Poluição da Água - Conservação dos solos

Poluição da Água - Conservação dos solos

Conservação dos solos é o conjunto de práticas aplicadas visando ao uso sustentável do solo para o plantio. O solo, quando não recebe o tratamento apropriado, pode perder suas propriedades naturais e se tornar menos fértil. Para a conservação dos solos, algumas medidas podem ser implementadas, entre elas, a conservação da vegetação nativa, a rotação de cultura, o combate à erosão e o reflorestamento.

Degradação dos solos

Um solo se degrada quando são modificadas as suas características físicas, químicas e biológicas. Há vários fatores que provocam o desgaste dos solos: esgotamento, erosão, salinização, compactação e desertificação.

Erosão

A erosão é um processo que causa com que as partículas do solo sejam desprendidas e transportadas pela água, pelo vento ou por atividades humanas. O controle da erosão é fundamental para a preservação do meio ambiente, pois a erosão causa com que o solo perca suas propriedades nutritivas. Isso impossibilita o crescimento de vegetação no terreno atingido e resulta em sério desequilíbrio ecológico.

A retirada da vegetação natural, tanto no campo como nas cidades, acelera os processos erosivos e pode causar deslizamentos de encostas ou a formação de sulcos, ravinas e voçorocas. (Sulcos são pequenos canais com profundidade de até 10 cm, ravinas têm profundidade de até 50 cm e voçorocas, profundidade de mais de 50 cm).

A erosão também causa o assoreamento de rios, lagos e represas. Assoreamento é o processo em que há acúmulo de lixo, entulho e outros detritos no fundo dos rios e lagoas, reduzindo o volume de água comportado e provocando enchentes em épocas de grande quantidade de chuvas. Além de reduzir o volume de água, o assoreamento torna a água turva e impossibilita a entrada de luz, o que dificulta a fotossíntese e impede renovação do oxigênio para algas e peixes.

A mata ciliar é uma proteção natural contra o assoreamento. Quando é indevidamente removida, rios e lagos perdem sua proteção natural. A erosão das margens leva terra para dentro do rio, o que o torna barrento e dificulta a entrada da luz solar.

Para diminuir a erosão, devem-se adotar medidas que reduzem a velocidade de escoamento superficial das águas. Exemplos de tais práticas são o plantio em nível, a consorciação em espécies e o pousio.

Lixiviação

Com tanto desmatamento – a vegetação é derruba e o restante é queimado –, os terrenos ficam sujeitos à ação direta da água da chuva. Isto resulta em erosão hídrica do solo, o que causa a perda de seus nutrientes. A terra torna-se empobrecida, diminui a umidade do solo e há a consequente diminuição de produção agrícola e de pastos. Agricultores e pecuaristas abandonam as áreas degradadas e buscam novas zonas.

A ação das águas da chuva sobre os terrenos é um dos principais motivos pela degradação dos solos brasileiros. Nas áreas equatoriais, os solos sofrem o processo de lixiviação, ou seja, eles são lavados e muitos de seus minerais são escoados pelas águas das chuvas, empobrecendo os solos.

Salinização

Outro problema que compromete os solos é a salinização, que ocorre principalmente em área de clima árido e semiárido. A constante irrigação utilizada na agricultura também pode deixar os solos improdutivos. Quando a água evapora, deixa depósitos de sal.

Impermeabilização

Impermeabilização do solo significa a perda de sua capacidade de absorver água. Tal processo ocorre principalmente nas cidades, devido ao asfaltamento, calçamentos de ruas e calçadas e construção de casas e edifícios. Isso resulta na formação de uma espécie de capa sobre o solo, o que impede que a água seja absorvida. Em áreas urbanas, portanto, como a água não é adequadamente absorvida pelo solo e a rede de drenagem pluvial é frequentemente insuficiente ou obstruída, em dias de chuva intensa ou prolongada, as águas correm pelo solo impermeabilizado. A enxurrada desce desde as partes altas até encontrar terrenos permeáveis. Isso pode ocorrer nas várzeas dos rios.

