A Guerra Fria

A Guerra Fria

A cooperação dos Aliados possibilitou a derrota das forças do Eixo na Segunda Guerra Mundial. Com a esperança de construir uma paz duradoura e evitar futuras guerras, os líderes Aliados planejavam cooperar após a guerra. Mas as relações entre a União Soviética e os outros países Aliados logo deterioraram, gerando uma nova era de tensão mundial.

As Nações Unidas

Na reunião de Yalta, durante a Segunda Guerra Mundial, líderes dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e União Soviética concordaram em criar a Organização das Nações Unidas (ONU). Em abril de 1945, representantes de 50 países reuniram-se em São Francisco, Califórnia e criaram e assinaram a Carta da Organização das Nações Unidas (ONU). A Carta declarava que o objetivo principal da ONU era "preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra". A ONU também trabalharia para promover a autodeterminação de nações e respeito aos direitos individuais de toda pessoa. A organização também ajudaria a prevenir conflitos e guerras entre nações.

No outono de 1945, a Carta foi aprovada pela maioria dos membros da ONU, e a organização logo estabeleceu sua sede na cidade de Nova Iorque.

A Carta criou seis órgãos principais que constituiriam a ONU. Os mais importantes são a Assembleia Geral e o Conselho de Segurança. Toda nação-membro da ONU tem direito a um voto na Assembleia Geral. A Assembleia se reserva o direito de discutir e sugerir soluções para qualquer problema internacional que seja pertinente aos objetivos da Carta das Nações Unidas. A Assembleia também escolhe as pessoas ou nações que servem em outros órgãos da ONU. Nações que desejam ser representadas na ONU têm que ser admitidas pela Assembleia Geral.

O Conselho de Segurança trata de conflitos internacionais. Para combater tais agressões, o Conselho de Segurança tem o direito de impor embargos econômicos ou mesmo enviar tropas para manter a paz em regiões de conflito mundial.

Os Aliados, vitoriosos na Segunda Guerra Mundial - os Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, China e União Soviética - são membros permanentes do Conselho de Segurança. A Assembleia Geral elege dez outros membros para servir no Conselho de Segurança durante dois anos. As ações do Conselho de Segurança devem ser aprovadas por todos os seus membros permanentes que também têm o direito de vetar ações, decisões e resoluções às quais eles se opõem.

A Divisão da Europa

Ao fim da Segunda Guerra Mundial, a Europa Ocidental não mais era o centro de poder no mundo. Os Estados Unidos e a União Soviética haviam se tornado as duas maiores potências. Mas apesar de sua aliança contra a Alemanha nazista, as relações entre os dois países - mesmo durante o conflito - haviam sido frias. Anos mais tarde, o relacionamento entre norte-americanos e soviéticos se agravou. A política de hostilidade entre os Estados Unidos e a União Soviética no pós-guerra da Segunda Guerra Mundial é chamada de Guerra Fria.

De fato, ao final da Segunda Guerra Mundial, as duas superpotências se encontravam em condições bastante diferentes. Os Estados Unidos não haviam sofrido a destruição das batalhas. O país era rico em recursos naturais e liderava a agricultura e indústria mundial. Apesar de o país ter reduzido o tamanho de seu exército no final da guerra, os norte-americanos ainda mantinham a poderosa ameaça militar das armas nucleares.

De todas as nações que lutaram na Segunda Guerra Mundial, a União Soviética foi a que sofreu as maiores perdas. Quatro anos de terríveis batalhas custaram a vida de milhões de soviéticos. Ademais, as regiões ocidentais do país foram destruídas e os soviéticos estavam determinados a proteger suas fronteiras ocidentais de possíveis futuros invasores.

Stalin usou o poder militar da União Soviética para estabelecer governos comunistas títeres nos países que seu exército havia ocupado: Polônia, Checoslováquia, Hungria, Romênia e Bulgária. Esses países eram conhecidos como estados satélites da União Soviética. Na Albânia e Iugoslávia, os comunistas também ganharam poder após a guerra. Todas essas nações tornaram-se parte do bloco soviético.


