Adaptações especiais - raízes, caules e folhas

Adaptações especiais - raízes, caules e folhas

Raízes aéreas

As raízes aéreas são raízes adventícias produzidas pelas partes aéreas. As raízes aéreas de algumas plantas servem de raízes-escora para a sustentação, como, por exemplo, no milho. Quando entram em contato com o solo ramificam-se e funcionam também na absorção de água e minerais.

As raízes-escora são produzidas pelos caules e ramos de muitas plantas tropicais, como o mangue-vermelho (Rhizophora mangle), a figueira-de-bengala (Ficus bengalensis) e algumas palmeiras. Outras raízes aéreas, como na hera (Hereda helix), aderem à superfície de objetos e fornecem sustentação para o caule trepador.

As raízes adventícias do milho surgem de gemas dos nós, na planta adulta, melhorando a fixação e a absorção. Do caule de samambaias arbóreas (samambaiaçus) retiram-se as raízes adventícias para produção dos vasos de xaxim.

As raízes necessitam de oxigênio para a respiração, sendo este o motivo pelo qual as plantas são incapazes de viver em solos onde não existe drenagem adequada, carecendo, consequentemente, de espaços arejados. Algumas árvores que crescem em habitats pantanosos desenvolvem raízes que crescem para fora da água, servindo não apenas para fixar o vegetal, como também para arejá-lo. Por exemplo, o sistema radicular de Avicennia tomentosa desenvolve extensões de geotropismo negativo, denominadas pneumatóforos, que crescem para cima e para fora do lodo, fornecendo assim uma aeração adequada.

O aguapé apresenta raízes aquáticas com muitas ramificações e uma coifa bem desenvolvida.


Raízes aquáticas

Adaptações especiais

Muitas adaptações são encontradas entre as epífitas, plantas que crescem sobre outras plantas, contudo, sem parasitá-la. A epiderme da raiz da orquídea, por exemplo, é pluriestratificada e, em algumas espécies, constitui o único órgão fotossintético da planta. Estruturas especiais na epiderme proporcionam aparentemente o intercâmbio de gases quando a epiderme está saturada de água (velame).

Dentre as epífitas, a Dischidia rafflesiana possui uma modificação extremamente notável. Algumas de suas folhas são estruturas achatadas e suculentas, ao passo que outras formam tubos que coletam detritos e água pluvial.

Colônias de formigas vivem no interior das urnas e ajudam no suprimento de nitrogênio da planta. Raízes formadas no nó situado acima da folha modificada, crescem para baixo e penetram no interior da urna, onde absorvem água e sais minerais.

As plantas verdadeiramente parasitas desenvolvem raízes sugadoras (haustórios) que crescem para o interior do caule da hospedeira, indo buscar no floema, a seiva elaborada com os alimentos orgânicos que necessita. Isso ocorre com o cipó-chumbo.

Adaptações para o armazenamento de alimentos

As raízes, em sua maioria, são órgãos de armazenamento e, em algumas plantas, são especializadas para esta função. Estas raízes tornam-se carnosas devido à grande quantidade de parênquima de reserva, no qual se acha o tecido vascular. Esse desenvolvimento de raízes de reserva (tuberosas) é evidente em cenoura (Daucus carota), batata-doce (Ipomoea batatas), beterraba (Beta sp).

Modificações do caule e da folha

Os caules de algumas plantas escandentes se enrolam ao redor da estrutura onde estão crescendo (caules volúveis). Outros produzem ramos modificados, denominados gavinhas. Na hera, as gavinhas produzem, nos ápices, grandes estruturas em forma de taça, denominadas grampos.

As gavinhas da videira (Vitis sp) e do maracujá (Passiflora sp) são também caules modificados que se enrolam ao redor do suporte. Na videira, as gavinhas produzem algumas vezes pequenas folhas ou flores.

As gavinhas, em sua maioria, são modificações de folhas. Nas leguminosas, como a ervilha (Pisum sativum), as gavinhas constituem a parte terminal da folha composta penada.

Nem todas as leguminosas formam gavinhas. Uma destas, o amendoim (Arachis hipogaea) possui outra adaptação interessante. Após a fertilização, os estames e a corola da flor caem e o entrenó entre o ovário e o receptáculo (ou ginóforo) começa a alongar-se. Através de alongamento contínuo, o pedúnculo se curva para baixo e enterra o fruto em desenvolvimento vários centímetros abaixo do solo, onde amadurece. Se o ovário não for enterrado, murcha e não cresce.

Os ramos (clados) que assumem a forma de folhas e se assemelham estreitamente a elas são denominados cladódios ou filocládios. Ambos apresentam a cor esverdeada e realizam fotossíntese. Nos cladódios o crescimento é ilimitado e nos filocládioslimitado. O cladódio aparece nas cactáceas (onde as folhas estão transformadas em espinhos, garantindo grande economia de água) e o filocládio ocorre no aspargo (Asparagus officinalis). Os caules aéreos espessos e carnosos (turião) do aspargo são a parte comestível da planta. As escamas encontradas sobre os turiões são folhas verdadeiras. Se o aspargo continua a crescer, desenvolvem-se lâminas nas axilas das pequeninas escamas as quais funcionam como órgãos fotossintetizadores.

