Os Sofistas

Os Sofistas

Os filósofos gregos

A Filosofia foi, sem sombra de dúvida, a maior das criações gregas, consistindo no fundamento de todo o pensamento ocidental, influenciando nações inteiras até os dias de hoje. Ao contrário da maioria dos outros povos da Antiguidade, que se limitavam a buscar compreender o mundo através de mitos e deuses, os gregos, com seu espírito especulativo e crítico, objetivavam explicar, de maneira racional, a natureza e o homem. Ao longo da história helênica, inúmeras escolas filosóficas, cada uma delas com uma metodologia e objetos de estudo diferenciados, floresceram na Península Balcânica. 

As escolas filosóficas gregas iniciaram sua busca pela verdade ao questionar o cosmo e a natureza. Tales buscou descobrir o elemento físico responsável pela criação da Natureza, Heráclito foi o primeiro filósofo a constatar a importância do movimento do Universo, e Pitágoras pregava a noção de que o número é a essência do Universo.

Contexto Histórico

A característica básica da cultura e do pensamento grego nos séculos V e IV a.C. foi o Humanismo: a preocupação com a valorização do homem. Os filósofos se interessavam no homem e em sua sabedoria, moralidade e direitos. 

A filosofia grega passou a se preocupar fundamentalmente com o homem; é o caso, por exemplo, dos sofistas – Protágoras tendo sido o mais notável deles. Esses filósofos eram, acima de tudo, professores.

As causas dessa mudança de pensamento foram várias, sendo as mais relevantes:

  • a vitória grega sobre os persas demonstrou que um grupo menor, mas composto de pessoas cultas e instruídas, poderia derrotar um exercito enorme e desorganizado, constituído de bárbaros.
  • o contato com outros povos, costumes e culturas.
  • a democracia ateniense, onde cada cidadão poderia tentar um cargo público. Com esse objetivo, as pessoas buscavam desenvolver suas personalidades e virtudes através da cultura e da educação.

Como estudamos em História, a democracia ateniense era direta, enquanto hoje, nas sociedades ocidentais, prevalece a democracia exercida através de representantes. No tempo de Péricles, os cidadãos se reuniam no Ágora (praça) para conduzir os assuntos da Polis. O governo era, dessa maneira, “do cidadão e pelo cidadão”. As assembleias populares eram comícios ao ar livre que agrupavam todos os cidadãos masculinos maiores de 18 anos.

As decisões aí tomadas representavam a palavra final nos tratados, na economia, no ordenamento jurídico, nas obras públicas, na paz e na guerra, em suma, em todas as atividades administrativas. Essas reuniões eram cotidianas e todos tinham o direito de fazer uso da palavra. Assim, a oratória tornou-se indispensável para o convencimento das massas. Se o Ágora era o espaço geográfico do poder, nele imperava o Logos (a palavra). A democracia ateniense, dessa maneira, gerou os demagogos (“demos”: povo; “gogos”: condutor), líderes que buscavam persuadir e seduzir politicamente a população. Os demagogos tinham como mestres os sofistas, os primeiros professores pagos na história da humanidade. Eles instruíam os jovens na arte de governar. O caminho era pela oratória.

Os Sofistas e suas Teorias

O período filosófico grego, que abrangeu todo século V a.C., foi constituído pelos sofistas.  Foi mencionado acima que os sofistas foram os primeiros professores pagos. Alguns dos principais sofistas foram Protágoras, Górgias e Pródico.

Era uma cresça tradicional grega que suas cidades tinham recebido suas leis de alguma divindade, protetora da cidade. Acreditavam também que o bom (a felicidade) constituía-se em conformar suas vidas a tais leis, aceitas como divinas e eternas. Os sofistas questionaram e abalaram tal crença. 

O termo sofismo deriva da palavra grega “sophos” ou “Sophia”, que quer dizer sabedoria.

A sofística, escola filosófica nascida em Atenas, defendia o “mundo da realidade” e o relativismo do conhecimento, ou seja, a verdade é aquilo que é útil para a tomada e a manutenção do poder e para a ação humana.

Protágoras, o maior dos sofistas, resume essa postura ao afirmar que “o homem é a medida de todas as coisas, das que são enquanto são e das que não são enquanto não são”. Esse pragmatismo, aparentemente nocivo ao saber filosófico, tem a virtude política de defender a sociedade democrática, na qual prevalece a pluralidade de opiniões. De fato, a crença numa verdade absoluta sempre traz consigo a proposta de um Estado autoritário que imponha essa verdade. A democracia ateniense, calcada na ação de todos, impossibilitava a criação de estruturas partidárias elitistas e concentradoras da autoridade. Os sofistas certamente não foram diretamente responsáveis pela democracia ateniense, mas suas contribuições culturas e psicológicas fomentaram-na.

Os sofistas eram relativistas também em termos de valores e princípios. O “bom” é aquilo que satisfaz os instintos e paixões da pessoa. A crença em princípios absolutos e imutáveis baseados num código ético é considerada, pelos sofistas, como sendo um impedimento. Eles acreditavam que tais princípios absolutos e códigos de ética precisavam ser removidos.  O “bom” torna-se relativo.

