Grandes Navegações

Grandes Navegações

As Grandes Navegações foram o processo de exploração do Oceano Atlântico que se iniciou no século XV e se estendeu até o século XVI. As Grandes Navegações foram realizadas pioneiramente por Portugal no século XV e acompanhadas por outros países europeus ao longo do século XVI. Nesse período, os europeus descobriram novos caminhos marítimos para chegar à Ásia. Foi por meio das Grandes Navegações que os europeus chegaram ao continente americano – terras até então desconhecidas por eles – em 1492.

Fatores que levaram às Grandes Navegações

1. O desejo por riqueza e poder

O principal motivo que levou os europeus a fazerem longas viagens de exploração foi o desejo por riquezas. Os governantes de vários países europeus acreditavam que o comércio com a Ásia poderia torná-los ricos e poderosos e trazer prosperidade para suas nações. Os comerciantes sonhavam com as fortunas que poderiam ser ganhas com a venda de produtos orientais na Europa. Os bens de luxo como especiarias, açúcar e seda - raramente encontrados na Europa antes das Cruzadas - eram muito requisitados pelos europeus.

Durante séculos, navegantes muçulmanos haviam dominado as rotas marítimas para a Ásia. Eles vendiam produtos asiáticos para comerciantes italianos que então os vendiam para o resto da Europa. Este sistema beneficiava apenas os navegantes muçulmanos e os comerciantes italianos. Outros europeus, principalmente os portugueses, esperavam encontrar uma nova rota marítima para o Oriente que lhes permitisse engajar-se no comércio direto com os países asiáticos.

2. Interesses religiosos

Outra razão que levou às viagens europeias de exploração foi o desejo de expandir o cristianismo mundo afora. Mesmo após o fim das Cruzadas, os cristãos europeus continuavam a temer e odiar os muçulmanos. Os espanhóis e portugueses acreditavam que tinham uma missão Divina de expulsar os muçulmanos de outras terras e converter os povos da Ásia e África ao cristianismo.

3. O espírito do Renascimento

O espírito do Renascimento incentivou a curiosidade e o desejo por aventuras e realizações pessoais. Muitos europeus haviam lido contos fascinantes, como os de Marco Polo, sobre viagens à Ásia. Este desejo por aventuras, fomentado durante o Renascimento, contribuiu para que ocorresse a Idade das Explorações.

4. Avanços tecnológicos

Avanços tecnológicos possibilitaram grandes explorações. Os europeus passaram a construir navios que não mais exigiam uma numerosa tripulação. Mapas mais precisos permitiam que os capitães das embarcações realizassem viagens marítimas mais extensas. Os navios europeus passaram a carregar armamentos mais poderosos e sofisticados para proteger suas tripulações. Instrumentos de navegação como a bússola, uma invenção chinesa levada à Europa, facilitaram as grandes viagens exploratórias.

As Explorações Portuguesas

A primeira nação europeia a patrocinar viagens de exploração foi Portugal, liderada, na época, pelo príncipe Henrique (1394-1460). Razões econômicas e religiosas levaram o príncipe português a enviar navios de exploração à costa Ocidental da África, buscando uma rota marítima para o Oriente.

O príncipe Henrique gastou sua fortuna pessoal na construção de uma estação naval em Sagres, na extremidade a sudoeste de Portugal. Geógrafos, matemáticos, astrônomos e marinheiros experientes visitavam Sagres, levando informações ao príncipe Henrique sobre os mares e a costa africana que ajudariam os navegadores portugueses a viajar por águas desconhecidas. Apesar do príncipe Henrique nunca ter navegado, seus esforços, que proporcionaram o avanço da navegação, levaram os escritores ingleses a lhe atribuir o aposto de "Henrique, o Navegador".

