Gravidez - Parto e lactação

Fertilização e implantação

As probabilidades de encontro entre o gameta masculino e o gameta feminino dependem de numerosos fatores.

No caso dos mamíferos, os espermatozoides inseminados nas vias femininas devem subir até a extremidade distal do oviduto - tuba uterina ou trompa de Falópio - onde encontra-se o óvulo ( ovócito II ) após a postura ovárica. Uma vez penetrado o ovócito II pelo espermatozoide, será completada a divisão celular; este processo é desencadeado pelas enzimas do lisossomo contidas no acrossomo do gameta masculino.

Os espermatozoides devem subir desde a vagina ou desde o útero até o lugar da fecundação. A subida dos espermatozoides é um fenômeno frequentemente rápido.

Dois fatores determinam a progressão dos espermatozoides: sua motilidade e o papel ativo das vias femininas. Em certos casos, a motilidade não pode por si só dar conta da rapidez da subida dos espermatozoides, portanto os movimentos peristálticos do útero são importantes em relação à deslocação autônoma dos gametas masculinos. Os movimentos peristálticos do útero estão relacionados com a liberação de ocitocina - produzido pelo hipotálamo - através da neuro-hipófise, local de seu armazenamento. A descarga de ocitocina corresponde a um reflexo tato-hipotálamo-hipofisário determinado pela cópula.

Salientamos a quantidade prodigiosa de espermatozoides emitidos no momento da cópula, entre alguns mamíferos (no homem, no volume de 3,5 - 4,0 ml de sêmen ejaculado, encontram-se aproximadamente 400 milhões de espermatozoides). O número de espermatozoides observados no local da fecundação é sempre muito reduzido.

Somente um espermatozoide penetra no ovócito II, porque cada ovócito II depois de fertilizado forma, ao redor de si, uma barreira que normalmente impede a penetração de outros espermatozoides.

O zigoto resultante da fecundação desce pela tuba, impelido pelos cílios vibráteis que a revestem por dentro. O desenvolvimento do embrião, neste momento, chamado blastocisto, caminha pela tuba uterina em direção ao útero.

Uma vez em contato com o endométrio, o blastocisto torna-se envolvido por uma camada externa, o sinciciotrofoblasto, uma massa multinucleada, na qual não se distingue as bordas celulares. Forma-se ainda, uma camada interna, o citotrofoblasto, constituída de células individuais.

O sinciciotrofoblasto erosiona o endométrio e o blastocisto penetra-o (implantação). Frequentemente, o sítio de implantação é na parede dorsal do útero. Deste modo, desenvolve-se a placenta e o trofoblasto permanece a ela associado.

Gravidez de Gêmeos

Gêmeos podem ser fraternos ou univitelinos. Gêmeos fraternos (dizigóticos ou bivitelinos) originam de dois (ou mais) zigotos. Como estudamos, a cada ciclo menstrual, a mulher normalmente libera apenas um óvulo. No caso de gêmeos fraternos, a mulher extraordinariamente disponibiliza dois (ou mais) óvulos no mesmo ciclo e cada óvulo é fecundado por um espermatozoide diferente. Nesse caso, os irmãos são gêmeos, pois se desenvolvem simultaneamente. Contudo, suas cargas genéticas são distintas. Os irmãos podem ser tão semelhantes ou diferentes quanto dois irmãos que não sejam gêmeos. Podem ser do mesmo sexo ou de sexos diferentes.

Gêmeos podem também ser univitelinos ou monozigóticos (monovitelinos). Gêmeos univitelinos originam-se da fecundação de um óvulo por um espermatozoide. Nesse caso, houve a liberação de apenas um óvulo pela mulher. O único zigoto se separa em duas (ou mais) partes, resultando no desenvolvimento de dois (ou mais) embriões. Como os embriões originaram do mesmo zigoto, são idênticos geneticamente. Portanto, são sempre do mesmo sexo.  Podem dividir a mesma placenta ou possuir placentas separadas, mas cada um deles possui seu próprio cordão umbilical. Mesmo possuindo o mesmo genótipo, gêmeos univitelinos apresentam algumas diferenças, pois podem apresentar fenótipos diferentes. Com exceção dos gêmeos univitelinos, não há dois indivíduos cujo DNA seja idêntico.

