População Brasileira

A população brasileira está distribuída de forma irregular, pois há regiões do País que são densamente povoadas e outras que possuem baixa densidade demográfica. A população brasileira se encontra concentrada em três regiões: Sudeste, Nordeste e Sul. As regiões menos povoadas são a Norte e a Centro-Oeste. Atualmente, o Brasil possui a quinta maior população do mundo. A população brasileira é inferior à dos referidos países: China, Índia, Estados Unidos e Indonésia.

 

 

Uma população pode crescer por meio da imigração ou da taxa de natalidade. Por outro lado, pode diminuir devido à emigração e à taxa de mortalidade.

O enorme crescimento de uma população deve-se, principalmente, à diminuição da taxa de mortalidade. Isso ocorre graças aos progressos médicos e sanitários, que prolongam o tempo de vida do homem. Tais progressos tecnológicos resultaram em um rápido crescimento da população brasileira.

Poucos países tiveram um crescimento populacional tão grande e rápido quanto o Brasil no século XX. No período abrangendo 1900 a 2000, o Brasil apresentou o maior percentual de crescimento populacional do mundo: 874%.

Contudo, nas últimas décadas essa tendência mudou. Houve no país uma queda no ritmo de crescimento da população, pois as mulheres passaram a ter menos filhos. Atualmente, o Brasil é considerado um país em transição demográfica: está passando de país jovem para maduro. Em 2013, a taxa de natalidade era de 1,77 filho por mulher. Esse número é menor do que o mínimo necessário para repor a população: dois filhos por mulher.  A tendência é que a taxa de natalidade caia ainda mais.  Segundo as projeções do IBGE, a população brasileira começará a se reduzir a partir de 2042.

A redução populacional enfraquece a economia de um país: significa menos pessoas com idade para trabalhar e pagar impostos. A redução da força de trabalho pode resultar na queda da produção econômica, levando a uma queda no PIB. Redução populacional significa menos pessoas trabalhando e produzindo, mas o mesmo número de pessoas recebendo previdência social.

Em 2014, com uma população de aproximadamente 203 milhões, o Brasil é o quinto país mais populoso do mundo, antecedido por China, Índia, Estados Unidos e Indonésia.

Histórico do Crescimento Populacional Brasileiro

O primeiro censo populacional do país foi feito em 1872 e constatou que havia cerca de 10 milhões de brasileiros. Em 2014, a população brasileira havia passado para 202 milhões de pessoas. Houve um aumento de 20 vezes desde o primeiro recenseamento realizado no Brasil, em 1872. Observe a tabela abaixo, que constata o grande crescimento populacional do Brasil:

Ano Milhões de habitantes
1872 9,9
1900 17,3
1930 41,1
1960 70,0
1980 119,0
1991 150,0
2000 169,5
 2010 190,8

Fonte: IBGE. Tendências demográficas: uma análise preliminar do censo demográfico 2000. Rio de Janeiro, 2001. p. 7.

Como se explica o tão elevado crescimento populacional brasileiro? Como explicado acima, o crescimento populacional resulta do crescimento vegetativo da população e de migrações – isto é, a entrada e saída de pessoas de um território. No caso do Brasil, até a década de 1930, o crescimento populacional foi muito influenciado pela imigração. A partir de então, ele passou a depender quase totalmente do crescimento vegetativo.

O crescimento populacional relativamente baixo entre 1872 e 1940 deveu-se principalmente à elevada taxa de mortalidade, principalmente infantil, devido às más condições médico-hospitalares e sanitárias, à desnutrição e às doenças infecciosas e epidemias. Entre 1940 e 1980, houve uma redução lenta de natalidade, mas uma queda acentuada da mortalidade, pois a população passou a ter mais acesso à assistência médica e hospitalar, à vacinação, à medicina preventiva, ao saneamento básico, enfim, à tecnologia que ajudou a prolongar a vida do homem. A consequência disto foi que em apenas 40 anos, no período de 1940 a 1980, a população brasileira quase triplicou.

Dados do último censo demográfico

O último censo demográfico, fornecido pelo IBGE em 2010, demonstra que as taxas de natalidade e de mortalidade no Brasil foram, respectivamente, de 12 em mil e de 6,25 em mil. A queda no índice de fertilidade se deve a vários fatores: aumento do custo de criação de filhos, maior acesso a métodos anticoncepcionais e maior índice de mulheres que passaram a trabalhar fora de casa.  

