A dissolução da Iugoslávia

A Dissolução da Iugoslávia

A dissolução da Iugoslávia foi uma série de conflitos que resultaram na desintegração da República Socialista Federativa da Iugoslávia. Até 1991, a Iugoslávia era uma federação socialista formada por seis repúblicas: Sérvia, Eslovênia, Macedônia, Bósnia-Herzegovina e Montenegro. A dissolução da Iugoslávia se assemelhou à queda da União Soviética: blocos socialistas se separaram e constituíram novas nações.

A Antiga Iugoslávia

O nome Iugoslávia significa "país dos eslavos do sul".

Após sucessivas invasões, os sérvios, derrotados na batalha de Kosovo (1389), caíram sob domínio do Império Turco-Otomano. No início dos tempos modernos, a área foi dividida: a Sérvia, a Bósnia, a Herzegóvina, Monte Negro e Macedônia continuaram sob domínio turco; a Croácia, a Eslovênia, parte da Dalmácia e o território de Voivodina foram entregues aos Habsburgos e alguns territórios costeiros, onde se localiza a bela e histórica cidade de Dubrovnik, foram anexados pela República de Veneza. A religião absolutamente majoritária na Sérvia é a cristã ortodoxa, também dominante na Rússia. Era inevitável uma aproximação cultural e política entre as duas nações.

No século XIX, após sucessivos levantes, a Sérvia tornava-se um principado independente no interior do Império Otomano. Em 1882, a Sérvia proclamava sua plena independência, passando a ser a potência regional da Península Balcânica. No início do século XX, mais exatamente em 1912, a Sérvia, liderando a Liga Balcânica, agrupou Monte Negro, Grécia, Romênia e Bulgária para lutarem contra  o Império Otomano. No ano seguinte, naquilo que foi chamado de a Segunda Guerra Balcânica, aquelas nações lutaram entre si para o controle da região.

Ao longo de todo esse tempo, em Belgrado (capital da Sérvia) nascia um sonho: o da "Grande Sérvia", que consistiria em  agrupar todos os sérvios, dispersos entre Sérvia, Croácia e Bósnia-Herzegóvina, sob domínio sérvio. O principal obstáculo a esse projeto era o fato da Áustria ter anexado a Bósnia-Herzegóvina. Como de hábito, a Rússia apoiava os sérvios,  com quem tinham acordos militares secretos.  Em junho de 1914, quando em visita a Sarajevo (capital da Bósnia), o herdeiro da coroa austríaca - o Arquiduque Francisco Ferdinando - foi assassinado por um jovem estudante de origem sérvia, Gavrilo Prinzip. Esse atentado foi o "estopim"da Primeira Guerra Mundial. Terminada essa, em 1918, nascia a Iugoslávia sob regime monárquico, abrangendo:

PAÍSES PERTENCENTES À ANTIGA IUGOSLÁVIA

PAÍS

CAPITAL

Sérvia

Belgrado

Croácia

Zagreb

Eslovênia

Liubliana

Bósnia-Herzegóvina

Sarajevo

Macedônia

Skopje

O controle sérvio sobre os outros eslavos balcânicos gerou ódio aos sérvios, principalmente por parte dos croatas. Simultaneamente, crescia o nacionalismo étnico sérvio. Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1941, a Alemanha invadiu a Iugoslávia, dando independência à Croácia onde simpatizantes do nazismo fundaram o movimento dos Oustachis, sob a liderança de Ante Pavelic, cuja crueldade contra os sérvios deixou cicatrizes profundas. A comunidade sérvia, para enfrentar os nazistas, dividiu-se em dois grupos políticos antagônicos de resistência: os "partisans" comunistas encabeçados por Josip Broz, apelidado de Tito e os "chetniks", nacionalistas monarquistas chefiados por Draza Mihaijlovic. Após sangrentos combates, Tito derrotou os "chetniks"e os alemães, tornando-se o único líder de um país ocupado por forças nazistas a expulsá-las sem ajuda direta de qualquer outra nação.Em novembro de 1945, foi abolida a monarquia e, sob a liderança da Liga Comunista da Iugoslávia, foi proclamada a República Popular Federal da Iugoslávia, compreendendo as seguintes áreas: Eslovênia, Sérvia, Croácia, Montenegro, Macedônia e Bósnia-Herzegóvina, além das províncias autônomas de Kosovo e Voivodina. O prestígio de Tito manteve a Iugoslávia unida, apesar dos ódios étnicos aí existentes. Com a morte do líder em 1980, agravaram-se os antagonismos étnicos.

