Império Carolíngio

O Império Carolíngio (800-888) foi estabelecido pela dinastia carolíngia, cujo maior representante foi Carlos Magno. O Império Carolíngio ocupou grande parte da região central da Europa, constituindo o embrião da atual França. Esse império foi responsável pela expansão do cristianismo pela Europa.

ORIGENS

No século V, invasores germânicos ocuparam a parte ocidental do Império Romano, provocando sua desorganização definitiva. Divididos em tribos, os germânicos, ou “bárbaros”, como eram chamados pelos romanos, espalharam-se pelo território europeu, ocupando os francos, na região da Gália.

Os francos viviam em tribos autônomas até que, em 496, Clóvis, neto de Meroveu, converteu-se ao cristianismo, obteve o apoio do papa e unificou politicamente as tribos, originando o Reino Franco e sua primeira dinastia: a merovíngia. A aliança com a Igreja Romana foi decisiva para o sucesso da unificação promovida por Clóvis, pois fortaleceu a autoridade do rei. Ao mesmo tempo, o papa obtinha o apoio franco para seu projeto de libertação em relação aos imperadores bizantinos.

Durante seu reinado, Clóvis expandiu consideravelmente as fronteiras do reino, por meio de vitoriosas campanhas militares. Seus sucessores conseguiram, por certo tempo, manter a centralização política e a forte autoridade do rei, mas, aos poucos, essa autoridade acabou sendo suplantada pelo poder dos major domus (prefeitos do palácio real), que o concentraram em suas mãos e deram-lhe um caráter hereditário. Esses reis, que perderam a autoridade para os prefeitos, ficaram conhecidos como os “reis indolentes”.

Reino de Clóvis

Em 732, o major domus Carlos Martel venceu a batalha de Poitiers, nos Pirineus, e bloqueou o avanço árabe sobre a Europa, obtendo grande prestígio. Seu filho, Pepino, o Breve, afastou, em 751, o último monarca merovíngio, proclamou-se rei dos francos e fundou a dinastia Carolíngia, cujo maior representante foi Carlos Magno. O rei foi coroado pelo papa, sinal do total apoio da Igreja, que, em troca, recebeu territórios na Península Itálica, denominados Estados Pontifícios.

Pepino, o Breve, morreu em 768 e foi sucedido por seu filho Carlos Magno, que governou os francos até 814. Homem de hábitos simples, mas muito competente, sobretudo no âmbito militar, Carlos Magno conquistou as regiões vizinhas ao reino Franco, habitadas por tribos germânicas, comandando ele próprio as expedições militares. Anexou a Germânia e partes da Itália ao reino com o objetivo de reconstituir as antigas fronteiras do Império Romano do Ocidente e expandir o cristianismo. Nascia assim o Império Carolíngio.

O IMPÉRIO CAROLÍNGIO


Império de Carlos Magno

A grandeza do Império Carolíngio foi obtida e sustentada graças a um eficiente sistema administrativo implantado por Carlos Magno. O imperador dividiu o território em unidades administrativas controladas pelo poder central. Essas unidades eram os condados – governados por condes nomeados pelo imperador e que possuíam amplos poderes em seus domínios – e as marcas, governadas por marqueses e situadas em áreas de fronteira, sendo, portanto, mais militarizadas e menos autônomas que os condados.

Tais unidades administrativas estavam sujeitas à constante fiscalização imperial, realizada pelos missi dominici (mensageiros reais). Esses indivíduos percorriam as diversas regiões do império, vigiando a atuação dos administradores, a fim de conter os abusos, e zelando pela aplicação das decisões emanadas do poder central e consubstanciadas nas capitulares (leis escritas aplicáveis em todo o império).

