Os Estados Unidos Pós-Segunda Guerra

Os Estados Unidos Pós-Segunda Guerra

Para os Estados Unidos, o período do pós-Segunda Guerra Mundial foi um de paz e prosperidade. Os norte-americanos usaram o dinheiro que haviam economizado durante a Segunda Guerra Mundial para adquirir bens de consumo que não estavam disponíveis durante o conflito. Com o subsequente boom da economia, milhares de pessoas encontraram emprego nos Estados Unidos. Os norte-americanos estavam ganhando mais dinheiro e a nação tinha o mais alto padrão de vida de todo o mundo.

A sociedade norte-americana também estava mudando. A população dos Estados Unidos cresceu muito devido à alta taxa de natalidade: soldados retornando da guerra estabeleceram famílias e tiveram filhos. Os avanços médicos também elevaram a expectativa de vida dos norte-americanos. Uma lei imposta em 1965 permitiu que mais asiáticos e latino-americanos imigrassem para o país.

O Crescimento do Governo Federal

O presidente Franklin D. Roosevelt, que havia governado os Estados Unidos durante os anos 1933-1945, combateu a Grande Depressão da década de 1930 ao aumentar o papel do governo na economia nacional. Essa política de "big government" (grande governo) foi continuada pelos presidentes norte-americanos do pós-guerra.

Os presidentes do Partido Democrata (centro-esquerda) promoveram mudanças sociais e uma maior igualdade econômica nos Estados Unidos. Harry Truman (1945-1953) aumentou o salário mínimo, construiu casas para pessoas de baixa renda e expandiu o Social Security (a Previdência Social) dos Estados Unidos. John F. Kennedy (1961-1963) iniciou vários programas governamentais para dar oportunidades de trabalho aos pobres e oferecer segurança econômica para idosos e incapacitados. Jimmy Carter (1977-1981) fundou o Departamento da Energia para conservar e desenvolver pesquisas sobre energia e o Departamento da Educação para melhorar o sistema educacional norte-americano.


Jimmy Carter

Três presidentes norte-americanos do Partido Republicano (centro-direita) que governaram durante o período pós-guerra foram Dwight Einsenhower (1953-1961), Richard Nixon (1969-1974) e Gerald Ford (1974-1977). Esses presidentes também introduziram novos programas sociais nos Estados Unidos, mas em um grau menor que os Democratas.

Ronald Reagan, um Republicano eleito em 1980, foi o primeiro presidente do pós-guerra a tomar medidas para diminuir o papel do governo federal na economia norte-americana. Reagan acreditava que o governo interferia demais na vida dos cidadãos. Na sua visão, muitas medidas tomadas pelo governo federal poderiam ser melhores executados por governos locais e estaduais. Reagan também afirmava que os altos gastos do governo prejudicavam o crescimento econômico dos Estados Unidos.

Durante o governo de Ronald Reagan, o financiamento de muitos programas sociais do governo foi reduzido; alguns programas foram eliminados por completo. Contudo, Reagan não desmantelou a maior parte dos programas sociais instituídos por administrações passadas. A maioria do povo norte-americano ainda acreditava que o governo federal exercia um papel fundamental na sociedade.


Ronald Reagan

Havia um importante motivo para o envolvimento do governo federal no funcionamento da economia do país: muitos norte-americanos não compartilhavam da prosperidade da era pós-guerra. Porém, as consequências da intervenção econômica do governo não foram totalmente benéficas: gastos elevados com programas sociais e o envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã resultaram em inflação no país durante a década de 1970. Posteriormente, além de inflação, a sociedade norte-americana sofreu um crescimento no desemprego.

Sob a administração de Reagan, a inflação foi reduzida e controlada e o desemprego diminuiu. Porém, o déficit no orçamento federal - a quantia em que os gastos do governo excedem a receita - cresceu muito durante a década de 1980. A balança comercial dos Estados Unidos também piorou, pois o país passou a importar muito mais que exportava.

Lutas por igualdade

Após a Segunda Guerra Mundial, um forte movimento por direitos civis surgiu nos Estados Unidos. Diversos grupos sociais, especialmente os negros, buscavam tratamento igual perante a lei e suas sociedades após terem sofrido décadas de discriminação.

