A República Oligárquica (1894 - 1930)

A República Oligárquica (1894 - 1930)

A República Oligárquica (1894-1930) constituiu o período que se estendeu do fim da República da Espada ao início da Era Vargas. Durante a República Oligárquica (1894-1930), o Brasil era comandado pelas elites agrárias – os produtores rurais de Minas Gerais e São Paulo.

A palavra oligarquia significa “poder nas mãos de poucos”. Um governo oligárquico é liderado por um grupo de pessoas unidas pelo mesmo partido político ou atividade econômica. Durante a República Oligárquica, a elite oligárquica do Brasil se mantinha no poder por meio de seu poderio econômico.

Aspectos gerais da República Oligárquica (1894-1930)

República Oligárquica é a denominação dada ao período que se segue à República da Espada e que tem como característica principal o predomínio econômico e político no país da oligarquia cafeicultora de São Paulo e Minas Gerais. Essa fase da história republicana do Brasil se estende de 1894, com a eleição do primeiro presidente civil, Prudente de Morais, até a revolução que aboliu o monopólio político dos cafeicultores e deu início à chamada “Era Vargas”: a Revolução de 1930.

Alguns elementos básicos caracterizaram esse período histórico:

Disputa entre civis e militares

A implantação do regime republicano no Brasil foi resultado da união de interesses de diversos setores da sociedade brasileira no final do século XIX, sobretudo dos que almejavam uma “modernização” econômica e institucional. Nesse movimento, destacaram-se os militares, que ocuparam o poder nos primeiros anos da República, e os cafeicultores do oeste paulista. As divergências entre esses dois grupos emergiram logo após a proclamação da República: enquanto os militares, fortemente influenciados pela ideologia positivista, acreditavam em sua missão de “salvação nacional” e, para isso, defendiam a centralização do poder, os civis, representando, sobretudo, a oligarquia cafeicultora paulista, buscavam a descentralização política com ampla autonomia estadual e objetivavam o controle sobre a economia nacional, defendendo sempre seus interesses.

Na disputa entre civis e militares, marcante nos primeiros anos do regime republicano no Brasil, os civis acabaram se assenhoreando do poder, até pela fraqueza intrínseca do Exército brasileiro nesse período.

A Política do Café com Leite

Assim chamado o revezamento no poder entre a elite cafeicultora paulista e mineira. Os fazendeiros de café de São Paulo e Minas Gerais, desde o final do século XIX, asseguraram riqueza e prestígio, graças à forte demanda externa do produto. Introduzindo o trabalho assalariado e modernizando a atividade produtiva, o que lhes garantia maior produtividade e, consequentemente, maiores lucros, esses estados obtiveram facilmente a supremacia econômica e política no país. Tal supremacia política era garantida pela própria Constituição, que previa ampla autonomia estadual e representação proporcional na Câmara dos Deputados (o número de deputados de cada estado era proporcional ao número de habitantes; assim, os estados mais populosos, a exemplo de São Paulo e Minas Gerais, tinham mais representantes e conseguiam, dessa forma, defender mais facilmente seus interesses). Durante a República Velha, paulistas e mineiros se alternaram na presidência da República.

Política dos Governadores

Mecanismo político, criado durante o governo de Campos Sales, que assegurava a hegemonia política estadual para os setores aristocráticos ligados ao governo federal. Assim, os governantes estaduais davam apoio irrestrito ao Presidente da República que, por sua vez, só permitia a vitória eleitoral dos deputados pertencentes aos grupos estaduais ligados ao governador. Tal mecanismo inviabilizava a vitória dos setores de oposição nos estados. Mas como impedir a vitória das oposições? Por meio da atuação da Comissão Verificadora de Poderes – órgão que reconhecia os resultados eleitorais, impedindo que deputados indesejáveis, mesmo vitoriosos nas urnas, assumissem os cargos (“degola”).

Coronelismo e voto de cabresto

No Brasil da República Velha, surgiu uma forma de mandonismo local conhecido como coronelismo – fenômeno político oriundo do processo de “universalização” do voto instituída pela República. O termo “coronel” provém do mais elevado título da extinta Guarda Nacional, posto invariavelmente ocupado por um grande proprietário de terras. O termo “coronel” foi, portanto, estendido a todo grande chefe político local, cujos poderes advinham não apenas de seu poderio econômico, mas também de sua capacidade de controlar o eleitorado local (“currais eleitorais”). O controle do eleitorado e a consequente eleição de políticos apadrinhados pelos coronéis para os cargos representativos municipais, estaduais e federais ocorriam por meio da violência ou da concessão de favores (“voto de cabresto”). Isso só era possível graças ao fato do voto, na República Velha, ser aberto.

