A Sociedade Colonial

A SOCIEDADE COLONIAL

A sociedade colonial era escravista e baseada na economia latifundiária. A primeira cultura a render lucros foi a cana-de-açúcar. Durante o período da sociedade colonial, o Brasil se tornou o maior produtor e exportador de açúcar.

A sociedade colonial

A elite branca, proprietária de terras e de escravos, situava-se no topo da pirâmide social da Colônia. Os senhores de engenho, donos de imensa fortuna e dominando grande número de pessoas, “formavam uma aristocracia de riqueza e poder, mas não uma nobreza hereditária do tipo que existia na Europa. O rei concedia títulos de nobreza por serviços prestados ou mediante pagamento”. (Boris Fausto, História do Brasil, EDUSP, p.80). Eram os brancos ricos que exerciam o poder político na Colônia, monopolizando as decisões. Por exercerem seu controle sobre a massa da população colonial (negros e brancos pobres), os senhores tinham grande prestígio social.

A base da sociedade colonial brasileira era formada pelos negros escravos. O trabalho compulsório, em processo de extinção na Europa, foi adotado no Novo Mundo dadas as condições da formação e consolidação do capitalismo comercial: no século XVI, o objetivo maior das potências europeias era o acúmulo de riqueza e, para atingi-lo, foi utilizado em diversas colônias da América, o trabalho escravo. No caso português, a opção teve como incentivo a escassez de mão de obra livre pela falta de excedente populacional na metrópole que pudesse suprir as necessidades coloniais. Além disso, quem seria o trabalhador livre que, chegando ao território brasileiro e deparando-se com a imensidão de terra ociosa, estaria disposto a trabalhar em troca de um salário na propriedade de outros? E ainda, o tráfico de africanos era um negócio altamente rentável para os mercadores lusos, que detinham o monopólio desse setor do comércio internacional.

A sociedade colonial - o tráfico escravista
O tráfico escravista: negros num navio “tumbeiro”

"Os escravos são as mãos e os pés dos senhores de engenho", afirmava, em 1711, o jesuíta Antonil, observando a importância econômica dos escravos na sociedade patriarcal brasileira. Eram eles que desempenhavam todas as atividades produtivas no universo do engenho: trabalhavam nos canaviais, plantando e colhendo cana; cuidavam da transformação da cana em açúcar na fábrica dos engenhos; dedicavam-se a todas as atividades domésticas da casa-grande, como cozinheiras, cos­tureiras, mucamas, cocheiros, amas de leite, moleques de recado entre outras; mantinham, na maioria das vezes, uma roça de onde extraíam parte de sua subsistência; e tratavam dos animais e de todos os afazeres necessários à sobrevivência do engenho. Também nas cidades, os escravos eram responsáveis por todas as atividades que demandassem qualquer espécie de esforço físico.

A primeira leva de escravos africanos desembarcou no Brasil em 1550, no porto de Salvador. Ao longo do período colonial e até a extinção da escravidão no Brasil, milhões de negros, capturados na África e transportados em tumbeiros, vieram para as terras brasileiras, para trabalhar nas mais diversas atividades econômicas. Os principais grupos de africanos desembar­cados no Brasil foram os sudaneses, originários da Nigéria, Daomé (hoje, Benin) e Costa do Ouro, contando com grupos islamizados, denominados malês, e os bantos, de Angola, Congo e Moçambique.

A mortalidade dos negros a bordo dos negreiros era bastante elevada, como demonstram os relatos de diversos observadores. Chegando ao Brasil, eram enviados a merca­dos, onde eram vendidos. Nesse momento, muitas famílias eram separadas, devido à preferência dos compradores pelos homens adultos.

Nos engenhos nordestinos, o trabalho dos escravos era vigiado pelos feitores, encarregados de castigar os negros faltosos. A jornada de trabalho, especialmente nas épocas de plantio e corte da cana, estendia-se por mais de 18 horas diárias, inclusive à noite. A alimentação, o vestuário, as habitações e os cuidados médicos nem sempre eram suficientes às necessidades dos escravos, que tinham uma baixa expectativa de vida. Para agravar a situação, eram frequentemente expostos a maus-tratos por parte dos senhores.

