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O Cuidado com a Linguagem Principalmente Atrás de uma Tela - por Andrea Fernandez e Carolina Freixo

Publicado em 02 de junho de 2020 Autor:
Linguagem principalmente atrás de uma tela

O que é comunicação?

 A comunicação é algo inerente ao ser humano, somos seres sociais. Naturalmente, desde bebês, existe a tentativa de comunicação por meio de comportamentos espelhos e comunicação não verbal. Aprendemos e construímos relações com base na aceitação da sociedade, tendo a comunicação como uma ferramenta fundamental.

Dessa forma, a linguagem não é trivial. Entenda como linguagem o sistema através do qual o homem comunica suas ideias e sentimentos, seja através da fala, da escrita ou de outros signos convencionais. A linguagem que fomos ensinados a usar, está relacionada com a maneira de como foi nos ensinado a pensar e a se comunicar e isso irá impactar diretamente nossas relações. É através dela que fechamos portas, abrimos janelas, plantamos ou enterramos sonhos.

Além disso, a comunicação não é apenas o que se fala através da sua linguagem, mas também o que o outro lado entende. A interpretação que damos aos “estímulos” que recebemos é um processo individual. Cada pessoa interpreta de acordo com as experiências pelas quais passou. Todo ponto de vista é um ponto diferente, construído a partir de uma cultura, ambiente de convívio, de valores, medos e desejos. Por isso não é possível saber o significado que cada indivíduo dará a um fato, mas temos como prever o impacto que as palavras terão.

Como nos comunicamos?

Quando pensamos em comunicação, geralmente pensamos nas palavras, no aspecto verbal da comunicação. Mas a comunicação vai muito além disso. A comunicação ocorre de 3 formas:

  • Verbal, ou seja, por meio da linguagem;
  • Por meio da entonação, ou seja, seu tom de voz;
  • Por meio da linguagem corporal.

Então, é possível melhorar nossa comunicação através do aperfeiçoamento de qualquer uma dessas formas. No fim dos anos 60, o psicólogo Albert Mehrabian, fez um estudo que resultou o conhecido gráfico da importância relativa dos componentes da comunicação. Embora os resultados possam ser generalistas, o resultado chama a atenção para a importância da comunicação não-verbal na nossa capacidade de comunicar uma mensagem de maneira eficaz. Indica também a importância da consistência entre as palavras, a voz e a linguagem corporal. Se o receptor da informação detectar alguma inconsistência, será a linguagem não verbal, prioritariamente, a ser utilizada para se obter uma impressão geral sobre a mensagem.

Gráfico dos tipos de linguagem

Comunicação atrás de uma tela

Nossos circuitos da comunicação foram “projetados” para momentos frente a frente com o outro. Trabalhar, estudar e trocar pela internet nos impossibilita a ter acesso a uma enxurrada de mensagens não verbais que acessamos presencialmente. Ao mesmo tempo, o objetivo da comunicação online é o mesmo que o da comunicação face a face: criar vínculos, compartilhar informações, ser ouvido e compreendido. Por isso a importância ainda maior de termos cuidado com a comunicação através de uma tela.

É fundamental considerar:

  • a escolha criteriosa das palavras adequadas de acordo com seu interlocutor;
  • os gestos utilizados devem ser mais evidentes e priorizando a parte superior do corpo (rosto e braços) uma vez que é a parte mais evidente para o interlocutor atrás da tela;
  • o volume e tom de voz devem ser adequados para serem escutados com clareza, sobrepondo os ruídos do ambiente.
  • a velocidade e o ritmo da fala devem ser mais lentos para garantir maior compreensão;
  • a utilização de pausas para enfatizar palavras-chave.

Uma Linguagem Eficiente

A fim de obter uma comunicação eficiente devemos considerar alguns aspectos:

Congruência

A congruência é quando temos a mesma intenção entre o que falamos, os nossos gestos e o nosso tom de voz. Existe, portanto, uma harmonia entre o que comunicamos, pensamos e sentimos.

Empatia

A empatia se manifesta através da nossa capacidade de compreender o outro, sem julgamentos, indo além das circunstâncias, pensamentos e ações para chegar ao coração onde quer que ele esteja.

Empatia não tem a ver com afinidade, é sentimento de conexão. A simpatia é como você trata o outro, já a empatia é como você enxerga e respeita o outro, é a sua capacidade de se colocar no lugar do outro, respeitando o seu contexto. É abrir mão das suas certezas, do seu jeito de fazer, para conhecer as necessidades do nosso interlocutor a fim de estabelecer a mesma linguagem.

