Ditadura na Coreia do Norte

A Coreia do Norte é um dos regimes mais autoritários e repressivos do mundo. A família Kim e o Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte governam o país desde 1948.

A Coreia do Norte constitui uma das economias mais fechadas do mundo. Os líderes norte-coreanos são muito criticados por terem colocado as ambições nucleares do país acima do bem-estar econômico da nação. A população chega a passar fome. De acordo com as Nações Unidas, aproximadamente 40% da população norte-coreana está malnutrida: dois terços dos norte coreanos vivem à base dos alimentos distribuídos pelo Estado.

A Coreia do Norte depende de ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas. O país é totalmente dependente economicamente da China.

O principal objetivo da China em relação à Coreia do Norte é evitar um colapso do governo norte-coreano e uma leva de refugiados cruzando a fronteira e adentrando o território chinês. A China é responsável por fornecer a maior parte dos alimentos e da energia elétrica da Coreia do Norte.

Organizações internacionais de direitos humanos relatam que ocorrem graves e sistemáticas violações de direitos humanos na Coreia do Norte: tortura, estupro, trabalho escravo, tortura, infanticídio e execuções públicas. As vítimas são os “opositores” do governo.

O governo de Kim Jong Un emprega punição coletiva para silenciar opositores. Não existe liberdade de imprensa ou de religião no país.

Histórico

Encerrada a Segunda Guerra Mundial, a Coreia foi dividida no 38º paralelo de latitude em zonas de ocupação soviética e norte-americana. Com o apoio soviético, os comunistas estabeleceram um governo na Coreia do Norte, enquanto os Estados Unidos apoiaram a formação de um governo não comunista na Coreia do Sul. Ambos os governos da Coreia do Sul e da Coreia do Norte reivindicavam o direito de governar toda a península.

Em junho de 1950, a Coreia do Norte realizou um ataque surpresa contra a Coreia do Sul, objetivando unir toda a Coreia sob o domínio comunista. Os Estados Unidos enviaram tropas para apoiar a Coreia Sul, e a Guerra da Coreia foi deflagrada. Em novembro, soldados das Nações Unidas combateram as forças comunistas e adentraram território norte-coreano.

Quando os coreanos comunistas, que recuaram frente ao ataque das Nações Unidas, alcançaram o território da China, aproximadamente 200.000 soldados chineses entraram na Coreia do Norte, tomando as forças das Nações Unidas de surpresa. Com a ajuda chinesa, os norte-coreanos expulsaram as tropas da ONU de volta ao 38º paralelo. A luta continuou até a declaração de um armistício em 1953.

Após a guerra, as duas Coreias estabeleceram governos e políticas bastante diferentes. A Coreia do Norte se tornou um estado totalitarista, seguindo o modelo stalinista. As indústrias foram nacionalizadas e as fazendas coletivizadas. O governo da Coreia do Norte - autocrático e ditatorial - esmagou qualquer oposição.

A Coreia do Sul, por outro lado, era oficialmente uma democracia, apesar de os direitos básicos de seus cidadãos serem frequentemente negados. Os líderes do país silenciaram seus adversários políticos, argumentando que a união nacional era fundamental para evitar um novo ataque da Coreia do Norte. Contudo, em 1987, um protesto em massa obrigou o governo a revisar a Constituição e realizar novas eleições.

O governo sul-coreano apoiou fortemente a indústria no país, que teve um sucesso marcante. À medida que as exportações cresciam, o PIB (Produto Interno Bruto) da Coreia do Sul passou a ser 36 vezes maior do que o da Coreia do Norte.

Uma potência nuclear

Em outubro de 2002, a Coreia do Norte, liderada pelo ditador Kim Jong II, anunciou que seu país estava fabricando armas nucleares. Foram confirmados os relatórios da CIA (serviço de inteligência norte-americana) de que o país estava construindo uma nova fábrica para o enriquecimento de urânio, reativando assim seu programa nuclear. Admitiu, ainda, que há anos vinha realizando um programa secreto de proliferação nuclear. No reator de Yongbyon, à vista de dois inspetores das Nações Unidas, oficiais norte-coreanos reabriram um reator nuclear e não permitiram que câmeras de inspeção da ONU filmassem seu trabalho. Os norte-coreanos também haviam reaberto uma instalação para extração de plutônio e expulsado de seu país os dois inspetores da ONU.