Carlos Magno, desejando submeter todas as regiões do Império ao seu controle, reinstituiu o sistema de recomendação, muito difundido no período merovíngio em função da insegurança reinante, e que consistia no seguinte: proprietários mais fracos colocavam-se sob a proteção dos que tinham mais homens e armas; quem oferecia proteção chamava-se senhor e quem recebia, vassalo. Este tinha uma série de obrigações em relação ao senhor: trabalhar em suas terras, incorporar seus homens ao exército do senhor, pagar tributos, etc. Os senhores – aristocracia proprietária de terras e militar – controlavam a população, mas a autoridade suprema estava nas mãos do imperador.

Carlos Magno, além de grande militar e administrador, estimulou as Artes e a Cultura em seu império. Foi ele o responsável pelo Renascimento Carolíngio, período de relativo florescimento das Artes e das Letras, bem como da fundação de várias escolas.

A DIVISÃO DO IMPÉRIO

A grandeza do Império Carolíngio não sobreviveu, porém, à morte de seu mais importante imperador. Em 814, após a morte de Carlos Magno, o poder central começou a se enfraquecer em detrimento do fortalecimento dos poderes locais, exercidos por condes e marqueses.

O sucessor de Carlos Magno foi Luís, o Piedoso, que, como o próprio nome indica, era um homem muito apegado à Igreja. Durante seu governo (814-841), verificou-se um avanço extraordinário do poder do clero, o que desagradou seus filhos que o encarceraram em um convento. Após sua morte, ocorreram violentas disputas entre seus filhos pela sucessão do trono de Carlos Magno. Tais disputas se resolveram apenas em 843, com a divisão do território carolíngio.

O Tratado de Verdun pôs fim às disputas entre os netos de Carlos Magno ao estabelecer a divisão do império. Carlos, o Calvo, recebeu as terras que correspondem à França Ocidental, Luís, o Germânico, o território que atualmente corresponde à Alemanha, enquanto Lotário, a faixa de terra situada entre os domínios dos irmãos, do sul da Itália ao mar do Norte.

Ao longo da Alta Idade Média, cada parcela do território carolíngio teve destinos diferentes. Os domínios de Lotário foram incorporados pela Germânia, originando o Sacro Império Romano-Germânico. Já a parte ocidental do antigo império ficou isolada do restante da Europa devido à nova onda de invasões ocorridas no século IX: os normandos, ou vikings, ocuparam as ilhas britânicas e o norte da França (Normandia), e os magiares (eslavos) se fixaram na Europa Oriental.

O isolamento geográfico da Europa centro-ocidental (árabes, ao sul, normandos, ao norte, e magiares, a leste) e os ataques e saques promovidos frequentemente pelos invasores, determinaram os processos de ruralismo da vida europeia e a fragmentação do poder político, originando um novo sistema socioeconômico e político conhecido como feudalismo.

O SACRO IMPÉRIO ROMANO-GERMÂNICO

Em 843, o Tratado de Verdun oficializou a divisão do Império de Carlos Magnos entre seus netos – Carlos, Lotário e Luís. Na parte oriental do antigo império, nasceu uma monarquia de caráter eletivo, na qual os duques possuíam consideráveis poderes.

Em 936, Oto I tornou-se rei da Germânia e iniciou um processo de expansão territorial, ocupando áreas dominadas pelos magiares – a Bélgica e o norte da Itália. Ao mesmo tempo, instituiu o direito à investidura (nomeação) de bispos, a fim de tentar reduzir a autoridade local dos duques germânicos.

Em 962, Oto I, fortalecido em seus poderes, foi coroado imperador do Ocidente pelo papa João XII, nascendo assim o Sacro Império Romano-Germânico. O objetivo do imperador e do papa era unificar a Europa sob um império universal e cristão.

Além do direito à investidura de bispos, Oto I concedeu-se o direito de nomear e destituir pontífices (Cesaropapismo). Isso posteriormente gerou violentos conflitos entre o Estado e a Igreja.

Após a morte de Oto I, em 973, a centralização política enfraqueceu-se e também na Germânia, como vinha ocorrendo na França, o feudalismo se concretizou.