Se as várzeas também estiverem impermeabilizadas, as águas chegarão à calha dos rios. Se as águas chegarem aos rios em volume superior ao da sua capacidade natural de escoamento – se a calha dos rios não for suficientemente larga ou profunda – o nível das águas fluviais aumentará. Isso pode resultar em extravasamento – o alagamento das várzeas impermeabilizadas e, eventualmente, a inundação de áreas próximas.

Muitas cidades constroem canais e galerias subterrâneos cujo propósito é o escoamento das águas pluviais.

As consequências do processo de urbanização sobre o ciclo hidrológico são o aumento da vazão dos cursos d'água e a diminuição da evapotranspiração.

Infiltração

O processo de urbanização resulta em profundas modificações no uso do solo. A derrubada da vegetação e a retirada da superfície permeável aumentam a superfície do solo exposto e diminuem sua permeabilidade.

A permeabilidade do solo influi diretamente na capacidade de infiltração: quanto mais permeável for o solo, maior será a quantidade de água que pode absorver, diminuindo assim a ocorrência de excesso de precipitação.

A urbanização, portanto, causa mudanças nas respostas hidrológicas das áreas urbanizadas. Seus efeitos mais evidentes são o aumento do escoamento superficial e a diminuição da infiltração, causando enchentes e inundações.

Desertificação

O fenômeno da desertificação tem se ampliado. A desertificação provoca impactos ambientais e socioeconômicos, entre eles, a destruição da biodiversidade, a diminuição da disponibilidade de recursos hídricos, através do assoreamento de rios e reservatórios, e a perda física e química dos solos.

O problema da desertificação no Brasil afeta as regiões semiáridas e subúmidas secas do país, onde as características físico-ambientais dificultam o seu potencial produtivo. Tais características incluem a evapotranspiração elevada, a ocorrência de secas, a alta salinidade dos solos e a capacidade reduzida de retenção de água.

Conservação dos solos

A expansão da agricultura, principalmente a de subsistência – os cultivos de cana-de-açúcar, café e, mais recentemente, da soja – frequentemente resulta em agressões aos elementos naturais, especialmente ao solo e à água. Desde os tempos coloniais, existe no Brasil a perniciosa rotina de “rotação de terras”: não se restauram os solos e as florestas esgotadas. O solo necessita de um tempo muito longo para se formar. É um recurso finito e após a sua degradação, a recuperação tende a ser extremamente cara e até irreversível. É, portanto, fundamental, que seja incutido o conceito de que é muito mais fácil e econômico manter do que recuperar recursos naturais.

Muitas partes do território brasileiro apresentam sinais evidentes de erosão acelerada do solo. Devido ao fato que o País contém terras em abundância, os agricultores brasileiros exploravam e desgastavam os solos, e então migravam para uma nova zona ou região.  Um exemplo disto foi a “marcha do café”, no qual agricultores, em constante busca de novas terras férteis, abandonaram terras empobrecidas nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.  

Mesmo dispondo de muitos recursos e técnicas de conversação – alguns até simples e economicamente acessíveis – no mundo e no Brasil, muito mais é feito para a destruição do que para a conservação dos solos. A degradação dos solos provocada pela ação humana é decorrente de práticas inadequadas e até irresponsáveis: desmatamento desenfreado, queimadas, exploração excessiva, monoculturas prolongadas e outras. Isto resulta na perde de nutrientes e de matéria orgânica.

A falta de conservação do solo causa com que o agricultor passe a utilizar mais insumos químicos, que frequentemente são levados para os rios pelas águas da chuva. Além de comprometer a vida aquática, esses insumos contaminam os alimentos (veja a aula “Poluição das Águas”).

Práticas de conservação dos solos

Algumas das principais práticas de conservação de solos são:

1. Plantio em nível – o solo é preparado para o plantio e planta-se de acordo com o nível de terreno. Evita-se o problema da erosão ao se reduzir a velocidade de escoamento com a utilização de barreiras, curvas de nível e terraços.

2. Rotação de culturas – uma administração adequada das culturas resulta em uma menor necessidade de adubos e defensivos. A regra geral é que não se deve repetir o gênero da planta em safras consecutivas.

