Protozoários - Classificação dos protozoários

Protozoários

Protozoários são seres microscópicos, eucariontes e unicelulares. Quando dividimos os seres vivos em Animais e Vegetais, os protozoários são estudados no Reino Animal e os fitoflagelados - que são protozoários - são estudados no Reino Vegetal.

Muitos protozoários apresentam orgânulos especializados em determinadas funções, daí serem funcionalmente, semelhantes aos órgãos. Suas células, no entanto, podem ser consideradas "pouco especializadas", já que realizam, sozinhas, todas as funções vitais dos organismos mais complexos, como locomoção, obtenção do alimento, digestão, excreção, reprodução. Ocorrem em células isoladas ou em colônias de células (agregados de células independentes).

O citoplasma é um material mais ou menos homogêneo, composto de moléculas proteicas globulosas, frouxamente reunidas para formar uma moldura molecular tridimensional. Embebidas em seu interior, encontram-se as várias estruturas que dão aos protozoários seu aspecto característico. As fibrilas proteicas submicroscópicas - feixes fibrilares, mionemas, microtúbulos - são grupos de fibrilas paralelas existentes no citoplasma. A contratilidade dos protozoários é devida à presença dessas fibrilas.

Os protozoários ocupam importante papel nas cadeias alimentares das comunidades naturais, onde existe água livre. Os flagelados autotróficos são abundantes nas águas salgadas e doces, assim como em associações simbióticas - qualquer tipo de coexistência entre organismos diferentes - com animais de vários níveis de organização, incluindo outros protozoários. Alguns grupos em particular formam uma parte importante na dieta de numerosos animais.

As fases vegetativas - tróficas - dos protozoários de vida livre ocorrem em qualquer tipo de água doce ou salgada, de areia, de solo ou de matéria orgânica em decomposição. Foram observados nas regiões polares e em altitudes muito elevadas. Os fatores que influenciam sua distribuição e o seu número num habitáculo compreendem a umidade, a temperatura, a luz, a presença de nutrientes e outras condições físicas e químicas.

Na fase encistada - estrutura de parede espessa num período inativo - os protozoários podem suportar variações térmicas muito maiores do que na fase trófica. A tolerância térmica varia com as diferentes condições ambientais. Mesmo as águas quentes das fontes termais (30 a 56oC) podem conter protozoários. A maior parte dos protozoários, contudo, apresenta uma temperatura ótima entre 16 e 25oC, estando o limite máximo entre 36 e 40oC. As temperaturas baixas são menos prejudiciais. A assim chamada "neve vermelha" das grandes altitudes é devida à presença de diversos flagelados portadores de hematocromo (considerados como algas por alguns biólogos).

Muitos protozoários podem encistar-se e, dessa maneira, aumentar sua proteção contra as agressões externas. Em alguns casos, a escassez de alimentos e a dessecação favorecem o encistamento. Em outros, a reprodução é regularmente ligada com a formação de cistos. As fases desenvolventes das espécies parasitas são transmitidas a um outro hospedeiro envelopadas por um cisto resistente.

De especial significação na economia de muitas comunidades, tanto em habitáculos terrestres úmidos, como em ambientes verdadeiramente aquáticos, são os protozoários saprófitas e que ingerem bactérias, fazendo uso de substâncias e organismos envolvidos na decomposição final das cadeias alimentares e, assim, fazendo recircular a matéria orgânica. Existem, ainda, alguns protozoários que provocam doenças no homem.

O suprimento nutritivo, num determinado habitáculo, é o principal fator determinante da distribuição e do número de protozoários. Espécies de gênero Paramecium e outros protozoários holozoicos - protozoários que ingerem outros organismos - devem contar com um fornecimento de bactérias ou de outros protozoários. Como regra geral, os protozoários que se alimentam de uma variedade de organismos demonstram larga distribuição; os que são mais seletivos têm distribuição limitada.

Na tendência moderna, os protozoários estão incluídos no Reino Protista, subdivididos em quatro filos:

I. Rizópodes ou Sarcodina: são amebas ("nus"); radiolários e foraminíferos (têm carapaças com formas bastante vistosas, feitas de calcário ou de sílica - importantes indicadores da existência de jazidas de petróleo).

Os foraminíferos foram muito numerosos nos mares do período Cambriano - há 600 milhões de anos - e algumas espécies Nummulites chegavam a 15 cm. Os foraminíferos atuais medem de 0,1 a 1 mm e são na maioria bentônicos, pois vivem no fundo dos mares, mas os do gênero Globigerina são planctônicos, flutuando bem com suas carapaças de várias câmaras esféricas perfuradas, por onde sai uma verdadeira rede de finíssimos pseudópodos. Os famosos penhascos de Dover, Inglaterra, e os leitos de giz no Mississippi e na Geórgia são depósitos dessas carapaças.