Apesar de muitos negros nos Estados Unidos desfrutarem de maiores oportunidades que seus antepassados, eles ainda sofriam discriminação, segregação e racismo. Na década de 1940, os líderes de movimentos em favor dos direitos civis começaram a exigir o fim da segregação entre brancos e negros na América. Esses líderes levaram sua causa aos tribunais federais. Como consequência, a partir de 1941, a Suprema Corte dos Estados Unidos passou a banir diversas formas de segregação.

As pessoas que lutavam em favor dos direitos civis usaram outros meios, além de apelos aos tribunais federais, para alcançar seus objetivos. Seguindo o exemplo do líder pacifista indiano Mahatma Gandhi, os negros norte-americanos passaram a buscar justiça por meio de atos pacíficos. O maior líder negro da história norte-americana foi um pastor batista chamado Martin Luther King, Jr. Ele liderou um movimento não violento e organizou passeatas e boicotes, onde justiça e igualdade eram exigidas.


Martin Luther King Jr

O governo federal também exerceu um papel fundamental na luta em favor dos direitos civis nos Estados Unidos. Com o apoio do Presidente Johnson, o Congresso aprovou a Lei dos Direitos Civis de 1964, em que bania diversos tipos de discriminação. Outras medidas contra o preconceito racial também foram aprovadas pelo Congresso.

Durante as décadas de 1960 e 1970, outras minorias também pediam por justiça. A comunidade hispânica dos Estados Unidos iniciou sua própria campanha em favor dos direitos civis. Os indígenas no país criticavam as políticas do governo que ignoravam e destruíam suas tradições. Deficientes físicos exigiam melhores oportunidades de trabalho e mais fácil acesso a construções públicas. As mulheres também buscavam igualdade e lideraram campanhas exigindo empregos em campos profissionais normalmente restritos aos homens.

Uma década de distúrbios

O período do pós-guerra nos Estados Unidos foi um de crescimento, paz e prosperidade. Porém, durante o final das décadas de 1960 e 1970, vários conflitos sociais irromperam no país.

Em meados da década de 1960, tumultos começaram a surgir em regiões habitadas por negros. Em alguns casos, a Guarda Nacional teve que ser chamada para impedir saques e incêndios de edifícios. Em 1968, ocorreram tumultos novamente quando o grande líder negro Martin Luther King, Jr. foi assassinado. Após sua morte, vários líderes negros radicais - frustrados com as mudanças sociais que consideravam insuficientes - abandonaram a política pacífica de King. Em vez disso, eles enfatizaram o "black power" (poder negro) e encorajavam o uso de força para alcançar seus objetivos. Seus protestos, muitas vezes violentos, criaram uma atmosfera de tensão e medo em diversas cidades norte-americanas.

O crescente movimento antiguerra também foi somado às tensões sociais desse período. À medida que a Guerra do Vietnã prosseguia, mais e mais americanos exigiam que os Estados Unidos deixassem o conflito. Grandes manifestações antiguerra, algumas das quais levaram à violência, foram realizadas em cidades e universidades no país.

Em 1972, os Estados Unidos estavam se retirando do Vietnã, mas uma nova crise nacional ocorreu. Em junho de 1972, houve uma tentativa de furto na sede do Partido Democrata. As investigações dessa invasão revelaram informações sobre abuso de poder praticado pela administração do presidente Richard Nixon. Esse escândalo chamado de Watergate - nome do prédio onde ocorreu o roubo - resultou na prisão de diversos oficiais do governo de Nixon e finalmente na renúncia do próprio presidente. Esses acontecimentos, que ocorreram simultaneamente à retirada norte-americana do Vietnã, reduziram a confiança dos norte-americanos em seu governo. Por outro lado, a capacidade do governo de suportar e lidar eficientemente com essas crises era um sinal claro de que o país era forte e estável.

Liderança Mundial

A Guerra Fria dominou a política internacional norte-americana durante décadas após a Segunda Guerra Mundial. As duas superpotências mundiais - os Estados Unidos e a União Soviética - competiram por poder e prestígio de diversas maneiras. O compromisso norte-americano de enfrentar a expansão do comunismo pelo mundo levou os Estados Unidos a se envolverem em conflitos internacionais.

A expansão soviética pós-guerra na Europa, assim como o clima da Guerra Fria, fez crescer o medo norte-americano em relação ao comunismo. Alguns norte-americanos começaram a se preocupar com a presença de espiões comunistas em seu próprio país. Em 1950, um senador do estado de Wisconsin chamado de Joseph McCarthy deu início a uma caçada absurda e abusiva contra supostos "espiões comunistas", acusando centenas de oficiais do governo de deslealdade. Ele destruiu a carreira de muitas pessoas, tendo feito acusações falsas sem nenhuma evidência. A campanha notória de McCarthy chegou ao fim em 1954, quando ficou claro que ele não conseguia provar suas acusações.


