Processo da Industrialização nos Países em Desenvolvimento

O Processo de Industrialização - Países em Desenvolvimento

Cada país tem uma combinação única de fatores que influenciam o seu desenvolvimento econômico: fatores como clima, recursos naturais, políticas de colonização, entre tantos. No entanto, políticas econômicas têm tido uma influência determinante na industrialização de um país. A grande parte da população mundial vive em países com rendas per capita baixíssimas; são os chamados países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos. Ao adotar políticas econômicas que visam a aumentar a renda per capita da população, diferentes países escolhem caminhos diferentes para se industrializarem. Porém, mesmo após décadas de políticas econômicas que visam o desenvolvimento, alguns países permanecem em extrema pobreza, enquanto outros, como a Cingapura, conseguiram se elevar a níveis de países desenvolvidos.

Nessa aula estudaremos como países que, até décadas atrás, eram pobres e subdesenvolvidos, têm feito grande progresso, se tornando NICs (Newly Industrialized Countries - Países Recentemente Industrializados), enquanto outros, como os países latino americanos, continuam subdesenvolvidos.  Estudaremos as escolhas de políticas econômicas por grupos de países em desenvolvimento (países subdesenvolvidos): a política de substituição de importações e a política de plataformas de exportação.

Substituições de importações

A partir da Segunda Guerra Mundial, países da América Latina, como o Brasil, o Chile, a Argentina e o México, tentaram acelerar o desenvolvimento da indústria através de uma política econômica de substituição de importações. Esses países limitavam a importação de produtos manufaturados para proteger e incentivar o nascimento e crescimento da indústria nacional. Produtos que, até então, eram importados passaram a ser produzidos internamente.

O principal argumento para essa política era o da "indústria nascente", que dizia que industrias que estavam nascendo precisavam ser protegidas pelo governo até que se tornassem competitivas no mercado internacional; caso contrário, elas não sobreviveriam. A lógica deste argumento econômico aparentemente faz sentido: de fato, leva alguns anos para estabelecer uma indústria sólida que possa competir com outras que já estão estabelecidas. A conclusão deste argumento econômico é que se essas indústrias recém fundadas não fossem protegidas, elas nunca teriam a chance de se desenvolverem.

Essa política econômica deveria ter sido temporária. O governo limitaria as importações através de cotas e tarifas por um determinado número de anos, protegendo assim as novas indústrias. Após um certo período de tempo, a nova indústria deveria ser sólida o suficiente para competir no mercado internacional, fazendo com que as cotas e tarifas se tornassem irrelevantes. Dessa forma, o país subdesenvolvido começaria a se industrializar.

De fato, os Estados Unidos e a Alemanha protegeram suas indústrias durante o século XIX, durante seu processo de industrialização; o Japão fez o mesmo até a década de 1970.  Porém, os mesmos resultados não foram obtidos na América Latina.

Brasil

A política de substituição de importações gerou vários benefícios para o país. O processo de industrialização se iniciou com a indústria de bens de consumo não duráveis, com fábricas de têxteis, calçados, alimentos e bebidas.

Conglomerados americanos, europeus e japoneses, instalavam fábricas de bens de consumo duráveis (automóveis, eletrodomésticos, eletrônicos) no Brasil e no resto da América Latina. Já que esses países não podiam exportar livremente para o Brasil, os altos lucros justificavam a instalação de fábricas em nosso país. Isso gerou empregos e ajudou no desenvolvimento de cidades.

Grandes estatais também se desenvolveram no Brasil (exemplos: Petrobras e a Companhia Siderúrgica nacional). O Estado se tornou um participante ativo na indústria, construindo grandes empresas.

O Brasil se tornou uma economia extremamente fechada. Investimentos estrangeiros tinham que passar por níveis altíssimos de burocracia para conseguir a permissão do governo e do Banco Central para entrar no país. Uma vez que investimento entrava no Brasil, não era fácil enviar os lucros decorrentes dele para o país de origem.

A indústria brasileira se desenvolveu e passou a depender do mercado interno, em vez de visar a exportação. Até hoje, a indústria brasileira depende mais do mercado interno do que do mercado internacional. Isso é evidente pelo fato da soma das importações e das exportações representarem aproximadamente 12,6% do PIB brasileiro (*2012). Em economias consideradas "abertas", como as dos "Tigres Asiáticos", esse número chega a ultrapassar 50%. Deve-se lembrar, porém, que de uma certa forma, ter uma economia "fechada" protege um pouco a indústria nacional de crises econômicas internacionais.