A Europa capitalista e socialista

Para manter e fortalecer seu controle sobre a Europa Oriental, a União Soviética impediu quase todos os contatos - comerciais e turísticos - entre suas nações satélites e os países do Ocidente. Jornais, revistas, livros e programas de rádio de nações ocidentais foram banidos da Europa Oriental.

Os Estados Unidos e os países da Europa Ocidental mostraram preocupação quanto a essas políticas da União Soviética. Seus temores foram expressos em 1946 pelo estadista britânico Winston Churchill:


Winston Churchill

"De Estetino, no Báltico, até Trieste, no Adriático, uma cortina de ferro desceu sobre o continente. Atrás dessa linha estão todas as capitais dos antigos Estados da Europa Central e Oriental. Varsóvia, Berlim, Praga, Viena, Budapeste, Belgrado, Bucareste e Sofia; todas essas cidades famosas e as populações em torno delas estão no que devo chamar "esfera soviética", e todas estão sujeitas, de uma forma ou de outra, não somente à influência soviética mas também a fortes, e em certos casos crescentes, medidas de controle de Moscou...Esta certamente não é a Europa liberada que lutamos para construir. E nem é a nova Europa que contém os essenciais para a paz permanente..."

Os ocidentais rapidamente adotaram o termo da Cortina de Ferro para descrever a barreira política entre o bloco soviético e o Ocidente.

Os temores do Ocidente de uma expansão soviética na Europa foram confirmados pelos atos e atitudes de comunistas na Turquia e Grécia. Em 1945, Stalin exigiu que a Turquia permitisse à União Soviética construir bases militares ao longo dos estreitos entre o Mar Negro e o Egeu. Na mesma época, na Grécia ocorria uma violenta guerra sangrenta na qual as forças comunistas estavam prevalecendo.

Novas Políticas Norte-Americanas

Em resposta às atividades de expansão soviética, o presidente norte-americano Harry Truman anunciou uma nova política internacional, que veio a ser chamada de Doutrina Truman. Falando ao Congresso em março de 1947, pediu o envio de ajuda militar e econômica para Grécia e Turquia. Também pediu aos Estados Unidos que ajudassem qualquer país que precisasse de apoio para resistir ao comunismo. A Doutrina Truman tornou-se a base política da Guerra Fria tendo como objetivo a contenção da expansão comunista em outras nações do mundo.

Todos os países europeus precisavam de ajuda para sua reconstrução após a Segunda Grande Guerra. Em junho de 1947, o Secretário de Estado George C. Marshall anunciou um programa ambicioso para ajudar essas nações.


George C. Marshall

A proposta de Marshall foi posta em prática como o Programa de Recuperação Europeia, mais conhecido como Plano Marshall. Entre 1948 e 1952, os Estados Unidos deram à Europa Ocidental mais de 12 bilhões de dólares em ajuda. Os resultados foram extraordinários: em 1952, nos países sob o Plano Marshall, a produção industrial havia excedido os níveis antes da guerra, o padrão de vida havia crescido consideravelmente e uma nova era de prosperidade havia chegado à Europa Ocidental.

O Plano Marshall foi oferecido a todos os países europeus, mas Stalin não deixou que os países-satélites soviéticos tomassem parte. Em 1949, a União Soviética lançou um plano de cooperação entre os países da Cortina de Ferro, que foi chamado de Comecon (Conselho para Assistência Econômica Mútua). Ainda assim, a economia da Europa Oriental não cresceu tão rapidamente quanto nos países da Europa Ocidental.

A Separação da Iugoslávia

Em 1948, ocorreu a primeira ruptura no bloco soviético. O Marechal Tito, o líder iugoslavo, era um grande e corajoso nacionalista. Quando ele se recusou a seguir as ordens de Stalin, o ditador soviético expulsou a Iugoslávia do bloco soviético. A partir de então, a Iugoslávia se tornou neutra na Guerra Fria.