As regiões do Brasil com os maiores índices de fecundidade são: Norte e Nordeste.

Entre 2000 e 2010, o crescimento populacional não ocorreu de maneira uniforme entre as regiões e os estados. As maiores taxas médias geométricas de crescimento anual ocorreram nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde a componente migratória e a maior fecundidade contribuíram para o crescimento diferencial.

As regiões mais populosas foram a Sudeste (com 42,1% da população brasileira), Nordeste (27,8%) e Sul (14,4%). Norte (8,3%) e Centro-Oeste (7,4%) continuam aumentando a representatividade no crescimento populacional. Já as demais regiões mantêm a tendência histórica de declínio em sua participação nacional.

As regiões mais populosas do Brasil, em 2010, eram:

Região % da população do Brasil
Sudeste 42,1%
Nordeste 27,8%
Sul 14,4%
Norte 8,3%
Centro-Oeste 7,4%

Os estados mais populosos do Brasil – São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Paraná – concentram, em conjunto, 58,7% da população total do País.

A Pirâmide de Idades

A pirâmide de idades é um gráfico que revela dados sobre o número de habitantes de uma cidade, estado, região ou país, distribuídos por faixa etária e gênero. Ao estudar a pirâmide de idades, é possível fazer constatações sobre a taxa de natalidade e a expectativa de uma população. Quanto maior a base da pirâmide, maior é a taxa de natalidade e a participação dos jovens no conjunto da população. Por outro lado, quanto mais estreito o topo da pirâmide, menos a expectativa de vida e a participação de idosos no conjunto da população.

A queda da taxa de fecundidade e de mortalidade no Brasil nas últimas cinco décadas mudou a estrutura etária da população. Houve uma diminuição do percentual de jovens devido à redução das taxas de natalidade, e o aumento do percentual de adultos e idosos, devido ao aumento da expectativa de vida e à redução da mortalidade. O Brasil pode ser considerado um país em transição demográfica, pois está passando de país jovem para maduro.

A representatividade dos grupos etários no total da população em 2010 é menor que a observada em 2000 para todas as faixas com idade até 25 anos, ao passo que os demais grupos etários aumentaram suas participações na última década.

Pirámide Etária - Brasil 1991
Fonte: U.S. Census Bureau


Fonte: U.S. Census Bureau

Entre 1950 e 2010, o percentual de jovens no Brasil (de 0 a 14 anos) diminuiu de 42% para 25,58%. No mesmo período, o de idosos (acima de 60 anos) mais do que dobrou, passando de 4% para 9,98%. Simultaneamente, a expectativa média de vida do brasileiro passou de 46 para 73,5 anos. Ocorreu, portanto, um envelhecimento da população brasileira. Aumentou a idade mediana – a linha divisória entre os 50% mais velhos e os 50% mais novos da população. Este aumento da parcela de adultos e idosos ocorreu em todas as regiões do Brasil.

A região Norte, apesar do contínuo envelhecimento observado nas duas últimas décadas, ainda apresenta características de uma população jovem, devido aos altos níveis de fecundidade no passado.

Sudeste e Sul apresentam evolução semelhante da estrutura etária, mantendo-se como as duas regiões mais envelhecidas do País. As duas tinham em 2010 8,1% da população formada por idosos com 65 anos.

A região Centro-Oeste apresenta uma estrutura etária e uma evolução semelhantes às do conjunto da população do Brasil. O percentual de crianças menores de 5 anos em 2010 chegou a 7,6%, valor que era de 11,5% em 1991. A população de idosos teve um crescimento, passando de 3,3% em 1991, para 5,8% em 2010.

Proporção da população brasileira em dois grupos de idades - 2000

população brasileira em dois grupos de idades

Segundo o Censo de 2010, a família brasileira diminuiu: na década de 1980, era constituída, em média, por 4,5 pessoas. Em 2010, este número havia caído para 3,37.

Outro dado interessante sobre a estrutura da população brasileira é que há mais mulheres que homens no país. Até a década de 1930, devido à imigração predominantemente masculina, havia mais homens que mulheres no Brasil. Esta relação entre o número de homens e mulheres em uma população é chamado de razão de sexo. Desde 1940, a população feminina ultrapassou a masculina, mas apenas com uma pequena diferença.

Segundo o Censo Demográfico 2010, há no Brasil uma relação de 96,0 homens para cada 100 mulheres, como resultado de um excedente de 3.941.819 mulheres em relação ao número total de homens. A região Norte é a única que apresenta o número de homens superior ao de mulheres (relação de 101,8 para cada 100).

