Israel e os Palestinos

Israel e os Palestinos

O conflito entre Israel e os palestinos é um dos maiores desafios geopolíticos da atualidade. A luta entre Israel e os palestinos faz parte de um contexto maior: o conflito árabe-israelense.

O Estado de Israel

O Estado de Israel está situado em um território que já foi conquistado por muitos povos: assírios, babilônios, persas, gregos, romanos, árabes muçulmanos e turcos otomanos. O país, localizado na costa oriental do Mar Mediterrâneo, é conhecido como a Terra Santa. Para os judeus, a terra é santa porque lhes foi prometida por Deus; para os cristãos, porque Jesus, sendo judeu, lá nasceu e viveu; para os muçulmanos, porque Jerusalém é o local da subida do profeta Maomé aos Céus.

Um prelúdio ao Estado

No ano 70 d.C., os romanos expulsaram os judeus de Israel e passaram a chamar o país de Palestina. Assim teve início à diáspora, que significa a dispersão dos judeus para outros países do mundo. Contudo, apesar de terem sido conquistados pelos romanos, muitos judeus continuaram a viver na Palestina (antiga Israel). Desde então a perseguição a esse povo se evidenciou. Foram expulsos de quase todos os países da Europa, sofreram a Inquisição, e muitas outras formas de perseguição. Através dos séculos, um dos pontos fundamentais da fé judaica é que todo o povo será, um dia, liderado de volta à sua terra natal.

A ideia da criação de um estado judeu moderno começou a ganhar grande popularidade no século XIX, na Europa. Um jornalista austríaco, chamado Theodor Herzl, levou adiante a ideia do sionismo, definido como o movimento nacional de libertação do povo judeu. O sionismo afirma que o povo judeu tem direito ao seu próprio Estado, soberano e independente.

No final do século XIX, o aparecimento do antissemitismo, o preconceito e ódio contra judeus, levou ao surgimento de pogroms - o massacre injustificado e organizado de judeus - na Rússia e na Europa Oriental. Esta violência notória contra judeus europeus ocasionou emigrações maciças para a Palestina. Em 1914, o número de imigrantes da Rússia na Palestina já alcançava 100 mil pessoas. Simultaneamente, muitos judeus do Iêmen, Marrocos, Iraque e Turquia emigraram para a Palestina. Quando, em 1882, os judeus começaram a imigrar em grande escala, viviam por lá 250.000 árabes. As levas imigratórias se intensificaram com o crescimento do antissemitismo na Europa.

A história de descolonização na região explica muito dos conflitos pela posse do território. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os ingleses, interessados em expulsar os turcos do Oriente Médio, fizeram três propostas contraditórias. Para os árabes propuseram que, se lutassem contra os turcos, a Inglaterra lhes daria uma "grande nação árabe independente", sob o domínio da família hachemita. Em novembro de 1917, buscando seduzir os judeus para a causa aliada, firmaram a "Declaração Balfour", onde se lia que Londres veria com bons olhos a criação de um "lar nacional judeu na Palestina" e, em 1915, os britânicos já haviam concluído com a França o "acordo secreto" de Sykes-Picot, pelo qual Londres e Paris dividiriam o Oriente Médio. Em 1918, com o término da Primeira Guerra Mundial e o fim do Império muçulmano, a região passou a constituir o Mandato Britânico. As promessas britânicas criaram um forte nacionalismo entre árabes e judeus.

O Estado de Israel

Após o Holocausto e o massacre de seis milhões de judeus, em 1947, a ONU aprovou um plano de partilha da região - dividindo-a em um Estado judeu e um Estado árabe. Isto originou a criação do Estado de Israel, em 1948, e, desde então, o país se viu envolvido em guerras e conflitos com seus vizinhos árabes e com parte da população palestina.

Em 1948, logo após a saída dos ingleses e um dia depois da criação do Estado de Israel, o Estado Judeu foi invadido por seus vizinhos árabes – os exércitos de Egito, Síria, Jordânia e Iraque. As forças árabes contavam com o apoio da Arábia Saudita e de outros aliados da Liga Árabe.

