Alergia é uma hipersensibilidade desenvolvida em relação a determinados tipos de substâncias – alergênios – que normalmente não desencadeiam resposta imune. Existem pessoas alérgicas a substâncias presentes em pelos de animais, a pólen de certas plantas, a crustáceos ou moluscos, à penicilina etc.

A reação alérgica pode variar de pessoa para pessoa, dependendo do tipo de alergênio que a provoca. Alergia a pelos de animais, por exemplo, costuma provocar inflamação das mucosas, com lacrimejamento dos olhos e secreção nasal abundante. Já alergia a substâncias contidas em alimentos pode provocar vômitos e diarreias. Em muitos tipos de alergia, a musculatura lisa dos bronquíolos se contrai, provocando estreitamento das vias respiratórias e dificultando a respiração.

As alergias são causadas pela presença de um tipo particular de anticorpo, a imunoglobulina E (IgE), capaz de reconhecer e se ligar ao alergênio. A imunoglobulina E está normalmente aderida à superfície de um tipo especial de célula dos tecidos conjuntivos, o mastócito. Quando moléculas de alergênio se ligam às moléculas de IgE presas à membrana do mastócito, este reage, liberando histamina, a substância responsável pelo processo inflamatório. Os sintomas das alergias são decorrentes de processos inflamatórios em regiões específicas do corpo. Drogas que inibem a ação da histamina, os chamados anti-histamínicos, aliviam os sintomas da alergia.

Os basófilos (0,5%) e eosinófilos ou acidófilos (1 a 3%) são leucócitos do sangue humano e estão relacionados com reações alérgicas. Eles contêm cerca de metade de toda a histamina presente no sangue. Essa substância provoca reações alérgicas, destinadas a proteger o organismo de substâncias estranhas.

A histamina faz os capilares sanguíneos se dilatarem e atraírem plasma sanguíneo, a parte líquida do sangue. Com o plasma, vão muitos leucócitos, que saem dos capilares (diapedese) e travam luta corporal com os micróbios. No local de ferimento fica inchado, quente, vermelho e dolorido. Às vezes lateja, se sentimos as contrações cardíacas repercutirem na região intumescida. Pode formar-se pus, que contém células e micróbios mortos. É a inflamação.

Os nódulos linfáticos, dilatações dos vasos linfáticos, podem ficar inchados e doloridos (íngua) na região do ferimento. Podemos apalpá-los no pescoço, debaixo dos braços ou na virilha. Os nódulos linfáticos representam uma linha de defesa que impede a disseminação, pelo resto do corpo, dos micróbios trazidos da ferida pelos vasos linfáticos.

Conteúdo microbiano do ar

O ar contém diversas espécies de germes, em grandes ou pequenos números, numa faixa que abrange o ambiente humano imediato até diversas milhas acima da superfície da terra.

O grau de contaminação do ar interno é influenciado por fatores tais como as taxas de ventilação, o número de pessoas que ocupam o ambiente, a natureza e o grau de atividade exercida por esses indivíduos. Os microrganismos são expelidos em gotículas do nariz e da boca durante o espirro, a tosse ou, até mesmo, o falar. Essas gotículas têm dimensões que variam desde micrômetros (10-3 mm) até milímetros. As que se situam na faixa micrométrica podem permanecer em suspensão durante muito tempo, mas as maiores sedimentam rapidamente, como poeiras, em diversas superfícies. Esta poeira se torna veiculada pelo ar, intermitentemente, nos períodos de atividade no interior do recinto. As roupas de cama são densamente contaminadas por microrganismos; assim sendo, os atos domésticos de se arrumarem as camas aumentam, em muito, os microrganismos existentes no ar circulante.

A sobrevivência dos germes por tempo relativamente longos nas poeiras cria importantes riscos, particularmente em áreas hospitalares, o que, sem qualquer dúvida, contribui para o desenvolvimento de doenças hospitalares, doenças causadas ou agravadas pela vida hospitalar. A partir dos pisos de sanatórios foi possível isolar bacilos da tuberculose; bacilos da difteria e estreptococos hemolíticos foram encontrados na poeira do assoalho, nas proximidades de pacientes ou de portadores desses organismos.

