Outras funções excretórias

Efeitos da função renal anormal

Uma ocorrência frequente em várias formas de distúrbios renais é a presença, na urina, de proteínas, leucócitos, eritrócitos e cilindros, que são restos de material proteico precipitado nos túbulos e levados ao interior da bexiga. Outras consequências importantes de doenças renais são a perda da capacidade de concentrar ou diluir a urina, uremia, acidose e retenção anormal de Na+.

Proteinúria

Em muitas doenças renais em condições benignas, a permeabilidade dos capilares glomerulares aumenta e proteína é encontrada na urina em quantidade maior que a normal, ou seja, em traços (proteinúria). A maior parte destas proteínas é albumina e a deficiência é comumente chamada albuminúria, apesar de outras proteínas plasmáticas também estarem presentes. A quantidade de proteína encontrada na urina pode ser bem grande e, especialmente na nefrose, a perda urinária de proteínas pode exceder a taxa em que o fígado pode sintetizar proteína plasmática. A hipoproteinemia resultante reduz a pressão oncótica e o volume do plasma declina, às vezes a níveis perigosamente baixos, ocasionando o acúmulo de líquido edematoso nos tecidos.

Uremia

Quando os produtos finais do metabolismo proteico se acumulam no sangue, a síndrome conhecida por uremia se desenvolve. Os sintomas de uremia incluem letargia, anorexia, náuseas e vômito, deterioração mental e confusão, repelões musculares, convulsões e coma. Devido à depressão eritropoiética, a anemia é uma consequência proeminente da uremia crônica. O nitrogênio da ureia do sangue (NUS), nitrogênio não proteico (NNP) e a creatinina mantêm-se em níveis elevados e os níveis sanguíneos destas substâncias são usados como índices da severidade da uremia.

As substâncias tóxicas que causam os sintomas da uremia podem ser removidas por diálise do sangue dos pacientes urêmicos, por meio de um banho de composição adequada, em um rim artificial. Por repetidas diálises os pacientes podem ser mantidos com vida e saúde razoável por muitos meses, algumas vezes, mesmo quando são completamente anúricos, ou tiverem removido ambos os rins.

Enchimento da bexiga - micção

As paredes dos ureteres contêm musculatura lisa disposta em três camadas distintas. Contrações peristálticas regulares que ali ocorrem de 1 a 5 vezes por minuto, movem a urina da pelve renal à bexiga, onde penetra em pequenos jatos, sincrônicos com cada onda peristáltica.

A musculatura lisa da bexiga, da mesma forma que a dos ureteres, está disposta em três camadas. A contração da camada externa, o chamado músculo detrusor, é a principal responsável pelo esvaziamento vesical durante o ato de urinar.

É fundamentalmente um reflexo espinal, facilitado e inibido por centros cerebrais superiores e da mesma forma que a defecação, sujeita à facilitação e inibição voluntárias. A urina penetra na bexiga sem produzir grande aumento na pressão intravesical, enquanto este reservatório não estiver bem cheio. Além disso, tal como outros músculos lisos, o músculo vesical tem a propriedade da plasticidade, pois quando é estirado, a tensão inicialmente produzida não é mantida.

Inervação da bexiga e uretra no homem

fibras eferentes

nervos periféricos

estruturas inervadas

simpático

plexo hipogástrico superior e nervos hipogástricos

bexiga em geral; esfíncter interno

parassimpático

nervos pélvicos

detrusor; esfíncter interno

somático

nervos pudendos

esfíncter externo

O primeiro desejo de esvaziar é sentido com um volume vesical de 150 ml e uma acentuada sensação de plenitude com cerca de 400 ml.

Durante o ato de urinar os músculos perineais e o esfíncter uretral externo se relaxam, o músculo detrusor se contrai e a urina sai pela uretra. O esfíncter uretral interno, aparentemente, não influi na micção e sua principal função, acredita-se, é prevenir o refluxo de sêmen na bexiga durante a ejaculação.

