Narcotráfico na América Latina

O narcotráfico na América Latina é uma atividade ilícita que gera muita violência e corrupção. É importante ressaltar, porém, que o narcotráfico faz parte de quase toda nação. A comercialização de drogas é um dos maiores e mais lucrativos ramos de atividade econômica no mundo. O narcotráfico na América Latina é um negócio altamente lucrativo.

Um dos mais importantes problemas da segurança internacional, hoje em dia, é a questão da produção, distribuição e consumo de drogas.  Podemos dividir o planeta, quanto aos aspectos de produção e uso de entorpecentes, em três áreas: as que são produtoras, as que são território de passagem e as de abundante consumo.

Na América Latina, a atuação de cartéis da droga estabeleceu uma nova geografia do narcotráfico e produziu alterações nas prioridades políticas dos Estados Unidos para o subcontinente. A produção de drogas na América Latina foi produto de uma série de fatores:

 

A PRODUÇÃO DE DROGAS

Pobreza da agricultura andina (camponeses sem condições de sobreviver com produtos tradicionais).

A presença de grupos guerrilheiros de esquerda que dependem financeiramente do narcotráfico.

Governos corruptos e fracos, sempre prontos a aceitar dinheiro dos traficantes.

A existência de países que são "paraísos fiscais", sempre dispostos a "lavar" os capitais do narcotráfico.

O crescimento do consumo de drogas, tanto nos EUA como na Europa Central.

Nos anos 70, a queda dos preços internacionais dos bens agrícolas tropicais estimulou a substituição dos cultivos tradicionais pela implantação de coca e maconha. O Peru, a Bolívia, a Colômbia e o México tornaram-se grandes produtores de entorpecentes. O narcotráfico é uma importante fonte de renda e trabalho para parte das populações desses países.  Em Medellín e Cali, foram criados grandes cartéis de produção e refino de cocaína. Nos anos 80, estabeleceu-se uma aliança entre os narcotraficantes e os guerrilheiros de esquerda do Sendero Luminoso (peruano) e o M-19 (colombiano). Mais do que nunca ficava evidente a fraqueza dos governos latino-americanos, o que estimulou os EUA a enviar assessores militares para o subcontinente.

As rotas do narcotráfico organizaram-se essencialmente em torno de eixos centro-americanos e caribenhos, buscando os vastos mercados norte-americano (através da Califórnia, Texas e Flórida) e europeu. A repressão, intensificada após a invasão norte-americana do Panamá em 1989, deslocou parte das rotas para o território brasileiro, através das fronteiras colombianas, peruanas e bolivianas com a Amazônia e o Centro-Oeste.

A expansão do narcotráfico beneficiou-se das mudanças sofridas pelo sistema financeiro internacional. Os grandes bancos, escapando ao controle fiscal de seus países de origem, implantaram filiais em países caracterizados por legislações financeiras ultraliberais. Esses "paraísos financeiros" - como Bahamas, o Panamá, as Ilhas Virgens e o Uruguai - tornaram-se focos cruciais para a legalização ("lavagem") do dinheiro obtido com o narcotráfico.

As FARCS

Histórico do Conflito

Em 1964, os Estados Unidos pressionaram o governo da Colômbia para eliminar um grupo rebelde comunista formado por pequenos proprietários rurais. Em meio a Guerra Fria, os Estados Unidos temiam que o comunismo se espalhasse pela América Latina e pelo mundo. Após a vitória de Fidel Castro em Sierra Maestra, o receio do governo norte-americano aumentou.

Os rebeldes colombianos reagiram à repressão de seu governo e criaram as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Em 1964, Manuel Marulanda Vélez, apelidado de "tirufijo", cria as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), braço militar do Partido Comunista. O objetivo das FARC era o de lutar pela criação de um estado marxista.

Em 1965 é criado o Exército de Libertação Nacional da Colômbia (ELN) por estudantes universitários desiludidos com o Partido Comunista. O ELN se tornou outro grupo guerrilheiro marxista.

Em 1970, a vitória em eleições fraudadas do líder conservador Misael Pastrana provoca a fundação do Movimento Revolucionário 19 de abril (M-19), que dá início à guerrilha.

