IDH no Brasil

O PIB e o PIB per capita são medidas econômicas muito uteis que medem a capacidade produtiva de um país, mas não consideram o bem estar da população ou a concentração de renda nacional. Dois países podem ter o mesmo PIB, mas oferecer níveis bastante diferentes de qualidade de vida. A mortalidade infantil de um deles pode ser muito menor, a expectativa de vida do outro pode ser maior. É necessário, portanto, usar outros índices para se conseguir uma compreensão melhor da situação real econômica de uma nação.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma forma mais abrangente que o PIB para medir o grau de riqueza de um país. Tal índice foi criado pelas Nações Unidas para classificar países em termos socioeconômicos. O índice considera não apenas o tamanho da economia de um país, mas também a qualidade de vida de sua população: a expectativa de vida, a renda per capita, a taxa de escolaridade, etc. O Brasil é classificado como uma das maiores economias do mundo, mas a desigualdade social do país é enorme. Isso se reflete no baixo IDH do país.

O índice reflete as condições de três variáveis básicas que definem uma boa qualidade de vida:

  • Expectativa de vida ao nascer - se a população de um país apresenta uma expectativa de vida elevada, isso indica que as condições de saneamento básico, alimentação, assistência médico-hospitalar e moradia são boas, além de haver acesso a um meio ambiente saudável.
  • Escolaridade - quanto maior o índice de escolarização da população, melhor o nível de desenvolvimento, exercício da cidadania, produtividade do trabalho, etc.
  • Produto Interno Bruto per capita - o Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de tudo que é produzido pela economia de um país no período de um ano. O PIB de um país dividido por sua população corresponde à renda per capita, que é o valor que caberia, em média, a cada pessoa. No cálculo do IDH, o PIB é ajustado ao poder de compra da moeda nacional, pois os gastos com alimentação, saúde e moradia variam muito de um país para outro.

Essas três variáveis são expressas em uma escala que varia de 0,0 a 1,0: quanto mais baixo o índice, piores são as condições de vida da população em geral; quanto mais próximo de 1,0, mais elevada é a qualidade de vida da população como um todo.

Os países são divididos em três categorias:

- baixo desenvolvimento humano: IDH menor que 0,500

- médio desenvolvimento humano: IDH entre 0,500 e 0,799

- alto desenvolvimento humano: IDH de 0,800 ou mais.

IDH 2015 – Brasil ocupa 79ª posição entre 188 países

Índice de Desenvolvimento Humano - 2015

Alto Desenvolvimento Humano

1.  Noruega
2.  Austrália / Suíça
4.  Alemanha 
5.  Dinamarca / Singapura
7.  Holanda
8.  Irland
9.  Islândia
10. Canadá  / Estados Unidos

0,949
0,939
0,926
0,925
0,924
0,923
0,921
0,920

 Fonte: Relatório do Desenvolvimento Humano, 2015, http://hdr.undp.org

Em 2015, o Brasil teve o 14º melhor IDH da América Latina. Nesse ano, os países da América Latina que tiveram o melhor IDH foram: Chile (0,847), Argentina (0,827), Barbados (0,795), Uruguai (0,795), Bahamas (0,792), Panamá (0,788), Antígua e Barbuda (0,786), Costa Rica (0,776), Cuba (0,775), Venezuela (0,767), São Cristóvão e Nevis (0,765) e México (0,762).

Em 2015, o Brasil apareceu entre os países considerados de “Desenvolvimento Humano Elevado” – a segunda melhor categoria do ranking.

Em 2016, o rendimento anual dos brasileiros foi de 14.800 dólares norte-americanos e a expectativa de vida 73,8 anos. A escolaridade é de 7,7 anos de estudo. Isso significa que, em média, o brasileiro nem sequer completa o Ensino Fundamental, que tem duração de nove anos.

De acordo com os dados divulgados pelo PNUD, desde 1990, a expectativa de vida aumentou em 9,4 anos e a média de anos de escolaridade aumentou em 4,0 anos. O Produto Nacional Bruto (PNB) per capita aumentou 31,6% de 1990 a 2015, segundo as Nações Unidas.

O Produto Nacional Bruto (PNB) é a soma do PIB, ou seja, a soma de tudo que é produzido pela economia de um país no período de um ano mais a soma da renda líquida enviada ou recebida do exterior. Ou seja, é a soma de tudo que é produzido pelo país, independentemente do local de produção. 

As desigualdades no Brasil

Os indicadores sociais do Brasil refletem a deficiência de investimentos em setores como educação e saúde. Se considerarmos o tamanho do PIB brasileiro – o oitavo maior do mundo no ano de 2016 - e as potencialidades do Brasil, podemos concluir que o fato de o país ocupar posição intermediária na maioria dos indicadores sociais revela o descompasso entre o crescimento econômico e as condições sociais.

Nas últimas duas décadas, o IDH do Brasil tem subido. Em 1990, o IDH do Brasil era de 0,611. Em 2015, era de 0,754 – um aumento em 25 anos de 23,4%.

Contudo, desigualdades sociais imensas e pobreza generalizada continuam sendo realidades da sociedade brasileira. O Brasil ainda possui uma das piores distribuições de renda no mundo. Apesar das mudanças no regime político e no padrão de desenvolvimento do país, em 2016, 40,5% de todos rendimentos no Brasil ainda estava concentrada nas mãos de apenas 10% da população. Segunda a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), em 2005, essa proporção chegava a 45,3%.

Segundo pesquisas econômicas a causa da disparidade é a deficiência do sistema tributário brasileiro. O sistema tributário brasileiro sobrecarrega as classes média e baixa: 32% da renda dos 10% mais pobres é destinada ao pagamento de impostos, enquanto esse valor representa 21% da renda dos mais ricos e 6,7% da renda dos extremamente ricos.

Isso ocorre, em parte, devido à carga elevada de impostos indiretos (embutidos no preço das mercadorias e serviços consumidos). Como os ricos e os pobres pagam o mesmo valor de impostos ao comprar uma mercadoria, essa forma de arrecadação pesa mais para a população de baixa renda.

A solução óbvia para o problema é uma reforma tributária.

Apesar de ainda muito alta, a desigualdade no Brasil vem melhorando. Segundo dados da FGV, desde o início do Plano Real (1994) até o ano de 2010, a pobreza no país caiu 67,3%. Os principais fatores dessa redução de pobreza são o aumento de escolaridade e os programas sociais de redistribuição de renda.

Outro dado positivo: de 2000 a 2010, a renda da metade mais pobre da população aumentou em ritmo 5,5 vezes mais rápido que a da minoria mais rica do país. Um dos motivos disso é que o trabalho menos especializado se tornou mais valorizado no Brasil. Isso se deve ao fato de a Bolsa Família garantir uma renda mínima, fazendo com que muitos brasileiros exijam um salário razoável pelo trabalho que fazem.

Sumário

- As desigualdades no Brasil
- Desigualdades regionais no Brasil
- A Educação no Brasil
- A Saúde no Brasil
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