Governo Médici

Governo Médici (1969-1974)

O governo Médici ficou marcado pelo crescimento da economia, fenômeno denominado “Milagre Econômico”. O mandato do presidente Médici foi um momento de euforia na história do Brasil. Ao mesmo tempo, o governo Médici foi um dos mais repressores do regime militar e foi apelidado de “Anos de Chumbo”. Emílio Garrastazu Médici, o 28º presidente da República do Brasil, governou o País entre 30 de outubro de 1969 e 15 de março de 1974.


Presidente Médici

Em outubro de 1969, 240 oficiais-generais indicaram o general Emílio Garrastazu Médici, ex-chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI), para presidente da República. Após dez meses em recesso e tendo 93 dos seus deputados cassados, o Congresso foi reaberto para oficializar a escolha do terceiro presidente militar. A Arena referendou a indicação de Médici e o MDB absteve-se.

Em janeiro de 1970, uma lei fortaleceu a censura à imprensa. Os jornais passaram a ser controlados por censores da Polícia Federal, que vetavam assuntos previamente proibidos, como tortura a presos políticos e artigos que favoreciam a anistia e os direitos humanos. Os espaços em branco, deixados pelas matérias censuradas, eram preenchidos com receitas culinárias ou poesias.

A censura não se limitava à imprensa. Peças de teatro, filmes e músicas que veiculassem mensagens políticas contrárias às políticas do governo militar eram censuradas.

Em fevereiro de 1970, durante o período de férias no Congresso, o presidente escolheu indiretamente os novos governadores estaduais. Em novembro, durante as eleições para deputados e senadores, o MDB foi derrotado nas urnas. Dois anos mais tarde, uma emenda constitucional adiou as eleições diretas para governador, previstas para outubro de 1974.

A guerrilha

O fortalecimento da censura a todos os meios de comunicação e o sucesso da operação de sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, estimularam o crescimento de guerrilheiros de extrema esquerda.

Em 1970, a Vanguarda Popular Revolucionária e a Ação Libertadora Nacional prenderam o cônsul do Japão e os embaixadores da Alemanha e da Suíça. Os membros da VAR-Palmares roubaram 2.5 milhões de dólares do cofre do ex-governador paulista Ademar de Barros.

Para lutar contra os grupos de guerrilha, o Exército criou duas organizações: o Departamento de Operações Internas (DOI) e os Centros de Operação de Defesa Interna (CODI). O DOI-CODIS mataram militares de esquerda e forçaram os guerrilheiros a voltaram-se para o campo.

Em 1970, o ex-capitão do Exército Carlos Lamarca estabeleceu-se com alguns homens no vale do Ribeira, no interior de São Paulo. Mas os guerrilheiros foram cercados por patrulhas do Exército e fugiram para o interior da Bahia, onde Lamarca foi assassinado no ano seguinte.

Em 1972, membros de diversas organizações clandestinas que se opunham ao governo reuniram-se em Araguaia, entre os estados do Pará, Maranhão e Goiás, sob a organização do Partido Comunista do Brasil (PC do B). A guerrilha do Araguaia, apoiada pelo bispo local, dom Pedro Casaldáliga, e da população nativa, composta de camponeses, resistiu por três anos ao cerco de milhares de homens das Forças Armadas brasileiras. Porém, em janeiro de 1975, ela foi extinta.

O "milagre brasileiro”

No início da década de 1970, havia disponibilidade de capitais para investimento no mercado internacional. Além disso, o petróleo era barato. Essas circunstâncias e as facilidades concedidas pelo governo brasileiro aos exportadores (incentivos fiscais e desvalorizações do cruzeiro em relação ao dólar) ajudaram o Brasil a diversificar suas exportações. O Brasil passou a exportar uma série de produtos agrícolas e manufaturados: calçados, televisores, máquinas e veículos, além dos tradicionais açúcar, algodão e café. Aos produtores, era mais vantajoso exportar do que vender para o mercado interno. Com as exportações, o Estado acumulava divisas.

De acordo com as estatísticas econômicas, entre 1971 e 1972, o governo controlava 80% das exportações de minério de ferro, 80% da capacidade nacional de gerar energia elétrica, 72% da indústria siderúrgica e 81% da produção petrolífera.

