Relevo brasileiro

Relevo brasileiro

O relevo brasileiro é formado por planaltos, planícies e depressões. Caracterizado por baixas e médias altitudes, o relevo brasileiro tem formação antiga e resulta das ações de agentes endógenos e exógenos.

Relevo Continental

Geomorfologia é a ciência que estuda as formas de relevo, sua origem, estrutura e os processos responsáveis por sua evolução.

Relevo são as formas e compartimentos da superfície do planeta, tanto as visíveis como as submersas. Há diversas classificações das formas de relevo. 

Essas formas e compartimentos definem-se em função da atuação de agentes internos (endógenos) e externos (exógenos) sobre a crosta terrestre.

- Agentes internos (formadores) - vulcanismo, terremotos, movimento das placas; forças tectônicas em geral. São processos estruturais que atuam de forma intensa do interior para a superfície da Terra, criando ou modificando a fisionomia do relevo.

- Agentes externos (modeladores) - chuva, vento, geleiras, rios, lagos, mares; agentes erosivos em geral. Esses agentes realizam um trabalho de modelagem da paisagem terrestre. Desempenham atuação prolongada.

Os principais agentes internos são:

Tectonismo - movimento das placas tectônicas que resulta na formação do relevo.

Orogenia (formação de uma montanha) - é ocasionada por agentes internos (dobramento, vulcão ou falha geológica); sua forma atual decorre da ação de agentes externos.

Há três tipos de montanhas:

1. Montanha por dobramento: formam-se onde as placas tectônicas se chocam, resultando em dobramentos e soerguimento das rochas.

2. Montanhas por falha: formam-se quando há o soerguimento de um bloco rochoso entre duas falhas.

3. Montanhas vulcânicas: geralmente são formadas ao longo das áreas de contato das placas tectônicas. O acúmulo de lavas ao redor da chaminé do vulcão leva à formação desse tipo de montanha.

Epirogenia - movimento bastante lento de subida e descida de grandes partes da crosta da Terra.

Falhamento - Formado por meio de fraturas da crosta terrestre. Há deslocamento de grandes blocos de rocha em sentido vertical ou horizontal.

Vulcanismo (erupção vulcânica) - o derramamento de magma sobre a superfície da Terra e a consequente solidificação em contato com a atmosfera.

Terremoto - tremor da Terra que resulta na modificação do relevo.

As forças exógenas modelam as formas do relevo. São, portanto, chamadas de agentes modeladores do relevo. Tais modificações sofridas pela crosta terrestre geralmente ocorrem lentamente.

As principais forças exógenas são:

- chuva: causa o fraturamento das rochas e consequente alteração das propriedades químicas dos minerais que às compõem, levando à decomposição;

- vento: promove o desgaste mecânico das rochas e a varredura de superfícies terrestres, principalmente de porções onde a cobertura vegetal é pobre;

- rios: resultam na escavação do canal fluvial e no transporte de sedimentos;

- oceanos: desgastam e modelam as áreas litorâneas;

- geleiras: a formação e o degelo das geleiras levam ao desgaste do relevo e à formação de depósitos de sedimentos;

O ser humano também pode ser considerado um agente modelador do relevo, pois aplaina terrenos para construir estradas, promove a retirada de minerais e rochas dos solos e subsolos e aterra áreas ocupadas pelos mares, tendo como objetivo ampliar a superfície habitável.

Intemperismo

O arcabouço geológico de uma região sofre a ação de agentes físicos, químicos e biológicos, levando à desagregação das partículas rochosas. Esse fenômeno é conhecido como intemperismo.

A desagregação também pode ocorrer devido à dissolução de certos minerais encontrados em algumas rochas. Esse processo é denominado de intemperismo químico. Um exemplo de intemperismo biológico é a ação das raízes das plantas nas rochas, que penetram e destroem a massa rochosa.

As partículas que se desprendem das rochas são chamadas de sedimentos. A estrutura do arcabouço geológico é um dos elementos que determina quanto veloz e intenso é o processo de erosão. Por exemplo, os arcabouços formados por rochas magmáticas são desgastados mais lentamente do que os de origem sedimentar.

É importante ressaltar que os agentes erosivos fazem mais do que alterar o relevo. Também transportam e depositam bilhões de toneladas de sedimentos que se separam das rochas e são acumulados em bacias sedimentares.

