O que é Feedback - por Andrea Fernandez e Carolina Freixo

Publicado em 23 de agosto de 2020 Autor:

O que é feedback?

A palavra feedback vem do inglês, e representa a junção de feed (alimentar) e back (de volta), ou seja, o ato de realimentar a um determinado acontecimento, a uma atitude ou comportamento. Na prática, é o retorno ao reconhecimento dos pontos fortes e percepções de pontos que precisam ser desenvolvidos ou adquiridos, norteando os próximos passos.

O feedback, sendo ele positivo (elogio) ou de desenvolvimento (crítica construtiva), é importante em todas os âmbitos de nossas vidas. Pode ser considerado como uma excelente ferramenta de aprendizado e aprimoramento pessoal e profissional.

A importância do feedback

O feedback pode exercer o papel de um regulador comportamental, ou seja, ele pode reforçar os comportamentos ou atitudes que devem ser repetidos, assim como indicar o que deve ser evitado ou modificado. Isso possibilita que o aluno alinhe e melhore seu desempenho. Pode também ser uma oportunidade para aprendizado mais profundo e crescimento positivo.

Além disso, entende-se que desenvolver a cultura feedback tanto em casa quanto no âmbito escolar e profissional, cria-se um ambiente com clima saudável e positivo. Todos passam a ter uma maturidade para ouvir críticas e receber elogios e, consequentemente, passarão a confiar mais em si mesmos e uns nos outros, estabelecendo assim uma relação de confiança.

O feedback é sempre um momento de vulnerabilidade e exercer a empatia se faz totalmente necessário. Nessa hora a empatia ajuda a criar conexão transmitindo confiança por meio de muita paciência e compreensão. Quando bem colocado, o feedback é uma atitude que demonstra consideração e respeito pelo ser humano por minimizar incertezas e ansiedades.

Por onde começar?

Na Língua portuguesa, diferentemente de outras línguas, existe uma diferença entre os verbos SER e ESTAR. Não somos preguiçosos ou agitados, apenas estamos preguiçosos ou agitados. É preciso ser claro que não somos nada, e sim, estamos alguma coisa. Isso vai nos ajudar a pensar em como expressamos o nosso feedback, ao aceitar um estado passageiro nos damos a chance de mudança.

Sabemos que um feedback, principalmente negativo, pode não ser bem recebido. Por isso, a observação é sempre o melhor ponto de partida para uma conversa. Observar consiste em perceber, ver e não interpretar os fatos. Devemos descrever como uma lente de uma câmera o fizesse, evitando suposições e interpretações a fim de evitar sentimentos que irão tornar a conversa mais dispersa e levar à uma reação negativa diante do que está sendo dito.

Como usar a linguagem para dar um feedback efetivo?

Quando pensamos em feedback positivo, o elogio, é importante que o foco seja no processo e não no resultado em si, tanto com os adultos quanto com as crianças. Resultados de pesquisas atuais demonstram uma crescente conscientização sobre a importância de incentivar o esforço e a persistência da criança ao longo da infância. É importante elogiá-la mais pelo seu esforço do que pelas suas conquistas. Ao elogiar o caminho percorrido para conseguir algo, a pessoa se estimula, se arriscando cada vez mais em tentar novos desafios. Assim estaremos também contribuindo para que ela desenvolva o ‘mindset’ de crescimento, que nada mais é do que acreditar que suas habilidades podem ser desenvolvidas através da dedicação e do esforço, sendo o cérebro e o talento apenas os pontos de partida.

Carol Dweck, psicóloga especialistas em psicologia social e psicologia do desenvolvimento, acredita que elogiar as crianças por serem “inteligentes” é realmente prejudicial à autoestima e as impede de ter sucesso na escola. Quando as crianças são elogiadas por serem inteligentes, aprendem a evitar tarefas que incluem risco de fracasso, porque fracassar pode significar que não são inteligentes. Portanto, o elogio deve ser ligado às atitudes que a leva a ser inteligente.

No que prestar atenção?

Críticas: Evitar associar elogio e crítica.

Quando alguém escuta qualquer coisa que soe como crítica, tende a investir a sua energia na autodefesa, é um momento delicado onde acontece o confronto de duas necessidades básicas do ser humano: a de reconhecimento e crescimento. Deixar clara a intenção no momento da ação pode ajudar na troca.

