Introdução ao estudo de História

A introdução ao estudo da História se inicia com a constatação de que é por meio do estudo do passado das sociedades que descobrimos as motivações e os efeitos das transformações pelas quais passou a humanidade.

É necessário ressaltar, porém, que, como disciplina, a História não é o próprio passado, e sim, a interpretação que historiadores e estudiosos fazem dele. As interpretações tendem a ser subjetivas, refletindo os pontos de vista, os valores e as ideologias e crenças de tais estudiosos. Os historiadores exercem muita influência sobre o estudo da disciplina de História.

Todo aluno deve saber que a História que foi escrita – inclusive o que consta em livros didáticos e se estuda no colégio – nem sempre retrata com veracidade o que ocorreu no passado. Ao longo da história, foram os dominadores de uma sociedade ou país que escreveram uma história oficial, que não necessariamente retrata a realidade. Fatos históricos foram frequentemente registrados pelos vitoriosos e, portanto, são, por definição, subjetivos. Quando um aluno estuda um texto histórico ou assiste a uma aula de História, é importante que lembre que as informações apresentadas costumam ser tendenciosas. Isso não significa que o aluno deve rejeitar o que é ensinado em aulas de História e o que estuda em livros e publicações dessa matéria. Significa que todo estudante deve estudar História com espírito crítico.

Vale ressaltar também que o tipo de conhecimento de História Geral que é ensinado nos colégios brasileiros originou-se na Europa. Assim, trata-se o continente europeu como se fosse o centro do mundo. O eurocentrismo é a origem da periodização que se utiliza no estudo da História: Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea. Mesmo o estudo de História do Brasil foi muito influenciado pelo eurocentrismo, pois o País foi colonizado por europeus.

É fundamental distinguir realidade histórica de conhecimento histórico. É necessário analisar e questionar as formas como o passado é interpretado e retratado por historiadores. O objetivo do historiador é desvendar o processo histórico e produzir uma reconstituição. Isso é denominado historiografia.

Historiografia

Os gregos antigos foram os primeiros a utilizar o termo “história”. O grego Heródoto (480-425 a.C.), denominado o “Pai da História”, considerava que o estudo da história deveria servir como uma lição de moral. Foi a partir de então que se iniciou o registro da narrativa de acontecimentos, especialmente os mais relevantes.

A história narrativa foi seguida da história pragmática. Essa forma de estudar História valorizava, acima de tudo, o estudo das forças atuantes no processo histórico. A história pragmática, que durou até o século XIX, foi seguida pela história científica, que se iniciou no início do século XX. A história científica foi caracterizada pela utilização de métodos de investigação e de crítica das fontes históricas. A história científica utilizou o conhecimento de outras disciplinas, como a Geografia, a Economia e a Sociologia, para interpretar o passado e tentar prever transformações futuras. 

No século XX, surgiu a história nova. Esta se baseava no estudo especializado dos acontecimentos e na busca de explicações sociais globais.

Periodização da História

Para organizar a sequência de acontecimentos históricos, é necessário o uso do tempo cronológico. Essa tarefa é realizada pela cronologia – a ciência da contagem do tempo.

É importante lembrar que vários povos utilizam seus próprios calendários, baseados em eventos importantes em sua história. Por exemplo, os chineses, os muçulmanos e os judeus possuem seu próprio calendário. No calendário islâmico, o marco inicial da contagem do tempo está associado ao nascimento do fundador da religião muçulmana: Maomé.

No Brasil, assim como no restante do Ocidente, é utilizado o calendário cristão, cujo marco inicial da contagem é o nascimento de Jesus Cristo, considerado o ano 1. É importante notar que no calendário cristão não existe o ano zero. Os anos anteriores ao nascimento de Jesus são contados em ordem decrescente e acompanhados pelas iniciais a.C., que significam “antes de Cristo”. Nos anos posteriores ao ano 1, utiliza-se apenas a data sem nenhuma sigla (por exemplo, 2019) ou as iniciais d.C., que significam “depois de Cristo”. Utiliza-se também a sigla A.D., do latim Anno Domini. No calendário cristão, a contagem do tempo também é feita por meio da divisão de décadas (períodos de 10 anos) e séculos (períodos de 100 anos). Geralmente, os séculos são indicados em algarismos romanos: a sequência é decrescente antes de Cristo e crescente depois de Cristo.

O Tempo Histórico

O tempo histórico é constituído tanto por mudanças rápidas como lentas. Os tempos de mudanças rápidas são constituídos por acontecimentos e fatos. Já a formação de sociedades, culturas e idiomas, que evoluem por um longo tempo, são denominadas estruturas de longa duração.

Ao se estudar História, é fundamental identificar tanto os acontecimentos como as estruturas de longa duração. Deve-se buscar entender como eles se influenciam e se integram.

Baseando-se na cronologia, os historiadores dividiram a história, considerando alguns fatos como transformadores de sociedades. Tais fatos, denominados marcos históricos, indicam as mudanças dos períodos que constituem a história. Por exemplo, a criação da escrita, ocorrida por volta de 4000 a.C., é considerada o marco histórico que divide dois grandes períodos – a Pré-Historia e a História –, pois foi a partir da escrita que os homens passaram a deixar registros escritos, que é fundamental para o estudo dessa disciplina.

A História, iniciada a partir da escrita, é dividida em quatro grandes períodos:

  1. Idade Antiga (Antiguidade): inicia-se por volta de 4000 a.C., com o advento da escrita, e se encerra com a queda do Império Romano do Ocidente, no ano 476 (século V).
  2. Idade Média: iniciando-se em 476 e estendendo-se até 1453, quando terminou a Guerra dos Cem Anos, e a cidade de Constantinopla caiu em mãos dos turcos otomanos. Durante esse período, prevaleceu a estrutura socieconômica feudal no Ocidente.
  3. Idade Moderna: iniciou-se em 1453 e se estendeu até 1789, quando se iniciou a Revolução Francesa. Durante essa época, consolidou-se o capitalismo comercial.
  4. Idade Contemporânea: iniciou-se em 1789 e prossegue até a presente data.

É importante que o aluno de História saiba que novas estruturas não são resultado de apenas um acontecimento, e sim, de muitas transformações, evidenciadas por diversos acontecimentos, durante um período de tempo relativamente longo. Vale ressaltar que, no presente, os historiadores se concentram mais no estudo das estruturas do que dos períodos.