A Mortalidade Infantil no Brasil

Apesar da taxa de mortalidade infantil ter caído no Brasil, os números ainda são preocupantes. Em 1992, de cada mil crianças nascidas, 43,3 morriam. Em 2010, essa média caiu para 21,63. A Região Nordeste tem o maior índice de mortalidade infantil: em 2010, em cada mil crianças nordestinas nascidas, 33,2 morriam. 

A expectativa de vida da população brasileira aumentou. Em 1991, era de 66 anos; em 2010, passou para 73,5 anos. Para os homens, a expectativa de vida é de 69,7 anos, enquanto para as mulheres é de 77,3 anos.

Planejamento Familiar e a redução da taxa de natalidade do Brasil

Para que as mulheres tenham condições de optar conscientemente pelo número de filhos que desejam ter, é necessário que tenham acesso, em primeiro lugar, a um sistema eficiente de educação e saúde. À medida que aumenta o índice de escolarização da população, mais mulheres passam a optar pelo método anticoncepcional que seja mais indicado para a sua circunstância pessoal.

A gravidez acidental na adolescência compromete, em muitos casos, a formação educacional e profissional da jovem mãe. Muitas vezes, a gravidez é consequência da falta de informação e da dificuldade de acesso a métodos anticoncepcionais.

Além do controle da natalidade, a crescente urbanização, o aumento do nível de escolaridade, a maior disseminação de informações e a maior participação da mulher no mercado de trabalho são os principais motivos pelo qual o Brasil sofreu uma forte redução na sua taxa de natalidade desde 1970. De acordo com o IBGE, em 1970, a média de filhos por mulher brasileira era de 5,8. Em 2010, este número havia caído para 1,94.

A redução da taxa de natalidade reduz os níveis de pobreza e melhora a qualidade da vida das famílias, que passam a ter que sustentar menos pessoas com a renda familiar.

A maternidade mais tardia se tornou um fenômeno da vida moderna: muitas mulheres preferem construir uma carreira antes de terem filhos. Isso alterou a dinâmica demográfica da população brasileira, reduzindo a taxa de natalidade.

Densidade Demográfica

População brasileira se concentra nas zonas litorâneas

O Censo Demográfico de 2010 revela que há grandes diferenças entras as formas de povoamento do Brasil. O país é povoado no litoral e vazio no interior. As maiores densidades demográficas (acima de 100 habitantes por quilômetro quadrado) situam-se no entorno de São Paulo, do Rio de Janeiro e de eixos espaciais bastante urbanizados, como a região do Vale do Paraíba e as áreas litorâneas ou próximas ao extenso litoral brasileiro. Isso se deve à colonização do Brasil: foram implantados próximos à costa do Brasil os primeiros pontos de povoamento.

O estabelecimento da capital federal no interior do Brasil foi responsável, em grande parte, pelos pontos de maior densidade demográfica que estão fora das áreas próximas ao litoral, localizados entre o eixo formado por Brasília e Goiânia. Belo Horizonte e Teresina – capitais planejadas – interiorizaram grandes marchas urbanas nas regiões Nordeste e Sudeste. Manaus é uma extensa marcha urbana localizada em posição central na Região Norte e na Amazônia sul-americana.

As baixas densidades demográficas no Norte e Centro-Oeste se devem às condições naturais e à produção de commodities agrícolas. Já zonas de ocupação intermediária encobrem pequenas propriedades rurais e áreas de colonização planejada nas regiões Sul e Nordeste.

ATIVIDADES ECONÔMICAS

Até a década de 1940, mais de dois terços da população brasileira trabalhava no setor primário. Desde então, devido à industrialização e urbanização e ao êxodo rural, houve uma forte queda na população ativa nesse setor. Em 1999, apenas 19,0% da PEA (população economicamente ativa) trabalhava no setor primário. Ao mesmo tempo, a população economicamente ativa dos setores secundário e terciário era de 81%. Em 2010, só o setor terciário empregava 59,9% da população economicamente ativa do Brasil. (A fórmula PEA é formada pelos trabalhadores empregados mais os desempregados que estão em busca de nova ocupação).

Em termos regionais, em 2008 a Região Sudeste detinha 43,3% da população economicamente ativa do Brasil, seguida pelas regiões Nordeste (26,0%), Sul (15,9%), Centro-Oeste (7,4%) e Norte (7,4%).

