Características gerais dos seres vivos

Características gerais dos seres vivos

Por que chamamos de seres vivos tanto os micróbios como o homem? Que têm eles em comum?

As condições de sobrevivência e reprodução dos seres vivos são dependentes de um conjunto de propriedades que lhes garante adaptações diversas para resolução de problemas e dificuldades múltiplas.

A resposta à pergunta inicial surgirá aos serem examinadas as características seguintes, para ver se elas se aplicam aos dois extremos e a tudo o que fica no meio: composição, organização, metabolismo, excitabilidade, reprodução, crescimento, hereditariedade, evolução, relações com o ambiente, diversidade.

Discutamos algumas destas características:

1. Composição.

Não há nenhum átomo no corpo dos seres vivos que não exista também nas rochas da crosta terrestre; mas há grande diferença no modo como os átomos se agregam nas moléculas de uma pedra e nos organismos! As moléculas dos minerais têm poucos átomos. Nos organismos, ao lado de moléculas pequenas, há milhares de substâncias orgânicas diferentes, algumas formadas por moléculas gigantescas.

Um pedaço de organismo do tamanho de um grão de areia tem inúmeras células, e dentro delas há milhares de substâncias diferentes.

2. Sempre têm uma estrutura celular. Todos os organismos são formados por células ou seus derivados, menos os vírus, se é que são seres vivos.

Nos seres multicelulares, as células se reúnem em tecidos e órgãos e, dentro delas, o trabalho é feito por muitas organelas. Vários órgãos se associam em sistemas, para desempenharem uma função.

As células procariontes são as mais simples, representadas por exemplo, pelas bactérias. As células vegetais e animais têm diferenças características, assim como os protozoários (por exemplo, o Paramecium da água doce).


Bactéria 


Célula vegetal


Célula animal

Os vírus são os menores "seres vivos" conhecidos, sendo visíveis apenas ao microscópio eletrônico. Eles são tão pequenos que podem penetrar na célula das menores bactérias que se conhecem. Quando a partícula viral está fora da célula hospedeira, ela recebe o nome de vírion.

Esquema (à direita) - Mecanismo de injeção de DNA de vírus por um vírion do bacteriófago T2. O vírion se fixa sobre a parede da bactéria por intermédio de sua placa e de suas fibras caudais. A absorção torna-se rapidamente irreversível e a enzima de penetração ataca as ligações que asseguram a coesão da parede celular. O invólucro que rodeia o eixo tubular se contrai e insere o tubo entre os elementos deslocados da parede. O DNA do vírus é então injetado por esse canal.

3. Crescem e mantêm sua estrutura através de trocas de substâncias alimentares com o ambiente (= nutrição) e da sua transformação. As substâncias que formam o corpo dos seres vivos passam por constantes alterações químicas, chamadas, em conjunto, de metabolismo.

Crescimento e reprodução são processos relacionados. Cada qual pode ser considerado causa e consequência do outro. O crescimento prepara o adulto para a reprodução, e esta produz o indivíduo que vai crescer.

O crescimento dos seres pluricelulares decorre mais da multiplicação das células do que de seu aumento em volume. O adulto tem muito mais células do que um bebê.

4. Apresentam material intracelular em solução aquosa com variados graus de viscosidade. Os seres vivos estão sempre transformando certas substâncias em outras por meio de reações químicas, as quais sempre ocorrem em solução aquosa e são controladas por enzimas catalisadoras (substâncias que aceleram ou retardam as reações entre substâncias).


Quebra da sacarose - formação de glicose e frutose.

5. Precisam de energia para seus processos vitais (atividades ou funções). A energia é resultante de "degradações diversas", como por exemplo, a combustão ("queima") de combustível celular ou retirado do meio (= metabolismo energético).

C6H12O6 + 6O2 6CO2 + 6H2O + "Energia"
(glicose)   (oxigênio)

Não há máquina capaz de funcionar sem uma fonte de energia que a alimente. De fato, a máquina não consegue criar energia do nada nem destruí-la. Toda energia que entra em uma máquina acaba saindo dela integralmente. A energia pode, entretanto, transformar-se de uma forma em outra, sem perda ou ganho.

O mais extraordinário é que os seres vivos funcionam exatamente como as máquinas, quanto ao uso da energia. Eles também são incapazes de criar ou destruir energia. Todavia, só pode existir vida como resultado de transferência e transformação de energia.


Mitocôndria

6. Reagem aos estímulos ambientais, ou seja, apresentam excitabilidade. As reações são, em geral, favoráveis à sua sobrevivência.

Para sabermos se um cachorro estendido no chão está morto, o mais simples é empurrá-lo com o pé, pois, enquanto persiste a capacidade de responder a estímulos, existe vida. Um paramécio (protozoário) que se desloca no campo do microscópio e encontra um obstáculo, dá marcha a ré, vira para um lado e segue em frente.

A pupila de uma pessoa diminui quando um feixe de luz atinge seus olhos. Qualquer mudança perceptível do ambiente pode originar uma reação.

7. Se reproduzem e transmitem sua organização aos descendentes, através da cromatina ou "código genético". Só seres vivos são capazes de ter filhos e, inversamente, todos os seres vivos provêm de outros seres vivos da mesma espécie.

Os genes são moléculas complexas que determinam os tipos de proteínas que a célula vai sintetizar. Dessas proteínas dependem todas as reações químicas que se passam em cada célula, e dessas reações decorrem as características do indivíduo. Podemos, portanto, considerar os genes um conjunto de "instruções" que o embrião seguirá, expressas em um "código químico", e não em letras. Conforme os genes existentes na célula inicial de um indivíduo (por exemplo, um jacaré), seu embrião se desenvolve tomando a forma e as funções de sua espécie. Se os genes da célula inicial são de um mamoeiro, o embrião germina, obedecendo a seus genes, e acaba por produzir mamões.

8. Se adaptam ao ambiente e sofrem evolução, ou seja, as mutações sofridas pelas genes vão gerar variações nas características hereditárias dos descendentes. A seleção natural ou ambiental, irá selecionar as características mais aptas para a sobrevivência nesse local. Aqueles que sobreviverem, deixarão maior número de descendentes, os quais irão passando às gerações futuras as características genéticas que possuem.

9. Relações com o ambiente.

Reconheço o mundo com meus órgãos dos sentidos e troco com ele substâncias. O oxigênio do ar atinge minhas células mais profundas e ingiro líquidos e sólidos selecionados. Por outro lado, lanço fora de minhas "muralhas" tudo o que não me serve mais. Assim, manipulo, com cuidado, minhas relações com o ambiente e com os outros organismos.

Os seres vivos são sistemas apropriados para durar, não por serem imutáveis, mas justamente por estarem em constante transformação. Os seres inanimados sofrem passivamente a ação desgastante dos agentes naturais. Os organismos, por outro lado, interagem com eles. As variações do ambiente ameaçam os organismos, mas eles se resguardam, fogem ou se adaptam, quando não modificam o ambiente em seu próprio proveito.

10. Diversidade.

Ao longo do tempo e espalhados pelo espaço, os organismos acabam por formar espécies diferentes. O gato, a onça e o leão surgiram como resultado das transformações, lentas e graduais, de espécies ancestrais que desapareceram. Existe vida na Terra há, pelo menos, 3 bilhões e 700 mil anos. Até hoje já foram publicadas as descrições de quase um milhão e meio de espécies diferentes, mas inúmeras outras continuam desconhecidas. Os grupos que têm maior número de espécies descritas são os insetos.

Sumário

- Características gerais dos seres vivos
- As Células
- Microscópios
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