Evitar Dizer
Ficou bom o seu texto, mas você não colocou ponto final nas frases. Ficou bom o seu texto, da próxima vez você pode tentar lembrar de pontuar suas frases.
Sua apresentação do trabalho foi clara e precisa, mas você não olhou para o público. Sua apresentação do trabalho foi clara e precisa, tente apenas não dar as costas para os ouvintes para que todos possam ver seu rosto.

Linguagem positiva e Específica: Quando o feedback é detalhado, é mais fácil perceber que ele está no caminho certo, bem como o que pode fazer para melhorar e desenvolver outras habilidades.

Evitar Dizer
Bom trabalho. Muito boa a forma como você aprofundou este tópico no seu trabalho.
Você foi um bom irmão. Gostei do jeito como você ajudou a sua irmã.
Você é organizado. Gostei do jeito como você arrumou o seu material escolar na sua mesa.

Evitar julgamentos que vinculam a pessoa ao comportamento, como:

Evitar Dizer
Você é um bom menino porque fez a lição. Parabéns por ter feito sua lição.

Mais uma vez é necessário muito cuidado ao generalizar e rotular uma ação. Rotular significa colocar etiqueta em algo, qualificar de modo simplista, classificar, reputar. Feio, bonito, preguiçoso, bagunceira, agitado, prestativa, gordinho, magrelo são rótulos. Adjetivos que usamos de maneira corriqueira para descrever uma situação, ou uma pessoa e que, se usados de maneira recorrente, podem acabar sendo um fator limitador, assim como as generalizações que potencializam a descrição como: sempre, nunca e toda vez.

O feedback na Infância

Dar um feedback positivo para uma criança é importante para seu desenvolvimento saudável, é uma forma gostosa dela se sentir valorizada e reconhecida por algo realizado. Estamos assim desenvolvendo a autoestima da criança, fazendo-a perceber que é capaz, que pode e que consegue superar qualquer desafio. Esse é o primeiro passo para o sucesso do processo de aprendizagem. Lembrando que essa é uma recompensa externa, suas palavras e seus afetos, mas a grande recompensa vem de dentro da criança, pelo prazer que ela sente em poder colaborar, contribuir.

Não nascemos com nossos circuitos neurais emocionais prontos, esses circuitos vão sendo construídos de acordo com a nossa história. E é na infância que construímos o que acreditamos sobre nós mesmos, ou seja, é quando nossas crenças começam a se formar. E crer é confiar, acreditar, apostar pela convicção. Sendo assim, os feedbacks terão o poder de gerar confiança e a crença da capacidade!

Por Andrea Fernandez e Carolina Freixo

CAROLINA FREIXO

Analista comportamental e Professional Coach pela Sociedade Latino Americana de Coaching, e adotou o COACHING ONTOLÓGICO como metodologiano INSTITUTO APPANA MIND.

Encontrou na prática de MINDFULNESS e na COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA, mais ferramentas para ajudar as pessoas a despertarem a consciência para a sua natureza.

Desde de 2014, Carolina trabalha como coach fazendo atendimentos presenciais ou a distância, e no início de 2017 fundou o projeto CONEXÃO NATURAL, que tem como objetivo criar pausas em nossas rotinas automatizadas, proporcionar experiências coletivas e compartilhar ferramentas que possibilitem o autoconhecimento e o desenvolvimento.

ANDREA FERNANDEZ

Psicopedagoga, com pós graduação em Neuroeducação atua há 20 anos na área de Educação. Já teve sua própria escola de idiomas para crianças e adolescentes, onde desenvolveu o currículo escolar e coordenou grupos de treinamento de professores. Trabalhou em escola internacional por 13 anos onde participou da implementação e desenvolvimento do currículo do IB – International Baccalaureate e coordenou projetos sociais.

Após algum tempo trabalhando com diferenciação em sala de aula, modificando e adaptando planejamentos de acordo com as necessidades individuais de cada criança, criou o Espaço Mindful, um lugar que visa identificar as habilidades e pontos fortes das crianças para utilizá-las como ferramenta de aprendizagem; seja ela para criar estratégias a fim de desenvolver competências e habilidades para solução dos problemas, para superar suas dificuldades de aprendizagem e trabalhar os elementos que envolvem a aprendizagem.

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