O conteúdo bacteriano do ar interno varia sob diversas condições. Nos momentos em que os recintos ficam vazios, há uma queda no conteúdo microbiano desse ar interno.

A superfície da terra – regiões terrestres e oceanos – representa a fonte dos microrganismos encontrados na atmosfera. Os ventos levantam a poeira do solo; as partículas de pó carregam os microrganismos, habitantes da terra. Quantidades grandes de água, sob a forma de gotículas, são introduzidas na atmosfera, partindo das superfícies de oceanos, baías e outras coleções naturais de água. A maior parte dessas gotículas é produzida pela ruptura de bolhas de ar na superfície aquática. Fato adicional importante é o de que a camada superficial da água, a microcamada (com menos do que 1/10 de mm de profundidade), contém maior número de germes do que as camadas mais profundas. Resulta que as gotículas emergentes dessa microcamada podem contribuir, de modo significante, para a formação da flora microbiana existente acima da água.

Em acréscimo a esta origem global dos germes encontrados na atmosfera, há muitas instalações industriais, agrícolas e municipais que têm a potencialidade de produção de aerossóis (gotículas capazes de permanecer em suspensão durante um certo tempo) microbianos. Alguns exemplos são mencionados a seguir:

1. Irrigação de lavouras e de florestas com efluentes de esgoto, mediante uso de borrifadores.

2. Grandes operações de debulhamento.

3. Filtros gotejadores em instalações de despejo de esgotos.

4. Matadouros e instalações de distribuição.

Nas proximidades da superfície da terra, foi possível isolar,do ar, algas, protozoários, leveduras, bolores e bactérias. Tais amostras foram colhidas de uma área industrial, ao longo de um período de vários meses. Esporos de bolores constituem a maior parte da microflora aérea. Os fungos predominantes pertencem às espécies do gênero Cladosporium.

Bactérias e esporos de bolores foram identificados muito acima da superfície terrestre. Sua origem primária aponta o solo e a vegetação, assim como o mar.

A turbulência do ar dissemina os germes, que são levados até grandes distâncias pelas correntes aéreas. A intensidade da contaminação microbiana é influenciada por uma série complexa de condições, começando com sua dispersão a partir da superfície da terra, a hora do dia, a estação do ano, juntamente com outras situações de ordem climática, capazes de influenciar sua disseminação ou sua sobrevivência.

Alergia e poeira

Existem diversas espécies de ácaros encontradas no pó domiciliar de residências humanas. Nestes ambientes, eles fazem ninhos, reproduzindo-se em tapetes, colchões, carpetes, roupas de cama, móveis estofados e espaços de assoalhos e rodapés, onde se apresentam condições ambientais favoráveis: umidade, temperatura e alimentação, representado em grande parte por descamações do epitélio humano e dos animais domésticos.

Os colchões, estofados, travesseiros e as almofadas apresentam-se como os melhores lugares para o seu desenvolvimento, sendo o colchão o que mantém as condições próximas do ideal e mais constantes no decorrer do dia. É no colchão que o corpo do homem fornece, através de sua transpiração, temperatura, umidade e descamações, um microssistema ideal para a sobrevivência e reprodução dos ácaros.

A descamação corpórea junta-se ao complexo ecossistema do pó domiciliar e a outros componentes, como as poeiras inorgânicas, epitélios e pelos de animais, polens de variadas origens, dejetos e restos corporais de insetos, como o das baratas, e também esporos de fungos.

Todo esse ecossistema incrementado pelo tipo de vida moderno, típico das grandes cidades, faz com que o domicílio humano tenha as condições ideais para o aumento das populações acarinas e consequentemente das manifestações alérgicas.

O pó domiciliar apresenta muitas diferentes espécies de ácaros, que variam de uma região para outra, mesmo dentro de uma mesma cidade. É no aspecto físico que o controle dos ácaros encontra seus melhores métodos. A aspiração sistemática de pó do recinto, com um aparelho de bom poder de sucção, eliminando-se papéis e todos os acessórios dispensáveis, evitando-se dessa forma o máximo possível de acúmulo de partículas inorgânicas e orgânicas que possam viabilizar o habitat dos ácaros, ainda constitui uma medida auxiliar geral de boa lógica.