Assertividade

Levar a comunicação de maneira clara, com vocabulário acessível. Para ser assertivo é importante minimizar o impacto da subjetividade da linguagem, sendo o mais específico possível. Por exemplo, em vez de “será uma atividade rápida”, “será uma atividade de 5 minutos”, rápido para você pode não significar o mesmo para o interlocutor.  Devemos considerar que o significado de cada palavra depende da experiência que a pessoa viveu para dar aquele significado.

O que devemos evitar?

RÓTULOS – Um dos maiores inibidores da conexão humana são os rótulos! Eles carregam expectativas de como as pessoas e as relações devem ser e, muitas vezes, vêm acompanhados de julgamentos moralizadores deixando a conexão com o interlocutor em um nível muito superficial. Os rótulos também podem se tornar crenças, o que leva a uma falta de motivação para mudar. Por exemplo, o “preguiçoso” passa a acreditar no seu rótulo, faltando-lhe estímulo para mudar essa característica. 

SUPOSIÇÕES – Uma suposição é um ponto de vista formado sem comprovação; uma hipótese, uma conjectura e, infelizmente, a maioria das suposições que fazemos são negativas. O ser humano tem a tendência a se importar mais com as notícias ruins por uma questão evolutiva, por instinto de sobrevivência.

Outra dificuldade grande é a de apenas ouvir, pois estamos sempre comparando mentalmente o que está sendo dito com ideias e referências pessoais que nos levam mais uma vez às suposições e não verdadeiramente ao que está sendo dito.

GENERALIZAÇÕES – Desde criança, somos alimentados por alguns conceitos que interpretamos e carregamos conosco para o resto da vida. Evite palavras como “sempre”, “nunca”, “tudo”, “todos”, nada, ninguém entre outras palavras totalizantes. Seja específico e concreto nos seus pedidos e explicações. Isso evitará mal-entendidos.

Dicas Práticas

Pratique a REAL PRESENÇA – Feche as outras abas do seu computador, silencie links e avisos que possam dispersar a atenção do ouvinte.

Perceba para onde está o seu olhar, qual a posição do seu corpo e qual a sua expressão facial. Se houver áreas tensionadas, faça algo que o ajude a relaxá-las.

Demonstre empatia ao aproximar a sua comunicação com a de seu interlocutor, dizer a mesma língua, adequar a sua comunicação.

Em algum momento, grave você falando para que você possa se ver de fora e assim aprimorar a sua percepção do impacto da sua linguagem não-verbal.

Olhe direto para a câmera a fim de estabelecer um contato visual, mesmo que seja através de uma tela.

Use frases assertivas, em vez de falar “Não olhe para trás” fale “Olhe para frente”, pois o cérebro é regido pela linguagem e irá automaticamente fazer exatamente o que foi pedido para não ser feito.

Seja o mais específico possível ao dar instruções, explicações e feedback.

 Pratique a Escuta ATIVA e CURIOSA.

Ao escutar, dê sinais não verbais constantes de que está prestando atenção (como acenar com a cabeça e manter contato visual).

Use uma variedade de recursos para estimular diversos canais sensoriais a fim de criar uma compreensão mais efetiva. 

Por Andrea Fernandez e Carolina Freixo

CAROLINA FREIXO

Analista comportamental e Professional Coach pela Sociedade Latino Americana de Coaching, e adotou o COACHING ONTOLÓGICO como metodologiano INSTITUTO APPANA MIND.

Encontrou na prática de MINDFULNESS e na COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA, mais ferramentas para ajudar as pessoas a despertarem a consciência para a sua natureza.

Desde de 2014, Carolina trabalha como coach fazendo atendimentos presenciais ou a distância, e no início de 2017 fundou o projeto CONEXÃO NATURAL, que tem como objetivo criar pausas em nossas rotinas automatizadas, proporcionar experiências coletivas e compartilhar ferramentas que possibilitem o autoconhecimento e o desenvolvimento.

ANDREA FERNANDEZ

Psicopedagoga, com pós graduação em Neuroeducação atua há 20 anos na área de Educação. Já teve sua própria escola de idiomas para crianças e adolescentes, onde desenvolveu o currículo escolar e coordenou grupos de treinamento de professores. Trabalhou em escola internacional por 13 anos onde participou da implementação e desenvolvimento do currículo do IB – International Baccalaureate e coordenou projetos sociais.

Após algum tempo trabalhando com diferenciação em sala de aula, modificando e adaptando planejamentos de acordo com as necessidades individuais de cada criança, criou o Espaço Mindful, um lugar que visa identificar as habilidades e pontos fortes das crianças para utilizá-las como ferramenta de aprendizagem; seja ela para criar estratégias a fim de desenvolver competências e habilidades para solução dos problemas, para superar suas dificuldades de aprendizagem e trabalhar os elementos que envolvem a aprendizagem.



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