3. Adubação verde – plantações de culturas que mantêm o solo coberto e diminuem a erosão entre os períodos de plantios comerciais. Normalmente se empregam culturas que aumentam a fertilidade do solo, tendo como resultado uma melhor produtividade no próximo plantio. Há também plantas que reduzem a compactação do solo com suas raízes profundas.

4. Plantio direto – minimiza-se o ato de revolver o solo durante o plantio. Abre-se apenas um sulco para a incorporação do adubo e da semente. O plantio direto promove o mínimo desgaste do solo e de sua atividade microbiana. Diminui significativamente a compactação das camadas mais profundas do solo. Por conservar melhor a umidade e manter a temperatura mais baixa, ajuda a atividade microbiana do solo. Isto se provou benéfico às culturas, principalmente em regiões de clima tropical.

 

Recursos hídricos

Recursos hídricos são águas superficiais ou subterrâneas disponíveis para o uso de uma região ou bacia. A quantidade total de água no nosso planeta é distribuída da seguinte forma: 97,5% de oceanos e mares, e 2,5% de água doce; 68,9% da quantidade geral de água doce formam geleiras e calotas polares e neves eternas que cobrem os cumes das montanhas altas do planeta; 29,9% restantes de água doce constituem as águas subterrâneas.

Águas

As águas subterrâneas são o principal reservatório de água doce. Aproximadamente 60% da população mundial utiliza os lençóis freáticos ou subterrâneos como principal fonte de água. Já as águas das bacias hidrográficas não são recomendáveis para o uso da população, pois não possuem as características padrões de qualidade ambiental.

A água é um recurso renovável. Teoricamente, sempre estaria disponível para o uso do ser humano. Porém, a água do planeta é consumida, desperdiçada e poluída de forma irresponsável. Já que o consumo da água tem excedido a sua renovação, há um stress hídrico: há falta de água doce, principalmente nos grandes centros urbanos. Devido ao processo de urbanização e industrialização, os suprimentos de águas superficiais e subterrâneas têm sido poluídos com esgotos, produtos químicos e resíduos industriais. A derrubada de florestas tropicais em grande escala provoca, entre outros efeitos, a diminuição dos reservatórios de água subterrânea. Além disso, há irrigação agrícola descontrolada. O aumento da população e da indústria fazem com que em muitos países, os lençóis subterrâneos sejam diminuídos em até um metro por ano. A utilização da água subterrânea em escala crescente tem resultado na diminuição dos reservatórios, comprometendo a quantidade de água dos lençóis freáticos e cativos. A retirada da água subterrânea em excesso pode resultar na subsidência e a desidratação de rochas.

A irrigação da agricultura é responsável pelo consumo de mais de dois-terços de toda a água retirada dos rios, lagos e lençóis freáticos do mundo. No Brasil, as técnicas de irrigação utilizadas na agricultura produziram impactos socioambientais. Um exemplo disso é o redirecionamento dos cursos fluviais. É importante notar que mesmo no Brasil, onde há muita água, os agricultores enfrentam secas periódicas e uma competição crescente por ela.

Na indústria, as quantidades de água necessária são superiores ao que é produzido. Há métodos para se tratar a água. Porém, estes métodos frequentemente afetam o meio ambiente e a saúde pública.

O uso intensivo de insumos químicos na agricultura, a poluição gerada pelas indústrias e por grandes centros urbanos resultam na concentração de gases na água das chuvas. Isto resulta em chuvas ácidas – precipitações de gotas de água carregadas de ácido nítrico e sulfúrico – que causam danos ao ambiente natural e antrópico. As chuvas ácidas são um dos motivos pela escassez de água para consumo, resultando numa queda preocupante de qualidade de água nas regiões mais povoadas.

A administração sustentável dos recursos hídricos é fundamental para que haja desenvolvimento sustentável. É necessário que sejam implementadas medidas que garantam a qualidade e quantidade da água dentro de sua unidade de conservação, que é a bacia hidrográfica. De fato, quase todos os países já adotaram uma “legislação das águas” dentro da disciplina de Direito Ambiental. No Brasil, esta legislação é a Lei 9.433/97, também denominada de Lei das Águas.