O acúmulo de sedimentos nos leitos dos rios é denominado de assoreamento. Esse fenômeno resulta em problemas: diminui a profundidade dos rios e aumenta a inundação das margens. 

Classificação do Relevo

Antigamente, na classificação do relevo, considerava-se apenas aquilo que se via no terreno, as cotas altimétricas, por exemplo. Dizia-se que planalto era um "plano alto" e planície um "plano baixo". Atualmente a dinâmica tectônica e erosiva é levada em consideração na determinação e classificação das formas do terreno.

Assim, temos por definição:

- Planalto: forma de relevo irregular, mais ou menos plano, que apresenta irregularidades. A erosão predomina e supera a sedimentação. Portanto, é um relevo que sofre desgaste e destruição. 

- Planície: superfície pouco acidentada, mais ou menos plana. Geralmente se situa a poucos metros do nível do mar, mas também pode ocorrer em altitude maiores. É uma forma de terreno em que a sedimentação supera a erosão. É, portanto, um relevo em formação. Por ser formada pelo acúmulo contínuo de sedimentos, é uma área de relevo relativamente recente.

As planícies podem ser classificadas como:

- costeiras ou marinhas: localizam-se próximas aos oceanos;

- continentais: localizam-se próximas aos rios (planícies fluviais ou aluvionais), lagos (planícies lacustres) ou na parte baixa entre montanhas (planícies de piemonte).

- Montanhas: grandes elevações naturais do terreno. São formadas por agrupamentos de morros e vales. Os principais tipos de montanhas foram formados por processos como a movimentação das placas tectônicas, que resultam em dobramentos, falhas e vulcanismo. 

- Depressão: área de relevo rebaixado, mais ou menos plano. Não apresenta irregularidades. A erosão supera a sedimentação. Depressões são formadas por prolongados processos de erosão e, em muito casos, circundados por planaltos elevados. Depressões ocorrem geralmente em áreas de bacias sedimentares.

Depressões absolutas são aquelas que, em áreas continentais, se situam abaixo do nível do mar, isto é, abaixo de 0 metros de altitude. Exemplo: o Mar Morto.

Depressões relativas se situam abaixo do nível das regiões vizinhas, mas acima do nível do mar. São superfícies com inclinação suave. Decorrem de prolongados processos de erosão. Exemplo: a Depressão da Amazônia Ocidental no Brasil.

Note que as definições não consideram cotas altimétricas. Podemos encontrar uma planície a 4.000 m de altitude (Altiplanos Andinos) e um planalto a 20 m de altitude (Bacia Amazônica). As áreas de planície podem ser encontradas em qualquer altitude. Exemplo: as várzeas de rios.

Atenção.: não confunda bacia sedimentar com planície!

Observação:

a estrutura geológica sedimentar corresponde à origem, formação e composição do relevo, ocorrida há muito tempo atrás. Durante sua formação, a bacia sedimentar era (ou é) uma planície. Porém, hoje, pode estar em um processo de desgaste e corresponder a um planalto sedimentar. Ex.: Baixo Platô Amazônico.

Definições

(as definições que aparecem abaixo aplicam-se ao mapa de relevo do Brasil elaborado por Jurandyr L.S.Ross)   (Extraído de: Nova Escola - outubro/1995)

Depressão: superfície entre 100 e 500 metros de altitude com suave inclinação, formada por prolongados processos de erosão. É mais plana do que o planalto. O mapa escolar de Jurandyr é o primeiro a aplicar esse conceito.

Depressão

Planalto: ao contrário do que sugere o nome, é uma superfície irregular com altitude acima de 300 metros. É o produto da erosão sobre rochas cristalinas ou sedimentares. Pode ter morros, serras ou elevações íngremes de topo plano (chapadas).

Planalto

Planície: superfície muito plana com no máximo 100 metros de altitude. É formada pelo acúmulo recente de sedimentos movimentados pelas águas do mar, de rios ou de lagos. Ocupa porção modesta no conjunto do relevo brasileiro.

Planície

Escarpa: terreno muito íngreme, de 100 a 800 metros de altitude. Lembra um degrau. Ocorre na passagem de áreas baixas para um planalto. É impropriamente chamada de serra em muitos lugares, como na Serra do Mar, que acompanha o litoral.

Serra: terreno muito trabalhado pela erosão. Varia de 600 a 3.000 metros de altitude. É formada por morros ou cadeias de morros pontiagudos (cristas). Não se confunde com escarpa: serra se sobe por um lado e se desce pelo lado oposto.

