Glândulas anexas do sistema digestivo

O tubo digestivo vai da boca ao ânus e tem ligação com as glândulas anexas: as salivares, o fígado e o pâncreas.

Boca

Na boca geralmente estão presentes estruturas relacionadas com a captura, manipulação e trituração do alimento, além de glândulas produtoras de muco e enzimas, entre outras.

Enquanto é mastigado, o alimento se embebe de saliva, produzida por três pares de glândulas salivares , as parótidas, as submandibulares e as sublinguais. A saliva contém uma enzima digestiva, a amilase, que decompõe o amido. Os canais das glândulas salivares desembocam na boca.

As glândulas parótidas estão situadas ao lado dos ouvidos. Produzem uma saliva líquida e serosa, rica em enzimas e pobre em muco (uma glicoproteína).

As glândulas submandibulares ficam na base posterior da mandíbula. Produzem uma saliva viscosa e rica em glicoproteína (o muco). As glândulas submandibulares secretam cerca de 70% do total da saliva.

As glândulas sublinguais situam-se embaixo da língua. São as menores glândulas salivares e produzem uma saliva muito densa, que perfaz 5% do total de saliva secretada.


Sistema digestório

A presença do alimento na boca estimula a liberação de quimiorreceptores pelo sistema nervoso que agem sobre as glândulas salivares estimulando-as a produzir saliva . O cheiro ou o simples fato de pensar em um alimento agradável também estimula a salivação.

Os dentes são estruturas ósseas formadas principalmente por fibras colágenas e cristais de hidroxiapatita. Compreendem vários formatos, cada um adaptado a determinada função. Os incisivos cortam; os caninos rasgam; e os molares trituram o alimento.


Boca humana

Ao entrar na boca, o alimento sofre imediatamente a ação mecânica da mastigação . Os dentes, impulsionados pelo movimento das mandíbulas, quebram o alimento em pequenas partes. A mastigação é facilitada pela saliva, que umedece e lubrifica o alimento. A língua auxilia no movimento do alimento na boca e na mistura com a saliva, permitindo que seja engolido mais facilmente.

As bactérias que vivem na boca humana alimentam-se dos restos de comida que ficam entre os dentes. Na presença de açúcar, essas bactérias se multiplicam aceleradamente, formando placas bacterianas sobre os dentes. As bactérias das placas produzem ácidos que corroem o esmalte dental, causando cáries.

Podem-se prevenir as cáries evitando o consumo excessivo de alimentos ricos em açúcar e mantendo os dentes limpos, por meio da escovação e do uso de fio dental.

O tratamento das cáries é feito pela remoção da parte lesada do dente com brocas apropriadas, seguida da vedação da cavidade dentária com substâncias inertes, tais como resinas, porcelana ou metais (amálgamas de chumbo ou ouro).

Pâncreas

É uma glândula de mais ou menos 15 cm de comprimento e formato triangular, localizada na alça formada pelo duodeno, sob o estômago. Secreta o suco pancreático, que é lançado no duodeno. Este suco é uma solução aquosa, que além das enzimas, é rico em bicarbonato (alcalino), o qual misturando-se ao quimo, neutraliza sua acidez.

O pâncreas comunica-se com o dudodeno pelo conduto de Wirsung ou canal pancreático. Cerca de 1,2 litro de suco pancreático é secretado diariamente no duodeno.

Existem dois tipos de células secretoras no pâncreas: as que secretam enzimas digestivas, reunidas em estruturas denominadas ácinos, e as que secretam os hormônios insulina e glucagon, reunidas em estruturas denominadas ilhotas de Langerhans.

As enzimas do suco pancreático são uma amilase, uma lipase e uma protease (tripsinogênio) sob a forma inativa. O tripsinogênio é convertido em tripsina ativa pela ação da enzima enteroquinase , produzida pela parede intestinal, em pH básico (8,5). Há também, no suco pancreático, ribonucleases e desoxirribonucleases, que digerem, respectivamente, RNA e DNA.

Fígado

É a maior glândula do organismo e possui funções múltiplas e complexas. Elas incluem a formação da bile, reservatório de carboidratos (glicogênio), controle do metabolismo de carboidratos; metabolização dos hormônios esteroides produzidos nas glândulas suprarrenais e nas gônadas (ovários); desintoxicação de muitas drogas e toxinas; síntese de proteínas plasmáticas (protrombina); inativação de hormônios polipeptídicos; formação de ureia; muitas e importantes reações de metabolização de gorduras.

A função digestiva do fígado é a produção da bile, uma solução que contém principalmente moléculas com ação similar à de um detergente. Essa substância atua na solubilização das gorduras (emulsão) ao permitir a ação de enzimas específicas (em solução aquosa) capazes de degradá-las.

O fígado apresenta um canal de ligação com o duodeno chamado duto colédoco. Independentemente da presença de alimento no tubo digestivo, o fígado produz continuamente cerca de 800 ml de bile a cada dia. A bile produzida no fígado é armazenada em uma bolsa com cerca de 10 cm denominada vesícula biliar.

As hemácias velhas e rompidas liberam a hemoglobina que é degradada até bilirrubina, a qual está ligada à albumina da circulação. A bilirrubina é levada para as células do fígado onde se liga às proteínas plasmáticas. Uma parte escapa para a circulação sanguínea e será excretada na urina. A maior parte da bilirrubina vai para o intestino, através dos canais biliares e será eliminada com as fezes.

Quando há o acúmulo de bilirrubina livre, ou conjugada a proteínas do sangue, a esclerótica, a pele e as membranas mucosas se tornam amareladas. Este amarelecimento é conhecido como icterícia. A hiperbilirrubinemia pode ser perigosa, devido ao depósito deste catabólito na bainha gordurosa (mielina) dos neurônios, causando lesões importantes no sistema nervoso.

A presença de cálculos ("pedras") na vesícula biliar, ou no canal biliar é consequência do aparecimento de substâncias estranhas na bile, por exemplo, o bilirrubinato de cálcio que é altamente insolúvel na bile. Cristais de colesterol podem se formar quando são alteradas as proporções de colesterol, lecitina (gordura) e sais biliares na bile; gradualmente, esses cristais se aglomeram para formar os cálculos.

Uma doença "comum" do fígado é a cirrose, que surge por necrose do tecido normal com a sua substituição por tecidos adiposo e fibroso. A cirrose é frequente nos casos de alcoolismo ou excesso de drogas e toxinas. Os pacientes com cirrose ficam com graves problemas metabólicos, especialmente deficiências de absorção, metabolização e síntese de várias substâncias.

Sumário

- Boca
- Pâncreas
- Fígado
- Intestino grosso e as bactérias intestinais
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