Os portugueses estabeleceram duas instituições lucrativas na África Ocidental - entrepostos comerciais e plantações, que se tornaram as sólidas bases econômicas do império português. Os entrepostos comerciais, vigiados por guardas armados, serviam como pontos centrais para os comerciantes armazenarem o ouro para vender ou trocar por escravos africanos, marfim e outros produtos. Os soldados armados forçavam os governantes locais a garantir o monopólio comercial de Portugal. (Monopólio significa o controle exclusivo da produção de um bem ou fornecimento de um serviço).

Os portugueses também estabeleceram plantações em áreas férteis da África Ocidental. Estas plantações eram grandes fazendas administradas por portugueses; nelas, escravos africanos trabalhavam na produção de safras para exportação. O sucesso das plantações portuguesas de açúcar na África Ocidental serviu de estímulo à adoção deste tipo de agricultura em outras colônias, ao redor do mundo. De fato, o sistema de plantações foi um fator determinante na trágica expansão do tráfico de escravos africanos.

Apesar de Portugal ter enriquecido com os entrepostos comerciais e o sistema de plantações na África, os governantes portugueses ainda sonhavam em encontrar um caminho marítimo para a Índia. Marinheiros portugueses exploraram a costa da África Ocidental durante quase 70 anos. Finalmente, em 1488, um vendaval vindo do sul do Oceano Atlântico conduziu os navios do navegador Bartolomeu Dias para a extremidade sul do continente africano. Alguns dias depois, sua tripulação avistou terra novamente. Como o sol nascia à sua direita e não mais à esquerda, a tripulação de Bartolomeu Dias percebeu que estava navegando rumo ao norte, ao longo da costa leste da África. Dias apelidou a extremidade do continente africano de "Cabo das Tormentas". O rei português, todavia, ficou tão entusiasmado com a notícia que denominou a região de "Cabo da Boa Esperança".

A descoberta de Dias de uma rota marítima para o Oceano Índico serviu de incentivo para futuras expedições portuguesas. Em 1497, o rei de Portugal enviou um navegador, chamado Vasco da Gama, em missão diplomática à Índia.

A expedição de Vasco da Gama navegou ao redor do Cabo da Boa Esperança, viajando pelo litoral da África Oriental. O navegador logo avistou a rica cidade muçulmana de Moçambique. Um piloto árabe guiou a frota de Vasco da Gama através do Oceano Índico para Calicute, na costa Oeste da Índia, onde sua tripulação desembarcou.

A viagem de Vasco da Gama permitiu que Portugal dominasse o comércio europeu com a Índia. Os comerciantes portugueses na Índia adquiriram fortunas em especiarias e tinturas, que eram importadas e vendidas na Europa. Os governantes e comerciantes da Índia geralmente aprovavam os laços comerciais entre seu país e Portugal. Em outras épocas, contudo, os portugueses tinham que recorrer a ameaças de guerra para obter direitos comerciais na Índia.

Os bens asiáticos eram muito desejados na Europa, mas o inverso não era verdadeiro: a Ásia não tinha interesse em bens e produtos europeus. Portanto, como a relação comercial não apresentava reciprocidade, os europeus tinham que pagar pelos produtos asiáticos com barras de ouro e prata.

As Viagens de Cristóvão Colombo

Os portugueses seguiam a rota marítima navegando em direção a leste, rumo à Ásia. Em 1484, um navegador italiano chamado Cristóvão Colombo propôs uma ideia ousada ao rei João II de Portugal - encontrar a rota que navegava em direção a oeste, em seu caminho à Ásia. Colombo não sabia do tamanho certo da Terra e achava que tal viagem cobriria 2.500 milhas e duraria apenas dois meses. Os conselheiros navais portugueses discordaram das estimativas de Colombo e calcularam corretamente que a distância para a Ásia, navegando a oeste, seria de aproximadamente 10.000 milhas. Afirmavam, também, que nenhum navio poderia carregar provisões suficientes para uma viagem tão longa. Portanto, confiando nas opiniões de seus conselheiros, o rei João II de Portugal rejeita a ideia de Colombo.

