O Populismo Venezuelano

Hugo Chávez

O ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez, iniciou seu mandato em fevereiro de 1999, prometendo pôr um fim à corrupção e às políticas neoliberais. Ao chegar ao poder, Chávez nomeou 50 oficiais militares para influentes postos no governo, incluindo a presidência da estatal do petróleo. Amigo do ditador cubano Fidel Castro, Chávez, que diz ser inspirado pelo libertador Simon Bolívar, também prometeu aos venezuelanos uma nova Constituição. 


Hugo Chávez - Fonte: www.time.com

Em dezembro de 1999 foi realizado um referendo no país e uma nova Constituição aprovada. Esta ampliou os poderes do presidente, estendendo seu mandato de cinco para seis anos e garantindo o direito à reeleição. A Constituição também proíbe a venda da estatal de petróleo e prevê a mudança do nome do país para República Bolivariana da Venezuela.

Com a aprovação da nova Constituição, o Congresso foi dissolvido e novas eleições presidenciais convocadas para 28 de maio de 2000. A eleição foi adiada para 30 de julho por "problemas técnicos". Chávez venceu a eleição com uma grande margem e, logo após, viajou para o Oriente Médio onde se reuniu com os ditadores do Iraque, Saddam Hussein, e da Líbia, Muamar Khadafi, como preparativo para uma reunião da Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo) que aconteceria em Caracas, em setembro.

Em novembro de 2003, a Coordinadora Democrática, coligação de partidos de direita e de esquerda que se opunha à presidência de Chávez, obteve assinaturas suficientes para convocar um referendo no qual os venezuelanos decidiriam sobre a permanência de Hugo Chávez no poder. O referendo ocorreu em 15 de agosto de 2004 e o presidente saiu-se vitorioso, obtendo quase 60% dos votos. A oposição declarou, sem provas, que a vitória de Chávez tinha sido fraudulenta; todavia a vitória foi considerada legítima pelos Estados Unidos.

Em 2006, nas eleições presidenciais da Venezuela, Hugo Chávez foi reeleito com 62,9% dos votos, derrotando Manuel Rosales, que obteve 36,9%. Pouco depois de sua reeleição, o presidente anunciou a união dos integrantes de sua coalizão num único partido, o "Partido Socialista Unido da Venezuela", sob seu controle direto e cujo propósito seria acelerar a revolução socialista no país.

No âmbito internacional, Chávez desafiou os Estados Unidos e investiu pesado nas forças armadas de seu país. Chávez encomendou 100 mil rifles Kalashnikov e 24 aviões de guerra da Rússia. Chávez provocou os Estados Unidos ao se aliar com tradicionais inimigos norte-americanos, como o Irã, a Síria e Cuba. Apesar da guerra de palavras contra o governo norte-americano, Chávez não rompeu relações com os Estados Unidos, que era o país que mais importava petróleo venezuelano.

Presidente Nicolás Maduro

O presidente Hugo Chávez liderou a Venezuela de 1999 a março de 2013, quando veio a falecer após sua luta contra o câncer. Nicolás Maduro, que ocupou vários cargos no governo de Chávez, inclusive o de Ministro das Relações Exteriores, foi eleito em abril de 2013. Sua vitória nas eleições foi bastante apertada – foi eleito com apenas 50,8% dos votos – e a oposição o acusou de ter cometido fraude para se eleger. O governo de Maduro continua trilhando a linha autoritária e populista de Chávez. Para financiar suas políticas, o governo de Maduro imprime dinheiro ou utiliza as receitas que advêm da venda de petróleo de sua estatal petrolífera, a PDVSA.

As assumir a presidência, Nicolás Maduro enfrentou uma alta taxa de inflação e grande escassez de bens – consequência das políticas de seu antecessor, o presidente Hugo Chávez.

O presidente Maduro culpou o capitalismo pelos problemas em seu país. Afirmou que estava lutando contra uma “guerra econômica” promovida pelos inimigos da Venezuela. Mas tais afirmações e acusações não mudaram os fatos: em 2014, a Venezuela se encontrava em uma recessão econômica, o Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela despencou e, em 2017, o país fechou o ano com uma taxa de inflação acima de 2000% pelo ano.

Durante o governo de Maduro, a escassez de habitação e de alimentos no país se agravou, causando uma crise humanitária. Isso se deve especialmente à política de controle de preços instituída por Hugo Chávez. Há escassez de produtos cujos preços foram regulamentados pelo governo: leite, vários tipos de carne, café, arroz, farinha, óleo e até mesmo produtos de higiene pessoal e remédios. A situação é trágica: muitos venezuelanos, à procura de comida, ocasionalmente recorrem a frutos silvestres ou buscam restos de alimentos nos lixos.

Uma pesquisa realizada em novembro de 2016 revelou quem os venezuelanos julgavam ser o maior responsável pela crise do país. Estes foram os resultados da pesquisa: Hugo Chávez (59%), Nicolás Maduro (25%), o Chavismo (15%). Apenas 16% dos entrevistados culparam a oposição, os empresários ou os Estados Unidos.

Crise de Refugiados Venezuelanos

A crise na Venezuela resultou em um grande deslocamento populacional em direção ao norte do Brasil. Nos anos de 2015 e 2016, 77 mil venezuelanos adentraram o Brasil, em busca de alimentos, remédios e melhores condições de vida. Milhares cruzaram a fronteira, especialmente em Roraima. A população desse estado cresceu 10% graças aos refugiados venezuelanos.

Em 2017, mais de 17 mil venezuelanos pediram asilo no Brasil.

O Brasil é conhecido como um país que acolhe imigrantes. Contudo, o governo brasileiro não está estruturado para receber muitos imigrantes e refugiados. Consequentemente, o aumento significativo em algumas cidades pequenas do país prejudica os serviços públicos – já sobrecarregados. Políticas públicas visam a ampliar a distribuição dos refugiados pelo território nacional.

Segundo o Departamento de Imigração da Colômbia, o país recebeu dez vezes mais refugiados venezuelanos que o Brasil. Nos últimos anos, mais de 600 mil venezuelanos cruzaram a fronteira com a Colômbia.

Sumário

- Hugo Chávez
- Presidente Nicolás Maduro
- Crise de Refugiados Venezuelanos
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