A política de valorização do café

Durante a segunda metade do século XIX, o café foi o principal produto de exportação da economia brasileira, propiciando a modernização econômica do país. Todavia, a partir de 1895, a cafeicultura começou a dar sinais de crise, sobretudo porque o crescimento da demanda não acompanhava o ritmo de crescimento da produção (crise de superprodução). Os preços do produto caíram no mercado externo e, para garantir os lucros dos cafeicultores, o governo federal, que representava seus interesses econômicos, criou mecanismos artificiais de valorização do produto. Com isso, porém, repassava para a população os efeitos da crise, mantendo a rentabilidade dos produtores que, dessa forma, mantinham os investimentos no setor, contribuindo para acentuar ainda mais a própria crise. A chamada política de valorização do café funcionava da seguinte forma: os governos estaduais tomavam capital emprestado no exterior (tinham autonomia para isso), compravam o café excedente e o estocavam, aguardando uma elevação do preço do produto no mercado externo. O endividamento dos estados, porém, promovia uma desvalorização da moeda, encarecendo os produtos industrializados importados e gerando a elevação dos índices inflacionários.

Café sendo transportado no porto de Santos
Café sendo transportado no porto de Santos

A solução para o problema da superprodução de café era, portanto, adiada, e os custos para manter a política de valorização do produto recaía sobre toda a população brasileira. Essa política foi chamada por Celso Furtado de “política de socialização das perdas”.

Contudo, vale ressaltar que o encarecimento das importações acabou propiciando um surto industrial no país, já que muitas fábricas passaram a produzir no Brasil o que no exterior estava cada vez mais difícil de obter. Eram basicamente indústrias de bens de consumo (têxtil e alimentícia), que empregavam uma parte significativa da população urbana. As cidades do Rio de Janeiro e São Paulo foram as que mais se beneficiaram desse surto industrial. Nelas surgiu um operariado, constituído, sobretudo no caso de São Paulo, de imigrantes liberados pela cafeicultura. A consciência operária começou também a se fortalecer nesse período, inspirada principalmente nas ideias anarcossindicalistas trazidas pelos imigrantes.

Os presidentes da República Velha

PRUDENTE DE MORAIS (1894 – 1898)

Presidente Prudente de Morais
Presidente Prudente de Morais

Prudente de Morais foi o primeiro presidente civil eleito no Brasil, representando a oligarquia cafeeira paulista (fração hegemônica dos grandes proprietários rurais exportadores). Os fazendeiros de café apoiaram a substituição da Monarquia pela República, mas não tiveram condições políticas para assumir o poder imediatamente após a Proclamação. Isso porque não havia um partido que os representasse com projeto nacional (a única instituição que não apresentava caráter regional, na época, eram as Forças Armadas): subsistia uma significativa diversidade de interesses, pois para derrubar a Monarquia, muitos setores sociais se uniram e, na organização do novo governo, afloraram as divergências, sobretudo, entre civis e militares. Estes foram os que tomaram o poder e buscavam uma modernização econômica do país por meio da adoção de medidas industrializantes, o que se opunha ao projeto agroexportador da aristocracia cafeeira. Finalmente, o Exército se fortaleceu bastante em função da necessidade de repressão dos inúmeros movimentos sociais que eclodiram no início do período republicano.

A partir de 1893, no entanto, a oligarquia cafeicultora contava com as condições necessárias para assumir o controle político do país. Prudente de Morais venceu as eleições disputadas com Floriano Peixoto, que pretendia permanecer no poder, representando os interesses modernizadores de alguns segmentos da sociedade brasileira.

O governo de Prudente foi cauteloso e comedido: deu prosseguimento à política de pacificação dos movimentos rebeldes e de unificação nacional, iniciado no governo anterior, imprimindo, porém, à unificação, uma nova direção: objetivava, sobretudo, garantir os interesses oligárquicos, mais precisamente, os da oligarquia cafeeira paulista.

Promoveu também uma política de incentivo à indústria, financiando a importação de máquinas e equipamentos industriais, já que a iniciativa privada não dispunha dos capitais necessários, ou não estava disposta a empatá-los dessa maneira, e adotou tarifas alfandegárias protecionistas que dificultaram a entrada de gêneros industrializados estrangeiros no país. Objetivava, com isso, evitar uma concorrência desvantajosa entre os produtos nacionais e os estrangeiros.