Os escravos brasileiros, porém, não aceitaram passivamente o peso da escravidão e desenvolveram inúmeras formas de resistência. A mais comum era a fuga, resultando, por vezes, na formação de quilombos (comunidades de negros fugitivos). Mas o suicídio, o aborto, o infanticídio, o assassinato de senhores e feitores, também eram comuns na sociedade colonial brasileira.

O mais importante símbolo de luta contra a escravidão em toda a história do Brasil foi o Quilombo dos Palmares (1600-1695). Liderados a princípio por Canga Zumba e depois por Zumbi, os negros organizaram, em Alagoas e no sul de Pernambuco, um verdadeiro Estado livre. A invasão holandesa fez crescer a população do quilombo, que, ao longo do século XVII, resistiu às investidas dos proprietários e autoridades lusitanas.

Em 1690, os portugueses decidi­ram organizar um ataque arrasador à cidadela africana. Para isso foi contratado Domingos Jorge Velho, conhecido por sua habilidade em destruir quilombos. Os negros, porém, não se mostravam dispostos à rendição e lutaram até às últimas consequências. A tática utilizada por Jorge Velho foi o cerco, im­posto por muito tempo. Como isso não surtiu efeito, recorreu a outro estratagema: vestiu alguns negros com roupas contaminadas pelo vírus da varíola e fez com que fossem recolhidos pelos quilombolas. A doença espalhou-se rapidamente pela comu­nidade, o que tornou desesperadora a situação para os escravos, carentes de víveres e contaminados pela varíola.

Palmares, após intensa resis­tência, foi aniquilado em 1695. Zumbi, seu líder, foi capturado tempos depois, teve sua cabeça cor­tada e exposta em Olinda.

Entre os dois extremos da sociedade colonial, senhores e escravos, ficavam os libertos e os trabalhadores brancos. Alguns deles exerciam ofícios artesanais no campo e nas cidades (ferreiros, marceneiros, oleiros); outros possuíam alguma habilidade especial e, por isso, eram bem remunerados (os mestres de açúcar, por exemplo). Muitos libertos acabaram sendo utilizados na vigilância do trabalho dos escravos (feitores e capatazes e até capitães do mato). Havia também pequenos proprietários de terra, dependentes de um senhor de engenho, que plantavam cana para depois processá-la no engenho do rico proprietário, sem mencionar pequenos lavradores que se dedicavam ao cultivo de gêneros de subsistência em pequenas roças.

“Vimos as condições gerais em que se constitui aquela massa popular - a expressão não é exagerada -, que vive mais ou menos à margem da ordem social: a carência de ocupações normais e estáveis capazes de absorver, fixar e dar uma base segura de vida à grande maioria da população livre da colônia. Esta situação tem causas profundas, de que vimos a principal mais saliente e imediata: a escravidão, que desloca os indivíduos livres da maior parte das atividades e os força para situações em que a ociosidade e o crime se tornam imposições fatais. Mas alia-se, para o mesmo efeito, outro fator que se associa aliás intimamente a ela: o sistema econômico da produção colonial. No ambiente asfixiante da grande lavoura, vimo-lo noutro capítulo, não sobra lugar para outras atividades de vulto. O que não é produção em larga escala de alguns gêneros de grande expressão comercial e destinados à exportação, é fatalmente relegado a um segundo plano mesquinho e miserável. Não oferece, e não pode oferecer campo para atividades remuneradoras e de nível elevado. E assim, todo aquele que se conserva fora daquele estreito círculo traçado pela grande lavoura, e são quase todos além do senhor e seu escravo, não encontra pela frente perspectiva alguma.”
(PRADO JR., Caio. Formação do Brasil Contemporâneo. 17a. ed., São Paulo, Brasiliense, 1981, p.285)

Sumário

- A sociedade colonial
- A administração da Colônia
i. As Capitanias Hereditárias
- Os Governos-Gerais
- As Câmaras Municipais
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