Tráfico Negreiro

Tráfico e Comércio de Escravos

O Tráfico Negreiro é um dos capítulos mais tristes e vergonhosos na história humana. O Tráfico Negreiro e a subsequente escravidão de seres humanos ocorreram por motivos econômicos.

A conquista espanhola das Ilhas do Caribe e de grande parte da América do Norte e América do Sul resultou na morte de milhões de indígenas que habitavam estas regiões. O trabalho forçado e os maus-tratos resultaram no sofrimento e morte de milhões de pessoas, covardemente escravizadas pelos europeus. Contudo, a mais terrível consequência da colonização espanhola foi a contaminação sofrida pelos indígenas que não possuíam imunidade natural a doenças como catapora, sarampo, gripe e resfriado. Milhões de indígenas faleceram ao contrair estas doenças. Algumas populações nas Ilhas do Caribe foram aniquiladas pelos colonizadores e pelas doenças trazidas por eles. Em certas áreas do México, a população foi reduzida a 20% do que era antes da chegada dos europeus.

A morte de tantos indígenas causou uma brusca diminuição de trabalhadores nas colônias espanholas. Em meados do século XVI, os colonizadores portugueses no Brasil também precisavam de mais trabalhadores para as suas recém-fundadas plantações. Eles decidiram então importar escravos da África.

Em 1518, a Espanha oficializou o tráfico de escravos - em sua grande maioria feita por mercantes portugueses - para as Américas. A Coroa espanhola justificou tal decisão com dois argumentos: primeiro, os africanos não eram cristãos e já haviam sido escravizados por outros africanos; segundo, os espanhóis acreditavam que os africanos já estavam acostumados a trabalhar arduamente em regiões de clima tropical. (Os indígenas não haviam aguentado os trabalhos forçados impostos pelos espanhóis). Os colonizadores determinaram que seriam os escravos africanos que fariam a maioria do trabalho pesado em suas plantações nas áreas tropicais das Américas.

O primeiro carregamento de escravos africanos partiu da África ocidental em direção às Índias Ocidentais em 1518. Durante os 350 anos seguintes, o tráfico de escravos cresceu continuamente. Nas colônias das Américas, inclusive nos estados ingleses da América do Norte, escravos africanos trabalhavam duro nas minas e plantações; alguns deles trabalhavam como servos e artesãos. Quando o tráfico de escravos finalmente chegou ao fim, em meados do século XIX, 10 a 12 milhões de africanos haviam sido trazidos à força para as colônias europeias das Américas.


Escravos africanos trabalhando em plantações

Até 1650, a maioria de escravos africanos fora enviada para o Brasil, que era uma colônia portuguesa. Um grande número também foi levado à América espanhola, principalmente para o Peru, onde foram forçados a trabalhar em minas de ouro e prata.

Após 1650, as ilhas das Índias Ocidentais se tornaram o principal destino dos escravos nas Américas. Os holandeses haviam estabelecido extensas plantações de cana de açúcar na região, e os franceses e ingleses rapidamente seguiram seus passos. Duas importantes ilhas, capturadas dos espanhóis, tornaram-se fundamentais no cultivo do açúcar: a ilha inglesa da Jamaica e a colônia francesa em Hispaniola, chamada de São Domingos.

As colônias inglesas que vieram a compor os Estados Unidos importaram relativamente poucos escravos antes de 1700. Inicialmente, os escravos eram trazidos para os estados de Virgínia, Carolina do Norte e Carolina do Sul, para cultivarem tabaco e arroz. Mas quando a demanda por algodão aumentou, no final do século XVIII, mais e mais escravos foram importados para trabalhar nos campos. Plantações que utilizavam a mão de obra escrava começaram a se expandir para o oeste rumo ao Rio Mississipi e às terras além.

Imigrações europeias foram fundamentais no povoamento e desenvolvimento das Américas. Colonos portugueses e espanhóis, em busca de aventura e riquezas, foram os primeiros imigrantes a desembarcarem no continente americano. A partir de 1600, a maioria dos imigrantes começou a vir do norte da Europa. Alguns foram enviados como escravos, tais como os escoceses e irlandeses que haviam sido capturados pela Inglaterra em suas guerras durante o século XVII. Outros vieram às Américas como empregados contratados - pessoas que concordavam em trabalhar por alguns anos para um chefe americano em troca do pagamento de sua passagem marítima. Muitos, recém-chegados, como os puritanos que estabeleceram a Nova Inglaterra, vinham à procura de liberdade política, religiosa e pessoal. No século XVIII, as colônias inglesas da América do Norte possuíam o maior número de colonizadores europeus de todo o sistema colonial.

Casamentos mistos entre europeus, africanos e indígenas, ocorriam frequentemente nas colônias. Filhos gerados de casamentos entre um europeu e uma nativa eram chamados de mestiços; filhos oriundos de casamentos entre um europeu e uma africana eram chamados de mulatos. A maioria dos filhos de casamentos mistos falava espanhol ou português, eram batizados como cristãos e seguiam costumes europeus. No Brasil, principalmente, onde classes sociais não eram rigidamente definidas, pessoas de todos os grupos conviviam livremente, especialmente nas cidades.