Tal política de incentivo à indústria, no entanto, gerou oposição das oligarquias rurais, que desejavam que os recursos governamentais fossem direcionados exclusivamente para o setor agrícola. Além disso, esse segmento dependia muito das importações de industrializados, que encareceram muito com o protecionismo adotado pelo presidente.

Simultaneamente, as divergências entre o governo e os “florianistas” se aprofundaram. A pacificação conquistada no Rio Grande do Sul, contra os federalistas, fortaleceu o poder do presidente, mas ele adoeceu logo em seguida e foi substituído pelo vice, Manoel Vitorino, representante da ala florianista do Partido Republicano Federal.

O poder do governo central sofre grande abalo com a eclosão do movimento de Canudos, no sertão do Nordeste, e com a incapacidade do governo em debelá-la prontamente. Prudente, recuperado da doença, reassumiu o cargo, mas a crise não diminuiu, não só devido à guerra contra os sertanejos de Canudos, mas também à ineficácia das medidas econômicas adotadas pelo governo para solucionar a crise que se manifestava.

Em 1897, Prudente de Morais conseguiu reverter o quadro de enfraquecimento em que se encontrava o governo federal. A crise no interior do grupo militar e a vitória sobre os rebeldes de Canudos garantiram-lhe relativa estabilidade. Além disso, o presidente foi vítima de uma tentativa de atentado, o que lhe deu razões para decretar o Estado de Sítio no país e concentrar amplos poderes em suas mãos.

O fortalecimento da autoridade central permitiu ao presidente combater seus adversários e assegurar o domínio completo da oligarquia cafeeira paulista sobre a vida política da nação.

CAMPOS SALES (1898 – 1902)

Presidente Campos Salles
Presidente Campos Salles

Terminado o governo de Prudente de Morais, iniciou-se o período de governo de um novo representante da oligarquia cafeicultora paulista: Campos Sales.

A política econômica do novo presidente, no entanto, expressando o triunfo dos interesses agroexportadores, foi contrária à industrialização do país – o que agradou bastante às potências imperialistas, que lutavam para obter espaços privilegiados para o escoamento de seus excedentes industriais.

Logo ao assumir a presidência, Campos Sales foi obrigado a enfrentar a terrível situação financeira em que se encontrava o país. A inflação e o desemprego avançavam ao passo que os preços do café despencavam no mercado externo. O Ministro da Fazenda de Campos Sales, Joaquim Murtinho, adotou medidas drásticas para conter o déficit financeiro: cortou o crédito à indústria, paralisou as emissões de moeda, criou novos impostos, aumentou os já existentes, reduziu as despesas públicas e conteve os aumentos de salário dos trabalhadores. Tais medidas geraram enorme insatisfação entre diversos segmentos sociais, especialmente entre as classes médias urbanas e os trabalhadores assalariados.

Além disso, o governo Campos Sales firmou com os bancos credores um acordo denominado Funding Loan, que previa:

  • empréstimo de 10 milhões de libras para o governo brasileiro;
  • moratória de três anos para o pagamento dos juros da dívida brasileira;
  • prazo de 13 anos para o Brasil começar a pagar as dívidas e 63 anos para liquidá-las;
  • recolhimento e queima de moedas no valor correspondente a 10 milhões de libras (redução do meio circulante para tentar conter a inflação);
  • garantia do pagamento de dívidas: renda da alfândega do Rio de Janeiro e lucros da Estrada de Ferro Central do Brasil.

RODRIGUES ALVES (1902 – 1906)

Presidente Rodrigues Alves
Presidente Rodrigues Alves

Rodrigues Alves foi indicado como sucessor pelo governo Campos Sales. Como as fraudes eleitorais sempre garantiam a vitória do candidato do governo, o ex-ministro da Fazenda de Prudente de Morais foi eleito para a presidência da República com grande margem de votos.

O novo presidente foi favorecido pela amenização da crise econômica, graças ao surto da borracha. A recuperação parcial da economia brasileira permitiu ao governo obter novos empréstimos no exterior, mas que acabavam sendo consumidos pela política de valorização do café.

Seu governo também se destacou pela reurbanização da cidade do Rio de Janeiro, que, na época, era a capital do país. Ruas foram alargadas e avenidas e praças foram construídas. Foram feitos diversos aterros para acabar com os pântanos da cidade. Os cortiços em que vivia boa parte da população pobre foram desapropriados e destruídos.

