Descoberta do Brasil

Descoberta do Brasil

Descoberta do Brasil refere-se à chegada da expedição de Pedro Álvares Cabral ao território chamado de Ilha de Vera Cruz, que hoje faz parte do território brasileiro. A Descoberta do Brasil ocorreu no dia 22 de abril de 1500 e faz parte dos descobrimentos portugueses. A nomenclatura desse evento – Descoberta do Brasil – revela uma concepção de História eurocentrada.

A Descoberta do Brasil

Em 1500 - seis anos após o Tratado de Tordesilhas, - deu-se, como decorrência natural do processo de expansão marítima, a descoberta do Brasil. Bartolomeu Dias dobrara o cabo das Tormentas e, por sua vez, Vasco da Gama acabara de abrir a rota atlântica das especiarias asiáticas. As naus da carreira da Índia passaram a reclamar a criação de postos de abastecimento não só na costa do Índico, mas também nos mares do ocidente. Impunha-se, portanto, a conquista do Atlântico sul. Consequentemente, a descoberta do Brasil seria simples questão de tempo.

O sucesso alcançado por Vasco da Gama e o êxito de Colombo excitariam enormemente os portugueses que, havia muitos anos, navegavam em águas ocidentais. Tudo isso contribuiu para o descobrimento de nosso país.

A lenta elaboração de um gigantesco plano ultramarino reconhecia-se a cada passo - desde a abordagem da África pelas caravelas henriquinas até a chegada das naus cabralinas aos ancoradouros do Atlântico brasileiro .

Quando D. Manuel, o “Rei Venturoso”, apregoou a necessidade de combater no Oriente a expansão islâmica, para glória da Fé e fortalecimento de seu capitalismo monárquico, não se esqueceu, previdentemente, de acentuar ao capitão de sua segunda armada à Índia a conveniência de uma ancoragem na vastidão marítima do ocidente, suporte e base de operações do tráfico oriental. Das instruções régias para a viagem de Cabral são conhecidos apenas fragmentos. Entretanto, no início do século XVI, Portugal, senhor da rota do Cabo, tinha condições de ir cada vez mais longe.

O Atlântico, um “lago” dos Aviz, era então a principal via marítima de passagem mercantil e de disputa política e econômica. Por isso, essa nova rota reclamava segurança.

A necessidade de organização de bases de apoio no ultramar, para a proteção do tráfico e da soberania da realeza lusitana, precipitaria a expedição cabralina.

No verão de 1499, após o retorno de Vasco da Gama, D.Manuel achou necessário enviar à Índia uma nova armada. Por carta régia datada de 15 de fevereiro de 1500, Pedro Álvares Cabral foi nomeado comandante supremo da expedição. É curioso observar que na Chancelaria de D.Manuel, no Arquivo da Torre do Tombo, acha-se o registro desse documento de nomeação, onde se lê: Pedro Álvares de Gouveia. Gouveia era o sobrenome de sua mãe. Pedro Álvares, fidalgo nascido em Belmonte no ano de 1467, descendia de Fernão Cabral. Era o segundo filho, cabendo, como costume na época, o sobrenome do pai ao primogênito, João Fernandes Cabral.

A frota cabralina, de treze navios, levava 1200 homens, gente escolhida e bem armada, oito frades franciscanos, guardados por frei Henrique Coimbra, oito capelães e um vigário, todos missionários.

No primeiro domingo da Quaresma, a 08 de março de 1500, D.Manuel, com toda a Corte, dirigiu-se à praia do Restelo, onde já se encontrava a armada, para juntos ouvirem a missa do grandioso mosteiro dos Jerônimos. Após a cerimônia religiosa, seu oficiante, D. Ortiz, bispo de Ceuta, benzeu o chapéu de Cabral e a bandeira da Ordem de Cristo, que tremulara no altar durante todo o culto . Terminada a bênção, o sacerdote entregou os dois objetos ao rei. D. Manuel colocou, então o chapéu benzido na cabeça do capitão-mor, passando-lhe a bandeira de pano branco com a cruz vermelha  no centro. Depois, seguiram em procissão até o embarcadouro, onde Cabral e seus subordinados se despediram do monarca, beijando-lhe a mão.

A esquadra partiu no dia seguinte, em meio às aclamações do povo que afluiu em massa para contemplar  o espetáculo. Na manhã do dia 14 navegavam entre as Canárias. No dia 22, ainda em março atravessaram o arquipélago de Cabo Verde. Na noite seguinte, desgarrou-se da frota a embarcação de Vasco de Ataíde. Tudo foi feito para encontrar o navio perdido. Em vão: a nau fora engolida pelas águas. Desfalcados, velejaram para oeste, até que no dia 21 de abril de 1500, terça- feira da Páscoa, reconheceram sinais de terra próxima. No dia seguinte, pela manhã, descortinaram um monte e um negrume prolongado no horizonte, sinal indicativo da continuação da linha litorânea. Cabral deu ao monte o nome de Pascoal, e à terra a denominação de ilha de Vera Cruz. No dia 23, navegaram  para terra firme, ancorando em frente a um rio, onde seriam travados os primeiros contatos com os indígenas. No dia seguinte, sexta-feira, rumaram para o norte. Os navios maiores fundearam ao largo, os de menor porte entraram num abrigo, no qual a armada inteira penetraria. Na manhã seguinte, domingo de Pascoela, armou-se um altar, onde o frei Henrique de Coimbra celebrou a primeira missa no Brasil. Foi cantada e assistida pelos sacerdotes da expedição, pelos capitães e marinheiros.

Os indígenas, atraídos pela novidade, acompanharam o ritual, imitando os gestos dos cristãos, Finalmente, a 02 de maio, Cabral zarparia de Porto Seguro em direção à Índia, com a missão de dar continuidade à rota aberta por Vasco da Gama. O Brasil  estava, assim, descoberto.