Marechal Tito

Crises na Alemanha

Após a Segunda Guerra Mundial, França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e União Soviética ocupavam a Alemanha. Porém, os quatro poderes não concordavam sobre como a Alemanha deveria ser controlada. Sem esperança de cooperação soviética, os Estados Unidos, Grã-Bretanha e França concordaram, na primavera de 1948, em unir suas zonas de ocupação em um estado chamado Alemanha Ocidental.

A União Soviética se opôs duramente a essa ideia. Os soviéticos temiam que uma Alemanha reconstruída e reunificada fosse ameaçar novamente a sua segurança. Para impedir a formação da Alemanha Ocidental, os soviéticos sitiaram Berlim. Apesar de a cidade estar em território ocupado pelos soviéticos, Berlim também foi dividida em diferentes zonas de ocupação: França, Grã-Bretanha e Estados Unidos ocupavam Berlim Ocidental e União Soviética controlava Berlim Oriental.

Em 24 de junho de 1948, tropas soviéticas bloquearam todas as estradas, ferrovias e rotas marítimas ligando Berlim Ocidental ao oeste da Alemanha. Isso impediu a chegada de alimentos e de outros suprimentos para dois milhões de pessoas que viviam em Berlim Ocidental. Porém, dois dias depois, aviões de carga britânicos e norte-americanos lançaram alimentos e suprimentos aos habitantes da cidade sitiada. Os aviões trouxeram mais de duas toneladas de alimentos, combustível, remédios e maquinário para Berlim Ocidental. Devido aos esforços norte-americanos e britânicos, Stalin viu que o bloqueio a Berlim fracassara e o encerrou em maio de 1949.

A Alemanha permaneceu como o centro das tensões da Guerra Fria. Pouco após o encerramento do bloqueio de Berlim, os países ocidentais prosseguiram com seu plano de criar um Estado Ocidental Alemão. A República Federal da Alemanha (ou Alemanha Ocidental) tornou-se uma democracia parlamentarista. Alguns meses depois, os soviéticos estabeleceram um regime comunista em sua zona de ocupação da Alemanha, criando a República Democrática Alemã (ou Alemanha Oriental).

Divisão da Alemanha

A crise em Berlim convenceu os poderes ocidentais da necessidade de uma organização de cooperação militar. Em abril de 1949, foi formado um pacto de defesa mútua chamado de Organização do Tratado do Atlântico Norte - OTAN. Os primeiros membros da Otan foram Bélgica, Grã-Bretanha, Canadá, Dinamarca, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Holanda, Noruega, Portugal e Estados Unidos. Em 1952, Grécia e Turquia também se tornaram membros. Em 1955, a Alemanha e em 1982, a Espanha ingressaram na aliança.

O acordo da Otan afirma que "um ataque armado contra um ou mais membros da Otan será considerado um ataque contra todos". Para protegerem-se de possíveis agressores, os membros da Otan decidiram que tropas norte-americanas e armas nucleares seriam mantidas na Europa Ocidental.

Em 1955, após a Alemanha ter ingressado na Otan, a União Soviética assinou um acordo de defesa mútua entre os sete países da Europa Oriental - Albânia, Bulgária, Checoslováquia, Alemanha Oriental, Hungria, Polônia e Romênia (a Iugoslávia não tomou parte). Essa aliança, chamada de Pacto de Varsóvia, decidiu que tropas soviéticas seriam mantidas em cada um dos países membros. Todos os exércitos do Pacto de Varsóvia ficariam sob a liderança de um comandante soviético em Moscou.

Eventos na Ásia também contribuíram às tensões entre o Oriente e o Ocidente. Em 1949, comunistas chineses derrotaram os nacionalistas e tomaram controle da China. Um ano depois, o governo comunista da Coreia do Norte invadiu a Coreia do Sul. Esses dois acontecimentos fizeram com que no Ocidente se suspeitasse que a União Soviética buscava a dominação mundial.

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Sumário

- As Nações Unidas
- A Divisão da Europa
- Novas Políticas Norte-Americanas
- A Separação da Iugoslávia
- Crises na Alemanha
- Estados Unidos e União Soviética
i. "Coexistência Pacífica" e a Crise dos Mísseis em Cuba
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