB, apesar do escândalo político do mensalão, ocorrido em 2005.

A política econômica do governo de Lula foi conservadora. O presidente Lula, que havia criticado o Plano Real, deu continuidade à política econômica de FHC. Assim, por meio de políticas monetárias restritas, tanto o controle da inflação como a estabilidade econômica foram mantidas durante os dois mandatos de Lula.

Em 2010, ao final de seu mandato, a taxa de desemprego no Brasil era baixa e o PIB crescia a uma taxa de 7% ao ano – a maior registrada desde a década de 1970. Durante os anos em que Lula foi presidente (2003-2010), o salário mínimo mais que dobrou e o número de beneficiários dos programas sociais quadruplicou. Aproximadamente 32 milhões de brasileiros passaram a fazer parte da classe média. A compra de automóveis e de imóveis no país disparou.

A política externa do governo Lula foi polêmica. Na arena internacional, Lula pressionou pela reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, mas tais esforços foram em vão.

Diminuindo a pobreza

O governo Lula ampliou os programas sociais de distribuição de renda. Durante sua presidência, houve a expansão do crédito e o aumento de empregos formais e do salário mínimo. Em 2002, o valor do salário mínimo era R$ 200; em 2010, era R$ 510. Os programas sociais de distribuição de renda e a estabilidade econômica, que se deve ao Plano Real, resultaram na redução da pobreza no Brasil.

É importante ressaltar que a redução da desigualdade social no Brasil se iniciou com o fim da inflação. Isso ocorreu graças ao Plano Real, elaborado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Além disso, os primeiros passos dos programas de transferência de renda no Brasil foram dados durante o segundo mandato do governo FHC. Em 2001, foram introduzidos diversos programas de combate à pobreza: o Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação, o Auxílio Gás, o Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) e o Brasil Jovem. O Bolsa Escola chegou a beneficiar 8,6 milhões de pessoas. Esses programas sociais resultavam na transferência direta de renda aos mais pobres.

O Bolsa Família, implementado durante o governo Lula, significou a unificação e a ampliação desses programas. O programa de distribuição de renda se tornou mais abrangente. A implementação de políticas de proteção social, como o Bolsa Família e o Fome Zero, resultou na diminuição da pobreza no país. Consequentemente, houve a ascensão de um grande contingente dos mais pobres à “Classe C” – a baixa classe média.

Durante os anos 2002-2013, o Bolsa Família retirou 36 milhões de brasileiros da extrema pobreza. Em 2013, cerca de 25% da população brasileira recebia o Bolsa Família. Em 2013, o governo gastou 20,6 bilhões de reais com o Bolsa Família. Essa quantia beneficiou 14,1 milhões de famílias no país.

Mensalão

O primeiro mandato do governo Lula foi abalado por escândalos de corrupção. Em 2005, foi revelado o escândalo do mensalão: surgiram denúncias de que o PT havia comprado apoio político na Câmara durante os primeiros dois anos do governo Lula. É importante lembrar que desde sua fundação, o PT havia carregado a bandeira da ética na política.

O escândalo do mensalão abateu a cúpula do PT. O presidente Lula foi obrigado a demitir José Dirceu, o Ministro da Casa Civil e uma das cabeças do PT. O escândalo do mensalão forçou o presidente a afastar várias figuras proeminentes de seu governo.

Em março de 2014, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento dos réus acusados de envolvimento no escândalo do mensalão: foram condenados 24 dos 40 denunciados. Contudo, das 24 pessoas condenadas, apenas 18 cumprem pena, entre elas, o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT, José Genoíno e o delator do esquema de corrupção, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB).

A sucessora de Lula: a presidente Dilma Rousseff

Graças ao sucesso econômico e aos programas de distribuição de renda de seu governo, Lula se tornou o presidente com a maior aprovação popular desde que foram instituídas as pesquisas de avaliação no Brasil. Sua popularidade resultou na eleição de sua sucessora. A Ministra da Casa Civil do governo Lula, Dilma Rousseff, foi eleita presidente em 2010, tendo derrotado José Serra.