Ao reabrir essas instalações, a Coreia do Norte rompeu o acordo que havia assinado em 1994 com o governo do presidente norte-americano Bill Clinton. Naquele ano, a Coreia do Norte havia prometido desistir de seu programa de proliferação nuclear e autorizou que inspetores das Nações Unidas comprovassem que o país não possuía sequer o material necessário para a produção de armas nucleares. A Coreia do Norte também recebeu do governo Clinton 3 bilhões de dólares como apoio econômico em troca da interrupção de exportações de mísseis. Mas a Coreia do Norte não cumpriu os acordos assinados e restringiu o acesso dos inspetores às suas instalações nucleares. Em janeiro de 2003, a Coreia do Norte declarou a intenção de se retirar do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. Dois anos mais tarde, em fevereiro de 2005, a Coreia do Norte anunciou ser uma potência nuclear, declaração que deixou o mundo em estado de alerta. Uma bomba atômica nas mãos de uma ditadura bélica é motivo de preocupação principalmente para outros países da região como a Coreia do Sul e o Japão.

Ao reabrir o reator de Yongbyon, a Coreia do Norte quebrou a promessa que havia feito aos Estados Unidos. E por não ter cumprido sua palavra, apesar do apoio econômico recebido dos Estados Unidos, os norte-coreanos fizeram com que os Estados Unidos hesitassem a voltar à mesa de negociações. O governo Bush adotou uma política em relação à Coreia do Norte menos diplomática que a de seu antecessor, Bill Clinton. Mas o ditador norte-coreano, Kim Jong II, ignorou, sucessivamente, alertas e ameaças vindas de Washington.

Os Estados Unidos alegaram que não invadiriam a Coreia do Norte e que planejavam resolver essa perigosa situação de forma pacífica, por meio de sanções econômicas e não através de ações militares, como as tomadas no Iraque. De fato, não seria fácil para os Estados Unidos atacar a Coreia do Norte, pois este país possui um grande e poderoso exército. Ao mesmo tempo, os norte-coreanos dificilmente conseguiriam atingir os Estados Unidos. Vinte-oito mil tropas norte-americanas protegem a costa entre a Coreia do Norte e Coreia do Sul - um alvo em potencial para uma retaliação norte-coreana contra Washington.

Os Estados Unidos, porém, mostram-se céticos quanto a um novo acordo, pois a Coreia do Norte violou o anterior. O governo Bush declarou que deseja negociar com a Coreia do Norte, mas com a condição de que o governo norte-coreano elimine suas armas nucleares.

A China tentou mediar a situação entre a Coreia do Norte e Estados Unidos, principalmente após George Bush classificar a Coreia do Norte como um dos países que constituem o "eixo do mal" e que apoiam o terrorismo internacional. A Coreia do Norte buscou negociar diretamente com os Estados Unidos, mas Washington se recusou. A China conseguiu organizar negociações que incluíssem seis países - Japão, China, Rússia, Coreia do Norte, Coreia do Sul e Estados Unidos. Em agosto de 2003, fevereiro e junho de 2004 e julho e agosto de 2005, as seis nações se reuniram em Beijing, capital da China.

Em 4 de outubro de 2007, líderes da Coreia do Norte e da Coreia do Sul concordaram em promover conversações de paz para declarar um fim à guerra entre ambos países e reafirmar o princípio mútuo de não agressão.

No dia 17 de julho de 2007, inspetores das Nações Unidas presenciaram o desligamento de 5 instalações nucleares na Coreia do Norte. No dia 4 de outubro de 2007, o presidente da Coreia do Sul, Roh Moo-Hyun, e Kim Jong II da Coreia do Norte assinaram um acordo de paz entre os dois países.