A guerra foi travada ao longo de todas as fronteiras do país, contra o Líbano e a Síria, ao norte; o Iraque e a então Transjordânia (posteriormente, Jordânia), a leste; o Egito e batalhões sudaneses, ao sul; e, no interior do país, contra a população palestina e voluntários vindos de vários países árabes.

Enquanto Israel contava com 140 mil homens em suas forças armadas, os exércitos árabes eram constituídos por 300 mil egípcios, 60 mil transjordanianos, 300 mil sírios, 10 mil iraquianos e 50 mil árabes palestinos

Contrariando todas as expectativas, o recém-criado exército de Israel, com poucos recursos e com muito menos soldados que as forças armadas árabes, lutou uma guerra que durou quinze meses e a venceu. Um porcento da população judaica de Israel morreu durante a Guerra de Independência.

Tendo vencido a guerra, o Estado de Israel expandiu seu território. A Jordânia e o Egito também anexaram territórios que teriam constituído o Estado Palestino conforme o plano de partilha aprovado pelas Nações Unidas.


Mapa 1947

Através das inúmeras guerras, o Estado de Israel foi conquistando territórios e se expandindo. Na guerra de 1967, contra a Síria, o Egito e a Jordânia, os israelenses conquistaram Jerusalém Oriental e a Cisjordânia, da Jordânia; as colinas de Golã, da Síria; e Gaza e o Sinai, do Egito. A partir de 1967, Israel passou a ter controle da Cisjordânia e de Gaza, até então controlados pela Jordânia e pelo Egito.


Mapa 1967

Em 1973, os países árabes voltaram a atacar Israel, mas foram derrotados novamente pelo Estado Judeu.

O Sinai foi devolvido em 1981, quando Israel e Egito firmaram um acordo de paz.

Refugiados

Durante o processo de criação do Estado de Israel e a primeira guerra entre árabes e israelenses, cerca de 70% da população árabe que vivia no território declarado como Estado de Israel se refugiou em países árabes vizinhos. Muitos abandonaram seus lares por temor à guerra. Contudo, o problema dos refugiados palestinos também se deve à orientação das rádios dos países árabes, que pediam para que a população saísse do território israelense até que o Estado Judeu fosse esmagado.

Estima-se que 711.000 palestinos fugiram durante a Guerra de Independência de Israel, dando início ao problema, ainda hoje vigente, dos refugiados palestinos.

Quase todos eles se refugiaram na Jordânia, em Gaza, na Síria e no Líbano. Poucos refugiados palestinos conseguiram chegar ao Egito.

Dos 711.000 refugiados originais de 1948 restam atualmente apenas cerca de 30.000 pessoas vivas. Contudo, seus descendentes diretos por linhagem patrilinear alcançam hoje quase 5.500.000 de pessoas.

Os refugiados palestinos não foram devidamente absorvidos pelos países árabes. No Líbano, em Gaza e na Jordânia, foram instalados em campos de refugiados, onde condições desumanas de vida eram oferecidas. Jamais se propôs, para esses refugiados, um plano de educação, capacitação e absorção progressiva na sociedade local. Esses refugiados recebem doações da ONU, de ONGs e de outros países. Contudo, não se sabe quanto dessas doações acaba chegando para cada refugiado. Ao meio da pobreza, do desespero e da falta de perspectiva, os campos de refugiados acabam se tornando território fértil para o nascimento de movimentos terroristas. 

Milhões de palestinos vivem em campos de refugiados na Cisjordânia, Gaza, Síria, Egito e Líbano. As Nações Unidas e outras organizações internacionais providenciam ajuda aos refugiados.

É importante enfatizar que nos três anos seguintes à Guerra de Independência, cerca de 700.000 judeus emigraram para Israel, muitos dos quais foram expulsos pelos países árabes onde viviam.

