Textos dissertativos de caráter científico

Deparamo-nos constantemente com textos verbais: livros didáticos, jornais, revistas, legendas de filmes, letreiros de lojas, rótulos, placas de trânsito, etc.

As dissertações estão constantemente presentes na vida de todos nós. Nesta aula, estudaremos as características de textos dissertativos de caráter científico.

A definição de texto dissertativo de caráter científico é esta: um texto que revela conhecimento sobre um assunto específico. Um exemplo de texto científico é o que se encontra em um livro didático, que contém informações e teorias sobre determinados assuntos.

Objetividade e Subjetividade

Os textos de natureza dissertativa se dividem em dois grupos: os que produzem efeitos de sentido de subjetividade e os que produzem efeitos de sentido de objetividade.

Em um texto que produz um efeito de subjetividade, a presença do enunciador é explícita. Já em um texto que produz um efeito de objetividade, o enunciador não se manifesta com nitidez no enunciado.

Vejamos estas frases:

Eu acredito que investir em Educação é a única forma de promover o desenvolvimento do Brasil.

Investir em Educação é a única forma de promover o desenvolvimento do Brasil.

Em ambas as frases, manifesta-se uma opinião. Na primeira, o enunciador se refere a si mesmo: “Eu acredito”. Assim, está expondo sua visão de mundo. Já na segunda, o enunciador não se refere a si mesmo. Em vez disso, apresenta sua opinião como se fosse um fato — uma verdade praticamente indiscutível. A primeira frase produz o efeito de sentido de subjetividade; a segunda, de objetividade.

Função referencial da linguagem

O texto dissertativo de caráter científico aparentemente desconsidera o emissor e o receptor e valoriza a função referencial da linguagem. Essa função também se denomina informativa, pois o mais importante é a informação transmitida.

Estas são as principais características da função referencial da linguagem:

  • Há um sentido de objetividade
  • Emprega-se a 3ª pessoa. Isto é, não se usam os pronomes de 1ª e 2ª pessoa, que caracterizam a função emotiva ou conativa.
  • Há pouco uso de expressões valorativas, principalmente os adjetivos. Quando usados, mantêm uma carga de neutralidade.
  • As palavras utilizadas são predominantemente em sentido denotativo (não figurado). É raro que sejam utilizadas em sentido figurativo.
  • Expressões utilizadas revelam o domínio de conceitos específicos.

Função emotiva

Apesar de as reportagens serem conduzidas predominantemente pela função referencial — ocultando a figura do enunciador e, assim, preservando certa objetividade no relato — certas palavras utilizadas nos textos, principalmente as com sentido figurativo, manifestam a presença do emissor no texto. A função emotiva está presente mesmo em reportagens jornalísticas — textos dissertativos de caráter científico — que valorizam a função referencial.

Veja o seguinte exemplo:

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, impôs sanções contra a Rússia em retaliação às invasões territoriais promovidas recentemente pelo presidente russo, Vladimir Putin. Vários membros do Congresso norte-americano declararam que a reação de Obama é muito amena. Amantes de orgias bélicas, eles apoiam um confronto militar entre Estados Unidos e Rússia.

Observe no texto acima a utilização da expressão “orgias bélicas”, que é usada no sentido figurado. Embora a notícia seja conduzida predominantemente pela função referencial, percebemos, com os termos “amantes” e “orgias”, a presença do emissor no texto. Ele claramente condena os membros do Congresso norte-americano que preferem uma opção militar às sanções impostas pelo presidente dos Estados Unidos.

O uso da função emotiva é comum em textos dissertativos de caráter científico. É quase impossível que sejam absolutamente objetivos. Teoricamente, tanto o texto jornalístico como o discurso científico deveriam ser totalmente imparciais. Contudo, na prática, há sempre um grau de imparcialidade, pois todo texto revela a visão de mundo de quem o escreveu.

Conclui-se, portanto, que o texto dissertativo de caráter científico visa a ocultar a função emotiva da linguagem, mas não consegue fazê-lo totalmente.

Denotação

A dissertação utiliza palavras em sentido denotativo.  Em textos científicos, é comum que ocorra a especialização de sentido. Isso significa que as palavras se referem a significados específicos dentro de uma determinada área de conhecimento. A escolha lexical — o vocabulário utilizado em um texto — é fundamental para que alcance seus objetivos.

É impossível evitar que um texto, mesmo científico, não contenha nenhuma palavra em sentido conotativo. Contudo, uma boa dissertação deve visar à precisão conceitual. É necessário, portanto, que valorize o sentido denotativo e objetivo das palavras.