A política de substituição de importações trouxe multinacionais para o Brasil e desenvolveu várias indústrias nacionais. Porém, essa política teve resultados desfavoráveis para o país: por exemplo, ela não resultou num aumento significativo no nível de renda per capita do Brasil e dos outros países da América Latina. 

Com a proteção governamental, a indústria brasileira não tinha que enfrentar qualquer competição real.  Produtores aumentavam seus preços sem restrições. A falta de competição permitia que a indústria brasileira produzisse produtos de qualidade inferior aos do mercado internacional. Consumidores brasileiros não tinham muita escolha de produto: eram obrigados a comprar o que era vendido no mercado, mesmo se os produtos fossem caros e de baixa qualidade. A população brasileira se prejudicava com isso e as fábricas pouco faziam para se modernizar e para melhorar atender seus consumidores; afinal, com a falta de competição, seus lucros estavam garantidos.

Essa política econômica de substituição de importações durou até o início da década de 1990, quando o Presidente Fernando Collor de Mello abriu o país às importações. Fábricas obsoletas e ineficientes foram forçadas a se modernizar; caso contrário não sobreviveriam à competição das importações. Muitas fábricas foram à falência, gerando desemprego. Se a teoria da "indústria nascente" estivesse correta, essas fábricas - depois de décadas de terem praticamente monopolizado o mercado nacional - deviam estar prontas para competir no mercado internacional. O que ocorreu na América Latina foi que, em vez das fábricas nacionais usarem a proteção governamental para se desenvolverem e se modernizaram, como aconteceu nos Estados Unidos, na Alemanha e no Japão, elas se acomodaram às custas dos consumidores brasileiros.

Nas décadas de 1980 e 1990, os países da América Latina tiveram níveis de crescimento econômico baixíssimos; a única verdadeira exceção foi o Chile. Este país abandonou a política de substituição de importações no começo da década de 1970 e adotou uma política de plataforma de exportação. O Chile tem tido um crescimento econômico fenomenal e foi considerado pelo Banco Mundial como um país já desenvolvido.

Plataformas de exportação

Com a falência da teoria de substituição de importações, países subdesenvolvidos adotaram plataformas de exportação para se industrializarem.

Na década de 1960, iniciou-se um rápido crescimento econômico nas economias asiáticas conhecidas como os "Tigres Asiáticos": Hong Kong, Cingapura, Coreia do Sul e Taiwan. No final da década de 1970, a Tailândia, Indonésia, Malásia e, principalmente a China, também se juntaram a esse grupo.

Com a política econômica visando a criar plataformas de exportação, a industrialização desses países ocorreu de uma forma muito diferente do que na América Latina. Esse grupo de países asiáticos focou suas indústrias em manufaturados que requeriam baixo investimento tecnológico. Foram então desenvolvidas indústrias de têxtil, roupas, eletrônicos, entre tantas, visando a exportação destes produtos para países desenvolvidos. Esses países asiáticos especializaram suas indústrias, tornando-as competitivas e de qualidade. Seus produtos de bens de consumo não duráveis tomaram conta do mercado internacional. Diferentemente do Brasil, México e Argentina, os "Tigres Asiáticos" mantiveram suas economias abertas, com a soma das importações e das exportações representando níveis muito além de 50% do PIB de cada país.

É um fato incontestável que as economias asiáticas que focaram em aumentar significativamente suas exportações em vez de substituir produtos importados por uma produção interna obtiveram um crescimento extraordinariamente maior. Até 1997, quando explodiu a crise financeira dos Tigres Asiáticos, a média de crescimento econômico anual desses países era de 8% A média de crescimento econômico da China ultrapassa 10%. Apesar da crise no sistema financeiro, esses países tiveram uma retomada rápida de suas economias.  Por outro lado, as economias latino-americanas se encontram estagnadas desde a década de 80, vivenciando poucos anos esporádicos de crescimento significativo.

Economistas que advogam uma política econômica de comércio exterior livre, sem barreiras de importação e exportação, usam o caso dos "Tigres Asiáticos" como exemplo.  De fato, o modelo funcionou. Porém, nunca podemos ignoram os outros fatores que também influenciaram a economia de um país. Por exemplo, em países desenvolvidos, uma ênfase enorme é dada à educação, fato que não ocorre no Brasil. Não é apenas com uma boa política econômica que se desenvolve um país.

Sumário

- Substituições de importações
- Brasil
- Plataformas de exportação
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