O saneamento e a higiene mereceram atenção especial do presidente, pois grassava na cidade uma epidemia de febre amarela e de varíola. O médico Oswaldo Cruz foi escolhido para comandar a luta contra as epidemias. Ele instituiu a vacina obrigatória para toda a população da cidade do Rio de Janeiro, o que gerou uma violenta revolta conhecida como A Revolta da Vacina.

Foi durante o governo de Rodrigues Alves que ocorreu o Convênio de Taubaté – reunião de representantes dos principais estados produtores de café – São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Espírito Santo – para discutir e implementar soluções para a crise que atingia a economia cafeeira. Nesse convênio foi decidida a implantação da política de valorização do café, que, como vimos, buscava assegurar a margem de lucro dos fazendeiros de café, penalizando o restante da população brasileira.

AFONSO PENA (1906 – 1909)

Presidente Afonso Pena
Presidente Afonso Pena

Representante dos produtores de café de Minas Gerais, Afonso Pena encampou a política de valorização do café, instituída pelos governos estaduais desde o Convênio de Taubaté. Assim, a partir da criação do Plano Nacional de Valorização do Café, o governo federal se encarregaria de adquirir o excedente da produção de café, estocando-o para, quem sabe, forçar um aumento de preços no mercado externo, ou, ao menos, impedir que o excesso de produção fizesse com que caíssem ainda mais. A compra desse café, entretanto, era financiada com recursos obtidos no exterior, o que aprofundava a dependência brasileira dos capitais estrangeiros.

NILO PEÇANHA (1909 – 1910)

Presidente Nilo Peçanha
Presidente Nilo Peçanha

O presidente Afonso Pena faleceu antes de terminar seu mandato e, em seu lugar, assumiu o vice-presidente, Nilo Peçanha. Durante os meses em que permaneceu à frente da presidência, Nilo Peçanha criou o Serviço de Proteção ao Índio – reivindicação do marechal Cândido Rondon – e o Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio.

A campanha pela sucessão presidencial foi bastante disputada, já que havia um militar disputando as eleições. O Marechal Hermes da Fonseca representava setores conservadores das oligarquias estaduais, ao contrário de Rui Barbosa, que, representando setores progressistas das classes médias urbanas de São Paulo e Bahia, defendia reformas políticas, a moralização das eleições e o antimilitarismo.

A Campanha Civilista, a favor de Rui Barbosa, porém, não foi suficiente para impedir a vitória de seu adversário.

HERMES DA FONSECA (1910 – 1914)

Presidente Hermes da Fonseca
Presidente Hermes da Fonseca

Desde o fim do governo de Floriano Peixoto, os militares deixaram de ocupar o centro das decisões políticas no país, apesar de ocuparem cargos burocráticos no aparelho de Estado. A oligarquia cafeeira de São Paulo e Minas Gerais conseguiu monopolizar o poder durante anos, mas divergências surgidas no interior da coalizão, devido, sobretudo, à grave crise que atingia o setor cafeeiro da economia brasileira, permitiram o retorno dos militares ao poder em 1910, na pessoa do marechal Hermes da Fonseca, representante das oligarquias regionais que também não ocupavam o centro do cenário político nacional, particularmente as do Norte e Nordeste.

Durante o seu governo, Hermes da Fonseca adotou a chamada Política das Salvações – tentativa frustrada de obter relativa autonomia em relação aos grupos que o elegeram. Tal política consistia em intervenções de tropas militares em estados que desejavam controlar rigidamente as atitudes do presidente. Hermes da Fonseca alegava que estava garantindo a pureza das instituições republicanas.

O salvacionismo do governo gerou várias revoltas no Nordeste brasileiro, sendo que a mais violenta foi no Ceará, envolvendo o padre Cícero. Os seguidores do beato foram usados em uma luta de coronéis.

Outra importante revolta ocorrida durante o governo de Hermes da Fonseca foi a Revolta da Chibata. Na Marinha brasileira, ainda eram empregados castigos físicos para punir os marinheiros faltosos, revelando profunda disparidade entre a modernização da instituição, que contava com navios modernos e equipados, e o Código Disciplinar a que estavam sujeitos seus membros.