Assim como as frústulas (carapaças) de algas diatomáceas, as carapaças dos foraminíferos acumularam-se durante milhões de anos como sedimentos marinhos calcários, cobrindo extensões de milhares de quilômetros quadrados. Esses sedimentos são chamados vasas de foraminíferos, e 1 g deles pode conter até 50 mil carapaças. No vale do Nilo, esses sedimentos de Nummulites forneceram as grandes pedras usadas na construção das pirâmides.

Os Rizópodes caracterizam-se por apresentarem pseudópodes como estrutura de locomoção e captura de alimentos.

Podem ser de vida livre ou parasitas (Entamoeba histolytica).

As amebas de vida livre que vivem em água doce apresentam vacúolo contrátil ou pulsátil para osmorregulação, eliminando o excesso de água que vai entrando no seu citoplasma (hipertônico), vindo do ambiente mais diluído (hipotônico).

Em condições desfavoráveis, por exemplo sujeita à desidratação, a Entamoeba produz forma de resistência, os cistos, com quatro núcleos no seu interior (partição múltipla).

A reprodução assexuada é por bipartição simples ou cissiparidade.

II. Mastigophora ou Flagelados: possuem um ou mais flagelos para locomoção. Podem utilizar o flagelo para locomoção, enquanto os sésseis - vivem fixos a um substrato - utilizam o movimento flagelar para criar correntezas líquidas que arrastam partículas de alimento para perto de si.

Existem flagelados de vida livre (Euglena - possuem clorofila e realizam fotossíntese; podem, também, nutrir-se de forma heterótrofa = zooflagelados), mutualísticos (Trichonympha), no intestino de cupins - fornecem a enzima celulase); e parasitas (Trypanosoma cruzi).

A Trichonympha collaris é interessante por causa de seu habitáculo, de sua estrutura complexa e de sua pouco comum capacidade de digerir a celulose. Estas pequenas criaturas vivem no intestino de térmites, que são incapazes de utilizar a celulose, o principal constituinte da madeira. A Trichonympha collaris, contudo, ingere as partículas de madeira e, por meio de enzimas, converte a celulose em carboidratos solúveis, facilmente digeridos pelo inseto.

Nos coanoflagelados, há uma espécie de colarinho que serve para a captura de partículas alimentares; têm estrutura muito semelhante aos coanócitos, células típicas das esponjas. Devido a isso, há teorias que sugerem uma relação filogenética entre coanoflagelados e esponjas.

A reprodução é sexuada ou assexuada por divisão longitudinal.

III. Ciliados: possuem numerosos cílios, usados na locomoção. Entre eles estão os protozoários "gigantes" como os paramécios (Paramecium) muito usados em estudos; aqui estão os protozoários de organização mais complexa. A maioria é de vida livre.

Além de orgânulos especializados, possuem dois núcleos: macronúcleo (funções vegetativas) e micronúcleo (funções genéticas: hereditariedade e reprodução); apresentam extremidades anterior e posterior; na membrana, a entrada do alimento se dá pelo citóstoma e a saída de resíduos pelo citopígio (= citoprocto).

>

A regulação osmótica é feita por dois vacúolos contráteis (pulsáteis), localizados um em cada extremidade da célula, em vez de aparecerem em qualquer lugar, como nas amebas. Cada vacúolo tem em torno de si finíssimos canais radiais que, além de recolher a água, também coletam substâncias a serem excretadas, conduzindo-as ao vacúolo.

Junto à película recoberta de cílios, na região periférica do citoplasma do paramécio, localizam-se numerosas bolsas contendo fios muito longos e enrolados, os tricocistos. Esses fios são descarregados explosivamente em determinadas situações, com finalidades defensivas.

O Balantidium coli é a única espécie ciliada parasita do homem (intestino).

A reprodução sexuada por conjugação consiste no pareamento de dois paramécios, com fusão das membranas e em seguida troca de material genético dos micronúcleos. Depois os paramécios se separam e se reproduzem assexuadamente por cissiparidade.

IV. Esporozoários: não possuem orgânulos para locomoção.

São todos parasitas e apresentam um tipo de reprodução assexuada especial chamada de esporulação: uma célula divide seu núcleo numerosas vezes; depois, cada núcleo com um pouco de citoplasma é isolado por uma membrana, formando assim vários esporos a partir de uma célula. Sua alimentação deriva, em sua maior parte, das células hospedeiras ou dos líquidos orgânicos em que vivem.

Algumas espécies causam doenças ao homem e a animais vertebrados, como aves e mamíferos, e invertebrados, como insetos e minhocas. Dependendo da espécie, o protozoário parasita habita diferentes locais do corpo do hospedeiro, seja o interior de célula, o sangue ou as cavidades de diversos órgãos. O Plasmodium vivax é causador de uma forma de malária no homem.

No ciclo vital apresentam alternância de reprodução assexuada e sexuada.

  • Aulas relacionadas