O Estado militar teve como um de seus objetivos consolidar os setores básicos da economia brasileira. Em setembro de 1973, o presidente Garrastazu Médici criou a Siderúrgica Brasileira S.A. Sua meta era triplicar a produção brasileira de aço e criar junto à Nippon Steel e à Kawasaki Steel (ambas japonesas), novas usinas siderúrgicas. Em 1974, a busca pelo petróleo levou à descoberta da bacia submarina de Campos, no estado do Rio de Janeiro. Mas o Brasil ainda continuava a depender das importações de aço e petróleo.

Visando autossuficiência na produção de energia elétrica, o Brasil assinou um acordo bilateral com o Paraguai para a construção da Usina de Itaipu, em 1973.

Mas o que realmente impulsionava a indústria nacional eram os bens de consumo duráveis: eletrodomésticos e veículos automotores que ganhavam o mercado externo. Em 1971, a infraestrutura automobilística atingiu sua plena produtividade; a indústria de autopeças, situada nos arredores de São Paulo, empregava cerca de 200.000 funcionários.

A indústria de construção civil também cresceu bastante nesta época, em grande parte devido ao crescimento no número de pessoas que migravam para São Paulo em busca de oportunidades de trabalho.

Cerca de um milhão de novas moradias foram construídas em dez anos de governo militar, financiadas pelo Banco Nacional de Habilitação, que fora criado pelo presidente Castelo Branco em 1964. Porém, apenas uma pequena parcela destas novas moradias eram casas populares.

A classe média brasileira, tendo acesso a novas linhas de crédito, ampliou sua capacidade de compra.

Além de mercadorias, os brasileiros compravam ações e investiam em cadernetas de poupança, que ofereciam altos rendimentos. Entre 1970 e 1971, as Bolsas de Valores do Rio de Janeiro e de São Paulo registravam os maiores volumes de negócios de sua história.

Na região Norte, grandes grupos nacionais e estrangeiros iniciaram projetos agropecuários, madeireiros e extrativo-minerais na floresta Amazônica. O Projeto Jarí, do milionário norte-americano Daniel Keith Ludwig, por exemplo, ocupava uma área de sessenta mil quilômetros quadrados. Outras grandes empresas estrangeiras negociaram sua participação na exploração do riquíssimo subsolo mineral amazônico.

Para facilitar o escoamento dessa produção, o governo militar financiou a construção de portos e rodovias, entre elas, a Transamazônica, com cinco mil quilômetros de extensão.

O “milagre econômico” brasileiro foi explorado pelo governo para justificar sua repressão aos grupos opositores. “Brasil: ame-o ou deixe-o”, dizia a propaganda oficial do governo militar.

Além do crescimento econômico, a conquista do tricampeonato mundial de futebol pela seleção do Brasil, na Copa de 1970, contribuiu para exaltar os sentimentos nacionalistas no Brasil.

O fim do “milagre econômico”

O modelo econômico do governo militar – baseado na opção pelo mercado exportador e pelos empréstimos estrangeiros – revelou sua fragilidade quando, em 1973, os países fornecedores de petróleo aumentaram seus preços drasticamente. O comércio internacional decresceu e os países dependentes, como o Brasil, ficaram endividados.

O governo brasileiro encontrava dificuldades para pagar as importações e financiar grandes construções de indústrias e de infraestrutura nacional. O Brasil recorreu a novos empréstimos e imprimiu mais dinheiro, o que resultou em mais e mais inflação. As consequências disto foram a concentração de renda – apenas dez bancos passaram a controlar o dinheiro do país – e a especulação – pois, com a inflação, os empresários ganhavam mais dinheiro (e a menor risco) investindo em ações e em outros títulos do mercado financeiro, do que investindo em suas empresas e em novos empreendimentos que gerariam empregos.

Enquanto as grandes empresas cresciam e enriqueciam, as pequenas e médias fechavam. Os níveis de emprego e os salários caíam. As estatísticas de 1973 revelam que, dentre uma população de quase 23 milhões de empregados na zona urbana, cerca de metade ganhava menos de um salário mínimo e havia quase 1 milhão de desempregados.

Os poucos programas sociais propostos durante os governos dos presidentes Costa e Silva e Médici, como o Plano Nacional de Saúde, o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral) e a reforma agrária, anunciada em 1971, ficaram praticamente paralisados devido à ineficiência do governo, ao desinteresse geral e à desaceleração da economia brasileira. Infelizmente, o “milagre econômico” não beneficiou milhões de brasileiros.

Sumário

- A guerrilha
- O "milagre brasileiro”
- O fim do “milagre econômico”
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