Calcula-se que, desde a criação do Estado de Israel, cerca de 1 milhão de judeus foram expulsos dos países árabes e muçulmanos onde viviam. A grande maioria desses refugiados judeus imigrou para Israel e se integrou na sociedade israelense.

O Conflito com os palestinos

O povo palestino hoje se encontra disperso pelos países árabes e por Israel. Há 5,2 milhões de palestinos nos países árabes, 4,75 milhões na Cisjordânia e em Gaza e 1,75 milhão em Israel.

Nas últimas décadas, as conversações de paz entre Israel e líderes palestinos tiveram avanços e recuos. O povo palestino é representado pela  AP (Autoridade Palestina), antes chamada de OLP -Organização para a Libertação da Palestina. Acordos de Paz firmados entre Israel e palestinos são interrompidos por atentados e violência.

Os Acordos de Oslo

Em 13 de setembro de 1993, foi assinado um acordo entre o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin e o líder palestino Yasser Arafat. O acordo foi chamado de "Paz de Oslo" e estabelecia que Israel passaria o controle de Gaza e de partes da Cisjordânia para uma entidade semiestatal palestina denominada de Autoridade Palestina. A Paz de Oslo também definia as obrigações e competências da Autoridade Palestina e previa uma série de progressivas conversações sobre o status final da Cisjordânia e de Jerusalém.

Em 1994 é criada a Autoridade Nacional Palestina, com o intuito de administrar áreas de população palestina na faixa de Gaza e na Cisjordânia. Foi transferido o controle de diversas cidades na Cisjordânia à ANP. Em 2000, a ANP administrava 40% da Cisjordânia e 65% da Faixa de Gaza. No dia 11 de setembro de 2005, seguindo o plano do então primeiro-ministro Ariel Sharon, Israel concluiu uma retirada unilateral de Gaza: a ANP passou a controlar 100% de Gaza.

A Autoridade Nacional Palestina mantém relações diplomáticas com dezenas de países. Porém, no dia 25 de janeiro de 2006, os palestinos realizaram eleições parlamentares e elegeram o grupo fundamentalista Hamas.


Mapa 1996

Ao assinar a Paz de Oslo, Israel entregou à Autoridade Palestina cerca de 40% da Cisjordânia. Ao mesmo tempo, a liderança palestina adquiriu certas atribuições de soberania: uma administração própria e uma força policial comandada por Arafat. Muitas outras questões ainda eram objeto de controvérsias: a distribuição dos recursos hídricos, a questão do retorno dos palestinos e seus descendentes, que fugiram em 1948 e o status de Jerusalém. Outro agravante para o estabelecimento da paz foi a questão da presença de colonos judeus em certas áreas de Gaza e da Cisjordânia.

Em fevereiro de 2001, o general Ariel Sharon foi eleito primeiro-ministro de Israel. Em junho de 2002, o presidente norte-americano George W. Bush expôs o "Mapa do Caminho", que, aprovado também pela União Europeia, Rússia e ONU, é um plano para solucionar o conflito árabe-israelense. O Mapa do Caminho prevê o reconhecimento do Estado de Israel pelos palestinos e o estabelecimento de um Estado palestino ao lado de Israel. Porém, uma onda de violência entre palestinos e israelenses, ocorrida entre setembro de 2000 e fevereiro de 2005, dificultou o progresso do "Mapa do Caminho". Com a vitória, em janeiro de 2005, de Mahmud Abbas, que assumiu a liderança palestina após a morte de Yasser Arafat, parecia surgir uma nova esperança para a paz na região.

No dia 11 de setembro de 2005, sob a liderança do primeiro-ministro Ariel Sharon, Israel conclui uma retirada unilateral de Gaza. A Faixa de Gaza contém uma população árabe de quase 1,8 milhão de habitantes.

Em novembro de 2005, o primeiro-ministro Ariel Sharon saiu de seu partido político de direita (Likud) e fundou o Kadima, um partido de centro. (Kadima, em hebraico, significa "Adiante"). Logo após a fundação do Kadima, no início de janeiro de 2006, o primeiro-ministro Ariel Sharon sofreu um derrame, permanecendo em coma por oito anos. Ele faleceu em janeiro de 2014.

