Filósofos da Ciência

No século XVII, no plano científico e filosófico, desabrocharam-se novas maneiras de pensar que podem ser vistas como herdeiras do período renascentista.

Essa maneira “moderna” de pensar não consiste apenas em negar os dogmas e modelos medievais, mas fundamenta-se na ideia positiva de que a norma da descoberta e interpretação da ciência é a experiência e não a autoridade. Por meio dessa premissa, a atividade científica deixa de ser uma mera observação e classificação dos fenômenos e passa a se preocupar com a determinação das leis que regem os fenômenos. Essa atividade da ciência experimental e seu método de trabalho (a análise) alimentaram a atividade filosófica do século XVII.

Esses novos métodos de investigação científica tiveram em Francis Bacon (autor de Novum Oranum, publicado em 1620) um de seus iniciadores e, seguramente, um de seus principais formuladores. Ele afirmou que a partir das experiências, podem-se inferir leis gerais dos fenômenos. Assim foi fundado o Empirismo.

René Descartes também se interessou pela ciência. Todavia, seus esforços para chegar aos conhecimentos científicos se diferenciavam dos métodos de Bacon. Em vez de se basear em observações e experimentos, Descartes estudava a matemática e a lógica. Para ele, a única verdade clara era a existência de sua própria mente e sua habilidade de raciocínio. Descartes expressou sua ideia em uma frase que se tornou bastante famosa: "Penso, logo existo".

René Descartes estabeleceu as bases do racionalismo ao transformar a dúvida em instrumento de reconhecimento. Embora Descartes tenha sido um verdadeiro sistematizador do pensamento racionalista, ele preservou uma crença na existência das ideias inatas.

Graças ao paulatino progresso do método experimental como norma de conduta científica, houve notáveis progressos nas ciências ao longo do século XVII.

Filósofos da Ciência

O Renascimento despertou um espírito de curiosidade intelectual na Europa. Especialmente no estudo da ciência, as pessoas começaram a questionar ideias que haviam sido aceitas durante séculos. Novas teorias e descobertas científicas levaram a profundas mudanças durante os séculos XVI e XVII, período intitulado pelos historiadores de Revolução Científica.

Outros pensadores - não necessariamente cientistas - exerceram um importante papel no desenrolar da Revolução Científica. Francis Bacon, político e escritor inglês que viveu durante o início do século XVII, acreditava que a ciência poderia proporcionar às pessoas uma melhor qualidade de vida. Bacon estimulou cientistas a realizarem experimentos. Como Galileu, ele desejava que os cientistas se livrassem da ignorância e dos preconceitos do passado e que realizassem novas descobertas.

Bacon distanciou-se da visão aristotélica da ciência como pura contemplação – como um saber em si mesmo. Ele buscou a ciência baseado no fazer (as obras) em vez de no falar (a retórica).  “Os gregos, com efeito, possuem o que é próprio das crianças: estão sempre prontos para tagarelar, mas são incapazes de gerar, pois a sua sabedoria é farta em palavras, mas estéril em obras”. (Novum Organum, Livro I, § LXXI).

Os métodos científicos modernos são baseados nas idéias de Bacon e Descartes. Cientistas têm demonstrado que observação e experimentos, juntamente com leis demonstradas matematicamente, podem nos fazer compreender melhor o mundo. 

O Método Científico

Já no século XIII, o pensador inglês Roger Bacon afirmava que os cientistas deveriam realizar experiências com o intuito de alcançar novas descobertas sobre o mundo natural. Naquela época, poucas pessoas deram ouvidos às suas declarações. No século XVI, contudo, muitos cientistas seguiram seus conselhos e passaram a utilizar o que foi chamado de método científico - um procedimento lógico que visava a colher informações e testar ideias.

O método científico envolve a exposição de uma questão, a formulação de hipóteses (que são teorias não comprovadas), a anotação de observações, a realização de experimentos e, finalmente, a obtenção de conclusões. Ao utilizar essa metodologia, cientistas do século XVI e XVII mudaram a maneira de estudarmos o universo.

O Sol como centro do Universo

Na era medieval, as pessoas acreditavam que o Sol, a Lua e os planetas giravam ao redor da Terra. Tal ideia havia sido apresentada pelo filósofo grego Aristóteles no século IV a.C. Essa visão geocêntrica do universo foi apoiada pelo astrônomo grego Cláudio Ptolomeu no século II d.C e pela Igreja Cristã durante a Idade Média. As pessoas na época observaram o Sol viajando pelo céu todos os dias e notaram a mudança de rota das estrelas à noite. Mas a Terra não parecia se mover e, portanto, parecia lógico acreditar que nosso planeta era o centro fixo do universo.

Nos primórdios do século XVI, a visão geocêntrica do universo foi questionada por Nicolau Copérnico, clérigo, médico e astrônomo polonês. Copérnico acreditava que o Sol se situava em uma posição fixa no centro do universo e que a Terra era um dos planetas que giravam ao seu redor. A teoria heliocêntrica de Copérnico marcou o início da moderna astronomia e do pensamento científico atual. Copérnico estava ciente, porém, que a maioria dos eruditos e do clero iria rejeitar sua teoria, pois não era compatível com as visões religiosas da época. Temendo perseguição, Copérnico não publicou seu trabalho até 1543, seu último ano de vida. Suas ideias foram difundidas apenas um século após a sua morte.

Uma das primeiras pessoas a concordar com os estudos de Copérnico foi Galileu Galilei (1564-1642). Cientista e matemático italiano, Galileu acreditava no método científico. Ele ensinava que o conhecimento da natureza advém da realização de "experimentos sensatos e das demonstrações necessárias".

No início do século XVII, Galileu pediu permissão ao Papa para escrever um livro comparando as ideias de Ptolomeu e Copérnico. O Papa concordou, pois Galileu havia prometido defender os ensinamentos da Igreja. Contudo, quando o livro foi publicado em 1632, suas ideias chocaram e enfureceram o Papa: Galileu havia mantido sua promessa e encerrou sua obra apoiando as ideias de Ptolomeu, mas o restante do livro claramente demonstrava que ele apoiava Copérnico. Em 1633, Galileu foi levado à Inquisição e ameaçado com tortura. Estava com 70 anos na época e foi obrigado a retrair seus ensinamentos. Além disso, Galileu foi forçado a prometer que não ensinaria a teoria heliocêntrica e que permaneceria em casa, onde seria vigiado. Ainda assim, tais ações e ameaças não o impediram de transmitir suas ideias: ele continuou a escrever e, com a ajuda de amigos, continuou difundindo seus ensinamentos.

Isaac Newton

Outro famoso cientista foi Isaac Newton (1642-1727). Matemático inglês, Newton afirmou que todos os objetos do universo obedecem às mesmas leis de movimento. Ele confirmou sua tese ao demonstrar as ações da gravidade e da inércia.

As descobertas de Newton foram imensas e, em 1687, ele publicou suas ideias em uma obra conhecida como Princípios Matemáticos da Filosofia Natural. O universo descoberto por Newton era como um grande relógio, em que todas as partes trabalhavam juntas e perfeitamente de acordo com a lei científica. Newton acreditava que Deus criou o universo ordenado em que a matéria está em constante movimento.

Sumário

- Filósofos da Ciência
- O Método Científico
- O Sol como centro do Universo
- Isaac Newton
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