Joseph McCarthy

O medo da expansão do comunismo pelo mundo levou os Estados Unidos a engajar em diversos conflitos militares durante as décadas de 1950 e 1960. De 1950 a 1953, tropas norte-americanas ajudaram a defender a Coreia do Sul de uma invasão da Coreia do Norte. Após a revolução comunista de Cuba, os Estados Unidos apoiaram a invasão à Baía dos Porcos e posteriormente forçaram a remoção de mísseis soviéticos do país. Simultaneamente, o governo Kennedy começou a desenvolver armas nucleares para superar as forças nucleares soviéticas.

O envolvimento norte-americano na guerra no sudeste da Ásia também foi consequência de seu compromisso de combater o comunismo mundialmente. Os conselheiros militares dos Estados Unidos foram enviados para ajudar as forças anticomunistas na Indochina após a França ter abandonado suas colônias na região. 

O sudeste asiático

No início da Segunda Guerra Mundial, uma grande parte do sudeste asiático estava sob domínio europeu. Durante a guerra, os japoneses passaram a ocupar vastas extensões e dessa região e autorizaram líderes locais a governar esses países sob a tutela japonesa. Muitos desses líderes posteriormente organizaram movimentos de libertação nacional contra o Japão e contra os poderes coloniais do Ocidente.

As Filipinas

Os Estados Unidos não tentaram manter qualquer domínio sobre as Filipinas e, portanto, esse país obteve a sua independência pacificamente. Em 1946, uma nova Constituição estabeleceu um governo democrático para a jovem nação.

O povo das Filipinas sofreu bastante durante a Segunda Guerra Mundial. A população desejava independência econômica, mas necessitava de apoio norte-americano. Além disso, seu governo sofria de corrupção e de revoltas armadas.

Durante o final da década de 1960 e início da década de 1970, guerrilheiros comunistas iniciaram rebeliões armadas nas Filipinas. A minoria muçulmana do país (a maioria dos filipinos é católica) e estudantes realizaram manifestações contra o governo. Como resposta a essas incitações, o presidente Ferdinando Marcos declarou lei marcial no país e aprisionou milhares de seus oponentes.

Muitos filipinos estavam descontentes com a liderança do presidente Marcos, mas não foi organizado no país nenhum movimento efetivo contra seu governo até a década de 1980. Em agosto de 1983, Benigno Aquino, um líder da oposição foi morto. Muitos acreditaram que o governo de Marcos havia ordenado o assassinato.


Benigno Aquino

Para apaziguar seus críticos, Marcos convocou novas eleições no país. Na votação, realizada em fevereiro de 1986, Marcos declarou vitória sobre sua adversária: Corazón Aquino - a viúva do político assassinado. Aquino declarou que Marcos havia fraudado a eleição e algumas semanas depois, o presidente fugiu do país.


Corazón Aquino

Corazón Aquino - a nova líder das Filipinas - era popular. Mas seu governo enfrentou oposição violenta dos seguidores do ex-presidente Marcos e se engajou numa guerra civil contra guerrilheiros comunistas no interior do país. O governo de Aquino também foi ameaçado pela pobreza da população e corrupção política remanescente do governo de Marcos.

A Guerra do Vietnã

Os franceses retornaram à Indochina após a Segunda Guerra Mundial, mas descobriram que a maior parte de sua ex-colônia estava sob o domínio dos Viêt Minh - grupo nacionalista fundado em 1941 por Hô Chi Minh, um líder comunista vietnamita que havia estabelecido um governo na região norte do Vietnã.


Hô Chi Minh

Os franceses não estavam dispostos a desistir da Indochina e enviaram tropas para enfrentar os Viêt Minh. Mas camponeses vietnamitas forneceram ajuda e suprimentos às guerrilhas de Hô Chi Minh. A China comunista também apoiou os Viêt Minh, enquanto os Estados Unidos ajudaram a França. Em 1954, porém, os Viêt Minh derrotaram os franceses em Dien Bien Phu, e as forças francesas se retiraram da Indochina.