No dia 25 de janeiro de 2006, os palestinos realizaram eleições parlamentares e elegeram o grupo islâmico extremista, o Hamas. A vitória do Hamas, que não reconhece o Estado de Israel, é um grande obstáculo para qualquer negociação de paz.

Desde a vitória do Hamas, Israel impôs um bloqueio à Faixa de Gaza. O objetivo do bloqueio é evitar que material bélico seja contrabandeado para organizações terroristas que controlam Gaza.

Israel frequentemente fecha as fronteiras de Gaza em retaliação aos misseis lançados pelo Hamas e por outros grupos terroristas que nela habitam. Vale lembrar que Gaza também faz fronteira com o Egito. Assim como Israel, o governo egípcio impôs um bloqueio à Gaza e frequentemente fecha as fronteiras por motivos de segurança.

Desde a retirada de Gaza, Israel já lutou várias guerras nesse território. Durante os anos 2006-2016, mais de 11 mil misseis foram lançados de Gaza contra Israel. Quando as sirenes em Israel detectam que um míssil de Gaza adentrou território israelense, é disparada uma sirene e meio milhão de israelenses têm menos de 60 segundos para achar um refúgio. Muitos desses misseis são de produção caseira e são lançados por diversas facções terroristas que operam em Gaza.

Em 2011, Israel passou a usar o Domo de Ferro (Iron Dome) como forma de proteger sua população dos mísseis lançados por organizações palestinas em Gaza. O Domo de Ferro, desenvolvido em Israel, é um sofisticado sistema de defesa que destrói foguetes em pleno voo.

O exército israelense frequentemente bombardeia Gaza em resposta ao lançamento de mísseis. Os alvos dos bombardeios israelenses costumam ser tanto as fábricas onde são construídos os mísseis como os locais de onde são disparados. Todas as guerras contra a Faixa de Gaza se caracterizaram como guerras assimétricas, pois as forças armadas de Israel enfrentam grupos terroristas infiltrados na população civil palestina. Apesar de Israel tomar medidas para evitar atingir civis, as guerras e os conflitos entre o Estado Judeu e a Faixa de Gaza causa muito sofrimento a israelenses e palestinos. Por um lado, organizações terroristas em Gaza lançam mísseis visando a atingir áreas urbanas populosas em Israel. Por outro lado, a retaliação do exército de Israel inevitavelmente resulta na morte de civis e causa danos à infraestrutura da Faixa de Gaza. Além disso, é importante ressaltar que os mísseis lançados por terroristas palestinos e os subsequentes bombardeios israelenses traumatizam a população civil, especialmente as crianças, tanto de Israel como de Gaza.

Nos anos de 2008, 2012 e 2014, Israel lançou operações militares dentro de Gaza. O objetivo de todas essas operações era destruir arsenais de mísseis e túneis que eram cavados para que facções terroristas pudessem adentrar Israel e cometer ataques terroristas.

Gaza possui uma população de aproximadamente 1,8 milhões de pessoas, que vivem em uma área de apenas 160 km2. Isso significa uma das maiores densidades populacionais no mundo. A grande maioria da população, 80% dos habitantes, vive na pobreza, e 40% vive abaixo da linha de extrema pobreza. A Faixa de Gaza possui somente uma usina elétrica. A população tem acesso a apenas algumas horas de eletricidade por dia e tem acesso limitado a bens, combustível, etc.

O Hamas foi fundado em 1988, como um grupo militante. O Hamas abertamente clama pela destruição de Israel e promove atentados terroristas. Financiado por alguns de seus fundadores, a maior parte de seus recursos vêm do exterior, fora dos territórios palestinos. O Hamas é considerado uma organização terrorista pela União Europeia e pelos Estados Unidos.