Serra

Tabuleiro: superfície com 20 a 50 metros de altitude em contato com o oceano. Ocupa trechos do litoral nordestino. Geralmente tem o topo muito plano. No lado do mar, apresenta declives abruptos que formam as chamadas falésias ou barreiras.

Tabuleiro

Mapas do Relevo Brasileiro

O Retrato do Brasil dos anos 40...

Aroldo de Azevedo, o pioneiro

Advogado que nunca exerceu a profissão, o paulista Aroldo de Azevedo (1910-1974) foi um dos primeiros professores de geografia da Universidade São Paulo (USP). Foi também o nosso primeiro grande autor de livros didáticos em Geografia. Na década de 40, fez o primeiro mapa do relevo brasileiro, ainda hoje usado em livros escolares. Dividia o país em oito unidades de relevo.

Mapas do Relevo Brasileiro - Aroldo de Azevedo

. . . É retocado em 1958 por :

Aziz Ab’Saber, o discípulo

Aluno de Aroldo de Azevedo, o paulista Aziz Ab’Saber, hoje com 71 anos, deu prosseguimento à obra do mestre. Valeu-se sobretudo de observações do relevo feitas pessoalmente. Poucos geógrafos terão viajado pelo país tanto quanto ele. Seu mapa foi publicado pela primeira vez em 1958. Ab’Saber acrescentou duas unidades de relevo às oito de Azevedo.

Mapas do Relevo Brasileiro - Aziz Ab’Saber

Jurandyr Ross, o inovador

Deu aulas no primeiro grau ante de se tornar professor da USP. Jurandyr Luciano Sanches Ross, paulista de 48 anos, ocupa a vaga que Ab’Saber deixou ao se aposentar. Durante seis anos foi pesquisador no Projeto Radambrasil e ajudou a montar os mapas com as fotos de radar que usaria para revolucionar nossa Geografia. Com ele, as unidades de relevo saltam de dez para 28.

  Mapa do Relevo Brasileiro - Jurandyr Ross

Três grandes perfis que resumem nosso relevo (Por Jurandyr Ross)

Região Norte

Região Norte - perfil do relevo

Este corte (perfil noroeste-sudeste) tem cerca de 2.000 quilômetros de comprimento. Vai das altíssimas serras do norte de Roraima, na fronteira com a Venezuela, Colômbia e Guiana, até o norte do Estado de Mato Grosso. Mostra claramente as estreitas faixas de planície situadas às margens do Rio Amazonas, a partir das quais seguem-se amplas extensões de terras altas: planaltos e depressões.  

Região Nordeste

Região Nordeste - perfil do relevo

Este corte tem cerca de 1.500 quilômetros de extensão. Vai do interior do Maranhão ao litoral de Pernambuco. Apresenta um retrato fiel e abrangente do relevo da região: dois planaltos (da Bacia do Parnaíba e da Borborema) cercando a Depressão Sertaneja (ex-Planalto Nordestino). As regiões altas são cobertas por mata. As baixas, por caatinga.

Regiões Centro-Oeste e Sudeste

Regiões Centro-Oeste e Sudeste - perfil do relevo

Este corte, com cerca de 1.500 quilômetros de comprimento, vai do Estado de Mato Grosso do Sul ao litoral paulista. Com altitude entre 80 e 150 metros, a Planície do Pantanal está quase no mesmo nível do Oceano Atlântico. A Bacia do Paraná, formada por rios de planalto, concentra as maiores usinas hidrelétricas brasileiras

O Relevo Brasileiro

O território brasileiro, de formação muito antiga e altamente desgastado pela erosão, não apresenta cadeias montanhosas (Dobramentos Modernos). Isso, como vimos, devido ao fato de localizar-se no meio de uma placa tectônica.

Considerando a classificação de Aziz Ab’Saber, notamos que basicamente o Brasil possui dois planaltos: o das Guianas e o Brasileiro. Porém, o Planalto Brasileiro é dividido em várias partes em função da estrutura geológica e das formas diferenciadas em seu interior, já que é grande e sujeito a condições climáticas e hidrográficas (o que implica erosão) distintas.

Planaltos

1. Planalto Meridional: Constituído por um derrame de basalto na era Mesozoica (que deu origem à terra roxa). Também conhecido como planalto arenito basáltico.

