Imperialismo na Ásia e África

Definição

Fase monopolista do capitalismo, ocorrida no final do século XIX e início do século XX.

Fatores geradores

  • superprodução: expansão da Revolução Industrial e aprimoramento tecnológico, resultando em aumento da produção de mercadorias; países industrializados buscam mercados consumidores de artigos industrializados;
  • crescimento demográfico: queda das taxas de mortalidade e manutenção de elevadas taxas de natalidade geram fenômeno conhecido como explosão demográfica. O excedente populacional vive em condições miseráveis, mas começa a se organizar em sindicatos e partidos);
  • busca de matérias-primas: sofisticação tecnológica exige diversidade e maiores quantidades de matérias-primas (borracha, petróleo, cobre, etc.);
  • busca de investimentos de capitais: as áreas industrializadas não podem reinvestir capitais excedentes na produção industrial sem agravar o problema da superprodução; busca-se, portanto, áreas para a exportação de capitais excedentes.

Imperialismo: solução para os problemas econômicos, sociais e, até mesmo, políticos e culturais das grandes potências industrializadas do mundo (Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Estados Unidos, Rússia, Japão) no final do século XIX, por meio da expansão territorial e do estabelecimento de áreas de influência.

Características

  • concentração da produção e do capital em reduzido número de países e, dentro deles, nas mãos de pequena parcela da população (alta burguesia);
  • capital financeiro, resultante da fusão do capital industrial e do bancário;
  • exportação de capitais, com investimentos nos setores de infraestrutura (especialmente nos setores de comunicações e transportes), para facilitar a dominação e agilizar o escoamento de mercadorias);
  • partilha do mercado mundial entre os países industrializados;
  • associações monopolistas – trustes, cartéis e holdings;
  • divisão territorial do planeta em áreas de dominação direta e zonas de influência econômica;
  • o “fardo do homem branco” como justificativa ideológica para a dominação: missão civilizadora que levaria aos que viviam nas trevas da ignorância a luz do conhecimento; ideia de superioridade biológica da raça branca sobre as demais.

Imperialismo na Ásia

Índia

Conhecida desde a Antiguidade pelos europeus. No século XV, a Índia se tornou uma área muito cobiçada pelos comerciantes da Europa, graças às especiarias que possuía em seu território.

Os portugueses dominaram por cerca de meio século a rota comercial marítima que levava ao Oriente e, portanto, controlavam o valioso comércio de mercadorias indianas. Ao longo dos séculos XVI e XVII, porém, o domínio português foi suplantado pelo britânico, que se tornou a principal potência marítimo-comercial, atuando por meio das companhias monopolistas de comércio.

No século XVIII, a supremacia econômica da Inglaterra sobre a Índia estava assegurada – situação favorecida pela ausência de centralização política em território indiano. Nessa época, a Índia se encontrava dividida em diversos estados rivais. Essa rivalidade era estimulada pelos ingleses, a fim de evitar uma centralização política que prejudicasse seus interesses econômicos.

Ainda assim, em 1857, eclodiu na Índia uma revolta nacionalista contra o domínio inglês. Denominada Revolta dos Cipaios, o conflito durou até 1859, quando os rebeldes foram derrotados pelos ingleses, que conseguiram, a partir de então, impor um domínio ainda mais rígido.

A garantia do domínio britânico sobre a Índia – não apenas econômico, mas também político – consolidou-se em 1877, quando a rainha Vitória da Inglaterra foi coroada Imperatriz da Índia.

China

Vasto território contendo uma população numerosa, a China despertou o interesse da Europa no século XV. Os europeus, principalmente os portugueses, passaram a importar para o Ocidente mercadorias chinesas.

Como na Índia, a Inglaterra tomou o lugar de Portugal e passou a dominar comercialmente a China. Os ingleses exploravam o comércio chinês por meio das Companhias das Índias Orientais. Mas ao contrário da Índia, que se encontrava dividida, o poder político chinês era centralizado. A China era regida pela dinastia Manchu. Contudo, a aristocracia agrária chinesa nunca reconhecera a legitimidade dessa dinastia.

Ao longo dos séculos XVII e XVIII, o predomínio britânico sobre a China se aprofundou e, aos poucos, os ingleses introduziram, ilegalmente, o ópio no mercado chinês. Esse artigo era produzido em abundância nas colônias inglesas da Índia e na Birmânia e os chineses o apreciavam muito, gastando verdadeiras fortunas e endividando-se junto aos ingleses para obtê-lo.

O governo chinês, por diversas razões, opunha-se veementemente à aquisição e consumo do ópio e, em 1839, adotou medidas enérgicas para coibi-lo. Tal atitude precipitou um conflito entre China e Inglaterra, conhecida como a Guerra do Ópio, que foi vencida pelos ingleses. Graças a essa vitória, a Inglaterra obteve uma maior abertura do mercado chinês, e não apenas para si, mas também para outras nações do mundo, como a Alemanha, a França, a Rússia e o Japão.

Em 1900, houve na China uma nova reação nacionalista contra o domínio dos países industrializados. Essa revolta, denominada Guerra dos Boxers, foi violentamente reprimida por forças militares das grandes potências.

Japão

No início do século XIX, o Japão era cobiçado pelas potências industriais. O país não apresentava centralização política: o poder era exercido pelos grandes proprietários de terras, denominados xóguns. O comércio do país era vedado ao mundo ocidental, pois os japoneses temiam que a importação indiscriminada de mercadorias estrangeiras resultaria na entrada dos vícios ocidentais.

Em 1854, os Estados Unidos, interessados em estabelecer sua hegemonia econômica no Pacífico Norte, forçaram, por meio de uma ação militar violenta, a abertura do mercado japonês aos produtos ocidentais. Isso provocou uma também violenta reação nacionalista no Japão, encabeçada pelos samurais, resultando na centralização política do país.

A chamada Era Meiji iniciou-se em 1868. Foi a era em que o governo japonês modernizou sua economia de acordo com os princípios do capitalismo. A adoção de reformas modernizadoras, aliada à manutenção de importantes tradições da cultura japonesa, ajudaram a promover um rápido e profundo processo de industrialização no país. Para que isso pudesse ocorrer, o Japão assimilou muitas técnicas de produção ocidentais. Graças a essas reformas, o Japão não apenas evitou a expansão imperialista sobre seu território, mas conseguiu se transformar em um país imperialista.

O imperialismo japonês se manifestou no final do século XIX por meio de duas guerras expansionistas: a Guerra Sino-Japonesa e a Guerra Russo-Japonesa. Procurava o Japão instituir seu poderio no Pacífico e no Extremo Oriente.

O imperialismo na África

A África foi o continente mais utilizado para a expansão territorial imperialista no final do século XIX e início do século XX. A partilha formal do continente se iniciou após a realização da Conferência de Berlim (1884 - 1885), em que o rei Leopoldo II, da Bélgica, convidou os líderes das principais potências industriais da época para dividir o rico território africano.

A penetração imperialista na região foi favorecida pelo tribalismo imperante no continente, que inviabilizava a união de esforços entre os indivíduos para barrar a invasão dos estrangeiros.

A ausência de critérios que levassem em conta as múltiplas realidades da África acabaram gerando problemas, que, aliada à exploração predatória do continente, resultaram em miséria e conflitos étnicos e políticos.

Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha, Itália, Portugal e Espanha foram os países que se beneficiaram da partilha da África.

O imperialismo teve como principal resultado o acirramento das tensões entre os países industriais, pois alguns deles, notadamente a Alemanha, sentiram-se prejudicados pelo “pequeno” território colonial que lhes foi concedido após a partilha.