O ditador norte-coreano Kim Jong Il faleceu em dezembro de 2011 e foi sucedido por seu filho mais jovem, Kim Jong Un, que, em março de 2013, ameaçou lançar um ataque nuclear contra os Estados Unidos. A resposta das Nações Unidas a tais ameaças foram sanções adicionais contra a Coreia do Norte.

Em abril de 2013, o governo norte-coreano declarou que daria continuidade ao seu programa nuclear ao reiniciar operação do seu reator nuclear de Yongbyon, que havia sido fechado em 2007. Além disso, o governo de Kim Jong Un anunciou que havia aprovado planos para um ataque nuclear contra os Estados Unidos e advertiu todos os estrangeiros a deixarem a Coreia do Sul para evitar serem pegos em uma “guerra de retaliação”.

Em 2016, o norte-coreanos anunciam que haviam testado uma bomba de hidrogênio. O mundo ocidental recebeu com ceticismo a notícia. Não obstante, o Presidente americano Barack Obama impôs mais sanções contra a Coreia do Norte.

Em 2017 – ano em Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos –, a Coreia do Norte aumentou a frequência de testes e exercícios bélicos. O país chegou a testar mísseis capazes de atingir as bases militares americanas na ilha de Guam, no Pacífico. Em novembro de 2017, a Coreia do Norte declarou ter testado um míssil balístico intercontinental capaz de carregar uma bomba atômica e atingir o território continental norte-americano. Tal notícia não foi recebida com ceticismo: a CIA afirmou que acreditava que a Coreia do Norte já havia desenvolvido uma arma nuclear capaz de ser transportada em um míssil.

O presidente Trump reagiu às ameaças norte-coreanas. Afirmou que o “mau comportamento” da Coreia do Norte teria consequências. Os Estados Unidos se dirigiram às Nações Unidas para propor mais sanções contra a Coreia do Norte. Ao mesmo tempo, o Presidente Trump declarou que cabia à China fazer mais esforços para conter Kim Jong Un. Em agosto de 2017, a China anunciou planos para implementar as sanções da ONU contra o governo de Kim Jong Un: baniu a importação de carvão, minerais e frutos do mar advindos da Coreia do Norte.
Em 2018, Kim Jong Un anunciou uma mudança de política: a Coreia do Norte buscaria a diplomacia e o desenvolvimento econômico. O líder norte-coreano manifestou sua vontade de que a Coreia do Norte participasse das Olimpíadas de Inverno na Coreia do Sul.

A Coreia do Norte iniciou conversas diplomáticas com a Coreia do Sul. Além disso, a delegação da Coreia do Norte participou das Olimpíadas de Inverno sediadas na Coreia do Sul. Em abril de 2018, Kim Jong Un se tornou o primeiro líder norte-coreano a cruzar a fronteira entre os dois países e se encontrou com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in. Os dois líderes concordam em colocar fim às hostilidades e se comprometeram a trabalhar para reduzir o arsenal nuclear na península coreana.

Os norte-coreanos participaram de diversos encontros com lideres sul-coreanos, chineses e norte-americanos.

Em junho de 2018, Kim Jong Un e Donald Trump se reuniram em Singapura e assinaram uma declaração que continha objetivos como garantias de segurança para a Coreia do Norte, a busca por relações pacíficas, a desnuclearização da península coreana, a recuperação de restos mortais de soldados norte-americanos e a continuação de negociações entre autoridades de alto nível de ambos países.

Imediatamente após a cúpula, o presidente Trump anunciou que os Estados Unidos interromperiam exercícios militares “provocativos” com a Coreia do Sul. Trump também afirmou que eventualmente gostaria de trazer as tropas norte-americanas estacionadas no lado sul-coreano de volta aos Estados Unidos.