No final dos anos 80, quando teve início o colapso do comunismo nos países do leste europeu, floresceram ainda mais os movimentos de grupos separatistas na Península Balcânica. Em 1989, o líder comunista Slobodan Milosevic, agora transformado em nacionalista radical, é eleito Presidente. Pouco depois, eleições na Croácia e na Eslovênia colocam nacionalistas no poder. Estavam abertas as portas para o conflito. Em 1991, o exército iugoslavo, de maioria Sérvia, invade a Eslovênia, rapidamente recuando em função das pressões da Comunidade Europeia. Além disso, a Eslovênia não possui minorias sérvias, o que desestimulou a continuação dos esforços militares. No mesmo ano tem início a guerra contra a Croácia. Após sangrentos combates, o governo de Zagreb obtém a independência, mas se vê obrigado a permitir, em seu território, a República de Krajina, região de maioria Sérvia. Em 1992, a Bósnia-Herzegóvina, por meio de plebiscito, declara-se separada da Iugoslávia. A região, contudo, conhecia maioria muçulmana e numerosos contingentes de sérvios e croatas. Tem início a guerra civil entre os muçulmanos e milícias sérvias e croatas: terríveis atrocidades são cometidas. Embora a Iugoslávia não tenha participado diretamente do conflito, o governo de Belgrado apoiou financeira e militarmente os milicianos sérvios na Bósnia. Em 1965, sob pressão dos EUA, é assinado o Acordo de Dayton, que pôs fim à guerra bosníaca. Em 1999, após uma tentativa de "limpeza étnica" na Província de Kosovo, pertencente à Iugoslávia mas de maioria albanesa, as forças aéreas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) expulsaram as tropas sérvias da região.

Todas essas derrotas e os sacrifícios econômicos delas decorrentes de impostos aos sérvios provocaram o desgaste político de Milosevic, derrotado nas eleições de 2000 pelo líder Vojislav Kostunica. Atualmente, a Iugoslávia, reduzida à Sérvia e a Montenegro, vive um processo de democratização.

Em 1 de abril de 2001, o governo sérvio prendeu Milosevic. Em 28 de junho de 2001, ele foi levado ao Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas, localizado em Haia, na Holanda, para ser julgado por crimes de guerra. O julgamento de Milosevic começou em fevereiro de 2002. Porém, ele morreu, aos 64 anos de idade, no dia 11 de março de 2006. Ele veio a falecer alguns meses antes do fim do julgamento que provavelmente o teria condenado por crimes contra a humanidade.

A Fragmentação da Iugoslávia

Acompanhando a onda do colapso do comunismo no leste europeu em fins da década de 80, nas primeiras eleições livres, realizadas em abril de 1990, os nacionalistas bateram os comunistas em todas as repúblicas, exceto na Sérvia e Montenegro. Em 1991, a Eslovênia e a Croácia procuraram a sua independência em relação a Belgrado. Quase imediatamente, o Exército Federal Iugoslavo, dominado pelos sérvios, atacou a Eslovênia. Como não havia minoria sérvia na região, os combates duraram apenas algumas semanas e os militares sérvios se retiraram. Em seguida foi a vez da Croácia onde 17% da população era de origem Sérvia. Aí os conflitos foram sangrentos, com atrocidades de ambos os lados. Nesse primeiro momento da guerra servo-croata ocorreu a divisão do território croata em República da Croácia e República Sérvia de Kragina. Em 1992, ocorreu a catástrofe. Na Bósnia-Herzegóvina, a população estava dividida em Muçulmanos (44%), Sérvios (32%) e Croatas (16%). Embora culturalmente diferentes, essas comunidades, durante décadas, pareciam conviver bem. De repente, os sérvios iniciam a "limpeza étnica" (o uso do terror, de assassinatos e estupros para expulsar os habitantes não sérvios da região). Sarajevo foi cercada pelos sérvios e praticamente arrasada. As cenas de brutalidade e violência eram mostradas em todas as televisões do mundo, provocando indignação na opinião pública internacional. "Forças de paz" da Organização das Nações Unidas (ONU) foram inutilmente mandadas para a região. Em agosto de 1995, os croatas eliminaram a presença Sérvia em Kragina. Nesse mesmo ano, os Estados Unidos da América, diante da incompetência europeia para resolver a questão, promoveram o Acordo de Dayton, pacificando a Bósnia pelo envio de tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Dois anos depois, albaneses - população majoritária de Kosovo - passaram a ser vítimas da "limpeza étnica" sérvia. Mais uma vez, o mundo assiste indignado à violência que se abatia sobre aquela província. Em março de 1999, as forças aéreas ocidentais atacam as tropas sérvias presentes em Kosovo, obrigando-as à retirada. Hoje, a Iugoslávia se limita a duas repúblicas: Sérvia e Montenegro.