No navio Minas Gerais, um marinheiro foi violentamente açoitado, o que gerou a revolta de seus companheiros. Liderados por João Cândido, os tripulantes do navio se amotinaram e assumiram o controle do encouraçado. Muitos oficiais e marinheiros morreram nos choques contra as tropas federais até que os revoltosos manobraram os navios na Baía de Guanabara e apontaram os canhões para os principais pontos da cidade do Rio de Janeiro, ameaçando bombardeá-la caso o governo não atendesse às suas reivindicações.

A rebelião recebeu a adesão de alguns parlamentares e de parte da população carioca, obrigando o presidente a ceder às pressões dos rebelados, que acabaram sendo anistiados. Uma vez debelado o movimento, Hermes da Fonseca mandou prender muitos rebeldes e esmagou definitivamente a revolta.

VENCESLAU BRÁS (1914 – 1918)

A reaproximação de paulistas e mineiros, divididos no período anterior – o que favoreceu a eleição de Hermes da Fonseca –, garantiu a vitória do líder mineiro, Venceslau Brás, nas eleições à presidência da República, em 1914.

Seu governo desenrolou-se em meio aos efeitos da Primeira Guerra Mundial, dentre os quais merece destaque a grande prosperidade e o enriquecimento dos países da América Latina. Isso se deveu à necessidade de substituição de gêneros industrializados importados, que não chegavam à região devido ao conflito. Nasceu assim uma burguesia industrial, que prosperou graças ao desenvolvimento de fábricas que produziam bens de consumo.

Juntamente com o crescimento industrial brasileiro, fortaleceu-se, numérica e ideologicamente, a classe operária. Devido às péssimas condições de vida e de trabalho, os operários das indústrias de São Paulo e Rio de Janeiro – em sua maioria, imigrantes – iniciaram uma luta por melhoria na sua qualidade de vida. Foi em 1917 que ocorreu a primeira grande greve da história do Brasil.

A guerra de Canudos

Cena do filme – “Guerra de Canudos”
Cena do filme – “Guerra de Canudos”

A guerra de Canudos foi um conflito envolvendo os sertanejos miseráveis do interior da Bahia e as tropas federais.

A difícil situação da população sertaneja do Nordeste estava ligada à injusta estrutura fundiária do Brasil, que condenava à miséria e ao abandono a imensa população nordestina – situação que não despertava a atenção da elite proprietária de terras ou do governo.

As tensões sociais se agravavam em períodos de seca prolongada, tão comuns no Nordeste brasileiro. Para os sertanejos, as saídas eram a emigração – dificultada pela precariedade dos meios de comunicação e transportes –, o banditismo social – cuja maior expressão foi o cangaço –, ou o misticismo religioso.

No final do século XIX, o Nordeste enfrentou um terrível período de seca e, nesse contexto, surgiu um líder messiânico, Antônio Conselheiro, que prometia a salvação eterna em troca das misérias terrenas. Percorria o interior nordestino, fazendo discursos e supostas profecias, construindo ou reformando igrejas e cemitérios e prestando assistência material e espiritual aos mais carentes, pois até o clero católico não demonstrava empenho em ampará-los. Conseguiu, assim, um grande número de seguidores, que o acompanhavam em suas peregrinações. As autoridades não se opunham às atividades de Conselheiro, pois não pareciam ameaçar a ordem vigente.

Em 1893, Antônio Conselheiro e seus seguidores se instalaram em uma fazenda abandonada às margens do rio Vaza Barris, no interior da Bahia, chamada de Canudos, onde fundaram um arraial. Para lá começaram a se deslocar multidões de miseráveis, em busca de uma alternativa ao sofrimento resultante da exploração imposta pelos grandes latifundiários nordestinos. A partir de então, Canudos se tornou uma ameaça à organização aristocrática da sociedade brasileira. A repressão não tardou, pois muitos fazendeiros da região se queixavam da falta de trabalhadores em suas terras.

Antônio Conselheiro, além de procurar organizar uma sociedade onde a justiça imperasse, foi também um grande crítico da ordem republicana que, segundo ele, não trouxera benefícios aos explorados. Muitas de suas atitudes foram consideradas de cunho monarquista, aliado a um “sebastianismo” exacerbado.

Contra o arraial de Canudos organizaram-se várias expedições militares. A primeira, organizada em 1896, contava com cerca de 100 homens, que foram massacrados pelos seguidores do Conselheiro. A segunda dirigiu-se para Canudos em janeiro de 1897, tendo como comandante, Febrônio de Brito. Participaram dessa expedição aproximadamente 500 soldados, armados com metralhadoras e canhões, mas que acabaram sendo vencidos a caminho do arraial.