Nos anos 1980 e 1990 a Colômbia vive um surto guerrilheiro com tentativas de diálogo entre a esquerda e o governo. Na década de 90, o país é vítima de brutais conflitos entre as guerrilhas de esquerda, ligadas ao narcotráfico, e as Forças Armadas, apoiadas por grupos paramilitares de extrema direita.

Em 1986, a Partido Comunista e ex-guerrilheiros das FARC criam a União Patriótica, que opta pela ação política parlamentar.

Em 1997, a direita organizou uma milícia anticomunista, as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), com o objetivo de combater os rebeldes marxistas do país.

Em 1998 é eleito o presidente Andrés Pastrana, político conservador que promete dialogar com as guerrilhas de esquerda.

Plano Colômbia

Os Estados Unidos, preocupados com o fato de que 80% da cocaína consumida no país era proveniente da Colômbia, estudaram um programa de combate às drogas e melhorias sociais. Em 1999, foi lançado o Plano Colômbia. Essa iniciativa norte-americana, que custou mais de sete bilhões de dólares, visou a ajudar as Forças Armadas da Colômbia a combater, com mais eficácia, o narcotráfico e as guerrilhas. Contudo, tal plano foi prejudicial aos países vizinhos da Colômbia, pois causou com que os narcotraficantes cruzassem as fronteiras da Colômbia em busca de nova bases.

Situação Atual

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) têm uma presença de 60 anos nas áreas rurais colombianas e é a autoridade de fato nessas regiões. Em 2001, a organização era composta de aproximadamente 17.000 membros e mantinha presença em aproximadamente 80% do território colombiano, controlando 40% do território do país.

As FARC foram fundadas em 1964, ao declarar que seu objetivo era derrubar o governo e impor um regime marxista no país. A organização é um dos maiores e mais antigos grupos de rebeldes de esquerda da Colômbia. É também um dos grupos guerrilheiros mais ricos.

As FARC se opõem à influência dos Estados Unidos na Colômbia, das privatizações de recursos naturais, das multinacionais e dos grupos paramilitares. O objetivo das FARC é de obter controle e tomar o poder na Colômbia. A organização é considerada um grupo terrorista.

Nos anos 1980, as FARC passaram a plantar e produzir cocaína, e a distribuí-la dentro da Colômbia. A organização recruta, muitas vezes à força, crianças como soldados e informantes.

Outro grupo guerrilheiro de esquerda, o Exército de Libertação Nacional da Colômbia (ELN), possuía aproximadamente 1500 membros. A organização já chegou a ter 5000 integrantes. O ELN e as FARC obtinham recursos do tráfico de drogas, sequestros e taxas cobradas por proteção. As duas organizações abandonaram o ideal comunista e tinham como objetivo expandir sua influência e áreas de controle. Em muitas regiões, onde a presença do governo era fraca ou inexistente, as FARC e o ELN agiam como se constituíssem o governo.

Estima-se que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia se autofinanciaram por meio do tráfego ilegal de drogas, que rendia à organização a soma anual de 500 a 600 milhões de dólares americanos. As FARC também adquiriram vastas somas de dinheiro por meio de atividades criminosas: sequestros, esquemas de extorsão e “impostos” que cobravam dos habitantes do campo por “proteção” e “serviços sociais”.

As guerrilhas se tornaram uma parte integrante do narcotráfico, facilitando e lucrando com o tráfico de drogas. As guerrilhas protegiam as plantações e os laboratórios. O dinheiro arrecadado com essa prática ilegal excedia qualquer valor disponibilizado pelos governos norte-americano e colombiano para a luta contra as drogas. O incentivo monetário para continuar com as narcoguerrilhas era obviamente muito alto.

Apesar de contar com muitos recursos financeiros, os guerrilheiros não tinham a força militar ou o apoio popular para derrubar o governo colombiano. O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que governou o país de 2002 a 2010, teve grande êxito na luta contra as guerrilhas.

Os esforços do governo colombiano não foram em vão: a Colômbia deixou de ser o país que mais produz cocaína no mundo. Em 2011, o Peru e a Bolívia se tornaram os países que mais produzem essa droga.

