A República Popular da China

A REPÚBLICA POPULAR DA CHINA: ASPECTOS FÍSICOS, HISTÓRIA E GEOPOLÍTICA

A Ásia, com uma extensão de 44 milhões de quilômetros quadrados – aproximadamente 30% das terras imersas do globo - é o maior continente do planeta, apresentando climas, relevos e paisagens botânicas muito diversificadas. A China é o país mais populoso do mundo, contendo aproximadamente 1.35 bilhão de habitantes. O nordeste asiático, que abrange a Coreia do Norte, a Coreia do Sul, o Japão, a Mongólia e Taiwan, tem como principal país a República Popular da China.

OS LIMITES GEOPOLÍTICOS 

A China, cuja área é de 9.596.961 km², tem como limites:

  • NORTE - Mongólia
  • NORDESTE - Rússia
  • LESTE - Coreia do Norte, Mar Amarelo e Estreito de Formosa (Taiwan)
  • SUL - República Democrática do Vietnã, Laos, Butão e Mianmá (ex-Birmânia)
  • OESTE - Paquistão, Tadjiquistão e Quirguízia
  • SUDOESTE - Índia e Nepal
  • NOROESTE - Cazaquistão

O RELEVO 

O relevo chinês apresenta enormes contrastes altimétricos.

OESTE - cordilheiras e planaltos que descem em direção a leste, destacando-se a Cordilheira do Himalaia, com altitudes superiores a 4.000 m

NOROESTE - os planaltos da Ásia Central, com destaque para o Sin Kiang, de estrutura sedimentar, onde estão presentes bacias hidrográficas sem escoamento para o mar, fundamentalmente o rio Tarim

NORDESTE - o planalto da Mongólia interior contorna o deserto de Gobi,onde se localiza a planície da Manchúria

CENTRO-OESTE - o planalto do Tibete

LESTE - extensas planícies aluviais cortadas por grandes rios, como o Rio Amarelo (Huang Ho), com solos extremamente férteis

SUDESTE - a planície da China setentrional, marcada pela presença do Rio Azul (Tsé-Kiang) e dos baixos planaltos da Bacia Vermelha

AO SUL DO RIO YANG TSÉ-KIANG (AZUL) - planaltos rebaixados e inúmeras pequenas bacias fluviais

HIDROGRAFIA

Os grandes rios chineses são:

RIO AMARELO (HUANG HO) - nasce nas áreas montanhosas do Tibete e deságua nas proximidades de Nanquim

RIO AZUL (YANG TSÉ-KIANG) - com 5.500km, também proveniente do Tibete, deságua entre Nanquim e Xangai

CLIMA E VEGETAÇÃO

Os fatores que determinam o clima chinês são:

  • Continentalidade
  • Ventos monçônicos
  • Variação latitudinal das altitudes

Na região do Tibete, as montanhas de grande altitude barram grandes massas de ar frio, o que implica uma baixa pluviosidade e a presença de uma vegetação típica das estepes. Em Sinkiang, a continentalidade e a barreira formada por relevos elevados determina climas desértico e semidesértico. Quando do verão, o degelo das montanhas forma rios temporários (ueds) e oásis, habitados por tribos nômades. Em toda a área da Mongólia interior, o clima predominante é o desértico frio. Na realidade, 40% do território chinês são marcados pela aridez ou, no melhor dos casos, pela semiaridez.

No nordeste, as planícies existentes são vitimadas por ventos glaciais oriundos da Sibéria, apresentando clima temperado do tipo continental, caracterizado por grandes amplitudes térmicas ao longo do ano, enormes diferenças de temperatura entre o verão e o inverno e chuvas irregulares. O cenário botânico é composto, fundamentalmente, por florestas de coníferas e estepes geladas.

Em todo o país, o clima sofre uma grande influência das massas de ar. Durante o inverno, os ventos polares, provenientes da Sibéria, e a massa continental fria e seca determinam as condições climáticas. Já no verão, diminui a massa polar e a massa continental se desloca para a extremidade norte, fazendo com que o território chinês seja alvo de uma quente e úmida massa oceânica, que se apresenta sob a forma de ventos monçônicos. Em resumo, o sudeste e o sul conhecem altas temperaturas ao longo do ano inteiro, inexistindo períodos efetivamente secos, pois as chuvas aumentam na época das monções, chegando a atingir mais de 2.500mm anuais. Aí, o panorama botânico mostra uma bela paisagem de florestas tropicais. O cultivo do arroz é possibilitado pelas cheias de verão que inundam deltas fluviais, onde se concentra a grande maioria da população chinesa.

Climas variados determinam paisagens vegetais diversificadas, como se pode observar no mapa abaixo.

UMA CIVILIZAÇÃO MILENAR

A China (termo que significa o “Império do Meio” ou o “Centro do Mundo”), uma das mais antigas civilizações do planeta, conheceu, ao longo de sua história, um duplo e antagônico processo: por vezes, o país inteiro se agrupava ao redor de um governo central; em outros momentos, conflitos internos provocavam uma quase total desintegração. Alguns sinólogos (denominação dada aos peritos em assuntos chineses) dão a esse processo o nome de “a teoria do nó”, pois, em certos períodos, a nação chinesa estava atada por uma administração centralizadora, períodos esses seguidos por um caótico desatar e a emergência de poderes regionais nas mãos dos “warlords”, “senhores da guerra”, que possuíam exércitos particulares, exercendo o mando político em moldes feudais.