Filho de europeu com africano

Esta população mista cresceu mais rapidamente que as populações nativas. Ao final do século XVIII, a população das Américas formava um conjunto de culturas diferentes. As línguas europeias - português, espanhol, francês, inglês e holandês - eram as mais faladas. Diferentes grupos raciais - resultado de casamentos mistos - estavam sendo formados. No entanto, apesar desta grande e rica diversidade, os povos das Américas desenvolveram sentimentos patrióticos e nacionalistas. Eles se consideravam "americanos" e "latinos" e não europeus. Assim sendo, no final do século XVIII e início do século XIX, foram organizadas as revoluções que visavam a libertação das colônias do domínio europeu e buscavam o estabelecimento de estados independentes nas Américas.

Comércio de Escravos

Na África, assim como em grande parte do mundo, a escravidão existiu desde a antiguidade. Prisioneiros de guerra, criminosos ou pessoas muito pobres eram frequentemente escravizadas.


Comércio de escravos

Como estudamos no capítulo anterior, os exploradores portugueses começaram a viajar pelo sul, ao longo da costa da África ocidental durante o século XV. Seu principal objetivo era encontrar uma rota ao redor da África para a Índia, mas os portugueses também comercializavam com os reinos costeiros da África.

Os povos do reino do Congo queriam comercializar com os portugueses, mas não possuíam produtos que interessassem aos portugueses, tais como ouro, pimenta ou marfim. O rei do Congo concordou então em vender escravos para os portugueses, que eram levados a Portugal onde trabalhavam como servos domésticos.

No final do século XV e começo do século XVI, os portugueses começaram a plantar cana-de-açúcar nas ilhas da costa africana, utilizando escravos para o plantio e colheita da safra. À medida que as plantações de açúcar se expandiam, o número de escravos trazidos do Congo aumentava significativamente.

Com o estabelecimento de plantações no Brasil e nas Índias Ocidentais, os colonizadores passaram a demandar muito mais escravos. Alguns governantes africanos não concordaram em vender africanos para serem transportados e usados como escravos nas Américas. Outros governantes africanos aceitaram vender escravos em troca de bens portugueses. No século XVII, o tráfico de escravos havia superado o comércio de ouro e pimenta.

O Triângulo Mercantilista

O tráfico de escravos fazia parte um comércio triangular entre a Europa, a África e as Américas. Navios lotados de produtos europeus viajavam em direção ao continente africano. Estes bens de consumo europeus eram trocados por escravos africanos. Alguns dos africanos vendidos como escravos haviam sido capturados em batalhas travadas entre reinos africanos. Muitos eram crianças e jovens que haviam sido sequestrados e vendidos no mercado de escravos para exportação.

Eram difíceis as negociações entre comerciantes europeus e vendedores de escravos. Em troca de escravos, os africanos pediam algodão, armas de fogo e rum brasileiro. À medida que a demanda por escravos crescia, aumentava o preço a ser pago por eles.

A viagem dos escravos da África para as Américas era chamada de Travessia do Oceano. Os navios continham o maior número de escravos possível. Mantidos nos porões do navio e sendo mal alimentados, muitos escravos morriam de doenças. Outros, desesperados, cometiam suicídio. Os que sobreviviam à terrível viagem eram vendidos ao chegar às Américas. O triângulo mercantil era finalizado com os navios europeus retornando à Europa com açúcar e outros produtos agrícolas que haviam sido comprados com os lucros do tráfico negreiro.

Poucas atrocidades na história humana foram piores e mais vergonhosas que o tráfico de escravos africanos. Retirados de suas casas, levados a lugares estranhos e tratados quase como animais, aos escravos eram negados direitos básicos humanos.

Trezentos anos após o início do tráfico de escravos, abolicionistas europeus - reformadores que se opunham à escravidão - começaram a escrever livros e panfletos descrevendo os males desta atividade. Convencidos de que a prática era imoral, eles trabalharam com o intuito de acabar com o comércio de escravos.

Finalmente, em 1807, os governantes da Grã-Bretanha e Estados Unidos proibiram o tráfico de escravos. Outras nações europeias logo fizeram o mesmo. Porém, como a escravidão ainda continuava sendo legal (apenas o tráfico de escravos havia sido proibido), muitos mercantes continuaram a traficar escravos, apesar das leis e patrulhas navais que tentavam impedi-los. Vários reinos africanos, onde a economia havia se tornado dependente do tráfico negreiro, continuaram a vender escravos africanos.

Esforços crescentes dos britânicos contra os contrabandistas africanos e europeus lentamente impediram a exportação de escravos da África Ocidental. Contudo, o tráfico negreiro perdurou até 1870, quando então a escravidão foi abolida em praticamente todas as regiões das Américas.

Sumário

- Comércio de Escravos
- O Triângulo Mercantilista
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