Colombo não se dá por vencido e levou, então, sua proposta aos líderes espanhóis - o rei Fernando e a rainha Isabel. Apesar de inicialmente demonstrar ceticismo quanto ao plano de Colombo, Isabel concordou em patrocinar a viagem e lhe forneceu dinheiro e equipamentos para uma frota de três navios - Santa Maria, Pinta e Nina.


Caravelas de Cristóvão Colombo

Cristóvão Colombo partiu da Espanha em agosto de 1492, seguindo em direção oeste pelo Oceano Atlântico. Após algumas semanas, os membros de sua tripulação começaram a se preocupar: apesar do clima e ventos favoráveis, não tinham certeza de chegar ao destino e temiam jamais encontrar o caminho de volta à Europa.

Colombo chegou a oferecer um prêmio para o marinheiro que primeiro avistasse terra. Na manhã de 12 de outubro de 1492 - um dia antes da data que Colombo marcara para ordenar a volta à Espanha, desistindo de seu intento - um membro da frota avistou areia branca brilhando à luz do luar. Alegremente, anuncia: "Tierra, tierra!"

Cristóvão Colombo acreditou ter chegado às Índias, um grupo de ilhas no sudeste asiático. Ele não sabia que havia desembarcado numa ilha do Caribe. Quando avistou os nativos do local, chamou-os de "índios". Colombo acreditava ter sido incumbido da missão de disseminar o cristianismo ao redor do mundo e, por isso, chamou a ilha descoberta de São Salvador.

Após visitar a ilha de Hispaniola (hoje, dois países independentes, Haiti e República Dominicana), Colombo navegou de volta à Espanha. Levou consigo alguns nativos para provar que chegara à Ásia. Encantada com o sucesso de sua viagem, a rainha Isabel intitulou Cristóvão Colombo de "Almirante do Mar Oceano".

Colombo retornou mais três vezes ao Caribe. Em sua segunda viagem, no ano de 1493, comandou uma esquadra com 17 navios de colonizadores à Hispaniola, lá fundando a primeira colônia europeia das Américas.

Cristóvão Colombo morreu em 1506, convencido de que havia descoberto o caminho ocidental para a Ásia. Outros europeus, porém, perceberam que Colombo não havia chegado à Ásia e sim descoberto terras novas. Eles chamaram as Ilhas do Caribe de "Índias Ocidentais".

É importante ressaltar que Colombo não foi o primeiro europeu a chegar às Américas. Aproximadamente 500 anos antes de sua descoberta, um viking, chamado Leif Eriksson, havia explorado um território na costa leste da América do Norte, ao qual denominou Vinland.

As viagens de Colombo, contudo, ocorreram em uma época em que as nações europeias estavam ávidas por explorações. Na verdade, queriam adquirir novas posses para ter o controle destas terras recém descobertas.

A Divisão do Mundo

Os governantes da Espanha informaram ao Papa Alexandre VI sobre o sucesso da primeira viagem realizada por Cristóvão Colombo. A Espanha esperava que o Papa apoiasse seu domínio sobre as terras recentemente descobertas. Para evitar uma grande disputa territorial entre Espanha e Portugal, o Papa estabeleceu uma linha imaginária de demarcação no Oceano Atlântico, assegurando a posse da Espanha sobre as terras "já descobertas e a serem descobertas" a oeste da Europa. Mas Portugal teria direito às terras do Ocidente que se localizavam a leste da linha demarcada. O rei João II de Portugal, insatisfeito com o tratado, ameaçou atacar a Espanha, declarando que os monarcas espanhóis haviam sido injustamente beneficiados por essa demarcação territorial.

Em 1494, diplomatas de Portugal e Espanha reuniram-se em Tordesilhas, na Espanha. Concordaram em mudar a linha imaginária de demarcação mais para oeste. O Tratado de Tordesilhas, assim como estipulado pelo Papa, autorizava Espanha e Portugal a dividirem todo o mundo não cristão entre os dois países. O tratado revisado deu a Portugal o território que é hoje o Brasil; a Espanha permaneceu com o restante das Américas.

  • Aulas relacionadas