Em algumas plantas, as folhas modificam-se em espinhos, que são duros, secos e não assimiladores.

As expressões espinho caulinar e espinho foliar são, frequentemente, confundidos na linguagem comum como “espinho” da roseira. Na roseira ocorrem acúleos, que são anexos da epiderme modificada, facilmente destacáveis. Do ponto de vista técnico, os espinhos caulinares são ramos modificados que surgem nas axilas das folhas, a partir das gemas, com grande dureza e difíceis de serem destacados (laranjeiras, limoeiros).

Dentre as mais espetaculares folhas modificadas ou especializadas, estão as folhas das plantas carnívoras, tais como as plantas insetívoras, NepenthesDrosera e Dionaea, que capturam insetos e os digerem com enzimas secretadas pela planta. Os nutrientes são absorvidos em seguida pela planta.

Nephentes rajah (Borneú – Indonésia) captura e digere passarinhos, lagartos, sapos arborícolas, pequenos roedores. A Sarracenia purpura apresenta uma “aba” para coleta de água que represa no fundo da folha, onde bactérias decompõem as carapaças dos insetos afogados; o “tubo” pode chegar a 1 metro de comprimento. Todas essas plantas são fotossintetizantes e portanto autótrofas, porém dependem de uma dieta extra de nutrientes nitrogenados (proteicos).

Armazenagem de alimento

Os caules, assim como as raízes, desempenham funções de reserva de substâncias nutritivas. Provavelmente, o tipo mais familiar de caule especializado no armazenamento é o tubérculo, exemplificado pela batatinha. Nesta, os tubérculos desenvolvem-se nos ápices de estolhos (ramos subterrâneos do caule aéreo) de plantas que cresceram a partir de sementes.

No entanto, quando são utilizados segmentos de tubérculos para a propagação, os tubérculos surgem nas extremidades de longos e delgados rizomas, ou ramos subterrâneos.

A bananeira, Musa sp, tem um grande rizoma subterrâneo com muitas gemas, das quais crescem novas plantas. O que se vê acima do solo e que parece um caule é na realidade um conjunto de grossas bainhas de folhas enroladas. Por dentro delas cresce a única ramificação da planta, que sai no topo, formando um cacho na extremidade. Uma vez colhido o cacho de frutos, a bananeira não produz outros, vai lentamente murchando e cai.

Um bulbo é uma grande gema que consiste de um pequeno caule cônico (“prato”) no qual se inserem numerosas folhas modificadas (catáfilos). As folhas são escamosas e possuem bases espessadas onde o alimento é armazenado. As raízes adventícias nascem na base do caule. Exemplos familiares de plantas com bulbos são a cebola, o alho e o lírio.

Embora superficialmente semelhantes aos bulbos, os cormos consistem principalmente de tecido fundamental. Suas folhas são geralmente finas e bem menores que as dos bulbos; em consequência, o alimento armazenado do cormo é encontrado no caule carnoso. Plantas bem conhecidas, como a palma-de-santa-rita, o açafrão e o ciclame, produzem cormos.

couve-rábano (Brassica oleracea caulorapa) constitui um exemplo de uma planta comestível com caule de reserva carnoso. O caule curto e espesso ergue-se acima do solo e possui várias folhas com bases muito largas. A couve comum (Brassica oleracea capitata) é estreitamente relacionada à couve-rábano. A denominada “cabeça” da couve consiste de um caule curto com numerosas folhas espessas e imbricadas. Além de uma gema terminal, podem ser encontradas várias gemas axilares bem desenvolvidas dentro da cabeça.

Os pecíolos de algumas plantas tornam-se bastante espessos e carnosos. O aipo (Aipum graveolens) e o ruibarbo (Rheum rhaponticum) são dois exemplos familiares.

Armazenagem de água: suculência

As plantas suculentas possuem tecidos aquíferos, isto é, tecidos especializados no armazenamento de água. A maioria destas plantas, tais como os cactos dos desertos americanos; a Euphorbia, cujo aspecto é semelhante, dos desertos da África; e a piteira (Agave), crescem normalmente em regiões áridas, onde a capacidade de armazenar água se torna necessária para sua sobrevivência. Os caules verdes e carnosos (cladódios) dos cactos servem de órgãos fotossintéticos e de armazenamento.

O tecido de reserva de água é formado de grandes células parenquimatosas com paredes delgadas, destituídas de cloroplastos.

Na piteira, as folhas são suculentas. Como nos caules suculentos, as células parenquimatosas não fotossintéticas do tecido fundamental constituem o tecido de armazenagem de água. Outros exemplos de plantas com folhas suculentas são a “planta de gelo” (Mesembrysanthemum crystallinum), o saião (Sedum) e algumas espécies de Peperomia. Na “planta de gelo”, grandes células epidérmicas, denominadas vesículas aquíferas, que se assemelham superficialmente a cristais de gelo, servem para armazenamento de água. As células que reservam água da folha de Peperomia são partes de uma epiderme pluriestratificada (várias camadas).

Sumário

- Raízes aéreas
i. Adaptações especiais
ii. Adaptações para o armazenamento de alimentos
- Modificações do caule e da folha
i. Armazenagem de alimento
ii. Armazenagem de água
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