Defesa do volume

O volume do líquido extracelular (LEC) é, fundamentalmente, determinado pela quantidade total de solutos, osmoticamente ativos. Na insuficiência adrenal o declínio no volume do LEC é devido não somente à perda de Na+ na urina, porém também a seu movimento para o interior das células. A reabsorção tubular de Na+ é incrementada, em parte, devido à secreção de aldosterona, que é controlada por um sistema de feedback, no qual, a alteração que inicia o aumento de secreção é um declínio na pressão intravascular média ou pressão de pulso, provavelmente na artéria renal.

A eliminação do excesso de Na+, também parece operar através de um mecanismo sensível ao volume de tal forma que, afeta a taxa de filtração glomerular porém também faz diminuir a reabsorção tubular de Na+ no túbulo proximal.

Defesa da composição iônica específica

Mecanismos reguladores especiais mantêm os níveis de certos íons específicos no líquido extracelular, bem como o nível de glicose e outras substâncias não ionizadas importantes ao metabolismo. O Ca2+ atuando sobre os paratiroides - mecanismo de autorregulação - controla a secreção de calcitonina por parte das suas células secretoras (tireoide), mantendo assim, o nível de cálcio iônico no LEC; o paratormônio das glândulas paratireoides, ao contrário, recolocam o Ca2+ na corrente circulatória. A concentração de magnésio (Mg2+) depende de uma regulação precisa, porém, os mecanismos envolvidos são ainda incompletamente compreendidos.

Os mecanismos reguladores do conteúdo de Na+ e K+, estão intimamente relacionados aos mecanismos que determinam o volume e tonicidade do LEC.

Defesa da concentração de H+

O equilíbrio ácido-básico consiste na manutenção da concentração de H+ no líquido extracelular. Os mecanismos reguladores da composição do líquido extracelular são particularmente importantes, mormente porque os mecanismos celulares são muito sensíveis a mudanças na concentração de H+.

O pH do plasma arterial é, normalmente, 7,40 e o do plasma venoso um pouco menor. Tecnicamente, há acidose quando o pH arterial está abaixo de 7,40 e há alcalose quando o pH está acima desse valor. No entanto, variações no pH até 0,05 unidades, não afetam o organismo.

Proteínas da dieta, contêm grupos sulfato e fosfato que, quando as proteínas são metabolizadas, permanecem como H2SO4 e H3PO4. O CO2 formado metabolicamente nos tecidos é em grande parte hidratado a H2CO3. A maior parte do CO2, entretanto, é excretada pelos pulmões, e pequenas quantidades de H+ desta fonte é excretada pelos rins.

Fontes extras comuns de fornecimento de ácido são o exercício extremo (ácido lático), cetose diabética (ácidos acetoacético e β-hidroxibutírico) e a ingestão de sais acidificantes como NH4Cl e CaCl2, que têm como efeito, acrescentar HCl ao organismo. Os rins doentes, impossibilitados de excretar a quantidade normal de ácido são, também, outra causa de acidose.

As frutas são as principais fontes de álcalis na dieta. Contêm sais de Na+ e K+ de ácidos orgânicos fracos e os ânions destes sais são metabolizados a CO2, deixando NaHCO3 e KHCO3 no organismo. O NaHCO3 e outros sais alcalinizantes são, às vezes, ingeridos em grande quantidade, porém, a causa mais comum de alcalose é a perda de ácido pelo organismo devido ao vômito do suco gástrico, rico em HCl. Isto é, com efeito, equivalente à adição de álcalis ao organismo.

Sumário

- Efeitos da função renal anormal  <br>
- Proteinúria<br>
- Uremia<br>
- Enchimento da bexiga - micção<br>
- Inervação da bexiga e uretra no homem<br>
- Defesa do volume <br>
- Defesa da composição iônica específica<br>
- Defesa da concentração de H+  <br>
- Tamponagem <br>
- Osmorregulação

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