A terceira expedição contra Canudos, organizada em março de 1897, tinha como comandante o conceituado militar Moreira César e agregava cerca de 1.300 homens. A resistência da população do arraial, porém, impediu sua vitória.

Foi somente uma quarta expedição que conseguiu aniquilar Canudos. Organizada em junho de 1897, envolveu 15 mil soldados, que cercaram o arraial e o atacaram durante meses. A população resistiu corajosamente, mas o uso da artilharia e a escassez de gêneros de abastecimento permitiu a vitória do Exército. A grande maioria dos habitantes do arraial foi morta durante ou após o combate, inclusive o líder Antônio Conselheiro.

O tenentismo

Revolta Tenentista – Forte de Copacabana 1922
Revolta Tenentista – Forte de Copacabana 1922

Diante do enfraquecimento da dominação da oligarquia cafeeira, devido à crise que enfrentava esse setor da economia exportadora brasileira desde o fim do século XIX, nasceu um movimento revolucionário que, apesar de não se apresentar ligado ideologicamente a nenhuma classe social, acabava por refletir os anseios das classes médias urbanas. Propunha, entre outras coisas, reformas políticas, entre as quais se incluíam o fortalecimento do poder central e o voto secreto. Não se afinava, porém, com os desejos das classes populares, pois, não defendia a democratização das instituições políticas brasileiras.

Os tenentes, baixos oficiais das Forças Armadas, promoveram revoltas militares que marcaram os anos de 1922 a 1927, cujos principais episódios foram:

  • a revolta dos “Dezoito do Forte de Copacabana”, ocorrida em 5 de julho de 1922. As críticas ao Exército e a repressão contra o Clube Militar levaram os jovens tenentes a se rebelar, manifestando-se nessa unidade. A rebelião não se estendeu, porém, a outros quartéis. Após soltarem alguns tiros de canhão, os rebeldes foram bombardeados e o quartel cercado. No dia seguinte, a maioria deles se entregou, mas um grupo decidiu resistir, voltando o forte a ser bombardeado por forças leais ao governo. Dezessete militares e um civil que aderiu ao movimento decidiram sair pela praia de Copacabana e, nos choques com os soldados do governo, morreram dezesseis.
  • a Revolução de 1924, em São Paulo. Por ocasião das comemorações dos dois anos do movimento dos “Dezoito do Forte”, eclodiu uma nova rebelião tenentista. Dessa vez, porém, foi mais bem preparada. Tinha como objetivo principal derrubar o governo de Artur Bernardes. Esse presidente sempre demonstrou grande antipatia pelos tenentes. Em São Paulo, alguns quartéis foram tomados pelos rebeldes e aderiram ao movimento. Os choques entre os rebeldes e as forças do governo ocorreram entre 9 e 27 de julho, quando os primeiros abandonaram a cidade em direção a Bauru. Ao mesmo tempo, eclodiram revoltas tenentistas em outras cidades do interior, e o primeiro grupo acabou se fixando no Paraná, onde enfrentou e venceu tropas legalistas. Em abril de 1925, encontrou-se com os paulistas, um grupo de revoltosos que iniciara um movimento no Rio Grande do Sul em outubro de 1924. Nasceu, assim, a chamada Coluna Prestes, grupo de tenentes que decidiu percorrer o Brasil para propagar a ideia de revolução e levantar a população contra as oligarquias. Seu principal líder era Luís Carlos Prestes, daí o nome do movimento. A Coluna percorreu aproximadamente 24 mil quilômetros até fevereiro/março de 1927, evitando choques com forças militares legalistas, quando seus remanescentes deram o movimento por terminado e se refugiaram na Bolívia e no Paraguai. Foi entre os setores urbanos da população brasileira que a Coluna conquistou maior simpatia, pois significou a primeira tentativa efetiva de substituir o poder das oligarquias.

Sumário

- Aspectos gerais da República Oligárquica
- Os presidentes da República Velha
i. Prudente de Morais (1894 – 1898)
ii. Campos Sales (1898 – 1902)
iii. Rodrigues Alves (1902 – 1906)
iv. Afonso Pena (1906 – 1909)
v. Nilo Peçanha (1909 – 1910)
vi. Hermes da Fonseca (1910 – 1914)
vii. Venceslau Brás (1914 – 1918)
- A guerra de Canudos
- O tenentismo
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