Israel e Estados Unidos se recusam a dialogar com o Hamas enquanto esta organização não reconhecer a existência de Israel, renunciar à violência e aceitar o "Mapa de Caminho", patrocinado pelos Estados Unidos, União Europeia (UE), Rússia e ONU.

O Problema da água

A rede hidrográfica do Oriente Médio é pobre. Parcela da água consumida no Oriente Médio é obtida da destilação de águas marítimas; os lençóis subterrâneos também são utilizados.

A água é um elemento tão estratégico, que o acordo de paz de Oslo de 1993 incluiu de maneira clara o uso racional das escassas reservas de água doce da região. O tratado de paz assinado em 1994 entre Israel e Jordânia também abordou a questão da água: incluiu o compromisso do governo israelense de fornecer anualmente uma determinada quantidade de água à Jordânia.

Os palestinos defendem a ideia de que o fim da jurisdição israelense sobre os territórios por eles reivindicados significa também a transferência do poder sobre os recursos hídricos ligados a essas terras, sem os quais afirmam não poder criar um país autônomo. Contudo, o controle crescente de grande parte da Cisjordânia pela Autoridade Palestina privaria Israel de cerca de um terço do total de seus recursos hídricos. Portanto, essa abordagem foi rejeitada pelo governo israelense.

Especialistas do Serviço Hidrológico de Israel afirmam que 13% do lençol freático da Cisjordânia (cerca de 600 milhões de metros cúbicos) é responsável pelo abastecimento de água de três milhões de habitantes em Israel.

As Colinas de Golan – território sírio capturado na Guerra de 1967 que foi anexado por Israel – são tão estratégicas para a segurança do Estado Judeu quanto para o seu abastecimento de água. É nessa região que passam todos os afluentes que alimentam o Kineret; apenas 25% da bacia que o abastece se encontra-se em território libanês. No total, o rio Jordão, o Kineret e seus afluentes são responsáveis por mais de um terço do consumo anual de água em Israel.

Israel se destaca por sua experiência no campo do tratamento de esgotos, purificação, irrigação e reuso de água para agricultura e indústria. Atualmente, 72% da água distribuída em Israel é reciclada: o país é líder mundial na categoria. Israel está ganhando espaço também em um segmento relativamente novo do setor hídrico: o de dessalinização de água do mar.

Colônias Judaicas na Cisjordânia

Os assentamentos judaicos são comunidades civis estabelecidas nos territórios conquistados por Israel durante a Guerra dos Seis Dias. Mais de 400.000 israelenses vivem nas 132 comunidades instaladas apenas na Cisjordânia. Alguns assentamentos já são praticamente cidades.

Logo após a Guerra dos Seis Dias, o Estado de Israel iniciou a colonização dos territórios que conquistou na guerra – a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e as Colinas do Golã. O governo israelense incentivou a colonização da Cisjordânia, pois acreditava que a povoação judaica em tal território reduziria as ameaças a Israel.

A presença de colônias judaicas na Cisjordânia é um dos principais entraves do processo de paz. Os palestinos querem constituir um estado independente que tenha como base as fronteiras de 1967 – isto é, exigem que Israel se retire de todos os territórios que conquistou durante a Guerra dos Seis Dias, inclusive partes da cidade de Jerusalém.

A Cerca de Defesa Israelense

A cerca de defesa, idealizada pelo então primeiro ministro israelense Ariel Sharon, teve como intuito conter a onda de terrorismo palestino que, de setembro de 2000 até sua construção em 2004, matou mais de 900 israelenses e causou graves ferimentos a milhares de pessoas atingidas pelos numerosos ataques suicidas palestinos. A esmagadora maioria das vítimas, 95%, era constituída por civis israelenses. A cerca de defesa construída na Cisjordânia surgiu como recurso para repetir a experiência da Faixa de Gaza, onde foi erguida uma separação em 1996 que conseguiu impedir a infiltração de terroristas em solo israelense.