As fontes hídricas são abundantes, mas são mal distribuídas na superfície da Terra. O desequilíbrio na utilização de recursos hídricos disponíveis tem resultado na limitação de desenvolvimento de algumas regiões, não sendo suficientes para o consumo da população e para a lavoura, e degradando ecossistemas aquáticos. Inegavelmente, os recursos hídricos são fundamentais para o desenvolvimento de atividades econômicas fundamentais: a falta de água pode destruir lavouras, resultando em escassez de alimentos.

O crescimento da população mundial afeta o meio ambiente. Isso causa mudanças nas características do escoamento das bacias hidrográficas, provocando enchentes e outros transtornos.

Com o passar do tempo, a água se tornou uma das mais valiosas mercadorias. Devido ao mau uso, a demanda por água cresceu e a oferta se reduziu. É importante ressaltar que a escassez de água doce no mundo fez desse recurso um motivo de conflitos internacionais. A água tem se transformado em arma de guerra, talvez até mais poderosa que o petróleo. As instalações hidráulicas de países inimigos são miras estratégicas. De fato, a água tem sido motivo de tensões na Bacia do Rio Nilo, envolvendo o Egito, o Sudão e a Etiópia, na Bacia do Tigre e Eufrates, envolvendo Síria, Iraque e Turquia, e na Bacia do Rio Jordão, envolvendo Síria, Jordânia, Líbano e Israel.

Tabela: impacto das atividades humanas nos ecossistemas aquáticos

Atividade Consequências
Desmatamento do solo. Perda de biodiversidade e funções naturais de filtragem e reciclagem de nutrientes.
Poluição não controlada. Prejudica a qualidade da água e diminui o seu suprimento.
Aumenta os custos de tratamento da água.
Prejudica a pesca comercial e diminui a biodiversidade.
Poluentes do ar (chuvas ácidas) e metais pesados. Altera a composição química de rios e lagos. 
Prejudica a pesca comercial e a agricultura.
Mudanças globais no clima. Afeta drasticamente o volume dos recursos hídricos. 
Altera padrões de distribuição de precipitação e evaporação. 
Afeta o suprimento de água e a produção agrícola e pesca.
Aumenta enchentes e fluxo de água em rios.
Construção de represas. Altera o fluxo dos rios e o transporte de nutrientes e sedimento e interfere na migração e reprodução de peixes. Altera habitats e a pesca comercial e esportiva. Altera os deltas e suas economias.
Alteração do canal natural dos rios. Danifica ecologicamente os rios e modifica os seus fluxos.
Afeta os habitats e a pesca comercial e esportiva.
Crescimento da população e padrões gerais do consumo humano. Resulta na construção de hidroelétricas e aumenta a poluição da água e a acidificação de lagos e rios. 
Altera os ciclos hidrológicos. 
Afeta praticamente todas as atividades econômicas que dependem dos ecossistemas aquáticos.

 

Construção de usinas

A hidrelétrica é considerada uma forma de energia limpa, pois não é poluente como a queima de combustíveis fósseis. Contudo, a construção de usinas gera impactos ambientais. A construção de uma usina hidrelétrica significa a construção de uma represa. Isso consiste na transformação de um trecho de rio de água corrente em um reservatório: é construída uma barragem para represar a água.

A construção de barragens pode causar diversos impactos ambientais: a destruição de ecossistemas, o desequilíbrio da fauna e da flora e a perda de florestas, solos cultiváveis e, às vezes, sítios arqueológicos.

A construção de uma usina visa ao represamento artificial das águas. Portanto, desloca água e pode causar alagamentos e a inundação de áreas de populações ribeirinhas. Isso pode forçar migrações e desestabilizar a vida social em escala local e regional.

Sumário

- Recursos hídricos
i. Construção de usinas
ii. Tratamento dos recursos hídricos
- Poluição das Águas
i. Escassez de Água
- Degradação dos solos
i. Erosão
ii. Lixiviação
iii. Salinização
iv. Impermeabilização
v. Infiltração
vi. Desertificação
- Conservação dos solos
i. Práticas de conservação dos solos

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