O Estado chinês se consolidou há aproximadamente 2.200 anos, sob o Imperador Qin Shihuan, que, na ocasião, implantou o sistema único de escrita baseado em ideogramas, até hoje prevalecente no país. O significado dessa inovação foi a unificação da grafia numa nação na qual eram falados centenas de idiomas. Agora, embora mantendo suas próprias línguas, os chineses podiam ler os mesmos textos. No quadro abaixo, resumiremos as primeiras fases da história chinesa:

OS PRINCIPAIS MOMENTOS DA VELHA CHINA

DINASTIA TANG (618 – 907) - restabelecimento da unidade chinesa após um longo período de fragmentação política; a unidade refeita permitiu a criação de uma civilização sofisticada e refinada

DINASTIA SONG (960 – 1279) - grande desenvolvimento artístico e tecnológico, superior a qualquer outra sociedade da época

UM FEITO TÉCNICO - a partir do século 3 a.C., os chineses, visando impedir invasões militares provenientes do norte, levaram a efeito a construção da Grande Muralha, com 5.000 km de extensão. Em 1276, os mongóis, encabeçados por Gêngis Khan, superaram essa barreira defensiva e tomaram a China que foi por eles governada até 1368

UMA REVOLUÇÃO CULTURAL - marcou profundamente a cultura chinesa a figura de Confúcio (Kung Fu-Tze), filósofo cujos princípios básicos eram: a responsabilidade social de todos os indivíduos; o papel fundamental da família na comunidade; a honestidade no trato dos assuntos de Estado; o respeito aos mais velhos e a importância da lealdade. Na mesma época, o pensador Lao-Tse escreveu a obra fundamental do “taoismo”, cujo titulo é “Tao Te Ching” (“O Caminho da Virtude”), que valoriza a naturalidade, a simplicidade e a espontaneidade

SÉCULO XIII - contatos com o Ocidente, iniciados com a chegada à China do mercador veneziano Marco Polo

SÉCULO XVI - navegadores portugueses fundam, em território chinês, o enclave de Macau

DINASTIA QUING (1644 – 1911) - provenientes da Manchúria, os Imperadores Quings submeteram os diversos povos locais e moldaram, em termos básicos, o território da China moderna. Além disso, no século XVIII, a dinastia Manchu, além de propiciar um grande desenvolvimento econômico e cultural, expandiu o império, transformando a Coreia, a Indochina, o Sião (hoje, Tailândia), o Nepal e a Birmânia (atualmente, Mianmá) em estados vassalos

CONFLITOS - a expansão chinesa, além de exigir enormes recursos financeiros, entrou em choque com interesses geopolíticos de outras potências: na região sudeste, o governo de Beijing esbarrava com a França que então controlava a Cochinchina (depois, Indochina Francesa); ao sul, a presença chinesa incomodava a Inglaterra, que, na ocasião, dominava a Índia; e, ao norte, eram frequentes os conflitos com o Império Russo

PROBLEMAS ECONÔMICOS - a vida comercial chinesa era vítima de um excessivo controle estatal, que dificultava o crescimento econômico. As principais rotas mercantis eram: ao sul, Cantão, “porta de entrada” dos produtos da Europa Ocidental; na região setentrional, o comércio com a Rússia passava por Kiakhta. Os principais produtos chineses então exportados eram: seda, porcelanas, soja, chá, laca e ópio.

PROBLEMAS ADMINISTRATIVOS - ineficiência burocrática e corrupção na Corte, no Exército e nos quadros administrativos. Progressivamente, proliferaram rebeliões regionais, em sua maioria provocadas por grupos étnicos minoritários

Já no início do século XIX, o Estado imperial chinês, em função de seus problemas internos, experimentava enormes déficits na balança comercial. Além de um grave surto inflacionário, que provocou a queda do preço da prata – então usada como moeda, a China tornou-se praticamente dependente de um só produto de exportação: o ópio. Era cada vez mais evidente, para os analistas da realidade chinesa, que a Dinastia Quing estava em franca decadência, expressa pela crescente perda de territórios. Nesse contexto, a China foi obrigada a enfrentar um poderoso inimigo: a Grã-Bretanha.

A PRIMEIRA GUERRA DO ÓPIO (1839 –1842)

CAUSAS DO CONFLITO - em 1820, os ingleses haviam obtido a exclusividade das operações comerciais no porto de Cantão. Importador de seda, chá e porcelana, então em moda no continente europeu, a Inglaterra conhecia um grande déficit comercial em relação à China. Para compensar suas perdas, a Grã-Bretanha vendia ópio indiano para o Império do Meio (China). O governo de Beijing resolveu proibir a transação da droga. Isso levou Londres a declarar guerra à China

1839 – 1942 - a marinha e o exército britânicos, dotados de armamento moderno, venceram com facilidade as tropas chinesas

CONSEQUÊNCIAS DA VITÓRIA - a China foi obrigada a entregar 5 portos livres para o comércio britânico, além de conceder o território da ilha de Hong Kong

Em 1853, o trono chinês foi abalado pela rebelião de Taiping, quando rebeldes controlaram, durante 11 anos, grande parte do território meridional do país, sendo esmagados com o apoio de tropas ocidentais. Apesar de todos os percalços, a China continuava a comprar grandes quantidades de ópio, que se tornaram um vício nacional, remetendo prata para o ocidente, o que empobrecia ainda mais a nação. Em 1856, eclodia a Segunda Guerra do Ópio.