Outro dado importante quanto à população economicamente ativa brasileira é que de 1940 a 2009, a força de trabalho feminina passou de 2,8 milhões para 43,1 milhões. Isto significa que neste período, as mulheres aumentaram sua participação econômica no país de forma significativa, passando de 19% para 49,7%.

Índios, brancos, negros e pardos

O PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) revelou que em 2008, pela primeira vez na história do Brasil, a população negra (o somatório de pretos e pardos) passou a representar mais da metade da população nacional: 50,6%.

Em 2013, segundo o IBGE, 46,2 das pessoas no Brasil se autodeclararam brancas, 45% pardas, 7,9% negras e 0,8% indígenas e amarelos, somando 1,6 milhão de pessoas. Isso significa que a população negra (pretos e pardos) é constituída por 104,2 milhões de pessoas: 52,9% dos brasileiros. Na Região Sul, 76,8% dos habitantes se declararam brancos. No Norte, 70,2% dos habitantes se declararam pardos.

A PNAD confirma que continua a história distribuição desigual das raças no território nacional brasileiro. Os pretos, pardos e indígenas representam a maioria da população nas regiões Norte e Nordeste (índice superior a 70%), mas são minoria na Região Sul. No ano de 2009, 78,7% das pessoas entrevistas na Região Sul se declararam brancas.

Podem ser denominados "pardos":

  •  Cafuzos (miscigenação entre negros e indígenas).
  •  Caboclos (miscigenação entre indígenas e brancos).
  •  Mulatos (miscigenação entre brancos e negros).

Religiões no Brasil

Graças à colonização portuguesa, a religião predominante no Brasil é a Católica Apostólica Romana. O catolicismo foi a religião oficial do país até o estado se tornar laico, por meio da Constituição Republicana de 1891. Apesar do predomínio do catolicismo no Brasil, o quadro de religiões no país mudou muito ao longo dos séculos. A combinação do catolicismo com cultos de origem indígena e africana legaram ao Brasil um panorama religioso sincrético.

A maioria das crenças seguidas pela população brasileira é cristã. Mas no Brasil há também judeus, muçulmanos, batistas e espíritas. Há também muitas pessoas que segue os cultos de origem africana, com a umbanda e o candomblé.

O Brasil continua sendo o país mais católico do mundo. Contudo, o número de evangélicos no país cresce muito. O Censo de 2010 do IBGE sobre religião revelou que 86,8% da população do Brasil é cristã: 64,6% é católica e 22,2% evangélica. Os principais fatores explicam o crescimento no número de evangélicos no país são a ampliação de práticas missionárias e a mobilização dos meios de comunicação em massa por líderes de igrejas evangélicas.

O Problema da Previdência Social

A pirâmide etária no Brasil está se modificando. Esse fenômeno – o aumento no número de aposentados e idosos – deve levar o governo a fazer mudanças na Previdência Social.

A Previdência Social brasileira é gerida pelo Estado e custeada por empresas e trabalhadores. Se faltar os recursos necessários para pagar as aposentadorias, o Tesouro Nacional aportará a quantia necessária.

Graves problemas estruturais na Previdência Social preocupam os especialistas. O gigantismo do sistema é motivo de preocupação: a falha de pagamento compreende 20 milhões de pessoas. Outro motivo de preocupação é que as pessoas estão se aposentando muito jovens e que há muitas pessoas que recebem os benefícios sem nunca terem contribuído para a Previdência Social. Cedo ou tarde, a população de idosos e de crianças ultrapassará a de pessoas na idade de trabalho. Esse fenômeno já ocorre em muitos países ricos, como os Estados Unidos e vários países europeus. Na Europa, muitos governos oferecem estímulos financeiros para que as famílias tenham mais filhos.

Quando a população deixa de crescer, passa a haver menos pessoas na força de trabalho. Isso significa que o país pode deixar de produzir o suficiente para gerar a renda necessária para pagar as pensões dos aposentados. O país então terá de arcar com um custo enorme de aposentadorias.

Sumário

- Histórico do Crescimento Populacional Brasileiro
- Dados do último Censo Demográfico
- A Pirâmide de Idades
- A Mortalidade Infantil no Brasil
- Planejamento Familiar e a Redução da Taxa de Natalidade do Brasil
- Densidade Demográfica
i. População brasileira se concentra nas zonas litorâneas
- Atividades Econômicas
- Índios, brancos, negros e pardos
- Religiões no Brasil
- O Problema da Previdência Social
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