História da Revolução Industrial

A história da Revolução Industrial se inicia na segunda metade do século XVIII e constitui um período de grande desenvolvimento que foi iniciado na Inglaterra e que se espalhou para outras partes do mundo. A Revolução Industrial mudou a história da humanidade, por meio do surgimento da indústria e do capitalismo.

É denominada Revolução Industrial o rápido e profundo conjunto de transformações técnicas e econômicas que caracterizaram, em meados do século XVIII, a substituição da energia física pela mecânica, da ferramenta pela máquina e da manufatura pela fábrica, no processo de produção de mercadorias, com desdobramentos sociais, políticos e culturais. Tal processo foi originado na Inglaterra, atingindo lentamente outras regiões da Europa.

Com a Revolução Industrial, consolidou-se o modo de produção capitalista. As barreiras feudais sobreviventes da Idade Média, que impediam o pleno desenvolvimento das forças capitalistas de produção, foram definitivamente superadas: a partir da segunda metade do século XVIII, a acumulação de capitais deixou de se realizar exclusiva e prioritariamente na esfera da circulação de mercadorias e passou a ocorrer na esfera da produção.

Costuma-se dividir a Revolução Industrial em duas fases:

  • Primeira Revolução Industrial (1760-1850), também chamada de “era do carvão e do ferro”, ocorrida na Inglaterra, França e Bélgica; fase do liberalismo econômico;
  • Segunda Revolução Industrial (1860-1914), conhecida como “era da eletricidade e do aço”; fase que antecede a Primeira Guerra Mundial, durante a qual a industrialização atinge outras partes do planeta (Alemanha, Itália, Rússia, Estados Unidos e Japão) e passa por um processo de sofisticação tecnológica; além disso, caracterizou-se pelo capitalismo monopolista.

Dentre as causas gerais que propiciaram a ocorrência da Revolução Industrial na Europa, podemos mencionar:

  • A Revolução Comercial (séculos XV-XVII), graças à qual verificou-se o incremento e a internacionalização do comércio em função, sobretudo, da exploração de novos continentes; a riqueza oriunda da circulação de mercadorias concentrou-se na Europa Ocidental, especialmente na Inglaterra;
  • acumulação primitiva de capital: durante o início da Época Moderna, houve uma enorme concentração de capitais na Europa Ocidental;
  • invenções ou aprimoramento tecnológico: esse foi um fator importante, pois permitiu a produção em série, rápida e eficiente.

Entre os principais avanços tecnológicos do século XVIII, utilizados em grande medida pela indústria têxtil florescente, podemos destacar: a máquina de fiar de James Hargreaves, de 1767, o tear hidráulico, de Richard Arkwright, de 1768, e o tear mecânico, de Edmund Cartwright. Além dessas invenções, que se concentravam no setor produtivo, pode-se acrescentar o desenvolvimento do sistema de comunicações e transportes: a invenção do barco a vapor, em 1805, por Robert Fulton, da locomotiva a vapor, em 1814, por George Stephenson e a do telégrafo, em 1837, por Samuel Morse.


Motor a Vapor

O PIONEIRISMO INGLÊS

Não foi todo o continente europeu que, em meados do século XVIII, passou pelo processo de Revolução Industrial. Na verdade, a Revolução Industrial se limitou a algumas nações, principalmente à Inglaterra, cujo desenvolvimento histórico permitiu o aparecimento das condições necessárias à eclosão do processo nesse momento. Assim, a Inglaterra deu início ao rápido e intenso desenvolvimento industrial sendo seguida, ainda no século XVIII, pela França e Bélgica. De qualquer modo, o pioneirismo britânico garantiu ao país a hegemonia econômica na Europa durante mais de um século.

