O Fundamentalismo Islâmico e o terrorismo

O terrorismo se tornou um fenômeno e uma tática comum no Oriente Médio a partr da derrubada do Xá do Irã, ocorrida em 1979.  O novo governo iraniano, chefiado pelo líder religioso xiita Aiatolá Ruhollah Khomeini, distanciou o país dos ideais do Ocidente e aproximou-o do fundamentalismo islâmico. Em 1979, uma multidão tomou a embaixada norte-americana na capital iraniana, Teerã. Durante 444 dias, o governo Khomeini recusou-se a libertar mais de 50 norte-americanos mantidos como reféns na embaixada.

Seguindo a revolução islâmica no Irã, o fundamentalismo - um movimento que prega e promove a observância severa da lei religiosa - espalhou-se por muitos países islâmicos do Oriente Médio. Os fundamentalistas islâmicos acreditam que a influência ocidental é prejudicial ao islamismo.

Movimentos fundamentalistas irromperam em muitos países do Oriente Médio na década de 1980, ameaçando os governos da região. Os grupos fundamentalistas também perpetraram atos de terrorismo -- bombardeios, sequestros de pessoas e de aviões e assassinato de líderes – contra o Ocidente e contra Israel. Em 1981, o Presidente do Egito, Anuar el-Sadat, que firmou a país entre seu país o Estado de Israel, foi assassinado por fundamentalistas islâmicos. Em 1984, a Primeira Ministra da Índia, Indira Gandhi e, em 1987, o Primeiro Ministro do Líbano, Rashid Karami, também foram mortos.

Em dezembro de 1979, a União Soviética invadiu o Afeganistão: foi a primeira ocupação militar de um país muçulmano desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A invasão soviética fez com que o Afeganistão se tornasse um polo de atração de fundamentalistas, dispostos a expulsar os “infiéis” de terras islâmicas. Entre esses fundamentalistas havia um multimilionário saudita, cujo nome era Osama bin Laden.

Irmandade Muçulmana

Fundada no Egito, em 1928, a Irmandade Muçulmana é um grupo fundamentalista sunita – político e religioso. O movimento atua em cerca de 70 países árabes do Oriente Médio, Ásia e África, e luta pela adoção da Sharia (leis islâmicas) nos estados árabes. Isso significa que o objetivo do grupo é que as leis do islamismo sirvam não apenas para ditar a forma de vida da população, mas que seja também a base das leis do Estado.

Outro objetivo da Irmandade Muçulmana é o estabelecimento de um califado: a unificação de países de população muçulmana em um único país. O lema da organização é: "Deus é nosso objetivo; o Alcorão, nossa Constituição, o Profeta (Maomé), nosso líder; a Jihad (guerra santa), nosso caminho e morrer pela glória de Deus é a maior de nossas aspirações."

Muitos analistas afirmam que a Irmandade Muçulmana é a precursora do islamismo militante moderno, pois sua origem é a seita islâmica sunita radical Wahabita. Essa seita, que é a base da sociedade da Arábia Saudita, inspirou a milícia islâmica do Talibã (presente no Afeganistão e Paquistão) e a organização internacional terrorista Al-Qaeda.

Wahabismo

O Wahabismo é um ramo puritano do Islã, que afirma que apenas o Corão (livro sagrado islâmico) e as palavras tradicionais do profeta Maomé são válidos.

O Wahabismo está associado ao combate à idolatria. Defende a proibição de certas práticas que considera idólatra, como o culto aos santos islâmicos. Proíbe, portanto, visitas à túmulos e santuários, inclusive de figuras sagradas para o islamismo. Proíbe também qualquer inovação religiosa. Além disso, determina que a vestimenta da mulher deve ser uma abaya preta que cubra absolutamente todo o seu corpo, exceto os olhos e as mãos.    

O Wahabismo é acusado de ser uma “fonte de terrorismo global” e de fomentar desunião na comunidade muçulmana. Já os muçulmanos que aderiram ao Wahabismo acusam o restante do mundo muçulmano de ter abandona a verdadeira fé religiosa, abrindo, assim, o caminho para o derramamento de sangue.