Mais tarde, em 1954, foram realizadas negociações de paz em Genebra, na Suíça, entre a França e o Viêt Minh. O acordo firmado na Conferência de Genebra, dividiu temporariamente o Vietnã no 17º paralelo de latitude. As eleições para a unificação do país foram marcadas para 1956. Até então, foi concordado que o governo comunista de Hô Chi Minh controlaria o norte do Vietnã e um governo não comunista controlaria o sul.

Porém, os líderes do Sul se recusaram a assinar os acordos de Genebra, pois não aceitavam uma nação dividida e não queriam perder a região norte do país, que continha a maior parte das indústrias, minerais e terras cultiváveis do Vietnã. Eles também temiam que os comunistas fossem vencer as eleições de 1956.

Hô Chi Minh igualmente não queria um Vietnã dividido e estava determinado a trazer todos os vietnamitas sob controle comunista. Seus soldados do Norte cruzavam o 17o paralelo para recrutar e treinar os simpatizantes que viviam no sul do Vietnã. Esses sulistas eram chamados de vietcongues. Em 1957, teve início a Guerra do Vietnã, quando soldados vietcongues atacaram vilarejos no Sul. Em 1960, os vietcongues já eram suficientemente fortes para atacar as unidades do exército vietnamita do Sul.

Enquanto isso, o presidente do sul do Vietnã, Ngo Dinh Diem, tentava restaurar a ordem no país. Mas suas políticas intolerantes com a comunidade budista e acusações de corrupção em seu governo lhe custaram apoio popular. Diem foi deposto e assassinado em 1963.

O Envolvimento Norte-Americano

O sucesso militar dos vietcongues deixou o governo dos Estados Unidos alarmado, já que havia apoiado o Vietnã do Sul desde a década de 1950. Líderes norte-americanos passaram a temer o efeito dominó: a conquista do Vietnã do Sul por comunistas resultaria na expansão comunista em outros países do mundo. Durante o governo do presidente norte-americano John F. Kennedy, milhares de conselheiros militares dos Estados Unidos foram enviados ao Vietnã do Sul.

O envolvimento dos Estados Unidos na guerra aumentou em 1964. Em agosto do mesmo ano, o presidente Lyndon B. Johnson, relatou à nação que barcos de patrulha do Vietnã do Norte haviam atacado dois navios norte-americanos no Golfo de Tonkin. Poucos dias depois, respondendo a essa agressão vietnamita, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a Resolução do Golfo de Tonkin, autorizando o presidente a enviar tropas norte-americanas ao Vietnã. Nos anos 1965-1967, Johnson enviou centenas de milhares de soldados norte-americanos para o Vietnã e aviões dos Estados Unidos iniciaram bombardeios contra bases do Vietnã do Norte.


Lyndon B. Johnson

Contudo, os Estados Unidos logo descobriram que seus soldados e aviões não venceriam o conflito facilmente. As guerrilhas vietcongues atacavam vilarejos e logo desapareciam na floresta. Portanto, as forças armadas dos Estados Unidos tinham grande dificuldade em localizar e enfrentar seus inimigos. Além disso, muitos vietnamitas do Sul, revoltados com a corrupção em seu governo, apoiavam os vietcongues.

Em janeiro de 1968, durante o feriado religioso de Tet, forças de vietcongues e de vietnamitas do Norte realizaram um grande ataque ao Sul. Conhecido como a Ofensiva do Tet, o ataque resultou em grandes perdas para os comunistas. Porém, a habilidade dos comunistas de lançar um ataque de tamanha magnitude fez com que o povo norte-americano passasse a duvidar de uma vitória do Vietnã do Sul.

Negociações de paz entre os Estados Unidos e o Vietnã do Norte se iniciaram em 1968 em Paris. Em 1969, o presidente norte-americano Richard Nixon começou a retirar suas tropas do Vietnã, mas a guerra continuou até 1973, quando os Estados Unidos e o Vietnã do Sul e do Norte assinaram o Tratado de Paris. Segundo o acordo, todas as tropas norte-americanas se retirariam do Vietnã, mas tanto o Vietnã do Sul quanto o do Norte prometeriam não tentar reunificar o país à força.

Porém, esse acordo não foi respeitado. Os comunistas continuaram a atacar os vietnamitas no Sul, que não conseguiram resistir sem o apoio dos Estados Unidos. Em abril de 1975, a capital do Vietnã do Sul, Saigon, foi conquistada pelo Vietnã do Norte. O Sul se rendeu e todo o Vietnã foi unificado sob o governo comunista.

