Segunda Fase do Modernismo no Brasil

Segunda Fase do Modernismo no Brasil

Contexto Histórico

À época do Segundo Tempo Modernista, o Brasil vivia o seguinte contexto:

  • 1929 - crise da Bolsa de Nova Iorque - depressão no mundo capitalista - Brasil - crises econômicas - "crise do café" - queda no preço e nas exportações - fechamento de fábricas, salários baixos, desemprego - pânico, fome e desespero entre o povo;
  • Revolução de 1930 - movimento envolvendo, de um lado, parte da oligarquia brasileira - insatisfeita com o predomínio dos senhores do café e apoiada por outros setores descontentes da sociedade , como os jovens tenentes e as classes médias urbanas - e, de outro, governantes da República Velha - Aliança Liberal X República Velha - ascensão de Getúlio Vargas ao poder:
    • centralização do poder - fim da autonomia dos Estados;
    • medidas industrializantes;
    • autoritarismo - repressão, torturas, exílio para os opositores do governo;
    • cerceamento da produção cultural - censura prévia;
    • popularização do futebol e oficialização do carnaval;
    • época áurea do rádio - primeiro meio de comunicação de massa no Brasil;
    • aparecimento do samba-canção - Noel Rosa, Pixinguinha, Ataulfo Alves, Dorival Caymmi, Francisco Alves, Carmem Miranda, Vicente Celestino.
  • 1932 - Revolução Constitucionalista em São Paulo - tentativa de reconquistar a hegemonia perdida, com o pretexto de exigir a constitucionalização do país;
  • 1935 - movimento comunista em prol da instauração do Socialismo no país - Aliança Nacional Libertadora;
  • 1938 - Revolta Integralista - combate ao Comunismo e proposta de organização de um Estado forte, baseado nas corporações profissionais;
  • 1942 - entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, a favor do Aliados - declaração de guerra à Itália e à Alemanha;
  • 1944 - partida da Força Expedicionária Brasileira para a Itália;
  • 1945 - fim da Segunda Guerra Mundial;
    • queda de Getúlio Vargas - fim do Estado Novo;
    • eleição de Eurico Gaspar Dutra.

Características do Modernismo no Brasil 

A literatura do Segundo Tempo Modernista apresentou as seguintes características:

  • Certo recuo em relação às propostas mais radicais da "Fase Heroica";
  • Consolidação das conquistas novas da primeira geração;
  • Generalização e aprofundamento da mistura de estilos;
  • Ampliação da temática para o universal - preocupação existencial de pretensões universalistas - o tempo, o amor e a morte novamente enfocados, sob nova perspectiva;
  • Preocupação religiosa e filosófica na poesia ;
  • Poesia:
    • tensão ideológica e filosófica - Carlos Drummond de Andrade;
    • cunho religioso e espiritualista - Grupo "Festa": Cecília Meireles, Vinícius de Moraes (1a. fase), Augusto Frederico Schmidt, Jorge de Lima;
    • influências do Surrealismo - Murilo Mendes;
    • Prosa:
    • neorrealismo regionalista e social - Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Raquel de Queirós, José Américo de Almeida, Jorge Amado;
    • romance psicológico - Érico Veríssimo, Cornélio Pena, Marques Rebelo, Ciro dos Anjos e outros.

Cecília Meireles

Cecília Meireles nasceu no Rio de Janeiro (1901) e lá morreu, em 1964. Nasceu órfã de pai e perdeu a mãe aos três anos de idade; foi educada pela avó materna, uma senhora portuguesa. Sempre voltada para os estudos e a leitura, inclinou-se também para a Música. Dedicou-se ao magistério infantil por longo tempo; lecionou Literatura Brasileira na Universidade do Distrito Federal e na Universidade do Texas, de 1936 a 1940.

Viajou por muitos países, como Portugal, México e Índia, que lhe inspiraria o livro Poemas Escritos na Índia. Aproximou-se do grupo da revista Festa, no início de sua carreira literária. Faleceu no Rio de Janeiro, recebendo postumamente o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras.

Principais obras:

  • Espectros
  • Viagem
  • Vaga Música
  • Mar Absoluto
  • Retrato Natural
  • Romanceiro da Inconfidência
  • A Rosa
  • Metal Rosicler
  • Poemas Escritos na Índia
  • Poemas Italianos
  • Seleta em Prosa e Verso

Características de sua poesia:

  • neossimbolismo: herança simbolista nos temas e formas de sua poesia;
  • tônica de sua poesia: o sentimento da transitoriedade da vida;
  • sentimento da ausência e do nada;
  • visão própria do mundo, associações sensoriais;
  • universalismo - abrangência temática;
  • três constantes fundamentais: o oceano, o espaço e a solidão;
  • sensações e imagens recorrentes: o silêncio, a sombra, o indefinido;
  • poesia fluida, mística, misteriosa;
  • musicalidade, misticismo lírico;
  • verso curto, ritmo leve e ligeiro - impressões vagas;
  • Principais obras: Espectros; Viagem; Vaga música; Mar absoluto; Retrato natural; Romanceiro da Inconfidência; A rosa; Metal rosicler; Poemas escritos na Índia; Poemas italianos; Seleta em prosa e verso
  • Destaque para os poemas "Modinha", "Motivo", "Reinvenção", "Epigrama", "A Doce Canção", "Interpretação", "Inscrição", "Canção Quase Triste".

Textos escolhidos:

Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

Epigrama
A serviço da Vida fui,
a serviço da Vida vim;
só meu sofrimento me instrui,
quando me recordo de mim.
(Mas toda mágoa se dilui:
permanece a Vida sem fim.)

Interpretação
As palavras aí estão, uma por uma:
porém minha alma sabe mais.
De muito inverossímil se perfuma
o lábio fatigado de ais.
Falai! que estou distante e distraída,
com meu tédio sem voz.
Falai! meu mundo é feito de outra vida.
Talvez nós não sejamos nós.