Um grande trunfo para a organização foi a vitória democrática de Mohammed Morsi em 2012, no Egito. Morsi pertence à Irmandade Muçulmana e ao chegar ao poder, passou a implementar a ideologia da Irmandade Muçulmana, visando a substituir as leis seculares do Egito por leis islâmicas. 

Em 2013, as imensas manifestações populares de grupos que se opunham à interferência religiosa na política levaram à derrubada de Morsi. Sua saída implicou em uma perda de poder do movimento, tanto no Egito como no restante do mundo árabe

Após Morsi ter sido removido do poder, a Irmandade Muçulmana e seu partido político (Partido Liberdade e Justiça) foram banidos no Egito.

Al-Qaeda

A Al-Qaeda é considerada a organização-mãe da Jihad ("guerra santa" islâmica) global. Na língua árabe, Al-Qaeda significa "A base".  Atualmente, a organização é uma rede informal de células terroristas, que agem de maneira semiautônoma em diversos países.

O objetivo da Al-Qaeda é barrar a influência ocidental em países muçulmanos e substituir governos moderados por regimes fundamentalistas islâmicos.
A Al-Qaeda foi fundada em 1988 por Osama bin Laden. Essa organização fundamentalista - responsável por coordenar e financiar ataques terroristas - é responsável pelo atentado contra as Torres Gêmeas de Nova Iorque, ocorrido no dia 11 de setembro de 2001.

O grupo Al-Qaeda é responsável por uma série de atentados: o ataque contra as embaixadas dos Estados Unidos no Quênia e na Tanzânia em 1998; o ataque de 2004, que resultou na morte de 191 pessoas no metrô de Madri; o ataque de 2005 a metrôs e ônibus, que custou a vida de 56 pessoas em Londres; e o atentado suicida que matou a ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Buttho, entre muitos outros.

Dia 11 de setembro

Em 11 de setembro de 2001, 19 terroristas sequestraram quatro aviões comerciais, cheios de passageiros e de combustível, visando à maior destruição possível. Os terroristas colidiram dois dos aviões contra as Torres Gêmeas de Nova York e o terceiro contra o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Acredita-se que o quarto avião tinha como alvo o próprio presidente dos Estados Unidos, mas a aeronave foi intencionalmente derrubada pelos passageiros. Estes, quando descobriram o que estava ocorrendo, heroicamente enfrentaram os terroristas.

Os ataques de 11 de setembro de 2001 custaram a vida de 3.000 civis norte-americanos. Entre os mortos, havia 242 bombeiros, que entraram nos prédios em chamas para ajudar a salvar vidas.

Em retaliação aos atentados de 11 de setembro, os Estados Unidos lançaram uma ofensiva militar contra o governo Talibã do Afeganistão, cujo regime fundamentalista islâmico abrigara Osama bin Laden e seus seguidores. Os Estados Unidos invadiram o Afeganistão e permanecem no país até 2015.

O alvo principal foram as bases de treinamento da Al-Qaeda. As principais lideranças do grupo terrorista fugiram para o Paquistão e se instalaram em áreas tribais na fronteira com o Afeganistão, que eram pouco controladas pelo governo.
Muitos integrantes da organização foram dizimados pelos Estados Unidos em ataques executados por drones – aviões não tripulados – nas zonas tribais do Paquistão e Afeganistão. O poder e o número de ataques da Al Qaeda em países ocidentais declinaram significativamente graças às operações antiterrorismo norte-americanas.

Em 2011, Osama bin Laden, considerado o homem mais procurado do mundo, foi morto em uma missão secreta norte-americana. O líder terrorista vivia escondido em uma cidade do Paquistão. A execução de Osama bin Laden é considerada um dos maiores trunfos da presidência do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Depois da morte de Osama bin Laden, as facções de sua organização terrorista se fortaleceram e passaram a agir de forma mais independente. Diversos grupos radicais alegam atuar em nome da Al Qaeda no mundo árabe, tanto na Península Arábica como na África. Contudo, tais grupos defendem seus próprios interesses.

