Sucessão Ecológica

Os ecossistemas não são entidades fixas, estáticas no tempo; ao contrário, estão em constante modificação. Como se fossem organismos vivos, passam por vários estágios, desde a juventude até a maturidade. Chamamos sucessão ecológica ao processador de mudanças gradativas na constituição das comunidades que se sucedem no ecossistema.

Características estruturais de uma comunidade:

- Composição específica (espécies existentes);
- Abundância das espécies;
- Frequência relativa das espécies;
- Fidelidade das espécies (migrar ou não);
- Periodicidade das espécies;
- Estratificação e zonação;
- Diversidade da comunidade

Dinâmica da comunidade:

Sucessão ecológica: sequência gradual de estágios do desenvolvimento de uma comunidade ao longo do tempo, desde seus estágios iniciais até seu completo desenvolvimento.

Numa área resultante da queimada, por exemplo, quando abandonada, podem-se observar as etapas da sucessão ecológica: inicialmente, surgem gramíneas rasteiras, recobrindo o solo nu. Posteriormente aparecem arbustos. Com isso, o solo já não está mais muito aquecido e superiluminado, conservando melhor sua umidade. Com as modificações do solo, certas sementes que não podiam germinar agora podem.

Aparecem, com isso, as primeiras árvores. Ressurge a mata. Juntamente com as gramíneas e arbustos, os insetos e outros animais também aparecem e levam junto seus predadores.

Com essa lenta e progressiva sucessão, acaba se estabelecendo a chamada comunidade clímax, que será estável.

Nos exemplos que daremos a seguir, você perceberá que a comunidade existente num dado instante da sucessão modifica o ambiente físico de tal forma que estas modificações permitam a instalação de outra comunidade. As diversas comunidades vão se sucedendo até que se atinja um estágio de relativa estabilidade, chamado comunidade clímax, que se instala de modo permanente.

Discussão (análise) dessa sucessão:

Os ambientes (1) e (2) são oligotróficos, isto é, pobres em nutrientes.

O estágio (1) geralmente se apresenta profundo e rico em O2. A água é límpida e desprovida de vegetais. O fitoplâncton é o primeiro a aparecer (vegetação aquática pioneira).

No estágio (2), através da água da chuva, chegam arrastados terra e detritos orgânicos e portanto a lagoa vai ficando rasa. Aparecem decompositores que vão reciclando os nutrientes a partir da matéria orgânica morta, favorecendo a proliferação dos vegetais e o aumento do número de animais.

Os estágios (3) e (4) já apresentam eutroficação, ou seja, maior riqueza em nutrientes.

No estágio (3), geralmente pouco profundo, as águas se apresentam esverdeadas (presença de algas) e pobres em O2 porque os decompositores consomem.

Na sucessão de (3) para (4) o ambiente apresenta-se como pântano, charco ou brejo.

No estágio (4) inicialmente apresentam-se as plantas gramíneas. A terra (solo) vai ficando bem drenada, permitindo a instalação de arbustos que serão sucedidos por grande variedade de espécies de árvores acompanhadas das teias alimentares com os animais correspondentes. Assim, chega-se ao estágio de floresta, que é uma comunidade clímax.

Características do ecossistema

Eventos durante a sucessão

Composição em espécies

Mudar rapidamente no início, depois lentamente.

Diversidade das espécies

Aumenta, atingindo o máximo na clímax (grandes biomas).

Teia alimentar

Torna-se mais complexa (surgem novos nichos).

Biomassa total

Aumenta

Produtividade liquida (produtividade bruta - respiração)

Inicialmente é grande, vai diminuindo aos poucos, e tornando-se quase nula no estágio climático, uma vez que fotossíntese e respiração total ficam equilibradas, não havendo saldo energético.

 

Abundância das espécies:

Definida em função da densidade de suas populações.

Densidade: número de indivíduos que compõem a população de uma espécie em uma comunidade por unidade de área ou de volume.

 

A sucessão num ecossistema pode ser descrita como uma grande evolução em direção a uma grande diversidade, e, consequentemente, a um número de nichos ecológicos muito maior. No estágio clímax, é atingida uma estabilidade bem alta (homeostase), capaz de pronta resposta a um ambiente físico em flutuação.

1. Na "rocha nua"  (ambiente terrestre) a vegetação "pioneira" é representada pelos líquens. Com a liberação dos ácidos liquênicos a rocha compacta vai se decompondo e evolui para um "solo raso", que permite a instalação de pequenas plantas: musgos e gramíneas.

2. O aumento gradual da espessura e qualidade do solo já pode receber os arbustos e árvores.

3. Cada um dos estágios descritos é acompanhado pela instalação de diversas comunidades animais (consumidores), aumentando a diversificação biológica e seus nichos ecológicos.

Sucessão ecológica

Substituição gradual, ordenada, direcional e previsível de comunidades, resultante da modificação ambiental local pelos próprios organismos das comunidades que se sucedem no local, culminando com o estabelecimento de uma comunidade estável, denominada clímax.

Qualquer que seja o ponto de partida, a sucessão evolui para a comunidade clímax da região, que se manterá indefinidamente. Suponhamos que se arrase um trecho de caatinga no Nordeste e, em área vizinha, se plante grande número de árvores típicas de florestas. Se a caatinga é realmente o clímax da região, as duas zonas passarão por sucessões convergentes e, no fim de certo tempo, estarão ambas novamente cobertas de caatinga típica.

Tipos de sucessão

Sucessão primária: tem início em áreas que não haviam sido anteriormente alteradas por organismos.

Exemplo:

superfície de rochas recém-expostas, lavas recém-derramadas, dunas e lagoas recém-formadas.

Sucessão secundária: tem início em áreas que já foram ocupadas anteriormente por organismos.

Exemplo

campo de cultivo  abandonado, locais em que houve desmatamentos.

Ecésis ou ecese: estágio inicial de povoamento de certo número de espécies pioneiras.

Séries: comunidades que se instalam após as pioneiras.

Estágios jovens X estágios clímax

A necessidade humana de alimentos, deve utilizar os estágios iniciais de sucessão, onde a produtividade líquida é grande.

Os campos de cultura estão nos estágios iniciais das sucessões ecológicas, uma vez que são conservados como tais pela atividade do agricultor e de suas máquinas. Não são mais estáveis por terem poucos elos da teia alimentar. A fragilidade de tais comunidades fica evidente quando pragas atacam e exterminam as culturas humanas; num ecossistema mais diversificado, a expansão destas pragas seria controlada pelos seus inimigos naturais.

A única maneira provável de o homem contar com um ambiente produtivo e estável é contar com boa mistura de estágios iniciais e finais de sucessão. Estágios jovens ajudarão a alimentar estágios finais; estágios mais velhos ajudam a neutralizar os efeitos climáticos extremos, como tempestades, enchentes etc. Essa combinação favorável existe em várias áreas terrestres, onde culturas numa planície produtiva estão misturadas com florestas e pomares nos morros e montanhas vizinhos. 

A eliminação (corte) das árvores pode proporcionar lucros imediatos ao homem na venda da madeira; no entanto, o regime de águas da região poderá  modificar-se. Se água e terra não forem mais retidas pelas árvores, podem descer pelas encostas alterando seriamente a produtividade nas regiões planas.

Sumário

- Sucessão ecológica
- Tipos de sucessão
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