Entre os determinantes históricos que propiciaram a eclosão da Revolução Industrial na Inglaterra, destacam-se:

  • acumulação de capitais comerciais: a Inglaterra foi a nação europeia que mais lucrou e que mais acumulou riquezas durante a Revolução Comercial. O mercantilismo aplicado pelo Estado absolutista inglês, especialmente durante o governo da dinastia Tudor, gerou considerável excedente de capital, que foi sendo lentamente transferido para o setor produtivo da economia;
  • supremacia naval: a riqueza acumulada com o comércio deveu-se, em grande medida, à hegemonia marítima exercida pela Inglaterra nos mares. Resultado mais significativo dos Atos de Navegação, instituídos por Oliver Cromwell, em 1651, essa supremacia naval permitiu aos ingleses estruturar um poderoso império colonial que, além de garantir amplo mercado consumidor para os produtos industrializados britânicos, ainda fornecia matérias-primas necessárias às fábricas, particularmente o algodão para a indústria têxtil;
  • disponibilidade de mão de obra: o processo de “cercamentos” das terras comunais na Inglaterra promoveu um amplo deslocamento dos camponeses expropriados para as cidades. Muitos desses camponeses acabaram sendo absorvidos pelas fábricas, mas recebiam remunerações irrisórias, devido à desqualificação de seu trabalho e à abundância de trabalhadores. Além disso, artesãos arruinados pela concorrência da manufatura – em expansão desde o século XVII – se tornaram outra fonte de mão de obra barata disponível para a indústria inglesa;
  • monarquia parlamentar: a Revolução Gloriosa (1688), ao instituir o regime parlamentar de governo na Inglaterra, forneceu o embasamento político-institucional necessário à ocorrência da Revolução Industrial. A interferência da burguesia produtora nos assuntos políticos da Inglaterra, por meio do Parlamento, fez com que o governo tivesse que ceder muitas vezes à pressão capitalista;
  • liberalismo: a mudança de mentalidade na Inglaterra aprofundou-se no século XVII com o aparecimento de pensadores que defendiam uma liberalização dos costumes políticos e da economia; entre eles, destaca-se John Locke. No século XVIII, a condenação da intervenção estatal nos assuntos econômicos se tornou intensa, graças ao surgimento do ideário liberal inaugurado por Adam Smith;
  • outros fatores: além dos aspectos já mencionados, vale lembrar que o pioneirismo inglês no processo de Revolução Industrial acabou sendo grandemente favorecido pela posição geográfica privilegiada das ilhas britânicas, tanto ao impedir a devastação do território, promovida por tantas guerras que varreram a Europa seiscentista, quanto pela facilidade de acesso a todas as regiões do planeta pela via marítima. Além disso, a presença de abundantes jazidas de carvão e de ferro no território inglês – fontes de energia e de matéria-prima, respectivamente – favoreceram o pioneirismo inglês no processo.

A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra em meados do século XVIII, transformou a vida dos europeus, determinando a consolidação do capitalismo naquele continente e integrando o restante do planeta ao sistema. As transformações vivenciadas pela Europa nessa época ocorreram em todos os âmbitos: econômico, social, político e cultural.

O OPERARIADO NO INÍCIO DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

Entre as consequências mais significativas da mecanização industrial, destacam-se as sociais. O processo de urbanização se acentuou significativamente: passou a haver nas grandes cidades industrias um imenso contingente populacional. Ao mesmo tempo, nasceu uma nova categoria social, o proletariado, expropriado dos meios de produção e detentor apenas de sua força de trabalho, que vendia no mercado em troca de um salário. Esse proletariado se opunha à burguesia, detentora do capital (meios de produção), e que extraía a chamada “mais-valia” da força de trabalho operária.

No início da Revolução Industrial e durante quase todo o século XIX, os operários que trabalhavam nas fábricas eram sujeitados a longas e desgastantes jornadas, que se estendiam a mais de 14 horas diárias, em troca de uma remuneração irrisória. Esses homens, mulheres e crianças viviam de maneira sub-humana, em habitações inadequadas, malvestidos e mal alimentados. Não havia qualquer proteção legal em caso de acidentes. Além disso, sofriam punições - às vezes, até físicas -  em caso de erro.

Tal situação de exploração e opressão gerava sistematicamente reações violentas por parte dos trabalhadores. Ainda no século XVIII, tornou-se famoso o Ludismo, movimento cujo nome deriva do seu líder, Ned Ludd, que propunha a destruição de todas as máquinas, pois acreditava que essa era a forma de eliminar o problema da exploração.

No século seguinte, surgiram movimentos mais estruturados de combate à exploração industrial. Entre eles, destacam-se o Cartismo – movimento operário que defendia a instituição de regulamentos (cartas), em que constassem os direitos e os deveres dos operários – e as trade unions –embriões dos atuais sindicatos, que reuniam operários segundo atividade profissional, visando à defesa de seus direitos e reivindicações.