Há determinadas épocas do ano, em que os ácaros são encontrados com frequência aumentada. Contam-se quantidades de ácaros superiores a 1.000/g de pó domiciliar examinado; esses achados geralmente provêm de coletas efetuadas em colchões com mais de cinco anos de uso, e sofás, tecidos e carpetes de fibra vegetal.

Cuidados especiais devem ser aplicados na limpeza sistemática de colchões e travesseiros, quinzenal ou mesmo semanalmente, com exposição ao sol em local arejado. Medida auxiliar eficaz tem sido o revestimento de colchões e travesseiros, com tecido impermeável, tipo poliéster, em uma de suas faces e com revestimento de algodão corpóreo, bloqueando importante fator no ciclo do desenvolvimento dos ácaros. A aplicação de xampus e outros produtos para a lavagem de colchões e carpetes tem se mostrado, com suas formulações atuais, completamente ineficaz.

A melhor maneira de se lavar carpetes e colchões, de forma comprovada, é com água aquecida ou vapor aquecido com temperatura acima de 60oC. Esse tratamento reduz de forma drástica a massa antigênica, mesmo a já aderida.

Rinite alérgica

É uma inflamação das mucosas que revestem as cavidades nasais, devido a processos alérgicos. Como consequência da inflamação, as células passam a produzir excesso de muco, parte do qual escorre pelas narinas.

Surtos repetidos de rinite alérgica em crianças podem causar obstrução nasal definitiva, que leva a alterações ósseas na base do crânio.

Reações a irritações das vias aéreas

O espirro e a tosse são respostas reflexas causadas pela irritação de receptores na mucosa das grandes vias aéreas. A irritação das paredes da traqueia ou dos grandes brônquios produz tosse que se inicia com uma inspiração profunda seguida de expiração forçada contra a epiglote fechada. A epiglote então se abre subitamente, causando um efluxo explosivo do ar com velocidade até 960 km/h.

O espirro é um esforço expiratório semelhante mas com a epiglote sempre aberta. Esses reflexos contribuem para expelir irritantes e manter as vias aéreas livres.

Asma brônquica

É doença pulmonar caracterizada pela diminuição do calibre (constrição) dos bronquíolos. A asma pode ter causas diversas, sendo a mais comum a alérgica. Existe, porém, forte componente emocional no desencadeamento da crise de asma.

A crise asmática ocorre quando a musculatura lisa dos bronquíolos se contrai espasmodicamente. A mucosa que reveste internamente os bronquíolos incha e passa a produzir mais secreção, o que contribui para diminuir ainda mais o calibre das vias respiratórias. A obstrução dos bronquíolos causa sufocamento parcial, com aumento do esforço respiratório. A dificuldade respiratória prejudica a oxigenação do sangue e, em casos muito graves, pode ocorrer cianose (coloração azulada da pele e das mucosas), provocada pelo acúmulo de gás carbônico no sangue.

Choque anafilático

Os processos que protegem o organismo contra células invasoras podem, igualmente, produzir efeitos indesejáveis, coletivamente denominados alergia ou hipersensibilidade. Um efeito extremo em especial é a anafilaxia, reação a substâncias estranhas, que pode acontecer após repetidas exposições ao mesmo antígeno.

A anafilaxia, que pode ser tão grave a ponto de causar a morte, é devida a uma reação antígeno-anticorpo, da qual resulta grande liberação de histamina. Em alguns indivíduos pode ocorrer a anafilaxia por picadas de abelhas ou vespas ou pela injeção de drogas, como a penicilina. Entre as reações anafiláticas menos severas incluem-se a inalação de alérgenos, como polens, ou a ingestão de certos alimentos, todos envolvendo as imunoglobulinas E (IgE).

Poucos minutos após a substância alergênica ter penetrado no corpo, há uma reação alérgica generalizada: mastócitos liberam histamina, que entra na circulação sanguínea e provoca dilatação abrupta dos vasos periféricos, com queda da pressão arterial. O choque anafilático pode ser tratado pela injeção de epinefrina (adrenalina), uma droga vasoconstritora.

Sumário

- Conteúdo microbiano do ar
- Alergia e poeira
- Rinite alérgica
- Reações a irritações das vias aéreas
- Asma brônquica
- Choque anafilático
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