Os líderes vietnamitas comunistas efetuaram grandes mudanças no sul do país. Indústrias foram nacionalizadas e professores e ex-oficiais do governo foram enviados para "campos de reeducação" para se tornarem fiéis comunistas. Muitas pessoas que viviam nas cidades foram forçadas a migrar para áreas rurais para trabalhar nas fazendas. Centenas de milhares de vietnamitas emigraram para escapar das perseguições e pobreza.

Outros Conflitos no Sudeste da Ásia

Os conflitos da Guerra do Vietnã se espalharam aos países vizinhos. O Camboja, que fazia parte da Indochina Francesa, tornou-se independente em 1953, sob o domínio do príncipe Norodom Sihanouk. O governo de Sihanouk pretendia permanecer neutro durante a Guerra do Vietnã, mas tropas do Vietnã do Norte e vietcongues usavam o território do Camboja como base de abastecimento. Em 1969, aviões dos Estados Unidos começaram a bombardear o país numa tentativa de destruir essas bases. Um ano depois, tropas norte-americanas invadiram o Camboja para ajudar a derrubar Sihanouk e substituí-lo por Lon Nol, um forte líder anticomunista. Porém, simultaneamente, os vietnamitas comunistas também passaram a entrar no território cambojano.


Norodom Sihanouk

Com apoio vietnamita, um grupo de comunistas do Camboja - o Khmer Vermelho - depôs Lon Nol em 1975. O novo regime, liderado por Pol Pot, foi extremamente brutal. Como parte de seu plano de reforma da sociedade cambojana, o governo de Pol Pot evacuou todas as cidades. Pessoas que viviam em áreas urbanas foram forçosamente enviadas para trabalhar nos campos. Execuções em massa ocorriam com frequência no Camboja e um milhão de pessoas - representando um sexto da população do país - foram mortas pelo Khmer Vermelho. Outro milhão morreu de doenças e de fome em consequência das ações do novo governo comunista.

O Khmer Vermelho, que tinha o apoio da China, não mantinha boas relações com o Vietnã, apoiado pela União Soviética. Em 1978, o exército vietnamita invadiu o Camboja. A China respondeu à invasão enviando tropas para o Vietnã, mas retirando-as posteriormente. Em 1979, Pol Pot foi deposto e substituído por um líder comunista pró Vietnã.

Mesmo essa mudança de liderança não encerrou o conflito no Camboja. Os vietnamitas comunistas e seus seguidores cambojanos lutaram contra uma coligação de forças formada por seguidores de Pol Pot, aliados do príncipe Sihanouk e um grupo extremamente anticomunista. Em 1988, o Vietnã prometeu retirar suas tropas de Camboja até 1990. Negociações para o encerramento do conflito também foram iniciadas em 1988.

Laos

O Laos obteve total independência da França em 1954. Como o Camboja, a nação sofria conflitos internos. Três facções lutavam pelo poder: um movimento pró-Ocidente, forças neutras e um grupo comunista chamado Pathet Lao. Em 1975, o Pathet Lao ganhou controle do governo e pediu ajuda ao Vietnã para derrotar as forças anticomunistas do país. O Vietnã respondeu ao apelo enviando milhares de tropas para o Laos.


Grupo comunista chamado Pathet Lao

A vitória comunista no Laos resultou numa maior emigração da Indochina. Por volta de 1985, mais de 250 mil pessoas haviam fugido do Laos, tentando escapar da pobreza e da falta de liberdade no país.

Tailândia

A Tailândia, chamada de Sião até 1939, nunca foi colonizada por europeus. O reino foi ocupado pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial, mas obteve sua independência após a derrota japonesa. A Tailândia, tendo posições pró-ocidentais, enviou tropas para lutar nas guerras coreana e vietnamita. Durante a Guerra do Vietnã, a Tailândia autorizou os Estados Unidos a estabelecer bases militares em seu território.

Os conflitos na Indochina alarmaram a Tailândia, que faz fronteira com o Laos e o Camboja. Após 1975, quando líderes comunistas passaram a governar esses países, o governo tailandês tentou manter boas relações com seus vizinhos. Os tailandeses pretendiam aliar cooperação econômica com neutralidade política.

Porém, a invasão vietnamita ao Camboja em 1978 resultou numa crise que a Tailândia já previra. Refugiados entraram no país, e líderes vietnamitas acusaram a Tailândia de proteger o Khmer Vermelho. O governo tailandês, temendo o Vietnã, enviou ajuda aos rebeldes antivietnamitas no Camboja.