A carreira mais cobiçada na época era a de político. Os sofistas se concentravam em ensinar oratória. Já que acreditavam que a verdade é relativa, os sofistas ensinavam seus alunos o dom da oratória e o uso da retórica para alcançar objetivos ao persuadir outras pessoas. Os sofistas tinham grande conhecimento de quais palavras tinham o poder de entreter, impressionar ou persuadir o público. De fato, os sofistas tinham um grande domínio da linguagem. Eles diziam poder achar argumentos para provar qualquer posição.  Os sofistas se orgulhavam de sua habilidade de fazer com que a pior razão parecesse ser a melhor e de “provar” que preto é branco, ou seja, que o falso é verdadeiro. Mas este conceito sofista de valorizar a diversidade de opiniões e formas de se enxergar a realidade foi extremamente importante para o desenvolvimento da democracia, pois foi o que permitiu que opiniões minoritárias e até desagradáveis fossem ouvidas na assembleia de Atenas.  

Alguns sofistas, como Górgias, afirmavam que não era necessário possuir qualquer conhecimento sobre algum assunto para poder dar uma resposta satisfatória a respeito dele. Portanto, alguns sofistas respondiam imediatamente a qualquer pergunta, sem considerá-las cuidadosamente. Através de táticas retóricas, os sofistas tentavam confundir seus oponentes; e, se isto não fosse o suficiente, tentavam derrotá-los através de barulho e violência. Os sofistas ensinavam seus alunos a vencer qualquer debate, a enganar; era mais importante ser esperto do que sincero. Os ensinamentos sofistas ignoravam a ética e a justiça e abriam o caminho para todas as formas de enganação.

Tais ideias atraíam os jovens de Atenas, que tanto almejavam cargos políticos. Isto explica o motivo de os sofistas terem sido tão populares. Sofistas como Protágoras eram admirados; eles frequentavam os lares dos mais nobres atenienses.

Em resumo, os ensinamentos dos sofistas eram práticos, não éticos. Focavam e valorizaram a retórica, não a virtude.

O conhecimento que há hoje a respeito dos sofistas advém principalmente dos escritos de seus oponentes, principalmente de Platão e Aristóteles. Portanto, torna-se difícil obter uma visão clara e objetiva a respeito das práticas e crenças dos sofistas.

Em meio aos sofistas surge Sócrates

Foi em meio aos sofistas que surgiu Sócrates, o primeiro dos grandes filósofos gregos. Sócrates combateu os sofistas, pois acreditava ser possível conhecer a verdade absoluta. Ele acreditava em valores absolutos, sagrados e invioláveis, baseados na razão, e não em paixões desenfreadas. Seu método se dividia, basicamente, em duas etapas: a “ironia”, que consistia em destruir os preconceitos, e a “maiêutica” (“parto das ideias”), ou seja, a ideia de que a partir da eliminação dos falsos conceitos, a verdade surgiria da própria Razão humana. Ao contrário do que se fazia até então, Sócrates se preocupou com o homem. Ele discutia as grandes virtudes dos homens. Sócrates não deixou nada por escrito; suas ideias chegaram até nós por meio das obras de seus discípulos. O maior destes foi outro grande filósofo grego, Platão.

O terceiro período da filosofia grega foi o período Clássico (469 – 322 a.C.). Os maiores filósofos desse período foram Sócrates, Platão e Aristóteles. Estudaremos estes três grandes filósofos individualmente nas aulas seguintes.

Platão, que foi aluno de Sócrates, formulou o conceito de que todas as coisas existentes no mundo eram cópias imperfeitas de essências únicas presentes no “mundo das ideias”.

Aristóteles foi aluno de Platão. Aristóteles, que possuía um pensamento extremamente rico e amplo, acreditava que todos os seres são fruto da junção da essência e da matéria. Para ele, não existia um “mundo das ideias” além da realidade: o conceito, a essência e as ideias só se realizam na forma material.

No período helenístico, quando a Grécia estava sob domínio macedônio, o pensamento grego voltou-se para o indivíduo, preocupando-se com o “bem viver”. Como reflexo da decadência política, a filosofia grega se desinteressou dos grandes temas metafísicos e políticos, conhecendo uma série de escolas de reflexão chamadas de “Éticas Menores”. Foram elas o Epicurismo, formulado por Epicuro e que defendia que a felicidade consistia nos prazeres naturais; o Estoicismo, criado por Zenão, que propunha que a “ataraxia” (o bem viver) só seria atingido pela resignação, pelo autocontrole e indiferença diante da dor e do sofrimento. E, finalmente, o Ceticismo, elaborado por Pirro, que afirmava que a verdade não pode ser conhecida, pois os sentidos humanos são limitados, e assim o ideal, para os indivíduos, é não desejar e não pretender coisa alguma.

Sumário

- Os filósofos gregos
-,Contexto Histórico
- Os Sofistas e suas Teorias
- Em meio aos sofistas surge Sócrates
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