É o tráfico de entorpecentes que financiava os guerrilheiros da FARC e outros grupos paramilitares. Mas é inegável que a Colômbia se tornou um país menos violento durante o governo de Álvaro Uribe: o número de assassinatos e sequestros caiu significativamente. A diminuição da violência na Colômbia contribuiu para o crescimento econômico e para o aumento do turismo no país.
Em fevereiro de 2012, as FARC anunciaram que abandonariam a prática de sequestrar pessoas para obter dinheiro por meio de resgastes. Em novembro do mesmo ano, a organização e o governo colombiano iniciaram negociações de paz, que tratariam dos seguintes seis assuntos: reforma agrária, participação política, o desarmamento dos rebeldes, tráfego de drogas, os direitos das vítimas e a implementação de um tratado de paz.

Em novembro de 2016, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e o líder da guerrilha, Rodrigo Londoño, assinaram um acordo de cessar-fogo. Em junho de 2017, as FARC entregaram todas as armas à ONU. Contudo, as armas pesadas ainda estão sendo localizadas e destruídas. O território controlado pela guerrilha durante décadas voltou ao controle do governo e milhares de combatentes recuperaram o estado civil.

O Narcotráfico no México

Os cartéis controlam o tráfego de drogas da América do Sul para os Estados Unidos. É difícil calcular o lucro de um negócio ilícito. Estimava que lucravam 19 a 29 bilhões de dólares por ano. Estima-se que o tráfico de drogas mundial pode representar uma receita de 500 bilhões de dólares ao ano.

O poder desses cartéis aumentou à medida que os Estados Unidos intensificaram seu combate ao narcotráfico no Caribe e na Flórida. O Departamento de Estado dos Estados Unidos estima que 90% de toda a cocaína consumida nos Estados Unidos origina do México.

Em dezembro de 2006, sob a liderança do presidente Felipe Calderon, o governo do México declarou guerra ao narcotráfico mexicano. O ex-presidente do México, Felipe Calderon, mobilizou 50 mil soldados e policiais federais para lutar contra os cartéis. Desde o início da guerra contra o narcotráfico, dezenas de bilhões de dólares foram gastos, mais de 200 mil pessoas foram assassinadas e mais de 28 mil desapareceram.

As cidades mexicanas que fazem fronteira com os Estados Unidos são as áreas mais violentos e problemáticas.

A guerra entre o governo mexicano e os cartéis resultou em uma explosão de violência no país. As cidades que foram o placo da luta foram obrigadas a instituir toques de recolher e são consideras entre as mais perigosas do mundo. Ao mesmo tempo, os carteis do país se enfrentam em uma guerra sangrenta. Os carteis empregam táticas extremamente violentas e cruéis: praticam-se assassinatos em massa, decapitações e estupros. As formas de execução são extremamente sádicas: assassinam-se pessoas ao jogá-las vivas em barris de óleo fervendo ou ácido.

O governo mexicano afirma que um número recorde de drogas foi apreendido e que líderes importantes de cartéis foram presos ou mortos em operações do governo.

É importante notar que além de combater os narcotraficantes, o governo mexicano é obrigado a enfrentar a corrupção que existe dentro de suas forças policiais.

Para tentar reduzir a violência no México, o presidente Enrique Pena Nieto, eleito em 2012, prometeu uma estratégia menos agressiva no combate ao narcotráfico. De fato, desde então, caiu o nível de violência no México.

Em 2014, o governo obteve uma grande vitória com a prisão de Joaquin "El Chapo" Guzman, chefe do cartel de Sinaloa. “El Chapo” conseguiu fugir da prisão, mas foi recapturado.

Havia muito receio de que ele voltasse a fugir. Portanto, em 2019, El Chapo foi extraditado para os Estados Unidos. Ele foi julgado e sentenciado à prisão perpétua.

Sumário

- As FARCS
i. Histórico do Conflito
ii. Situação Atual
- Melhoras na Colômbia
i. Plano Colômbia
ii. O Narcotráfico no México
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