Contudo, uma reunião entre Estados Unidos e Coreia do Norte ocorrida em Hanói em fevereiro de 2019 foi interrompida após os norte-coreanos rejeitarem a proposta de desarmamento nuclear em troca da suspensão de sanções econômicas.

Em julho de 2019, a Coreia reiniciou seus testes de mísseis de curto alcance e emitiu declarações condenando os Estados Unidos.

Em outubro de 2019, a Coreia do Norte deu a entender que havia desenvolvido a capacidade de testar um míssil capaz de ser lançado de um submarino. A relevância disso é que, em teoria, a capacidade de lançar um míssil nuclear a partir de um submarino aumenta o alcance da capacidade de ataque da Coreia do Norte. Além disso, dificulta a detecção de sua plataforma de lançamento. Contudo, a gravidade dessa ameaça é amenizada pelo fato de a frota submarina da Coreia do Norte ser antiga e ineficaz – incapaz de percorrer grandes distâncias.

O aparente sucesso desses testes levanta questões sobre como o programa de mísseis da Coreia do Norte progrediu tão rapidamente. Observadores acreditam que o país contou com a ajuda de redes ilícitas na Rússia e na Ucrânia.

Crise Econômica

A Coreia do Norte encontra-se em uma profunda crise econômica. O governo é totalitário e controla os meios de comunicação, o que lhe permite distorcer a verdade e influenciar seu povo. A população do país passa fome e a elite está descontente.

Há dúvidas sobre a eficácia do embargo econômico contra a Coreia do Norte. O ditador Kim Jong Un parece preferir a miséria de seu povo a fazer qualquer concessão. Desde que seu pai ascendeu à liderança da Coreia do Norte, em 1994, o país sofreu um colapso econômico e o consequente flagelo da fome, que resultou na morte de milhões de pessoas. O embargo econômico também apresenta um dilema moral óbvio: é a população, e não os líderes do país, que sofre com a fome e com as dificuldades econômicas resultantes.

Não é provável que a Coreia do Norte de Kim Jong Un desista de ser uma potência nuclear para pôr um fim ao seu isolamento.

A situação na Coreia do Norte é motivo de preocupação para seus países vizinhos. O número de refugiados norte-coreanos é significativo e a terrível situação econômica do país causa com que um número ainda maior de pessoas tente emigrar. A Coreia do Sul se vê constantemente ameaçado pela Coreia do Norte, e a China, um aliado da Coreia do Norte, visa a evitar um conflito para prevenir uma verdadeira crise de refugiados em seu território.

O medo permanece

O mundo teme as ações de uma Coreia do Norte sendo liderado por um jovem inexperiente e imprevisível. O país possui armas nucleares e mísseis capazes de atingir países vizinhos, como a Coreia do Sul e o Japão. A Coreia do Norte também possui mísseis de longo alcance capazes de atingir os Estados Unidos.

A Coréia do Norte possui um dos maiores exércitos do mundo - com mais de um milhão de soldados. Além disso, as forças armadas do país contam com cerca de cinco milhões de reservistas.
Grande parte de seu equipamento militar é antigo e obsoleto, mas suas forças armadas podem causar grandes danos à Coréia do Sul em caso de guerra. A Coreia do Norte também ameaça seus vizinhos por meio de milhares de peças de artilharia e lançadores de foguetes implantados ao longo da fronteira. Seu poder de fogo pode devastar a Coréia do Sul, incluindo a capital Seul, que a uma distância de menos de 60 km, está bem ao alcance. Armas químicas também podem ser usadas pelo regime norte-coreano.

Outra preocupação em relação ao programa nuclear da Coreia do Norte é que o país tem como uma de suas principais fontes de renda a venda de mísseis. O que impediria esse país, que tanto precisa de recursos financeiros, de vender armas nucleares para déspotas ou organizações terroristas?

É evidente que há vários motivos por que a Coreia do Norte decidiu desenvolver um programa nuclear. Especula-se que o principal seja o fato de as armas nucleares conferirem ao país um poder de barganha que o país nunca teve.