A SEGUNDA GUERRA DO ÓPIO (1856 – 1860)

CAUSA BÁSICA - interesse ocidental em submeter definitivamente a China ao domínio imperialista

O CONFLITO - tropas anglo-francesas tomam Beijing (Pequim)

CONSEQUÊNCIAS - o governo chinês foi obrigado a assinar um acordo pelo qual mais sete portos eram abertos ao comércio internacional. Além disso, era concedida permissão para implantação de missões religiosas cristãs no território chinês

A decadência da dinastia Manchu teve continuidade com perdas territoriais para o Império Russo, então em momentâneo expansionismo:

PERDAS CHINESAS PARA OS RUSSOS

1858 - os russos controlam as margens setentrionais do rio Amour

1864 a 1871 - perda de toda extensão noroeste do Sin-Kiang

1897 - perda da Manchúria

1912 - a região setentrional de Tannoutouva torna-se protetorado russo

1912 - a Mongólia se separa da China, tornando-se socialista em 1921, sob tutela soviética

 

No final do século XIX, o Japão elabora um plano de expansão imperial, buscando controlar parte do Pacífico e o sudeste asiático, regiões que compreenderiam, na terminologia nipônica, a “Esfera da Co-prosperidade Asiática”. Em 1894, após humilhante derrota militar, a China perde a Coreia e o Japão ocupa a Ilha de Taiwan (Formosa). Antes disso, ainda em 1885, a China cede a Indochina à França. Em 1896, a Birmânia passa ao controle britânico.

Esse agudo processo de decadência provoca uma frustrada tentativa de reação: em 1900, um grupo nacionalista chinês, os Boxers, tenta expulsar as nações imperialistas, cercando, por 55 dias, o bairro ocidental de Beijing. Mas os Boxers acabam sendo trucidados por tropas ocidentais e japonesas.

Os malogros externos, os conflitos internos, os constantes surtos de fome e a corrupção e ineficiência administrativas levaram a Dinastia Quing à decadência final. Em 1911, o Partido Nacionalista (Kuo-Min-Tang, Partido do Povo) derruba o Trono e, liderado pelo doutor Sun Yat-sen, proclama a República.

O Kuo-Min-Tang era uma agremiação partidária formada por jovens intelectuais anti-imperialistas, mas de formação cultural ocidental: seus objetivos eram expulsar o ocidente da China, mas, simultaneamente, modernizá-la segundo padrões europeus. Essas propostas democráticas desagradavam às velhas lideranças militares chinesas, os “senhores da guerra” (“warlords”), e, em consequência, a China foi vitimada por uma guerra civil, na qual as diversas áreas do país foram disputadas por chefes militares regionais, sempre apoiados por potências estrangeiras, interessadas em abafar os ímpetos nacionalistas dos partidários de Sun Yat-sen.

Em 1921, em Xangai, era fundado o Partido Comunista da China, que, num primeiro momento, aliou-se ao Kuo-Min-Tang, ajudando-os a enfrentar os chefes militares locais. Em 1927, o Partido Nacionalista, vitorioso na guerra civil, massacrou mais de 40 mil lideranças comunistas. Como represália, o líder vermelho Mao Zedong (Mao Tse-tung), que propunha uma revolução campesina para socializar a China, deu início a uma Revolução nascida no campo. O líder do Kuo-Min-Tang, o generalíssimo Chiang Kai-shek, deu violento combate aos comunistas, forçando-os a uma longa e dolorosa retirada para as áreas montanhosas do norte, episódio conhecido como “A Longa Marcha” (1934).

Em 1937, o Japão atacou a China, obrigando o governo a firmar um acordo com os comunistas, formando uma “frente ampla” contra os nipônicos. Esse acordo nem sempre foi cumprido, sendo intermitentemente violado: um absoluto caos tomou conta da China. Por vezes, comunistas e nacionalistas combatiam o Japão; de quando em vez, lutavam entre si.

Sumário

- Os limites geopolíticos
- O relevo
- Hidrografia
- Clima e vegetação
- Uma civilização milenar
- A invasão nipônica
- A Revolução Vermelha
i. A tomada do poder
- As etapas do comunismo chinês
i. O massacre da “praça celestial” (1989)
- Dois êxitos externos
i. Hong Kong
ii. Macau
- Os atuais objetivos geopolíticos
- Alguns problemas geopolíticos
- A população chinesa
- A economia chinesa
i. A agropecuária
ii. A indústria
- A China em números
- É possível um “socialismo de mercado”?
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