O governo israelense oferece fartas estatísticas sobre os efeitos dessa barreira de defesa. Exemplificando: entre abril e dezembro de 2002, 17 homens-bomba vieram da Samaria, região norte da Cisjordânia. Em 2003, depois do início da construção da cerca naquela área, apenas cinco ataques suicidas partiram de lá.

Embora a cerca de defesa tenha diminuído os ataques terroristas em Israel, essa barreira levanta uma série de controversas. A maior delas é o próprio trajeto da cerca: seria esse muro de defesa, construído pelo governo israelense, a divisa final entre Israel e a Cisjordânia? O estabelecimento de uma fronteira entre o Estado de Israel e um Estado Palestino depende de negociações de paz. A cerca de defesa israelense foi erguida sem aval da liderança palestina na Cisjordânia.

A cerca de defesa ajuda Israel a evitar a entrada de terroristas nos país. Contudo, ela também impõe restrições de movimento aos palestinos que trabalham em Israel diariamente.

A Paz e a Solução de Dois Estados

A maioria dos cientistas políticos acredita que a única forma de solucionar o conflito entre Israel e os palestinos é a criação de um Estado Palestino. De fato, em setembro de 2011, o atual presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, discursou na ONU e pediu para que a organização reconhecesse o Estado Palestino.

O caminho em direção à criação de um estado palestino é repleto de obstáculos, pois grandes questões referentes ao seu estabelecimento permanecem sem solução aparente.

Do ponto de vista da Polemologia (a ciência que estuda a guerra), o confronto entre árabes e israelenses, além de aspectos econômicos, sociais e políticos, apresenta uma dimensão simbólica que complica as tentativas de paz. Os territórios disputados têm grande valor histórico e religioso para judeus e árabes.

Um dos maiores empecilhos para se firmar a paz entre judeus e palestinos é o status da cidade de Jerusalém. Os palestinos exigem que essa cidade seja a capital de seu futuro estado. Tanto o atual governo de Israel como a grande maioria da população israelense se opõem a abrir mão de qualquer parte de Jerusalém.

Em 2017, o presidente norte-americano Donald Trump reconheceu Jerusalém como a capital de Israel. Em seguida, transferiu a embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv – centro comercial de Israel – para Jerusalém. O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelo governo norte-americano causou controvérsia, pois a liderança palestina deseja fundar um Estado Palestino tendo Jerusalém Oriental como sua capital. Já Israel considera que Jerusalém é sua capital, eterna e indivisível.


Vista panorâmica para a cidade velha de Jerusalém

Outro grande obstáculo para se chegar a um acordo de paz é que os líderes palestinos exigem que os refugiados árabes possam retornar a Israel, de onde fugiram quando foi fundado o Estado. O governo de Israel descarta essa possibilidade, pois um grande influxo de refugiados árabes mudaria a composição da população israelense.

O governo de Israel também afirma que não aceitará um acordo de paz que não solucione os problemas de segurança do Estado Judeu. Israel é um país cujo território é pequeno e um míssil disparado por um Estado vizinho pode atingir os aeroportos e os grandes centros urbanos israelenses.

Tanto Israel como a Autoridade Palestina de Mahmoud Abbas se opõem ao Hamas, que controla a Faixa de Gaza. Abbas exige que o Hamas se sujeite à sua liderança e autoridade. Já Israel afirma que para que haja um tratado de paz com os palestinos, é necessário que o Hamas reconheça a legitimidade do Estado Judeu. Contudo, o Hamas e outras organizações terroristas palestinas, como o Jihad Islâmico, pregam a destruição do Estado de Israel. Essas organizações têm interesse em sabotar a reconciliação entre judeus e árabes e frequentemente promovem atentados terroristas.

Percebe-se, portanto, que o conflito entre Israel e os palestinos é multidimensional. Há fatores territoriais, políticos, nacionalistas, demográficos e religiosos que dificultam um verdadeiro acordo de paz.

Sumário

- Um prelúdio ao Estado
- O Estado de Israel
- O Conflito com os palestinos
- Os Acordos de Oslo
- A Paz e a Solução de Dois Estados
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