Vítimas da Guerra

Vitimados pela guerra, pela pobreza e pelo domínio comunista, centenas de milhares de refugiados fugiram do Laos, Camboja e Vietnã nas décadas de 1970 e 1980. Ao todo, 200 mil pessoas buscaram abrigo na Tailândia. Outros desabrigados simplesmente navegavam em seus barcos pelo oceano, esperando serem resgatados por algum país. Muitos morreram no mar, mas a maioria dos que foram salvos se estabeleceram nos Estados Unidos. No final da década de 1980, aproximadamente 1.5 milhão de pessoas fugiram do sudeste asiático, escapando dos conflitos e das guerras que marcaram a região desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Relações Diplomáticas entre Ocidente e Oriente

À medida que o envolvimento norte-americano no Vietnã diminuía, os Estados Unidos concentravam-se em sua política de détente, tentando melhorar as relações com a China e a União Soviética. Em 1972, o presidente Nixon visitou a República Popular da China (China comunista), sinalizando um grande avanço na política norte-americana e iniciando uma nova relação entre as duas nações.

No final de 1972, Nixon tornou-se o primeiro presidente norte-americano a visitar Moscou. Durante a visita, ele e o líder soviético Brejnev assinaram o primeiro tratado SALT - Strategic Arms Limitation Talks (Conversações sobre Limites para Armas Estratégicas) - que limitava o número e tipo de mísseis que cada nação poderia ter.

A crise do petróleo

Em 1973, a Guerra do Yom Kipur irrompeu no Oriente Médio. Os Estados Unidos apoiavam fortemente Israel; como retaliação por esse apoio ao Estado Judeu, os ricos países árabes iniciaram um embargo de petróleo contra a nação norte-americana. A diminuição no suprimento de petróleo dos Estados Unidos levou ao aumento do preço de combustível no país. Apesar das importações de petróleo aos Estados Unidos reiniciarem em 1974, Nixon tentou diminuir a dependência de seu país ao petróleo árabe. Pesquisas foram feitas para encontrar outras fontes de energia.

A política internacional sob a administração Carter

A eleição do Democrata Jimmy Carter em 1976 trouxe um novo foco à política internacional - a preocupação com os direitos humanos no mundo. Durante seus primeiros anos de mandato, Carter falou contra o regime racista de apartheid na África do Sul e Rodésia (agora Zimbábue). Ele também exigiu que os líderes soviéticos libertassem prisioneiros políticos e autorizassem os judeus soviéticos a emigrarem, pois eles sofriam terrível perseguição religiosa no país.

O presidente Carter fez grande uso da diplomacia para lidar com problemas mundiais. Em 1977, uma longa disputa com o Panamá pela Zona do Canal foi resolvida. Em 1979, foram restabelecidas as relações diplomáticas norte-americanas com a República Popular da China. O maior triunfo de Carter foi alcançado em 1978 quando apoiou as negociações por paz que levaram ao primeiro tratado árabe-israelense, firmado entre Israel e Egito.

O colapso do détente

O presidente Ford (que assumiu após a renúncia do presidente Nixon) e o presidente Carter continuaram com a política de détente iniciada por Nixon. Ainda assim, ações soviéticas tomadas durante a presidência de Carter fomentaram o medo norte-americano em relação à expansão soviética. Em 1979, tropas soviéticas invadiram o Afeganistão. O presidente Carter reagiu a essa invasão decretando um embargo sobre as vendas de grãos norte-americanos à União Soviética e pedindo um boicote aos Jogos Olímpicos de Moscou de 1980.

As políticas soviéticas foram ainda mais condenadas pelo presidente Republicano Ronald Reagan. Com objetivo de enfrentar a expansão soviética nas Américas, Reagan apoiou os governos não comunistas na América Central e os contras da Nicarágua. Ele também ordenou uma invasão à ilha caribenha de Granada, após ela ter sido tomada por marxistas.

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Sumário

- O Crescimento do Governo Federal
- Lutas por igualdade
- Uma década de distúrbios
- Liderança Mundial
- O sudeste asiático
i. As Filipinas
- A Guerra do Vietnã
i. O Envolvimento Norte-Americano
ii. Outros Conflitos no Sudeste da Ásia
iii. Laos
iv. Tailândia
v. Vítimas da Guerra
- Relações Diplomáticas entre Ocidente e Oriente
- A crise do petróleo
- A política internacional sob a administração Carter
- O colapso do détente
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