Graças aos tratamentos de fertilidade e às técnicas de reprodução assistida, ovulações múltiplas têm se tornado mais frequentes, tornando mais comum a gravidez de gêmeos.

In vitro 

A fertilização in vitro é uma técnica que ajuda casais com problemas de fertilidade a ter filhos. Para realizar a fecundação in vitro, os médicos coletam o óvulo da paciente e o fertilizam, em laboratório, com os espermatozoides do pai. O óvulo começa a se dividir e torna-se um embrião dentro de um fluido nutritivo. Em seguida, é implantado no útero da mãe. Os médicos costumam inserir vários embriões para aumentar as chances de sucesso do tratamento.

Durante a Gravidez

A placenta é um órgão discoide, amplo ao fim da gravidez, com cerca de 20 cm de diâmetro, tendo uma face vilosa, como uma toalha, voltada para a parede uterina, na qual suas vilosidades têm certa penetração, e uma face lisa, brilhosa, membranosa, com grandes vasos sanguíneos visíveis, voltada para o concepto. A partir desta última, saindo-lhe da região mais central, vê-se o cordão umbilical, que liga a placenta à criança. O sangue que circula pelo cordão umbilical e pela placenta é sangue embrionário ou fetal. Mas ao nível microscópico das vilosidades coriais da placenta, incrustadas na mucosa uterina, verificam-se as trocas feto-maternas, de natureza respiratória e metabólica.

Assim, ainda que hemácias, leucócitos e plaquetas da mãe não passem para a circulação do filho, nem vice-versa, o oxigênio, a água e os nutrientes (glicose, aminoácidos, vitaminas, sais minerais), além de anticorpos e outras substâncias, fluem constantemente através da barreira placentária no sentido mãe-filho.

Ao mesmo tempo, indiferente ao fato de que os elementos figurados sanguíneos do concepto não passam para o sangue materno, a circulação embrionária ou fetal está continuamente descarregando no sangue da mãe o CO2 resultante da atividade respiratória em todos os tecidos e órgãos da criança, além de outros produtos de excreção, como a ureia, a creatinina, etc. Assim, não há mistura entre sangue materno e sangue fetal, mas há, indiscutivelmente, trocas gasosas e metabólicas entre eles.

É assim que os anticorpos maternos se transferem para o filho, ainda durante a gravidez. Isso explica por que as crianças, ao nascer, se mostram imunes a numerosas doenças infectuosas, notadamente aquelas ditas "doenças próprias da infância", como sarampo, catapora, coqueluche, caxumba, e outras, não próprias da infância, como a difteria e a tuberculose. Essa imunidade passiva, entretanto, termina por volta dos 6 meses de idade, quando os anticorpos recebidos congenitamente já foram totalmente metabolizados pelo organismo da criança, uma vez que tais anticorpos são heterólogos, isto é, não produzidos por ele mesmo.

Durante a gravidez, a mulher está sujeita a algumas afecções ou distúrbios, que precisam ser logo sanados. Não tratadas, essas perturbações podem evoluir para complicações graves, que ponham em risco a vida do bebê e, às vezes, a da própria gestante. A hipertensão arterial (pressão alta do sangue), acompanhada de edemas (inchação dos pés, pernas e/ou rosto e braços), pode ser um dado indicativo de que o organismo não está funcionando bem no seu metabolismo, na atividade hepática e, sobretudo, renal. Esse pode ser um elemento diagnóstico sugestivo de toxemia gravídica, um estado de anormalidade funcional que precede a eclâmpsia. Na eclâmpsia, a mulher tem convulsões, fica inconsciente, evolui para o coma e, muito frequentemente, para o óbito.

A anemia, a perda de albumina pela urina, o aumento exagerado de peso a cada mês, a intensificação dos corrimentos vaginais pelas mudanças do pH intravaginal, facilitando a proliferação de parasitas ali previamente encontrados, e muitos outros problemas que eclodem com a gestação podem ser contornados e sanados se a gestante procurar, logo no início da gravidez, um serviço especializado de Obstetrícia e der início ao seu tratamento pré-natal.