2. Planalto Atlântico ou Serras e Planaltos do Leste e Sudeste: Apresenta as serras do Mar, Mantiqueira e Espinhaço. Destacam-se, ao lado do Vale do Paraíba e em Minas Gerais os mares de morros.

3. Planalto Nordestino: Destacam-se as chapadas da Borborema e Apodi.

4. Planalto do Maranhão-Piauí ou do meio Norte: Apresenta chapadas de origem sedimentar.

5. Planalto Central: Chapadões sedimentares (Chapada dos Guimarães).

6. Planalto Uruguaio-Sul Riograndense: Colinas suaves ou coxilhas.

7. Planalto das Guianas: Extremo norte do país, coincide com o escudo cristalino das Guianas. É aí que aparece o pico culminante do Brasil: Pico da Neblina (3.014 m).

Planícies

1. Planície do Pantanal: É a mais típica planície brasileira por sofrer inundação anual (Rios Paraguai e Taquari); quando a água perde velocidade só ocorre sedimentação.

2. Planície e Terras Baixas Amazônicas: Apenas as várzeas dos rios da Bacia Sedimentar Amazônica constituem-se de Planícies. O que predomina são os baixo platôs.

3. Planície Costeira: Estende-se do Maranhão ao Rio Grande do Sul recebendo sedimentos tanto do continente quanto do oceano, conforme a localização.

Relevo submarino e litoral

O relevo submarino é subdividido em quatro partes: Plataforma continental, Talude, Região Abissal e Região Pelágica.

relevo submarino

Plataforma Continental: É a continuação do continente (SIAL), mesmo submerso. Possui profundidade média de 0 a 200 m, o que significa que a luz solar infiltra-se na água, o que gera condições propícias à atividade biológica e ocasiona uma enorme importância econômica - a PESCA. Há também, na plataforma continental, a ocorrência de petróleo.

Talude: Desnível abrupto de 2 a 3 km. É o fim do continente.

Região Abissal: Quando ocorre aparece junto ao talude e corresponde às fossas marinhas.

Região Pelágica

SIMA - é o relevo submarino propriamente dito, com planícies, montanhas e depressões.

Surgem aqui as ilhas oceânicas:

-  Vulcânicas, como Fernando de Noronha

-  Coralígenas, como o Atol das Rocas

Litoral

Corresponde à zona de contato entre o oceano e o continente; em permanente movimento, possui variação de altura - as marés, que são influenciadas pela Lua.

Quando, durante o movimento das águas oceânicas, a sedimentação supera o desgaste, surgem as praias, recifes e restingas. Quando o desgaste (erosão) supera a sedimentação, surgem as falésias (cristalinas ou sedimentares).

Restinga:
Restinga Restinga
Falésia
Falésia Falésia

Fonte: Extraído do Panorama Geográfico do Brasil - Melhem Adas

O litoral brasileiro é pouco recortado. Esse fato ocorre em função da pobreza em glaciações quaternárias que atuaram intensamente nas zonas temperadas do globo. O poder erosivo das geleiras é imenso.

  • O litoral norte brasileiro apresenta a plataforma continental mais larga, pois muitos rios (entre eles o Amazonas), ali deságuam, despejando uma quantidade enorme de sedimentos. O litoral nordestino possui a mais estreita plataforma continental.
  • Principais lagoas costeiras: dos Patos e Mirim (RS); Conceição (SC); Araruama (RJ).
  • Ilhas Costeiras Continentais: Santa Catarina (Florianópolis); São Francisco (SC); São Sebastião (Ilha Bela); Santo Amaro (Guarujá).
  • Ilha Costeira Aluvial: Marajó.
  • Ilha Vulcânica: Fernando de Noronha.
  • Baías: Todos os Santos (BA); Guanabara (RJ); Paranaguá (PR); Laguna (SC); Angra dos Reis e Parati (RJ).

Sumário

- Relevo Continental
- Intemperismo
- Classificação do Relevo
- Definições
- Mapas do Relevo Brasileiro
i. Aroldo de Azevedo, o pioneiro
ii. Aziz Ab’Saber, o discípulo
iii. Jurandyr Ross, o inovador
- Três grandes perfis que resumem nosso relevo (Por Jurandyr Ross)
i. Região Norte
ii. Região Nordeste
iii. Regiões Centro-Oeste e Sudeste
- O Relevo Brasileiro
- Planaltos
- Planícies
- Relevo submarino e litoral
- Litoral
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