Acredita-se que a base da Al Qaeda se encontra atualmente no Afeganistão e no Paquistão, mas seu núcleo perdeu força. A organização está perdendo a guerra de “marketing” para o Estado Islâmico. Hoje, os jihadistas preferem o Estado Islâmico ao Al Qaeda. O Estado Islâmico é uma organização mais notória e possui vastos recursos financeiros e uma excelente campanha de recrutamento, inclusive por meio da Internet.

Algumas facções do Al-Qaeda

Frente al-Nusra

A Frente al-Nusra, cujo nome significa “frente de apoio para o povo sírio”, é considerada um braço oficial da Al Qaeda. Fundada em 2011, a Frente al-Nusra, que concentra suas forças no norte da Síria, é um dos principais grupos rebeldes do país. Estima-se que o número de seus integrantes seja entre cinco e sete mil pessoas. O objetivo da Frente al-Nusra é fundar um estado islâmico no país.

Em agosto de 2014, a Frente al-Nusra sequestrou cerca de 40 soldados que integravam as tropas de paz das Nações Unidas nas Colinas de Golã. Os soldados foram libertados alguns dias depois.

Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI)

A Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) é uma facção da Al-Queda no Norte da África. Essa organização é responsável por diversos atentados na Argélia e na Tunísia, por sequestros de turistas ocidentais e pela invasão, em 2013, de um campo de gás natural na Argélia, em que fez numerosos reféns. Quase 40 deles foram mortos durante a tentativa de libertação por militares argelinos.
Após a queda de Muamar Kadafi, o grupo apreendeu toneladas de armas de rebeldes líbios. Estes haviam sido armados por uma coalizão que incluía os Estados Unidos, a França e o Qatar.

A Al Qaeda no Magrebe Islâmico tem como objetivo impor um Estado islâmico religioso na Argélia, Líbia, Mali, Mauritânia, Marrocos e Tunísia. O grupo visa a livrar o Norte da África da influência ocidental.

A Al-Qaeda na Península Arábica

A Al-Qaeda na Península Arábica é um dos braços mais ativos e notórios do Al-Queda. O grupojá atacou alvos Ocidentais, inclusive a revista satírica Charlie Hebdo, na França.

Os Estados Unidos já lançaram centenas de ataques por meio de drones contra a Al Qaeda no Iêmen. Assim, eliminaram vários líderes desse grupo terrorista.

Al Shabaab

Fundada em 2006 em meio à guerra civil da Somália, a organização radical islâmica Al Shabaab ("A juventude") é ligada ao Al-Qaeda e tem conexões com o grupo terrorista Boko Haram.

A organização luta para impor um Estado religioso na Somália. Sua ideologia fundamentalista não reconhece fronteiras nacionais.

A Al Shabaab realiza atentados terroristas por todo o Leste Africano. A organização assumiu a autoria do ataque que resultou na morte de mais de 60 pessoas em um shopping center em Nairóbi, capital do Quênia, em 21 de setembro de 2013.

Esse grupo terrorista controla parte do centro e do sul da Somália. Os piratas que agem na costa da Somália – e que são notórios pelos sequestros que realizam – pagam um “imposto” – 20% de sua receita – para a Al-Shabaab.

Sumário

- Irmandade Muçulmana
- Al-Qaeda
- Algumas facções do Al-Qaeda
i. Frente al-Nusra
ii. Al Qaeda no Magrebe Islâmico
iii. A Al-Qaeda na Península Arábica
iv. Al Shabaab
- Boko Haram
- Estado Islâmico (EI, EIIL ou ISIS)
- Hamas
- Hezbollah
- A ameaça ao ocidente
- Je suis Charlie (“Eu sou Charlie”)
- Representação do Profeta Mohammed e a liberdade de expressão
- Grupos anti-Islã na Europa
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