Problemas do Meio Ambiente

Poluição – Problemas de saúde

Importantes pesquisadores - com trabalho e conhecimento técnico-científico, aliado à sensibilidade humanística - ressaltam as perguntas comuns: "- quanto tempo levará tal ou qual ambiente para ser destruído? Ou então: uma vez estragadoquanto tempo levará para se recuperar?" A primeira pergunta muitas vezes pode ser respondida satisfatoriamente, desde que sejam bem conhecidos os poluentes envolvidos, seu modo de ação e fluxo de entrada no meio. No entanto, a segunda pergunta é muito mais difícil, porque a formação do ambiente, em seus múltiplos aspectos, envolve escalas de tempo de milhares, milhões e até mesmo bilhões de anos. E a saúde, quantos e tantos aspectos ainda não são conhecidos ou dominados?!

Agrotóxicos e o DDT

As "pragas" são elementos naturais do meio ambiente, que atacam as desprotegidas espécies de vegetais cultiváveis, geneticamente manipuladas pelo homem, gigantes em produção e anãs em autoproteção. Para ajudá-las a se defenderem, o homem lança mão de substâncias químicas artificiais, os agrotóxicos. Alguns combatem ervas ditas "daninhas" e outros, os insetos, geralmente ainda em suas formas larvais.

O homem aplica o veneno (pesticidas) na plantação, cujas sementes ou folhas são consumidas por insetos. A maioria morre, mas alguns, mais resistentes, sobrevivem e podem ser comidos por pássaros da região. Se um pássaro comer muitos insetos contaminados, poderá ser afetado. Um predador, mamífero ou ave de rapina que se alimenta dos pássaros da região, certamente sofrerá as piores consequências, pois concentrará em si as pequenas quantidades de veneno presentes nos vários pássaros que consumiu.

Um exemplo muito conhecido é o do DDT e do falcão peregrino. O DDT - dicloro-difenil-tricloroetano - foi um dos agrotóxicos mais empregados na agricultura. Hoje, seu uso está proibido na maioria dos países desenvolvidos. Mesmo no Brasil existe uma legislação para controlá-lo, mas o produto ainda é largamente utilizado. Trata-se de uma das substâncias de maior poder concentrador nos animais de topo de pirâmide.

O falcão peregrino, uma famosa vítima desse agrotóxico, é uma ave de rapina originária da América do Norte. No inverno, ela migra para a América Latina em busca de ambientes mais ricos em alimento e, no verão norte-americano, retorna para seu ambiente de origem. Alimenta-se de pássaros, caçando-os em pleno voo. Os pássaros, por sua vez, alimentam-se de insetos que vivem nas regiões agrícolas dos países por onde passa o falcão. Na época em que o DDT era usado indiscriminadamente, os insetos que se alimentavam nas plantações eram o alimento de vários pássaros, que, por sua vez, alimentavam o falcão peregrino.

Os níveis de DDT tornaram-se tão altos no organismo dessas aves, que as cascas de seus ovos, ficaram pouco resistentes. Quando tentavam chocar os ovos, acabavam por quebrá-los, o que reduziu drasticamente o número de indivíduos das novas gerações. O efeito foi tão devastador que, após uns poucos anos, havia apenas umas poucas dezenas de falcões peregrinos em todo o mundo.

Por sorte, o fenômeno foi detectado a tempo, e, graças a uma forte pressão popular, o uso do DDT - e de outros agrotóxicos - foi proibido. O falcão peregrino e outras aves de rapina se beneficiaram muito, e, bem lentamente, suas populações voltaram a crescer.

O incidente teve bastante influência sobre a regulamentação do uso de agrotóxicos em países com maior nível de consciência ecológica, e atualmente, só depois de muitos testes ecológicos, podem ser liberadas novas substâncias artificiais criadas pela indústria química.

Absorvido pela pele ou impregnado nos alimentos, o acúmulo de DDT no organismo humano provoca doenças no fígado, como cirrose e câncer. O DDT, além de outros inseticidas poluentes, é muito difícil de ser digerido pelos seres vivos, sendo portanto não biodegradável e acumula-se crescentemente nas cadeias alimentares (magnificação alimentar). 

O uso indiscriminado e descontrolado do DDT  fez com que o leite humano, em algumas regiões norte-americanas, atingisse uma concentração superior à permitida por lei no leite de vaca.  Ostras, por exemplo, que obtêm alimento por filtração da água, podem acumular quantidades enormes de inseticida em seus corpos, concentrando-o até cerca de 70 mil vezes. Ao serem consumidas por animais ou pelo homem, causam sérias intoxicações e até morte.

O controle e até a solução para os problemas de poluição resultantes dos resíduos industriais e agrícolas exigem forte e decisiva participação governamental, legislando e fiscalizando com "eficiência e sabedoria".

Biotecnologia

A biotecnologia já exerce e poderá intensificar muito mais, alternativa muito favorável ao uso de agrotóxicos, desenvolvendo muitas variedades de plantas resistentes a pragas. Por exemplo, da bactéria Bacillus thuringiensis, foi isolado um gene responsável pela produção de proteína tóxica para lagartas de lepidópteros (borboletas e mariposas). Através da cultura de células com esse DNA recombinante, obtêm-se plantas inteiras, que contêm o gene para a produção da proteína inseticida. Essas plantas transgênicas estão protegidas contra a lagarta que se alimenta de suas folhas.

Podem-se substituir os inseticidas por controle biológico, ou seja, utilizar determinadas espécies de seres vivos para controlar uma praga. Comumente, esse método consistem em introduzir no ecossistema um inimigo natural (predador ou parasita) da espécie nociva, para manter sua densidade populacional em níveis compatíveis com os recursos do meio ambiente. Quando bem planejado, o controle biológico acarreta evidentes vantagens em relação o uso de agentes químicos, uma vez que não polui o ambiente e não causa desequilíbrios ecológicos.

Por exemplo:

a) os pulgões das plantas, causadores de grandes prejuízos à lavoura, podem ser combatidos por seus predadores, as joaninhas (Coccinella septempunctata).

b) o vírus Baculovirus anticarsia é utilizado no combate à lagarta-da-soja.

c) o besouro Calosoma é usado como predador de lagartas desfolhadoras.

d) o peixe Gambusia affinis é larvófago, utilizado no combate às larvas de Anopheles, mosquito transmissor do Plasmodium da malária.

e) o fungo cinza Metarrhizium anisopliae parasita insetos diversos, como lagartas, besouros, cigarrinhas etc. O micélio do fungo envolve o inseto, mumificando-o.

f) Beauveria sp é um fungo branco que parasita insetos diversos: lagartas, besouros, cigarrinhas etc.

g) a pequena vespa Apanteles flavipes injeta ovos em lagartas diversas (parasitas da cana-de-açúcar, do milho etc). Dos ovos eclodem larvas que destroem o inseto parasitado.

Sumário

- Agrotóxicos e o DDT
- Biotecnologia
- Metais pesados
- Destilados do petróleo
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