Mensalmente ou oportunamente, seu médico pré-natalista solicitará exames laboratoriais de sangue, de urina, ultra-sonografia e outros mais especializados, detectando qualquer desvio da normalidade. Modernamente, a ultra-sonografia ou ecografia veio substituir admiravelmente os raios X, permitindo ver-se o que se passa dentro do corpo sem os riscos da radioatividade, que impunham os exames radiológicos. A cardiotocografia, por exemplo, é um outro exame especializado que torna possível registrar as respostas do feto a estímulos externos, como o ruído abrupto de uma buzina de bicicleta junto ao ventre materno. Por esse exame, também pode-se avaliar o funcionamento do coração fetal, como se fosse uma espécie de eletrocardiograma do bebê antes de nascer.

Pela ultra-sonografia, pode-se saber até o sexo da criança antes do nascimento. Num bom Serviço Ambulatorial de Obstetrícia, a gestante pode obter, durante seu pré-natal, assistência médica e orientação psicológica, nutricional, higiênica e social, oferecidas por psicólogos, nutricionistas, enfermeiras e assistentes sociais.

Durante a gestação, a mulher deve ter um acompanhamento médico eficiente no seu tratamento pré-natal. A sua dieta deve ser equilibrada, rica em proteínas e carboidratos e parcimoniosa em lipídios. Como a gravidez, geralmente, impõe uma certa anemia à paciente, o médico indica sempre um complemento vitamínico, com sais minerais, que, ingerido às refeições, pode suprir as deficiências de ferro (para a formação de hemoglobina), de cálcio (para a estruturação dos ossos do bebê), e de diversos outros elementos indispensáveis ao metabolismo da mãe e do filho em formação.

Modificações endócrinas

Em todos os mamíferos, o corpo lúteo, por ocasião da fertilização, não regride, ao contrário, aumenta em resposta à estimulação pelos hormônios gonadotróficos, secretados pela placenta, isto é, a gonadotrofina placentária humana, chamada gonadotrofina coriônica humana (HCG). O grande corpo lúteo gravídico secreta estrógenos e progesterona.

Por outro lado, a placenta humana secreta estrógenos e progesterona em quantidades suficientes para substituir a função do corpo lúteo, depois do terceiro mês de gravidez. Surgem modificações degenerativas no corpo lúteo depois do 5o mês, mas ele persiste por toda a gravidez.

À medida que a gravidez progride, a secreção do HCG diminui, mas a secreção de estrógenos e progesterona aumenta até pouco antes do parto.

Gonadotrofina coriônica humana (HCG)

O HCG é uma glicoproteína. Sua ação é principalmente luteinizante e luteotrófica, possuindo ainda um pequena atividade FSH.

Sua presença na urina é a base para vários testes de laboratório para diagnóstico precoce da gravidez. O hormônio pode ser detectado na urina, algumas vezes muito precocemente, 14 dias após a concepção.

Parto

A duração da gravidez é, regra geral, de 270 dias a partir da fertilização, ou 284 dias a partir do primeiro dia do período menstrual precedente à concepção.

As contrações uterinas, irregulares, aumentam a frequência no último mês da gravidez. O miométrio torna-se extraordinariamente sensível à ocitocina no fim da gravidez e pode-se demonstrar, claramente, que uma vez iniciado o trabalho de parto, os estímulos originados no trato genital, condicionam, por via reflexa, a secreção daquele hormônio, o qual, por sua vez, aumenta as contrações uterinas.

Sumário

- Fertilização e implantação
i. Gravidez de Gêmeos
ii. In vitro
- Durante a Gravidez
i. Modificações endócrinas
ii. Gonadotrofina coriônica humana (HCG)
iii. Parto
iv. Lactação
v. Retorno do ciclo menstrual após o parto
vi. Química, biossíntese e metabolismo dos estrógenos
vii. O trabalho de parto
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